terça-feira, 30 de junho de 2009

COLUNA DO CARLOS CHAGAS


ESCORREGADELAS EXTERNAS


Mandou-se o presidente Lula para Trípoli, na Líbia, sob os ecos de seu veemente protesto contra a deposição do presidente Manoel Zalaya, de Honduras. Alegou que golpes militares e ditaduras não tem mais lugar na América Latina e que o Brasil não reconhece o novo governo daquele país. Tudo bem, não fossem dois detalhes: para prestigiar os países da África, o nosso presidente esqueceu que a Líbia, há mais de trinta anos, é governada com mão de ferro pelo ditador Muhamar Kaddaffi, coronel que chegou ao poder através de um golpe militar e vem se “reelegendo” desde então. Da mesma forma, não foi completamente informado pelo Itamaraty de que a Suprema Corte e o Congresso, em Honduras, pronunciaram-se pela deposição do presidente Zalaya, sob a acusação de haver irregularmente marcado consulta popular para mudar a Constituição e permitir sua reeleição. Em matéria de política externa, o Lula dá a impressão de marchar de passo errado. Ainda há dias sustentou a legitimidade da reeleição do presidente do Irã, quando boa parte da Europa e os Estados Unidos participam das denúncias sobre ter havido maracutaia no pleito, por sinal agora submetido a recontagem. Também não o alertaram de que deveria evitar encontro com o presidente da Rússia na cidade de Ekaterimburg, de triste memória. Lá, os comunistas trucidaram o csar Nicolau II e sua família. Outro escorregão do primeiro-companheiro aconteceu meses atrás, quando, na Venezuela, defendeu com veemência o direito de Hugo Chavez mudar a Constituição para reeleger-se indefinidamente. Chegou a argumentar que a vontade do povo deveria prevalecer sobre as leis vigentes. Manifestação igual referiu-se a Evo Morales, da Bolívia. Não deixa de ser irônico localizar a reeleição no âmago de cada uma das intervenções do Lula no campo da política externa. Porque na interna ele continua negando qualquer intenção de permanecer no governo depois de encerrado o seu segundo mandato.


FACILIDADES E DIFICULDADES


Prepara-se a Câmara dos Deputados para votar, esta semana, modificações da lei eleitoral. Serão criadas facilidades para Suas Excelências disputarem a reeleição em 2010, como a liberação do uso da Internet nas campanhas e a estranha possibilidade de doações ocultas serem feitas aos partidos por pessoas físicas e jurídicas. O nome do doador permanecerá desconhecido e o candidato não estará vinculado a ele, cabendo aos partidos o papel de laranjas. Admite-se, também, que nessa meia-sola eleitoral sejam reduzidos os prazos de desincompatibilização, bem como facilitadas as oportunidades para o troca-troca de legendas, beneficiando candidatos e eleitos. No reverso da medalha, porém, dificuldades serão impostas ao cidadão comum. Seu voto só poderá ser digitado nos computadores caso apresente, junto com o título de eleitor, outro documento contendo sua fotografia atualizada. Convenhamos, o tempo passa mas não muda nada em termos de facilidades para quem legisla...


PROPRIEDADE PRIVADA


Observadores dedicaram parte de seu tempo, no fim de semana e ontem, indagando-se porque José Serra decidiu abandonar a postura cautelosa e pacífica de evitar confrontos com o governo federal e seus aliados. Porque na sexta-feira o governador paulista vibrou tacape e borduna no lombo do PT. Declarou publicamente que o partido do presidente Lula usa o governo como se fosse propriedade privada. Acima e além de saber que a acusação é verdadeira, desperta a atenção conhecer seus motivos. Será porque a candidatura Dilma Rousseff vem crescendo nas pesquisas eleitorais? Ou porque a maioria dos tucanos entende chegada a hora de mais agressividade por parte de seu candidato? No fim dá no mesmo, restando saber se o diagnóstico de Serra constituiu um desabafo isolado ou se marca o início de uma nova fase na campanha presidencial. Porque quanto ao PT ter ocupado a administração federal, nem haverá que duvidar. Bastaria relacionar o número de petistas que integram as diretorias do Banco do Brasil, da Petrobrás e de outras empresas públicas, para não falar nos 36 mil cargos em comissão ocupados por eles no país inteiro. Ou nas centenas de ONGs criadas com dinheiro público e dirigidas por companheiros.
POR QUE BRASÍLIA?Quem acompanha o noticiário dos jornais, revistas, tele e rádio-jornais, acostumou-se a ouvir montes de vezes por dia referências aos escândalos de Brasília, agora atingindo o Senado, como antes a Câmara, nos tempos do mensalão e outros. Marcam a cidade como geradora da roubalheira. Seria bom lembrar que os patrocinadores e os beneficiários dessas sucessivas maracutaias, sejam parlamentares, sejam altos funcionários, provém das mais diferentes regiões do país. Boa parte chega na terça e volta na quinta-feira. Acusar a capital federal de covil ou escola de bandidos é injustiça para com a população local. Aqui se trabalha, e muito. Os ladrões vem de fora, exceção de uns poucos que resolveram seguir os maus exemplos.


FONTE; blog de claudio humberto

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A MÚSICA QUE TRANCENDE



É UM DESSES RAROS MOMENTOS DE ENCANTO, DE SENSIBILIDADE COMPROVADA, QUE NOS PROPICIA A MÚSICA DE ZELITO. DESDE A JUSTA E BELÍSSIMA HOMENAGEM A POETISA CORA CORALINA, QUE ATRAVÉS DE UM RICO JOGO EM QUE SE EVIDENCIA A METALINGUAGEM DA POESIA, PASSANDO POR PASSO DE HIPPIE, EM QUE METÁFORAS BEM ESTRUTURADAS CONSTROEM A MUSICALIDADE REINANTE. OUTRO MOMENTO DE BELEZA INDISCUTÍVEL NOS É PROPICIADO AO OUVIRMOS A GATA SELVAGEM, EM QUE SE CONSTATA O ANIMISMO MULHER GATA SOBRE O EU LÍRICO. DESDE OFICIO ATÉ POR UM TRIZ FICAMOS FASCINADOS PELA PRATICIDADE MUSICAL DE ZELITO QUE, NESTE PRIMEIRO CD, ANUNCIA-SE COMO UMA GRATA SURPRESA MUSICAL NO CENÁRIO NORTE-RIO-GRANDENSE. SEM DUVIDA ALGUMA ESTAMOS DIANTE DA MUSICA QUE TRANSCENDE O BANALISMO QUE TEM CONTAGIADO A MÍDIA BRASILEIRA NOS ÚLTIMOS TEMPOS. A BRILHANTE ATUAÇÃO DESSE INTERPRETE COMPOSITOR OU COMPOSITOR INTERPRETE QUE NOS FAZ ADMIRÁ-LO POR MEIO DE CONSTRUÇÕES FELIZES COMO “AME O POEMA ATÉ O POETA” (SEGUNDO VERSO DE CORALINA) EM QUE O PRÓPRIO AUTOR NOS DÁ A RECEITA CERTA PARA CHEGARMOS ATÉ ELE. É A PLENA CONSCIÊNCIA DA SIMBIOSE ARTE/ARTISTA QUE, INFELIZMENTE SE TORNA CADA VEZ MAIS RARA NA DISCOGRAFIA DAS RÁDIOS E NOS PROGRAMAS MUSICAIS EM GERAL. NESSE SENTIDO O TRABALHO DE ZELITO TRANSCENDE E FELIZMENTE PARA O PÚBLICO.


ADÃO MARCELO - PROF° DE LITERATURA BRASILEIRA

domingo, 28 de junho de 2009

COLUNA CARLOS CHAGAS

O TERCEIRO MANDATO TEM NOME

Poucos companheiros poderão exprimir tão bem o PT quando o ex-ministro José Dirceu. Apesar de afastado do Congresso e do ministério, o ex-chefe da Casa Civil dedica-se com força total ao diálogo com os principais líderes do partido, percorrendo permanentemente os estados. Este ano já esteve em vinte deles, alguns por quatro ou cinco vezes. Pois é de José Dirceu a observação definitiva a respeito da sucessão presidencial: “o terceiro mandato chama-se Dilma Rousseff. Não há hipótese da continuação do presidente Lula no governo, até porque ele rejeita qualquer articulação nesse sentido. Muito menos haverá prorrogação de mandatos.” Outra afirmação dele é de que se por acaso José Serra for eleito, coisa em que não acredita, o PT e o presidente Lula passarão sem qualquer trauma o poder, como já aconteceu em alguns estados e prefeituras de capital. A democracia está consolidada no país, completamente afastada a possibilidade de golpes ou sucedâneos. Dilma Rousseff vence as etapas necessárias à sua candidatura, acrescenta Dirceu, informando que no segundo semestre ela deverá apresentar seu plano de governo, exprimindo continuidade. Continuísmo, jamais. A chefe da Casa Civil surpreendeu, antecipando percentuais de apoio, nas pesquisas, que se imaginava só se registrariam no final do ano. O presidente Lula, para seu antigo auxiliar, é maior do que o PT, na medida em que aglutina outros partidos. Sua popularidade ultrapassa a de qualquer de seus antecessores porque governa para a sociedade, priorizando os mais pobres sem esquecer as elites. Assim, supõe que o empresariado ficará com Dilma, nas eleições de 2010, assim como a imensa maioria das massas. A existência de montes de grupos e alas no PT, com denominações específicas, é considerada natural, por José Dirceu, evidência da democracia interna. O importante é que depois dos debates e discussões, tomada a decisão, todos se unem em torno dela. Dois movimentos que não de conformaram com essa diretriz acabaram saindo, até porque seriam expulsos. No caso, formaram o Psol e o PT do B.

O PMDB É O PMDB...

Análise das principais questões políticas e econômicas do país foi feita por José Dirceu em entrevista à TV Educativa do Paraná. Ele concorda com o presidente Lula sobre a necessidade do apoio do PMDB ao governo e à sua candidata, aceitando que o PT venha a se compor com o maior partido nacional em muitos estados. Onde não houver condição, porém, candidatos de lá e de cá disputarão as preferências populares, abrindo até dois palanques para a candidatura de Dilma Rousseff. Tudo dentro do maior respeito. Reconhece que parte do PMDB,em São Paulo, inclina-se por apoiar José Serra, mas a grande maioria do partido fechará com o governo. Michel Temer é um nome respeitável para compor a chapa oficial, mas essa questão será decidida no devido tempo pela candidata e pelo PT. Um desabafo de José Dirceu refere-se ao seu julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, junto com outros acusados no processo do mensalão. Ele já foi absolvido em outros casos, na primeira instância, e gostaria que o foro especial não existisse, mas como é o que manda a lei, curva-se a ela. Seus planos são para retornar ao Congresso, quando desimpedido.

INTERVENÇÃO POLÊMICA


Outra vez o Tribunal Superior Eleitoral atropela a vontade popular. O governador do Tocantins, Marcelo Miranda, acaba de ser condenado á perda do mandato, por abuso de poder na campanha eleitoral de 2006. Assim como fez com Jackson Lago, do Maranhão, e Cássio Cunha Lima, da Paraíba, o Poder Judiciário revoga a decisão do eleitorado. Dessa vez, porém, em função de meandros da lei, não assumirá o segundo colocado nas eleições. Caso o Supremo Tribunal federal confirme a sentença do TSE, caberá à Assembléia Legislativa indicar o novo governador. Outro governador que se encontra na linha de tiro da Justiça é Ivo Cassol, de Rondônia. Luiz Henrique, de Santa Catarina, escapou. Até porque, para disputar a reeleição, licenciou-se.

SOFREU MAS NÃO RECUOU

Quinta-feira o senador Pedro Simon sofreu, na intimidade, antes de pronunciar discurso pedindo a renúncia de José Sarney da presidência do Senado. São amigos, respeitam-se e pertencem ao mesmo partido, o PMDB. Mesmo assim, o senador gaúcho foi em frente e exigiu que o colega deixasse a função, com base nas denúncias que a imprensa divulga há semanas. Simon entendeu que Sarney havia perdido as condições de apurar e punir excessos praticados no Senado, alguns envolvendo parentes dele. Endossada até pelo presidente Lula, circula a versão anunciada pelo presidente do Senado de que tudo acontece por ele pregar o apoio do PMDB ao governo e à candidatura de Dilma Rousseff. O raciocínio só não bate quando se sabe que senadores do PT são acusados de envolvimento na campanha contra Sarney. Coisas da política...

FONTE: CLAUDIOHUMBERTO

COLUNA DO CARLOS CHAGAS

O TERCEIRO MANDATO TEM NOMEPoucos companheiros poderão exprimir tão bem o PT quando o ex-ministro José Dirceu. Apesar de afastado do Congresso e do ministério, o ex-chefe da Casa Civil dedica-se com força total ao diálogo com os principais líderes do partido, percorrendo permanentemente os estados. Este ano já esteve em vinte deles, alguns por quatro ou cinco vezes. Pois é de José Dirceu a observação definitiva a respeito da sucessão presidencial: “o terceiro mandato chama-se Dilma Rousseff. Não há hipótese da continuação do presidente Lula no governo, até porque ele rejeita qualquer articulação nesse sentido. Muito menos haverá prorrogação de mandatos.” Outra afirmação dele é de que se por acaso José Serra for eleito, coisa em que não acredita, o PT e o presidente Lula passarão sem qualquer trauma o poder, como já aconteceu em alguns estados e prefeituras de capital. A democracia está consolidada no país, completamente afastada a possibilidade de golpes ou sucedâneos. Dilma Rousseff vence as etapas necessárias à sua candidatura, acrescenta Dirceu, informando que no segundo semestre ela deverá apresentar seu plano de governo, exprimindo continuidade. Continuísmo, jamais. A chefe da Casa Civil surpreendeu, antecipando percentuais de apoio, nas pesquisas, que se imaginava só se registrariam no final do ano. O presidente Lula, para seu antigo auxiliar, é maior do que o PT, na medida em que aglutina outros partidos. Sua popularidade ultrapassa a de qualquer de seus antecessores porque governa para a sociedade, priorizando os mais pobres sem esquecer as elites. Assim, supõe que o empresariado ficará com Dilma, nas eleições de 2010, assim como a imensa maioria das massas. A existência de montes de grupos e alas no PT, com denominações específicas, é considerada natural, por José Dirceu, evidência da democracia interna. O importante é que depois dos debates e discussões, tomada a decisão, todos se unem em torno dela. Dois movimentos que não de conformaram com essa diretriz acabaram saindo, até porque seriam expulsos. No caso, formaram o Psol e o PT do B.
O PMDB É O PMDB... Análise das principais questões políticas e econômicas do país foi feita por José Dirceu em entrevista à TV Educativa do Paraná. Ele concorda com o presidente Lula sobre a necessidade do apoio do PMDB ao governo e à sua candidata, aceitando que o PT venha a se compor com o maior partido nacional em muitos estados. Onde não houver condição, porém, candidatos de lá e de cá disputarão as preferências populares, abrindo até dois palanques para a candidatura de Dilma Rousseff. Tudo dentro do maior respeito. Reconhece que parte do PMDB,em São Paulo, inclina-se por apoiar José Serra, mas a grande maioria do partido fechará com o governo. Michel Temer é um nome respeitável para compor a chapa oficial, mas essa questão será decidida no devido tempo pela candidata e pelo PT. Um desabafo de José Dirceu refere-se ao seu julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, junto com outros acusados no processo do mensalão. Ele já foi absolvido em outros casos, na primeira instância, e gostaria que o foro especial não existisse, mas como é o que manda a lei, curva-se a ela. Seus planos são para retornar ao Congresso, quando desimpedido.
INTERVENÇÃO POLÊMICAOutra vez o Tribunal Superior Eleitoral atropela a vontade popular. O governador do Tocantins, Marcelo Miranda, acaba de ser condenado á perda do mandato, por abuso de poder na campanha eleitoral de 2006. Assim como fez com Jackson Lago, do Maranhão, e Cássio Cunha Lima, da Paraíba, o Poder Judiciário revoga a decisão do eleitorado. Dessa vez, porém, em função de meandros da lei, não assumirá o segundo colocado nas eleições. Caso o Supremo Tribunal federal confirme a sentença do TSE, caberá à Assembléia Legislativa indicar o novo governador. Outro governador que se encontra na linha de tiro da Justiça é Ivo Cassol, de Rondônia. Luiz Henrique, de Santa Catarina, escapou. Até porque, para disputar a reeleição, licenciou-se.
SOFREU MAS NÃO RECUOUQuinta-feira o senador Pedro Simon sofreu, na intimidade, antes de pronunciar discurso pedindo a renúncia de José Sarney da presidência do Senado. São amigos, respeitam-se e pertencem ao mesmo partido, o PMDB. Mesmo assim, o senador gaúcho foi em frente e exigiu que o colega deixasse a função, com base nas denúncias que a imprensa divulga há semanas. Simon entendeu que Sarney havia perdido as condições de apurar e punir excessos praticados no Senado, alguns envolvendo parentes dele. Endossada até pelo presidente Lula, circula a versão anunciada pelo presidente do Senado de que tudo acontece por ele pregar o apoio do PMDB ao governo e à candidatura de Dilma Rousseff. O raciocínio só não bate quando se sabe que senadores do PT são acusados de envolvimento na campanha contra Sarney. Coisas da política...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

SERÁ QUE NINGUÉM SE TOCA?


Crônica




Por Arnaldo Jabor


Estamos vivendo um momento histórico delicadíssimo. As conquistas da redemocratização estão ameaçadas pelo projeto petista de poder. A agenda óbvia para melhorar o Brasil é um consenso entre grandes cientistas sociais.
Vários prêmios Nobel concordam com nossos pontos essenciais de reforma política e administrativa, que fariam o País decolar.
Mas, os despreparados sindicalistas e ex-comunas ignorantes têm um programa que nos levará a um retrocesso político trágico. Em pouco tempo, podemos ter volta da inflação, caos político, ruptura institucional - tudo na contramão das necessidades de modernização do País.
Eles prometem medidas que nos jogarão de volta aos anos 50 ou para trás, pelo viés burro de um 'socialismo' degradado num populismo estatizante: o lulismo. Enquanto isso, os cidadãos que comeram e estudaram, intelectuais e artistas cultos, os que bebem nos bares e lêem jornal ficam quietos.
O Brasil está sendo empurrado para o buraco e ninguém se toca?O que vai acontecer com esse populismo-voluntarista-estatizante é obvio, previsível, é 'be-a-bá' em ciência política. 'Sempre foi assim...' - se consolam.Mas, não. 'Nunca antes', um partido montou um esquema secreto de 'desapropriação' do Estado, para fundar um 'outro Estado'.
O ladrão tradicional roubava em causa própria e se escondia pelos cantos. Os ladrões desse governo roubam de testa erguida, como em uma 'ação revolucionária'. Fingem de democratas para apodrecer a democracia por dentro.Lula topa tudo para ser reeleito. Ele usa os bons resultados da economia do governo FHC para fingir que governou.
Com cínico descaro, ousa dizer que 'estabilizou' a economia, quando o PT tudo fez para acabar com o Real, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, contra tudo que agora apregoa como atos seus.
Se eleito, as chamadas 'forças populares', que ocupam os 30 mil postos no Estado aparelhado, vão permanecer nas 'boquinhas', através de providências burocráticas de legitimação.
As Agências Reguladoras serão assassinadas. Os sinais estão claros, com várias delas abandonadas e com notícias de que o PMDB já quer diretorias.O Banco Central perderá qualquer possibilidade de autonomia, como já rosnam os membros do 'Comitê Central' do lulismo.
A era Meirelles-Palocci será queimada, velho desejo de Dirceu e camaradas.Qualquer privatização essencial, como a do IRB por exemplo, será esquecida.A reforma da Previdência 'não é necessária' - dizem eles -, pois os 'neoliberais exageram muito sobre sua crise', não havendo nenhum 'rombo' no orçamento.A Lei de Responsabilidade Fiscal será aos poucos desmoralizada por medidas atenuantes.
Os gastos públicos aumentarão pois, como afirmam, 'as despesas de custeio não diminuirão para não prejudicar o funcionamento da máquina pública'. Nossa maior doença - o Estado canceroso - será ignorada.Voltará a obsessão do 'Controle' sobre a mídia e a cultura, como aconteceu no início do primeiro tempo.
Haverá, claro, a obstinada tentativa de desmanchar os escândalos do chamado 'mensalão', desde os dólares na cueca até a morte de Celso Daniel e Toninho do PT, como já insinuam, dizendo que são 'meias-verdades e mentiras, sobre supostos crimes sem comprovação...'.Leis 'chatas' serão ignoradas, como Lula já faz com a lei que proíbe reforma agrária em terras invadidas ilegalmente, 'esquecendo-a' de propósito.
Quanto ao MST, o governo quer mantê-los unidos e fiéis, como uma espécie de 'guarda pretoriana', a vanguarda revolucionária dos 'aiatolás petistas', caso a crise política se agrave.
Não duvidem, eles serão os peões de Lula.Outro dia, no debate, quando o Alckmin contestou Lula ao vivo, ouviu-se um 'ohhhh!....' escandalizado entre eleitores, como se o Alckmin tivesse cometido um sacrilégio.
Alckmin apenas atacou a intocabilidade do operário 'puro' e tratou-o como um cidadão como nós, ignorando a aura de 'ungido de Deus' de Lula, que os fanáticos intelectuais lhe pespegaram. Reagiram como diante de uma heresia, como se Alckmin tivesse negado a virgindade de Nossa Senhora ao lhe perguntar: 'De onde veio o dinheiro?'
Agora, sem argumentos diante dos escândalos inegáveis, os lulistas só agem pela Fé. Lula sempre se disse 'igual' a nós ou ao 'povo', mas sempre do alto de uma 'superioridade' , como se ele estivesse 'fora da política', como se a origem pobre e a ignorância lhe concedessem uma sabedoria maior.
Agressão é o silêncio cínico que ele mantém, desmoralizando as instituições pela defesa obstinada da mentira.
Mas, os militantes imaginários que se acham 'amantes do povo' pensam que Lula não precisa dizer a verdade; basta parecer. Alguns até reconhecem os crimes, mas 'mesmo assim', votarão nele. Muitos têm medo de serem chamados de reacionários ou caretas.
Há também os 'latifundiários intelectuais': acadêmicos e pensadores se agarram em seus feudos e não ousam mudá-lo. Uns são benjaminianos, outros marxistas, outros hegelianos, gurus que justificam seus salários e status acadêmico e, por isso, não podem 'esquecer um pouco o que escreveram' para agir.
Mudar é trair, para ortodoxos. Ninguém tem peito de admitir a evidência inevitável de que só um 'choque de capitalismo' destruiria nossa paralisia estatal, burocrática e patrimonialista, pois o mito da 'revolução sagrada' é muito forte entre nós.
Se há uma coisa que une esquerda e direita é o ódio à democracia (Bobbio).Os intelectuais dissimulados votarão em Lula de novo e dizem que 'sempre foi assim' porque, no duro, eles acham que o lulo-dirceuzismo estava certo sim, e que o PT e sua quadrilha fizeram bem em assaltar o Estado para um 'fim revolucionário'.Vou guardar este artigo como um registro em cartório.
Não é uma profecia; é o óbvio, banal, previsível. Um dia, tirá-lo-ei do bolso e sofrerei a torta vingança de declarar: 'Agora não adianta chorar sobre o chopinho derramado... Eu não disse?...'


FONTE: JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO--Postado por Falando de Saberes no FALANDO DE SABERES

quinta-feira, 25 de junho de 2009

HISTÓRIA SONEGADA


Enviado por Luis Fernando Veríssimo -

A abertura ou não dos arquivos sobre a repressão à insurgência armada durante a ditadura militar se resume numa questão: se alguém tem o direito de sonegar à Nação sua própria História. Os debates sobre a conveniência de se remexer esse passado viscoso e sobre as razões e as causas de cada lado são secundários. A discussão real é sobre quem são os donos da nossa História. É se, 25 anos depois do fim da ditadura, os militares têm sobre a nossa memória o mesmo poder arbitrários que tiveram durante 20 anos sobre a nossa vida cívica.
Não é só a nossa história em comum que está sendo sonegada. A história individual dos mortos pela repressão também. Aos parentes são negados não apenas seus restos como a formal cortesia de uma biografia completa. Uma reivindicação que nada tem a ver com revanchismo, que só pede uma deferência à simples necessidade das famílias reaverem seus corpos e saberem seu fim. Impedir que isso aconteça para não melindrar noções corporativas de honra ou imunidade é uma forma de prepotência que, 25 anos depois, não tem mais desculpa.
Revelações como as que o "Estadão" está publicando sobre a guerrilha no Araguaia servem como um começo para o resgate da nossa memória tutelada. Não precisa mexer na lei da anistia. É mais importante para a Nação saber a verdade do que punir os culpados. E já que se liberou a História e se busca a verdade com novo animo, por que não aproveitar e investigar alguns pontos cegos daqueles tempos, como a participação de setores do empresariado em coisas como o Comando de Caça aos Comunistas e a Operação Bandeirantes, agindo como corpos auxiliares da repressão urbana, não raro com entusiasmo maior do que o dos militares ou da polícia política - como costuma acontecer quando diletantes fazem o trabalho de profissionais. Algum correspondente civil ao major Curió deve ter em seus arquivos o relato da guerra naquela outra selva.
Mas sei não, há uma tradição brasileira de poupar o patriciado quando este se desencaminha. Quando descobriram que todos os negócios com o novo governo Collor teriam que passar pela empresa do P.C.Farias, não foram poucos e não foram pequenos os empresários nacionais que aderiram ao esquema sem fazer perguntas. Nas investigações sobre a corrupção que acabou derrubando Collor, seus nomes desapareceram. E, neste caso, não foram os militares que esconderam a verdade.


FONTE: BLOG DO NOBLAT

quarta-feira, 24 de junho de 2009

AUDITORIA NO SENADO É POUCO


A crise do Senado continua e não ouso antecipar um desfecho provável. Até o momento de fechar este artigo, a Mesa Diretora afastava de suas funções dois diretores da câmara alta. Nesta mesma tarde, a Comissão encarregada de analisar os atos secretos concluía seu relatório e responsabilizava Agaciel Maia, ex-diretor da Casa. Até aí mais do mesmo, porque é parte do jogo a corda estourar embaixo. Um homem de confiança, em sendo leal ao seu padrinho político, vai cair sozinho e em silêncio. Em geral, estas atitudes costumam ser bem recompensadas pelos que manipulam recursos públicos para fins privados.
Que os otimistas me desculpem, mas até agora a única boa nova para a lavagem geral das entranhas do Senado da república é a solicitação de auditoria externa a ser executada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O alvo das investigações será a revisão dos contratos para aquisição de produtos e serviços. Terão trabalho de sobra e pressões abundantes. Esta pode ser uma boa notícia caso os auditores consigam responsabilizar os mandantes e não apenas os operadores de contratos. Isto porque vejo uma ação desta monta como ponto de partida e não de chegada. Ou seja, além de auditar, o Senado tem de ser redimensionado.
O gigantismo e a falta de missão é um problema crônico de estruturas afins. Todo órgão de Estado superdimensionado tende a mover-se de forma previsível na defesa de interesses próprios. O caso mais contundente da história do Brasil recente foi o da chamada comunidade de informações nos últimos anos da ditadura. O Sistema Nacional de Informações (Sisni) e o Serviço (SNI) tinham em total mais de 20.000 pessoas a tempo completo ou parcial dedicados a produzir informação motivada por uma doutrina de segurança e desenvolvimento já em decadência. A segurança interna do regime não tinha inimigo em armas para combater e o desenvolvimento almejado com o Brasil Potência e no 2º Plano Nacional de Desenvolvimento se encontravam solapados pela dívida externa e a inflação galopante. Sem alvo legítimo, a luta se tornou autofágica. Os porões continuavam sombrios e dedicaram-se a assombrar os arautos da Abertura gradual e restrita. Após o atentado do Riocentro (1º de maio de 1981), não houve remédio que não desmontar a estrutura de comando interno paralelo, dissolvendo os Doi-Codis. Ainda assim, os danos residuais seguem com a ação dos irregulares do extinto SNI agindo na ponta de operações internas compartimentadas e de duvidosa legitimidade.
Se nos valermos do triste exemplo do “monstro da comunidade de informações”, segundo um de seus criadores, Golbery do Couto e Silva, é necessário cortar na carne e fazer drástica redução de pessoal não concursado. Ou seja, se for para fazer uma limpeza no modo de funcionamento do Senado, a auditoria é só o começo.

Bruno Lima Rocha é cientista político (
www.estrategiaeanalise.com.br / blimarocha@gmail.com)


Fonte: Blog do Noblat

segunda-feira, 22 de junho de 2009

COLUNA DO CARLOS CHAGAS

A SORTE VEM DAS PROFUNDEZAS

A sorte do presidente Lula não tem tamanho. Talvez daí nasça sua presunção de estar gerindo o melhor governo que o Brasil já teve desde o Descobrimento. Será monumental exagero, é verdade, mas torna-se inebriante para quem governa saber que o Eximbank, dos Estados Unidos, colocou à nossa disposição dois bilhões de dólares para investirmos no Pré-Sal. E a China, dez bilhões de dólares. Para começar. Claro que as verdinhas não virão empacotadas para os cofres da Petrobrás ou de uma suposta nova empresa capaz de ser criada. Os créditos corresponderão a máquinas, equipamentos, plataformas submarinas, navios e toda a parafernália construída lá fora, necessária à extração das imensas reservas de petróleo descobertas no fundo de nossa plataforma e adjacências. Oferecem material que a Petrobrás não possui, muito menos os recursos para adquiri-lo à vista no mercado mundial. Aceitando a proposta, o Brasil se comprometerá a parcerias com empresas americanas e chinesas, para pagamento posterior da dívida em petróleo, sob o compromisso de abastecer as necessidades desses dois países. Trata-se de um bom negócio para as partes, e a pergunta que se faz é porque Washington e Pequim mostram-se tão interessados em sair na frente e celebrar conosco esses contratos. A resposta é dupla: porque seus serviços de informação confirmaram a evidência da riqueza do pré-sal, e, em paralelo, por confiarem no Brasil. Poderiam ter oferecido propostas similares à Venezuela, à Arábia Saudita, à Nigéria e até ao Iraque e ao Irã, detentores de reservas semelhantes. Verificam, porém, sermos um país sério, confiável, onde a democracia encontra-se sedimentada, livres que estamos da instabilidade política das referidas nações. Aqui repousa a sorte do Lula, ainda que as operações com a China, os Estados Unidos e possíveis novos centros de poder proponentes devam vir cercadas de muitos cuidados. A indústria petrolífera mundial funciona como verdadeira máfia, que se puder passar o Brasil para trás, passará. O importante será assegurarmos a soberania e o interesse nacional, mesmo participando do jogo bruto que envolve não apenas empresas, mas governos estrangeiros. Suas populações precisarão cada vez mais de combustível. Querem assegurar o fornecimento por longos anos, até décadas, além de promoverem negócios para suas economias. Mas se vamos pagar em petróleo tantos bilhões e outros que oferecerão, ótimo. Desde que, vale repetir, tenhamos cuidado.

MÃO ABERTA

Além de abrir mão de lançar candidato próprio à presidência da República, o PMDB traça o seu futuro em duas paralelas que, ao contrário da Física, talvez venham a se encontrar antes do infinito. Porque a tendência no partido também é de não apresentar candidato ao governo de São Paulo. A direção nacional do partido inclina-se por apoiar a candidata do presidente Lula e do PT, porque o PMDB integra a aliança que dá suporte ao governo e dispõe de seis ministérios e centenas de diretorias de empresas estatais. Mesmo assim, há restrições. Existem dúvidas quanto à possibilidade de Dilma Rousseff decolar, tanto por razões eleitorais quanto por motivos de saúde. Foi por isso que na semana passada o presidente Lula sondou o deputado Michel Temer, comandante nacional do PMDB, para companheiro de chapa da candidata. Parece que ele aceitou. O problema que afeta a unidade do partido é que lado oposto, do PMDB paulista integrado ao seu chefe, Orestes Quércia, o acordo já foi celebrado com a candidatura José Serra. E, por singular que pareça, os peemedebistas de São Paulo também abriram mão de disputar o governo do estado. Apoiarão quem os tucanos indicarem, seja Aloysio Nunes Ferreira, seja Geraldo Alckmin ou qualquer outro. A conclusão é de que o PMDB, aparentando desinteresse e estoicismo, não está de mão aberta. Pelo contrário, parece mais fechada do que mão de porco: quer o poder, tanto faz se com um ou com outro lado...

AINDA O DIPLOMA

Houve tempo, no início do século passado, em que a profissão de jornalistas era considerada de segunda classe. À exceção dos políticos que escreviam e até possuíam jornais, referia-se à maioria dos repórteres com o gesto de quem tange galinhas. O tempo passou, a profissão aprimorou-se pela ânsia que a sociedade tinha pelas notícias.Veio o jornalismo eletrônico e mais se exigiu dos profissionais de imprensa em matéria de ética, objetividade, veracidade e conformidade com os fatos. Por isso nasceram as escolas de jornalismo e, em seguida, chegou a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. O mesmo havia acontecido, mesmo antes, com a medicina, a arquitetura, a engenharia e a advocacia. Agora, pelo jeito, é a vez do retrocesso. Pergunta-se por que começou com o jornalismo, e a resposta é simples: porque os jornalistas incomodam, na medida em que não divulgam exatamente o pensamento e os interesses das elites. Quem se sente agravado, desmentido ou simplesmente em desacordo com suas idéias é tentado a punir os jornalistas, já que não pode punir a notícia, mesmo verdadeira. Políticos e magistrados formam na primeira fila dos que pretendem vingar-se dos repórteres que escreveram ou apresentaram informações contrárias aos seus interesses ou ao seu pensamento. E a vingança, agora mesquinha, foi acabar com o diploma. Mais ou menos como tirar o sofá da sala para acabar com adultério da mulher...

Fonte:claudiohumberto

COLUNA DO CARLOS CHAGAS

A SORTE VEM DAS PROFUNDEZASA sorte do presidente Lula não tem tamanho. Talvez daí nasça sua presunção de estar gerindo o melhor governo que o Brasil já teve desde o Descobrimento. Será monumental exagero, é verdade, mas torna-se inebriante para quem governa saber que o Eximbank, dos Estados Unidos, colocou à nossa disposição dois bilhões de dólares para investirmos no Pré-Sal. E a China, dez bilhões de dólares. Para começar. Claro que as verdinhas não virão empacotadas para os cofres da Petrobrás ou de uma suposta nova empresa capaz de ser criada. Os créditos corresponderão a máquinas, equipamentos, plataformas submarinas, navios e toda a parafernália construída lá fora, necessária à extração das imensas reservas de petróleo descobertas no fundo de nossa plataforma e adjacências. Oferecem material que a Petrobrás não possui, muito menos os recursos para adquiri-lo à vista no mercado mundial. Aceitando a proposta, o Brasil se comprometerá a parcerias com empresas americanas e chinesas, para pagamento posterior da dívida em petróleo, sob o compromisso de abastecer as necessidades desses dois países. Trata-se de um bom negócio para as partes, e a pergunta que se faz é porque Washington e Pequim mostram-se tão interessados em sair na frente e celebrar conosco esses contratos. A resposta é dupla: porque seus serviços de informação confirmaram a evidência da riqueza do pré-sal, e, em paralelo, por confiarem no Brasil. Poderiam ter oferecido propostas similares à Venezuela, à Arábia Saudita, à Nigéria e até ao Iraque e ao Irã, detentores de reservas semelhantes. Verificam, porém, sermos um país sério, confiável, onde a democracia encontra-se sedimentada, livres que estamos da instabilidade política das referidas nações. Aqui repousa a sorte do Lula, ainda que as operações com a China, os Estados Unidos e possíveis novos centros de poder proponentes devam vir cercadas de muitos cuidados. A indústria petrolífera mundial funciona como verdadeira máfia, que se puder passar o Brasil para trás, passará. O importante será assegurarmos a soberania e o interesse nacional, mesmo participando do jogo bruto que envolve não apenas empresas, mas governos estrangeiros. Suas populações precisarão cada vez mais de combustível. Querem assegurar o fornecimento por longos anos, até décadas, além de promoverem negócios para suas economias. Mas se vamos pagar em petróleo tantos bilhões e outros que oferecerão, ótimo. Desde que, vale repetir, tenhamos cuidado.
MÃO ABERTAAlém de abrir mão de lançar candidato próprio à presidência da República, o PMDB traça o seu futuro em duas paralelas que, ao contrário da Física, talvez venham a se encontrar antes do infinito. Porque a tendência no partido também é de não apresentar candidato ao governo de São Paulo. A direção nacional do partido inclina-se por apoiar a candidata do presidente Lula e do PT, porque o PMDB integra a aliança que dá suporte ao governo e dispõe de seis ministérios e centenas de diretorias de empresas estatais. Mesmo assim, há restrições. Existem dúvidas quanto à possibilidade de Dilma Rousseff decolar, tanto por razões eleitorais quanto por motivos de saúde. Foi por isso que na semana passada o presidente Lula sondou o deputado Michel Temer, comandante nacional do PMDB, para companheiro de chapa da candidata. Parece que ele aceitou. O problema que afeta a unidade do partido é que lado oposto, do PMDB paulista integrado ao seu chefe, Orestes Quércia, o acordo já foi celebrado com a candidatura José Serra. E, por singular que pareça, os peemedebistas de São Paulo também abriram mão de disputar o governo do estado. Apoiarão quem os tucanos indicarem, seja Aloysio Nunes Ferreira, seja Geraldo Alckmin ou qualquer outro. A conclusão é de que o PMDB, aparentando desinteresse e estoicismo, não está de mão aberta. Pelo contrário, parece mais fechada do que mão de porco: quer o poder, tanto faz se com um ou com outro lado...
AINDA O DIPLOMAHouve tempo, no início do século passado, em que a profissão de jornalistas era considerada de segunda classe. À exceção dos políticos que escreviam e até possuíam jornais, referia-se à maioria dos repórteres com o gesto de quem tange galinhas. O tempo passou, a profissão aprimorou-se pela ânsia que a sociedade tinha pelas notícias.Veio o jornalismo eletrônico e mais se exigiu dos profissionais de imprensa em matéria de ética, objetividade, veracidade e conformidade com os fatos. Por isso nasceram as escolas de jornalismo e, em seguida, chegou a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. O mesmo havia acontecido, mesmo antes, com a medicina, a arquitetura, a engenharia e a advocacia. Agora, pelo jeito, é a vez do retrocesso. Pergunta-se por que começou com o jornalismo, e a resposta é simples: porque os jornalistas incomodam, na medida em que não divulgam exatamente o pensamento e os interesses das elites. Quem se sente agravado, desmentido ou simplesmente em desacordo com suas idéias é tentado a punir os jornalistas, já que não pode punir a notícia, mesmo verdadeira. Políticos e magistrados formam na primeira fila dos que pretendem vingar-se dos repórteres que escreveram ou apresentaram informações contrárias aos seus interesses ou ao seu pensamento. E a vingança, agora mesquinha, foi acabar com o diploma. Mais ou menos como tirar o sofá da sala para acabar com adultério da mulher...

sábado, 20 de junho de 2009





foi um filme de superprodução, onde diretor Bernardo Bertolucci narra a saga do último herdeiro do trono chinês, criado em meio à realeza, até ser deposto pela revolução de Mao Tse Tung. O jovem nobre e playboy, passa por um longo processo de transformação, até virar uma pessoa normal, como outra qualquer.Como no Brasil não há rupturas revolucionárias, a revolução silenciosa que começou com a chegada de Lula ao poder é mais lenta, e Sarney não terá tempo em vida de passar pelas transformações que o imperador chinês passou. Mas seus herdeiros não herdarão os poderes com características imperiais no Maranhão.Para entender o que se passa no Brasil, recorremos à um dos mandamentos do poder, segundo ACM:"A arte da política consiste em saber dar a cada um o que ele espera de você. Alguns querem proteção, um emprego por exemplo. Outros querem dinheiro. Há um terceiro tipo que busca o poder, o prestígio, até mesmo um simples carinho. Se você confundir as demandas, oferecer dinheiro a quem quer carinho, ou poder a quem quer emprego, arrumará um inimigo."Como se vê acima, o conceito de exercício do poder dos coronéis das oligarquias políticas, como ACM e Sarney, se baseia em atender interesses das elites políticas e econômicas, formando uma associação para manter-se no poder. Cabe ao povo o papel secundário de seguidores das lideranças destas elites, em geral, os próprios coronéis políticos.Já se pode observar que Sarney (e outros tantos coronéis oligarcas políticos) encontra hoje dificuldades no exercício do poder à moda de ACM.Mesmo detendo o poderoso posto de presidente do Senado, não pode mais dar a proteção de um emprego a aliados (ser "pistolão"), impunemente, porque a notícia vaza na internet, e o troco vem nas urnas.Também está cada vez mais difícil direcionar dinheiro a aliados que querem dinheiro, com a Polícia Federal atuando fora do controle das ingerências políticas, e sim sob controle do Ministério Público.Isso tudo é sinal de avanço na moralização dos processos políticos brasileiros, a partir da eleição do presidente Lula, que quebrou a hegemonia de poder demo-tucano.Se Dilma continuar o governo de Lula em 2011, esse tipo de exercício de poder segue seu caminho para a extinção.Se um desastre acontecer com a eleição de Serra ou Aécio, o padrão FHC estará de volta, com Sarney se recompondo com os demo-tucanos e com a imprensa corrupta (PIG) elogiando Sarney em vez de atacá-lo.Aliança de Demo-tucanos com PIG, em ritmo de salve-se quem puderA grande imprensa sempre teve uma dívida de gratidão com Sarney e ACM, além de que sempre tiveram neles a expectativa de agentes de poder aliados.Os dois foram grandes articuladores da aliança demo-tucana com o PIG, para a manutenção do poder conservador e patrimonialista brasileiro.ACM e Sarney distribuíram canais de TV's afiliados à Globo e à outras redes para famílias de oligarquias políticas. Era a fórmula para perpetuarem-se no poder político e econômico. Controlavam o fluxo de informações, o noticiário, a exposição política dos aliados o assassinato de reputação dos adversários.A imprensa corrupta sempre soube disso tudo que existe no Congresso, desde os castelos, os funcionários fantasmas, o orçamento do Senado e o número de funcionários sempre foi astronômico para ser ignorado. Só publica agora, por causa do advento da internet.A imprensa corrupta está correndo atrás da blogosfera. A blogosfera denuncia e a imprensa corrupta também publica para não "pegar mal", não ficar para trás.Mas a imprensa corrupta continua seletiva. Ela dá uma dimensão maior à Sarney do que à filha fantasma de FHC (com a conivência de Heráclito Fortes), para dar apenas um exemplo vistoso. Também se esqueceu de Efraim Morais, no olho do furacão dos escândalos, e envolvendo contratos com valores financeiros muitos maiores.Sarney deixou de ser considerado um aliado preferencial da associação demo-tucana com o PIG, ao formar a base de apoio ao governo Lula.Mesmo que Sarney represente uma força de contenção conservadora à maiores avanços dentro do governo Lula, do que um reforço à reformas progressistas, o PIG aposta no tudo ou nada, e sob risco de falência, adota o "salva-se quem puder": luta para recuperar o poder demo-tucano a qualquer custo em 2010, em troca do acesso aos cofres públicos, com maiores verbas publicitárias governamentais (que minguaram e estão sendo democratizadas entre mais jornais e rádios pequenas do interior).Ou seja, o PIG luta contra Sarney, para preservar a aliança de poder exaurida, criada pelo próprio Sarney e ACM.O PIG sempre amou Sarney, como um dos seus representantes e aliado, e sempre soube a forma de Sarney exercer o poder. Agora quer "sacrificá-lo", usando-o suas mazelas como munição para influir para recuperação do poder demo-tucano em 2010.Nesse ponto, por linhas tortas e por pragmatismo, Sarney acaba sendo mais progressista do que o PIG. Sarney ao apoiar o governo Lula, deu um passo (ainda que tímido) em direção aos novos tempos.Obviamente que não se trata de uma mudança ideológica, e o objetivo dele era ceder os anéis para não perder os dedos. O objetivo era preservar espaços de poder, seja regional, no Maranhão, seja nacional, na presidência do Congresso e na nomeação dos ministros.Preservar espaços de poder, significa para oligarcas como Sarney, deter o poder de ser "pistolão" na hora de dar um emprego por nomeação, de conseguir fazer o dinheiro do orçamento público ir para as mãos de aliados econômicos "certos".Certamente, Sarney pensou em preservar esse poder quando apoiou Lula em troca de participar dos Ministérios, mas os novos tempos da internet e da Polícia Federal, tira esse poder de quem imaginava que conseguiria exercê-lo impunemente, como no passado dos governos demo-tucanos.O exercício do poder em ministérios fica cada vez mais restrito a conseguir prestígio com o sucesso de políticas públicas, em detrimento de saciar o apetite do poder econômico, pois está se tornando um verdadeiro tiro no pé fazer negociatas, quando tudo acaba caindo nas garras da Polícia Federal, mais cedo ou mais tarde.No legislativo, o exercício do poder com base em ser "pistolão" e intermediar negociatas, tornou-se suicídio político (ainda que seja a médio prazo, em alguns casos). Quem quiser continuar tendo carreira política longa, precisará exercer o mandato atendendo aos anseios populares, cada vez mais vigilantes.Sarney encontra-se em uma encruzilhada. Pode dar mais um passo em tornar-se e tornar seus herdeiros em político comuns, abdicando dos antigos poderes imperiais de ser "pistolão" de empregos e do poder econômico. Para isso precisa fazer nova adaptação aos novos tempos, reabilitando-se no exercício do poder de forma republicana, com dedicação à políticas realmente públicas, a ponto de ter o poder de reabilitar parte de sua popularidade se fizesse uma faxina no Senado draconiana, para valer ...... ou pode ficar parado no tempo, tentando preservar os antigos poderes e ser rechaçado pela reprovação popular, tendo um fim político decadente, melancólico, sozinho e ensandecido, tal qual outro rei, na ficção de Shakespeare: o rei Lear.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

EL BODEGUEIRO

Dormi jornalista, acordei cozinheiro. Pior ainda, ao chegar hoje à tarde ao Senadinho, o juiz Sidney Lopes e o desembargador Meira Lima ainda me gozaram:
- Garçom, por favor, traga uma média requentada!
Afrânio Amorim aumentou o cordão: - Cabora, tem buchada de bucho de bode?
Joaquim Úrsula: - Conterrâneo, prepare uma curimatã ovada com zinebra gato!
Agnelo Alves, fazendo coro a Roberto Guedes: - Sou jornalista desde menino, mas sem diploma. Portanto, estou livre do forno e fogão!
As gozações são por conta da comparação feita de viva voz pelo Ministro Gilmar Mendes, Presidente do STF, relator do processo que extingue a obrigatoriedade de diploma de jornalismo para exercício da prostituída profissão: - “Jornalista é como cozinheiro, não precisa de diploma para a exercer a profissão”!
Pensamento jurídico, determinante, faz-se, cumpra-se, e pronto. Jogaram a categoria na lata do lixo, com ou sem diploma, não que o cheff de cozinha desmereça o nosso apreço e consideração, mas a maneira de como foi pronunciada, teatralmente, pôe em cheque a categoria que é obrigada, por dever de ofício, a cobrir protestos, greves de outras categorias profissionais por melhores salários e condições de trabalho, mas não tem espaço nos veículos de comunicação em que trabalha para as suas reivindicações.
O filme é antigo, para não dizer triste, como na versão musical do cantor Demétrius, início dos anos 60, mas a frieza de como foi proferida pelo alcaide mor da Corte maior, gelou até o picolé caseiro Caicó: - “Jornalista é como cozinheiro, não precisa de diploma para…!”
Deveriam, pelo menos, ter plagiado o saudoso João Saldanha que, em palestra aqui em Natal, anos oitenta, defendendo também a abolição do diploma, calou uma coleguinha: “o jornalista tem que ter vocação, saber ler e escrever, mas também ter um pouquinho de sacanagem, porque sacanagem não se faz só na cama!”
Resgatei um pouco o passado, a minha juventude, misto de garçom e biriteiro nos bares da vida – Bar da Praça, Tênis Clube, Ferreirinha, como coadjuvante de Três Orelhas, Chico de Quintina e os filhos malucos do doutor Primo Ivo. O bar de Maria Preta, um caso à parte: a serelepe mãe preta preparava uns tira gostos na medida, de encher a nossa boca, já tão cheia do mau hálito de cachaça, mas a higiene no recinto era caso de polícia e de saúde pública.
Sem choros, nem velas: Maria Preta, simplesmente, utilizava a borda do indefectível sanitário como suporte do escorredor de macarrão. Como pinguço não tira gosto com espaguete, a seleta clientela tirava de letra a falta de higiene. O que interessava à plebe rude, além do álcool e dos pebas torrados, era a estridente risada da mãe do Tião, como no dia em que o doutor Carlindo Dantas, um de seus grandes clientes, aconselhou à dona do bar que controlasse a sua sexualidade, para evitar mais filhos ( já eram quase 20). Maria Preta justificou: - “Doutô, a melhor brincadeira que restou para o pobre foi trepar, e de graça é melhor ainda!”
Pois é, digníssimos e feridos colegas, o jeito é plagiar o saudoso Paulino Brocha, depois de mais uma tentativa na Baixa da Beleza, em Jardim do Seridó: “nóis sofre, mas nóis goza!”


Fonte:
WWW.ocabore.com

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Pajelanças politicas - Valério Mesquita



* O velho Odilon Bento, grande liderança rural dos anos cinqüenta, na região de Currais Novos, endeusava por demais o seu líder Dinarte Mariz. Para Odilon,"Se o compadre Dinarte fez, tá dito e tá feito". Nos palanques, inflando o peito repetia que: "no Rio Grande do Norte nada se perde, nada se cria, tudo se "compadria". Não é compadre?".O então governador assentia com largo sorriso sertanejo. Afinal, razão da história: entre Currais Novos e São Fernando, Odilon "segurava" cinco mil votos sempre. E haja pajelança.
* O grupo Maia surgia para ficar. O doutor Tarcísio emergia como articulador e chefe do sistema a partir dos anos setenta. Em Mossoró, o líder verde e bacurau Leodécio Fernandes Néo, foi convidado e aceitou jantar na fazenda São João. Fala mansa, Tarcísio aliciava: "Como vai doutor Leodécio? Precisamos conversar". "Vou aperreado doutor Tarcísio", sublinhou. O governante escancarando o diálogo emendou: "No lado do governo não existe "aperreado". Chega-se logo, aí, o quadro muda. Junte-se a nós, e verá. Aqui vai ser assim: Tatá, Lavô e Jajá! A "eles" (rosados), só resta o direito de estrebuchar". Era a doutrina profética do Apocalipse. Duas semanas depois Leodécio assumia a direção do IPE e dava as ordens na saúde da região oeste.
Iniciava-se aí o desmantelamento do aluizismo em Mossoró. Um bacurau deixava o ninho, tirando o pé da argila verde, e, aportava na praia dos três reis Maias.* O ex-prefeito do Assu, Arcelino Costa Leitão, em seu breve reinado, era tido pelos adversários como político de "breve reizado". Mas, de qualquer forma, marcou época e fez história principalmente no glossário do município. Enquanto Edgar Montenegro versejava em termos e citações clássicas, "Seu Costa" dizia o que lhe vinha a mente. Queria - e conseguiu - eleger o sucessor.Lançou, então, Maroquinha, sua esposa. E proclamava publicamente: "A campanha vai pegar fogo! Vai feder a chifre queimado!". Foi aí que Edgar pegou a oratória do adversário ao pé da letra. Na praça Getúlio Vargas, bradou: "Sim, assuenses! Vai feder mesmo a chifre queimado! Sim, é claro, pois entrou em cena a mulher de Putifar!!". Apuradas as urnas, Maroquinha foi eleita, malgrado o forte fumacê.
* Em Angicos, sob a tutela do tio Agnelo Alves, o jovem Geraldo Alves ingressou no quadro funcional do banco do Nordeste. Geraldo trabalhava à noite, no departamento de compensação, cheques, carimbos, etc. Com a saída do seu protetor, o servidor "desceu a ladeira", isto é, foi demitido.O ex-bancário apelou na justiça contra o banco. Dia da audiência, levou a tiracolo, um rapaz que residira vizinho à agência bancária. O juiz trabalhista do feito perguntou à testemunha: "O que o senhor sabe sobre o trabalho do reclamante no banco?". Gilvan, a testemunha, um tanto assustado, quis saber: "Oxente, ali é um banco? Eu pensava que era uma padaria. Esse homem passava a noite toda fazendo tok, tok, tok! Eu achava que era "cortando bolacha"". Virando-se para o demitido: "Não era uma padaria não?". O "tok, tok", partia do carimbamento dos papéis. Com uma testemunha dessa ninguém perde questão...
* O saudoso ex-vereador Cauby Barroca, 1,59m, 53 kg, marcou época na política de Natal. Foi permanente candidato de peso pluma a vereador, como representante do bairro das Rocas. Cauby era chegado a uma dose de uísque, mas, na falta dele, qualquer coisa servia, inclusive a velha "Genebra gato preto". Numa campanha acirrada, com o apoio fechado ao nome do médico Túlio Fernandes, Cauby dirigiu-se à residência do futuro deputado, em busca dos "santos olhos". "Entre vereador", disse doutor Túlio. "Sente um pouquinho". Cauby, que mais parecia um pastel de R$ 0,50, e, ainda mais "melado" da noite passada, replicou: "Sente um pouquinho, nada. Eu só me sento se for todo... E para resolver nossas pendências". Finalizou o exigente e raquítico vereador, precursor dos "movidos a álcool" na câmara municipal de Natal.


Fonte: Portal de noticias potiguar
artigo

Rolando lero teórico

Quem reclama dos excessos populistas e das excentricidades nada acadêmicas dos políticos brasileiros deveria prestar mais atenção no presidente Hugo Chávez e se contentar que tudo seria muito pior se estivesse na Venezuela. O bolivariano tem um programa televisivo semanal chamado Aló Presidente onde enfara o povo do seu país com discursos intermináveis.
Ao vivo, demite e nomeia ministros, privatiza empresas, às vezes canta, em outras censura veículos de comunicação. Ou seja, administra o seu país por intermédio de um programa de TV criado para proteger os venezuelanos da contrainformação produzida pelos veículos de informação de direita. Leia-se a imprensa que tenta ser livre em uma ditadura socialista.
Na semana passada Chávez se superou ao estrear o que seria um novo formato do programa que faz dez anos em 2009. Trata-se do imperdível Aló Presidente Teórico. Teórico? Perfeitamente! Conferi a estreia e nunca me diverti tanto com tamanha asneira televisiva. De início, Chávez fez instrutiva explanação do que se tratava o Aló Presidente Teórico e passou a se dedicar à primeira lição: “O poder popular, os conselhos comunais, a comuna”. Imediatamente, a plateia irrompeu em aplausos.
O curiboca do Orinoco instou todos os políticos aliados a preparar a formação das comunas, por meio das quais será “parido” o verdadeiro socialismo. Aparentemente, a ideia comporta a transferência do poder ao povo por meio de representação direta. O que equivale dizer que Chávez prepara as bases para acabar definitivamente com o Parlamento venezuelano.
No Aló Presidente Teórico há reflexões filosóficas interessantes e algumas lições práticas de historiografia. “Fiquei sabendo” por intermédio de Chávez que cartesiano vem de Descartes e que Simon Bolívar, 50 anos antes de Karl Marx, havia descoberto que a natureza nos faz desiguais.
Enquanto teoriza, a platéia registra rigorosamente cada palavra de Chávez como se estivesse a participar de aula magna. Só interrompe as anotações para honrar com simpático entusiasmo o grande líder em retumbantes aplausos. Entre a oferta de um conhecimento especulativo e outro, o mais engraçado no Aló Presidente Teórico são as carraspanas que Chávez passa em uma assessora meio atabalhoada e cheia de temor reverencial.
O expediente dá dinamismo ao programa. Aliás, conforme escreveu em editorial o jornal venezuelano El Nacional, a falta de massa cinzenta em Chávez não lhe permite, por mais esforço que faça, ir além do marxismo principiante, fato que o obriga a não se dedicar muito aos fundamentos filosóficos.
Então, intercala o teorismo pueril com elogios a Mahmoud Ahmadinejad, manda um positivo para o regime nortecoreano, recomenda a medicina cubana e distribui recursos para líderes das comunas. Em gesto de gratidão e obediência, eles erguem o braço direito com o punho cerrado em forma de saudação fascista de dar inveja ao fascista MST.
Chávez prega no Aló Presidente Teórico que a comuna, como ente revolucionário, como base territorial, social, política e moral deve ser construída. Não compreendi muito bem, mas gostei bastante do programa, um misto de Cassino do Chacrinha com Escolinha do Professor Raimundo. Pobres venezuelanos.

Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (DEM-GO)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

SAI SARNEY!


Comentário


Vez por outra lemos a respeito de político japonês que se matou depois de ter sido acusado de corrupção.
O mais recente foi Toshikatsu Matsuoka, ministro da Agricultura, em maio de 2007. Ele aceitou suborno de um empresário e pediu reembolso de despesas que sempre foram cobertas por seu gabinete.
A ser processado e talvez preso, preferiu se enforcar. O próximo domingo será um dia tristemente histórico para a Inglaterra. Pela segunda vez, um presidente da Câmara dos Comuns, o equivalente à nossa Câmara dos Deputados, renunciará ao cargo, acusado de má conduta. O primeiro a renunciar foi Sir John Trevor em 1695. Seu crime? Ter embolsado grana de um comerciante em troca do apoio à aprovação de uma lei.
Michael Martin, 63 anos, presidente da Câmara dos Comuns há quase dez, não se vendeu a ninguém nem tirou vantagens ilícitas do cargo. Mas foi conivente com os colegas que tiraram.
Deputados com direito a verba para bancar moradia em Londres conseguiram reembolso por gastos para consertar quadras de tênis, limpar fossas, comprar cadeiras de massagem e aparelhos de televisão de tela plana. Os mais ousados cobraram até pelo aluguel de filmes pornográficos.
O cordato Martin avalizou os desmandos. Uma vez que eles foram descobertos pela imprensa, tentou encobri-los. Como a tarefa se revelou impossível, pediu ajuda à polícia para identificar as fontes de informações dos jornalistas. A polícia nem se mexeu.
Por fim, Martin se rendeu. Seguirá o exemplo dado por Trevor há 314 anos.
Aqui já assistimos a renúncia de presidentes da Câmara e do Senado enrolados em denúncias de quebra de decoro. Foi o caso de Severino Cavalcanti, presidente da Câmara. E de Jader Barbalho, Antonio Carlos Magalhães e Renan Calheiros, presidentes do Senado.
Diferentemente de Trevor no passado, e agora de Martin, eles não abandonaram os cargos premidos pelo sentimento de vergonha. Renunciaram para não ser cassados. Foi um ato sem vergonha. Assim puderam preservar os direitos políticos e voltar ao Congresso reeleitos.
José Sarney está no olho do furacão que varre o Senado desde que ele foi eleito em fevereiro último para presidi-lo pela terceira vez. A primeira foi em 1995.
O que existe de podre no Senado não é obra exclusiva dele. Um presidente do Senado não pode tudo, muito menos sozinho.
Mas é um escárnio Sarney continuar fingindo que nada tem a ver com a crise mais grave da história do Senado. Não apenas tem a ver: Sarney é o principal responsável por ela. A semente da crise foi plantada no primeiro mandato dele como presidente do Senado.
“Eu só tenho a agradecer ao Dr. Agaciel Maia pelos relevantes serviços que ele prestou”, disse Sarney ao se despedir do ex-diretor-geral do Senado, defenestrado da função devido à crise.
Agaciel foi nomeado por Sarney. Ao longo de 14 anos, acumulou poderes e cometeu toda a sorte de abusos com a concordância explícita ou velada de Sarney e dos que o sucederam no comando do Senado.
Na semana passada, ao som da música do filme “O Poderoso Chefão”, Agaciel casou a filha Mayanna sob as bênçãos de Sarney, Renan Calheiros e de dois outros ex-presidentes do Senado – Garibaldi Alves e Edison Lobão.
Para lá do inchaço do quadro de funcionários do Senado, do pagamento de horas extras não trabalhadas, da criação de diretorias fantasmas, da homologação de licitações suspeitas e da assinatura de decretos secretos, há fatos que dizem respeito diretamente a Sarney e que o deixam mal na foto.
Dono de imóvel em Brasília e inquilino da mansão destinada ao presidente do Senado, Sarney recebeu durante mais de um ano auxílio-moradia de R$ 3.800,00 mensais reservada a senadores sem teto.
Flagrado, primeiro negou que recebesse. Depois se apropriou do mote de Lula e disse que não sabia.
Um neto de 22 anos de Sarney assessorou durante mais de um ano o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Foi a maneira que Cafeteira encontrou, segundo admitiu, de agradecer ao pai do rapaz por tê-lo reaproximado de Sarney.
Há uma sobrinha de Sarney lotada no ex-gabinete da filha dele no Senado, Roseana Sarney, atual governadora do Maranhão. E há outra empregada no gabinete do senador Delcídio Amaral (PT-MTS) em Campo Grande. Essa ganha sem trabalhar.
É possível acreditar que o pai da crise esteja de fato empenhado em resolvê-la? Ou que reúna condições para tal? E quem disse que seus pares estão interessados em refundar o Senado?
A essa altura, uma só coisa depende de fato de Sarney: a renúncia à presidência do Senado para atenuar as nódoas recentes de sua biografia.


Fonte: blog do Noblat

sábado, 13 de junho de 2009

EM DUO COM DOMINGUINHOS, SERRA CANTA BAIÃO EM PE


Alexandre Severo/JC ImagemA coragem dos políticos para protagonizar cenas inusitadas aumenta à medida que avança o calendário eleitoral.

O presidenciável tucano José Serra diz que não deseja antecipar a campanha. Mas está cada vez mais audacioso.

Na madrugada deste sábado (13), Serra encontrava-se no município de Limoeiro, agreste de Pernambuco, o Estado natal de Lula.

O governador paulista assistia a uma apresentação do cantor e sanfoneiro Dominguinhos. Súbito, encomendou uma música:
Baião, de Luiz Gonzaga.

No instante em que soavam os primeiros acordes, Serra subiu ao palco. Tomou do microfone. E atacou:

“Eu vou contar pra vocês/Como se dança um baião/E quem quiser aprendeeeer/Favor prestar atennnçããããão...”

A cena foi testemunhada por mais de mil pessoas. Generoso a mais não poder, Dominguinhos permitiu-se valorizar a ousadia de Serra com sua voz.

A coisa se passou sob uma gigantesca lona de circo, armada no pátio de exposições da fazenda do senador Sérgio Guerra (PE).

Presidente nacional do PSDB, Guerra promoveu uma megafesta de São João, o "Arraial da Pedra Verde". Começou na noite de sexta (12). E entrou pela madrugada de sábado.

Afora a aventura musical de Serra, a segunda “atração” da noite foi o encontro de dois desafetos: Eduardo Campos (PSB) e Jarbas Vasconcelos (PMDB).

Amigos do anfitrião, o governador e o senador não se bicam. São, hoje, as duas principais lideranças da política pernambucana. Devem medir forças em 2010.

A certa altura, não puderam evitar o encontro (veja a foto lá no alto). Trocaram um aperto de mãos. Arriscaram um abraço. Tentaram conversar.

Não tiveram nem ânimo nem assunto. Decidiram abreviar o constrangimento. Dali a pouco mais de um minuto, foi cada um para o seu lado.

Além de expoentes da política de Pernambuco, Sérgio Guerra convidou colegas de Congresso, empresários, vereadores e prefeitos. Muitos prefeitos.

O barulhinho que você ouve ao fundo é o eco de Luiz Gonzaga revirando-se no túmulo.

Escrito por Josias de Souza

sexta-feira, 12 de junho de 2009

POUCAS E BOAS DE VALÉRIO MESQUITA

Polética e políticos

* O bairro de Lagoa Seca, de Natal dos anos cinquenta, era carente de tudo. O vereador Sebastião Malaquias, se intitulava representante daquela gente. "Queremos água! Água para Lagoa Seca!", bradava Sebastião aos quatros cantos. O prefeito Creso Bezerra, silente e paciente, em entrevista, um dia falou: "Vamos perfurar um poço em Lagoa Seca. Quero encher a lagoa, encher a barriga do povo e calar a boca de Sebastião Malaquias". Nada mais foi perguntado.*

Na Câmara Municipal de Mossoró, a sessão pegava fogo. O vereador Expedito Bolão levava a pior, na aprovação de uma matéria de sua autoria. Os vereadores se recolheram aos gabinetes. Nesse intervalo Expedito, descobriu que "rolava dinheiro" nas negociações. Na volta ao plenário, o baixinho apelou feio: "Senhor presidente, eu vou me retirar desta Casa. Tô sabendo que tem arrumadinho por baixo do pano. Assim não dá! Meu pai já dizia que um jumento carregado de açúcar, até os c... dá refresco!". Bolão juntou seus papéis e retirou-se com seu exótico xarope.*

Roque vendia sequilhos e grudes nos vagões do trem, que fazia o percurso Natal/São Rafael. Certa vez, o prefeito angicano Pedro Moura, com o seu impecável paletó, lia seu jornal, sem ligar a mínima pro resto do mundo. Roque ofereceu: "Vai aí um grudinho senhor?". O prefeito acenou com um "não". Cinco vezes seguida, o grude foi oferecido, e o vendedor só ouvia não. Por fim, Pedro Moura falou chateado: "Já disse que não! Eu não como essas coisas, principalmente grudes sem procedência!". O velho Roque foi saindo e resmungando: "Pensa que eu não conheço... Lá em Angicos o povo chama ele de Pedro Pé de Grude; Papagaio Velho! Vive "grudado" nos pés de Aluízio Alves". Vingança de eleitor não atendido sempre foi rogar praga.*

O prefeito Jarbas Cavalcanti, descansava na praia de Tabatinga. Deparou-se com uma jovem vendendo coco verde para uns gringos. A moça desenvolvia bem a conversação com o grupo estrangeiro. Lá para as tantas, Jarbas comentou: "Tá vendo aí. Um belo exemplo!". Um sujeito que, à força, queria ser assessor, leia-se, puxa-saco do prefeito, deu pitaco: "Lá em São Gonçalo, quem quiser trabalhar no aeroporto, vai ter que falar "ingrês", né prefeito?". Nessas ocasiões a arte do silêncio é imprescindível. Até para os analfabetos.*

O inverno havia castigado a cidade de Mossoró. Joaquim Borges da Silveira, presidente da câmara municipal, comentava com alguns amigos: "Hoje para mim, está se desenhando um dia aziago. Nada está dando certo!". O vereador pouco letrado, Antônio de Abílio, corrigiu: "Que é isso doutor Joaquim: "Dias e águas?". Assim, Mossoró afunda." Tonho nunca havia escutado a palavra aziago. Joaquim Borges olhou de lado, e saiu de perto. O velho detestava desinteligência.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

COLUNA DO JURANDIR NÓBREGA

DIPLOMA DE JORNALISTA

Continua na pauta de votação do Supremo Tribunal Federal, uma ação do Ministério Público Federal que acaba com a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Essa exigência encontra-se suspensa em virtude de uma liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes, atual presidente do STF, que concorda que o jornalista não precisa ser diplomado para exercer a profissão. O ministro Gilmar Mendes é o relator do processo e deve votar pela manutenção da não exigencia do diploma, tomada em novembro de 2006, por entender que " a exigência do diploma de jornalista é restringir a manifestação de pensamento e a liberdade de informação".

MP É CONTRA O DIPLOMA

O Ministério Público Federal se manifestou publicamente a favor da extinção do diploma de jornalista. A subprocuradora geral da República, Sandra Cureau enviou parecer ao STF. Ela explica que o ponto principal da questão é que a Constituição Federal não recepcionou o decreto-lei nº 972/69 baixado pela ditadura militar que exige o diploma superior em jornalismo para o exercício profissional.

O QUE DIZ A LEI MAIOR

De acordo com a representante do Ministério Público Federal, o artigo 5º da Constituição de 1988, determina a liberdade do exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, desde que atendidas as qualificações profissionais que a Lei estabelece. Essa restrição diz respeito apenas as profissões cujo exercício exige conhecimentos técnicos especiais, não se referindo ao jornalista. " É que o jornalismo configura uma atividade intetectual desprovida de especialidade não exigida por curso superior tendo em vista a livre manifestação de pensamento como corolaio da liberdade de expressão, assegurada em todo estado democrático de direito", diz a fiscal da Lei que atual junto ao Supremo Tribunal Federal.
Escrito por Jurandy Nóbrega às 08h02

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O BLOG DA PETROBRAS


artigo

Anda causando celeuma a decisão de Petrobras de publicar, num blog, as perguntas que lhe são formuladas por escrito pela imprensa, bem como as respostas dadas.
O endereço do tal blog é http://petrobrasfatosedados.wordpress.com.
A justificativa que a empresa apresenta para a iniciativa está publicada aqui. Destacam-se os seguintes pontos:
A relação entre a Petrobras e os veículos de comunicação que a interpelam é essencialmente pública.
A publicação das respostas no blog, antes da decisão editorial de o jornal publicar ou não a reportagem em questão, reforça o objetivo da Petrobras de alcançar o máximo de transparência possível no relacionamento com seus públicos de interesse.
A agilidade no tratamento e no encaminhamento das respostas ao sempre legítimo questionamento da imprensa demonstra também o compromisso da Cia em prestar todos os esclarecimentos a ela solicitados.
A Petrobras tem liberdade para publicar a íntegra das respostas que fornece aos veículos de comunicação porque é fonte e detentora dos dados disponibilizados.
Os jornais não gostaram. A Associação Nacional dos Jornais, que reúne as empresas proprietárias desses órgãos, soltou ontem uma nota em que afirma:
Numa canhestra tentativa de intimidar jornais e jornalistas, a empresa criou um blog no qual divulga as perguntas enviadas à sua assessoria de imprensa pelos jornalistas antes mesmo de publicadas as matérias às quais se referem, numa inaceitável quebra da confidencialidade que deve orientar a relação entre jornalistas e suas fontes.
A atitude da Petrobras estimula uma porção de observações.
1. Não há problemas com as justificativas da empresa.
2. Não procede a reclamação da ANJ, de que a Petrobras teria rompido algum compromisso de confidencialidade entre a fonte e o veículo de imprensa. Esse compromisso nunca existiu. O que existe é o princípio de resguardo da fonte por parte de jornalistas. Não existe dever subjetivo da fonte de resguardar o jornalista. As fontes não estão presas à confidencialidade que a ANJ menciona.
3. Qualquer pessoa que já tenha sido fonte da imprensa sabe que entre o que se informa (por declaração, por escrito ou num relatório formal) a um jornalista e aquilo que sai publicado vai uma distância. Quando o repórter é um profissional correto, e quando o veículo em que trabalha também é, essa distância é geralmente pouco relevante. No entanto, em particular na imprensa escrita e nos noticiários da televisão, o processo de edição, em que se corta muito do que a fonte informou, pode levar a citações fora de contexto ou incompletas. (Já quando jornalista e/ou veículo são desonestos, o que sai publicado é qualquer coisa.) Assim, de modo a resguardar aquilo que se informou à imprensa, a iniciativa de publicar perguntas e respostas pode contribuir para a melhoria das práticas profissionais da área.
4. Na prática, o que a Petrobras passou a fazer tem consequências sobre a capacidade de órgãos da imprensa “furarem” seus concorrentes. Se a Petrobras publica as perguntas formuladas por um jornal assim que envia as respostas, bastará ao jornal concorrente consultar sistematicamente o blog da Petrobras para não ser “furado”. Isso tende a uniformizar o noticiário e a reduzir o estímulo para que os veículos busquem levantar assuntos inéditos. Quem perde com isso é o leitor.
5. Ao tomar a iniciativa que tomou, a Petrobras não disse o que fará em relação às informações que passa com exclusividade a jornalistas por sua própria iniciativa. O princípio deveria ser o mesmo — se a ideia é comunicar-se com o público sem a intermediação dos veículos de comunicação, então essas notícias “plantadas” precisariam também ser divulgadas no blog da empresa assim que formuladas por sua assessoria de imprensa.
6. De toda forma, ficará fácil verificar se a empresa procurará resguardar essas informações que distribui com exclusividade, pois se algo for publicado em algum veículo e a notícia disso não tiver sido divulgada previamente pela Petrobras, estará configurado o uso de dois pesos e duas medidas.
7. Em particular, é bom ver o que acontecerá com as informações prestadas pela Petrobras a veículos e agências noticiosas internacionais. Será mesmo que a empresa vai “furar” a Reuters, a Associated Press, o Financial Times, a Economist? Não é de se crer.
8. Embora pareça claro que a iniciativa da Petrobras vem como reação à CPI montada para investigar as suas operações, a tensão criada com os jornais não deverá persistir, pois não interessa à própria Petrobras. Por mais que a política de comunicação do governo federal tenha se voltado preferencialmente aos pequenos veículos locais e regionais, a Petrobras não pode prescindir da chamada “grande imprensa”, porque os investidores do mercado não lêem o Democrata de Xixirica da Serra, mas o Globo, o Estadão, a Folha, o Valor.
9. Por isso, é provável que a empresa recue da decisão de divulgar as perguntas e as respostas antes que os veículos publiquem as reportagens correspondentes.
10. Contudo, em favor da melhoria da qualidade da imprensa, a Petrobras deveria continuar a fazê-lo após os veículos terem publicado as suas histórias.

Claudio Weber Abramo é diretor executivo da Transparência Brasil. Bacharel em matemática (USP) e mestre em filosofia da ciência (Unicamp). Antes de juntar-se à Transparência Brasil, sua principal atividade profissional foi na área de comunicação e, nesta, no jornalismo. O blog dele: http://colunistas.ig.com.br/claudioabramo/
Fonte: Blog do Noblat

terça-feira, 9 de junho de 2009

ATAQUE A IMPRENSA

Editorial de O Globo do dia 09 de junho

No centro do noticiário de desvios de recursos em contratos superfaturados, de irrigação generosa de ONGs companheiras, e motivo de instalação de uma CPI no Senado, a Petrobras decidiu, de maneira agressiva, antiética e ilegal, tentar acuar O GLOBO, a "Folha de S. Paulo" e "O Estado de S. Paulo", jornais que, por dever de ofício, acompanham com a atenção devida as evidências de desmandos na administração da companhia.
O caminho encontrado pela estatal foi publicar em um blog da empresa as perguntas encaminhadas por repórteres dos jornais e respectivas respostas. Com o detalhe, também grave, de que a empresa divulgou na sexta informações que prestara para uma reportagem que seria publicada no GLOBO de domingo, numa as-sombrosa quebra do sigilo que precisa existir no relacionamento entre imprensa e fonte prestadora de informações. Agira da mesma forma com os outros jornais.
Mesmo as perguntas, encaminhadas por escrito, são de propriedade do jornalista e do veículo a que ele representa. O indisfarçável objetivo intimidativo da empresa, como bem interpretou nota da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), desrespeito profissionais e atenta contra a liberdade de imprensa, ao violar o direito da sociedade de ser informada, sem limitações.
A Petrobras fere a Constituição. Corporação poderosa, com tendência histórica de se descolar de controles públicos, a Petrobras, com a política de aparelhamento do Estado posta em prática por Lula, se tornou, em parte, um bunker nas mãos de correntes de sindicalistas, do PT e sob o jugo dos anseios fisio-lógicos do PMDB.
A estatal alega praticar a "transparência" ao cometer o erro de divulgar material de propriedade de profissionais e veículos de imprensa. Ser cada vez mais transparente é um objetivo correto para a estatal -, caso ela não o use como justificativa para agir deslealmente com os meios de comunicação. A Petrobras errou, e espera-se que volte atrás nos procedimentos nada éticos que adotou no atendimen- to à imprensa.
Pelo seu porte, obrigada a prestar informações a milhares de acionistas e a órgãos reguladores dentro e fora do país, a estatal não pode ser instrumento de grupos políticos, não importa de qual figurino ideológico.
A empresa, sem dúvida uma conquista da sociedade brasileira, já atingiu um porte diante do qual governos devem tratá-la com respeito, mas sem permitir que paire sobre o país, imune a qualquer regulação, que se feche diante do legítimo interesse do contribuinte em saber como são feitos os negócios públicos.
O Tribunal de Contas da União (TCU), ligado ao Legislativo, tem acesso a contratos firmados pela administração direta pelos quais o contribuinte financia ONGs e organizações sociais. A estatal faz o mesmo, mas impede auditores do tribunal de examinarem os acordos, escudada na interpretação de uma lei da era FH. Sem qualquer preocupação com os interesses dos acionistas privados, no Brasil e no exterior, a estatal montou uma desproporcional equipe de mais de 1.150 profissionais de comunicação, uma redação que supera em três ou quatro vezes cada uma daquelas dos maiores jornais do país. Vê-se agora que um dos objetivos é usar esta redação - ociosa, por falta do que fazer no trabalho normal de comunicação corporativa - na luta política e na ameaça à imprensa.
Outro sinal da transformação da Petrobras em uma espécie de caixa dois de operações políticas está exposto na reportagem do GLOBO, no domingo - cujo sigilo foi quebrado pela estatal -, sobre o apoio continuado ao projeto sem destino do uso da mamona como biocombustível. A própria Agência Nacional de Petróleo (ANP) já atestou a inviabilidade do programa. Mas,como assentamentos do MST, da Contag e outras organizações ditas sociais são beneficiários do projeto, milhões de reais continuam a ser repassados, enquanto a mamona apodrece em armazéns no sertão nordestino. Não por acaso, no lado da estatal, quem gerencia esta área é Miguel Rossetto, ministro do Desenvolvimento Agrário no primeiro governo Lula, quando patrocinou o aparelhamento do Incra pelo MST e satélites. Hoje, transfere dinheiro da Petrobras para os antigos aliados -, com a vantagem de não precisar prestar contas ao TCU.
O ataque da Petrobras à imprensa, nova especialidade de uma empresa que deveria estar concentrada na exploração do petróleo e gás, não deve ser, portanto, um simples desvio organizacional. Longe disso. Tudo parece coerente com um estilo de administração e diversificação de objetivos adotados nos últimos tempos.

Blog do Noblat

ATAQUE A IMPRENSA

Ataque à imprensa
No centro do noticiário de desvios de recursos em contratos superfaturados, de irrigação generosa de ONGs companheiras, e motivo de instalação de uma CPI no Senado, a Petrobras decidiu, de maneira agressiva, antiética e ilegal, tentar acuar O GLOBO, a "Folha de S. Paulo" e "O Estado de S. Paulo", jornais que, por dever de ofício, acompanham com a atenção devida as evidências de desmandos na administração da companhia.
O caminho encontrado pela estatal foi publicar em um blog da empresa as perguntas encaminhadas por repórteres dos jornais e respectivas respostas. Com o detalhe, também grave, de que a empresa divulgou na sexta informações que prestara para uma reportagem que seria publicada no GLOBO de domingo, numa as-sombrosa quebra do sigilo que precisa existir no relacionamento entre imprensa e fonte prestadora de informações. Agira da mesma forma com os outros jornais.
Mesmo as perguntas, encaminhadas por escrito, são de propriedade do jornalista e do veículo a que ele representa. O indisfarçável objetivo intimidativo da empresa, como bem interpretou nota da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), desrespeito profissionais e atenta contra a liberdade de imprensa, ao violar o direito da sociedade de ser informada, sem limitações.
A Petrobras fere a Constituição. Corporação poderosa, com tendência histórica de se descolar de controles públicos, a Petrobras, com a política de aparelhamento do Estado posta em prática por Lula, se tornou, em parte, um bunker nas mãos de correntes de sindicalistas, do PT e sob o jugo dos anseios fisio-lógicos do PMDB.
A estatal alega praticar a "transparência" ao cometer o erro de divulgar material de propriedade de profissionais e veículos de imprensa. Ser cada vez mais transparente é um objetivo correto para a estatal -, caso ela não o use como justificativa para agir deslealmente com os meios de comunicação. A Petrobras errou, e espera-se que volte atrás nos procedimentos nada éticos que adotou no atendimen- to à imprensa.
Pelo seu porte, obrigada a prestar informações a milhares de acionistas e a órgãos reguladores dentro e fora do país, a estatal não pode ser instrumento de grupos políticos, não importa de qual figurino ideológico.
A empresa, sem dúvida uma conquista da sociedade brasileira, já atingiu um porte diante do qual governos devem tratá-la com respeito, mas sem permitir que paire sobre o país, imune a qualquer regulação, que se feche diante do legítimo interesse do contribuinte em saber como são feitos os negócios públicos.
O Tribunal de Contas da União (TCU), ligado ao Legislativo, tem acesso a contratos firmados pela administração direta pelos quais o contribuinte financia ONGs e organizações sociais. A estatal faz o mesmo, mas impede auditores do tribunal de examinarem os acordos, escudada na interpretação de uma lei da era FH. Sem qualquer preocupação com os interesses dos acionistas privados, no Brasil e no exterior, a estatal montou uma desproporcional equipe de mais de 1.150 profissionais de comunicação, uma redação que supera em três ou quatro vezes cada uma daquelas dos maiores jornais do país. Vê-se agora que um dos objetivos é usar esta redação - ociosa, por falta do que fazer no trabalho normal de comunicação corporativa - na luta política e na ameaça à imprensa.
Outro sinal da transformação da Petrobras em uma espécie de caixa dois de operações políticas está exposto na reportagem do GLOBO, no domingo - cujo sigilo foi quebrado pela estatal -, sobre o apoio continuado ao projeto sem destino do uso da mamona como biocombustível. A própria Agência Nacional de Petróleo (ANP) já atestou a inviabilidade do programa. Mas,como assentamentos do MST, da Contag e outras organizações ditas sociais são beneficiários do projeto, milhões de reais continuam a ser repassados, enquanto a mamona apodrece em armazéns no sertão nordestino. Não por acaso, no lado da estatal, quem gerencia esta área é Miguel Rossetto, ministro do Desenvolvimento Agrário no primeiro governo Lula, quando patrocinou o aparelhamento do Incra pelo MST e satélites. Hoje, transfere dinheiro da Petrobras para os antigos aliados -, com a vantagem de não precisar prestar contas ao TCU.
O ataque da Petrobras à imprensa, nova especialidade de uma empresa que deveria estar concentrada na exploração do petróleo e gás, não deve ser, portanto, um simples desvio organizacional. Longe disso. Tudo parece coerente com um estilo de administração e diversificação de objetivos adotados nos últimos tempos.

Editorial de O Globo do dia 09 de junho

segunda-feira, 8 de junho de 2009

DEPUTADO QUER INCLUIR DUPLICAÇÃO DA BR 304 NO PAC DA COPA



Deputado vai apresentar emenda para garantir a duplicação da rodovia que liga
Por Iranilton Marcolino

Henrique quer aproveitar PAC da Copa para assegurar duplicação de rodovia.O deputado federal Henrique Alves (PMDB) vai tentar incluir no conjunto de ações do governo federal visando a Copa de 2014 uma emenda assegurando a duplicação da BR-304 – que liga Natal a Mossoró e Fortaleza, no Ceará.
Essas obras necessárias para preparar o Brasil para receber o evento mundial de futebol cobrem áreas como mobilidade, transportes, segurança, infraestrutura, mas não incluem construção de estádios e outros equipamentos.
Segundo a assessoria de Henrique, os entendimentos para viabilizar a inclusão da emenda ao chamado “PAC da Copa” foram iniciados ainda durante o processo de escolha das cidades-sede. Com o deputado Eunício Oliveira, do PMDB do Ceará, Henrique acertou que o parlamentar cearense inclua também uma emenda, propondo a duplicação da BR-304 do limite do Rio Grande do Norte até Aracati, no Ceará – a BR já é duplicada de Aracati até Fortaleza.
Como o cronograma de obras do governo federal prevê que até 2014 a duplicação da BR-101 já estará concluída, a estrutura viária vai permitir melhor mobilidade para os torcedores e turistas que venham prestigiar a Copa do Mundo.
As duas vias duplicadas vão servir para ligar três das cidades sedes do evento – Natal, Recife e Fortaleza.
O PAC da Copa chegará ao Congresso Nacional depois de um entendimento prévio com parlamentares do governo e da oposição. Durante o processo de escolha das cidades que vão sediar os jogos, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, conversou com líderes e governadores de todos os partidos, a fim de garantir apoio aos projetos do governo que serão enviados ao Congresso visando criar ou melhorar a estrutura para a Copa.

Fonte: Numinuto





ENTREVISTA C/ DÊNIS - PHS - CARNAUBAIS/RN

Entrevista C/ Dênis PHS de Carnaubais

Blog Pergunta?

Como pretende desenvolver a atividade politica no municipio?


Dênis Responde:

Primeiro preciso estudar profundamente o conteúdo pragmatico e doutrinário do meu partido, vendo o que tem de bom para oferecer a população e não seguir a trilha de muitos que se hospedam numa sigla partidária por puro oportunismo, trocando de partido como quem troca de roupa. Pra mim a fidelidade partidária existe na responsabilidade do individuo com o partido, vem da sua consciência, sou contra a fidelidade imposta e obrigatória.


Blog Pergunta?

O municipio de Carnaubais comporta uma politica dentro desses parâmetros?


Dênis Responde: Tudo depende de aprendizado, da prática executada e da filosofia que pretendemos implantar. O povo gosta do que é diferente, é apenas uma quetão de tempo.


Blog Pergunta?

Você não acha isso um sonho? Uma utopia?


Dênis Responde:

Pode até ser sonho, quem não sonha não vive, não busca realidades e, se for utopia bem melhor ainda, outros também irão sonhar com o que é bom, irão lutar também conosco em busca deste novo tempo.


Blog Pergunta?

Como fazer para alcançar objetivos?


Dênis Responde:

Trabalhando com perseverança, indo ao encontro do que desejamos sem preocupação com resultados imediatos, tudo é consequência do que praticamos. O importante é iniciar, meio e fim virão depois.


Blog Pergunta?

existe alguma coisa de concreto para começar o que deseja?


Dênis Responde:

Existe sim, minha vontade de participar do processo de transformação politica do municipio, pra isso estou batalhando junto ao Partido algumas arternativas no campo da formação de pessoal, qualificando nossos membros, preparando cada um para o futuro, ningúem conscientiza ningúem assim já dizia o mestre Paulo Freire, cada um vai desenvolver sua necessidade de mudar o que achar possivel e necessário.


Blog Pergunta?

Que tempo levara isso?


Dênis Responde?

O tempo que levar, não temos pressa, tudo poderá ser breve, depende de como se faça as coisas. Também poderá ser longinquo e duradouro, quem se desencantar fica no meio do caminho, precisamos ter idealismo, disposiçaõ e coragem para se superar desafios.


Blog Pergunta?

Que mensagem você deixa para seus seguidores e simpatizantes?


Dênis Responde:

Que todos se engajem neste processo transformador, quem ganhará com isso é a sociedade. Precisamos deixar de lado a mesmice. Pra isso é preciso ter interesse coletivo, que os projetos sejam associados para o bem comum.