quinta-feira, 24 de março de 2011

Por causa do escândalo do Banco PanAmericano, a presidente da Caixa Econômica perde o emprego, mas caiu para cima. Vai representar o Brasil no BID, em Washington. D.C., ganhando em dólares

A presidente Dilma Rousseff decidiu mudar o comando da Caixa Econômica Federal, e a presidente do banco estatal, Maria Fernanda Ramos Coelho, responsável pelo cumprimento da ordem de comprar o PanAmericano de Silvio Santos, já entregou seu cargo ao Ministro da Fazenda, Guido Mantega.

A mudança na cúpula da Caixa ocorre após o escândalo de fraudes no Banco Panamericano, adquirido pelo banco estatal no final de 2009. Mas não foi uma punição. A operosa executiva Maria Fernanda Ramos Coelho vai ocupar uma das mais belas sinecuras da República, como representante do Brasil no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), com sede em Washington. D.C.

No troca-troca, as quatro vice-presidências deverão sofrer alterações, e também está de saída o vice-presidente e Finanças, Márcio Percival, coordenador da compra de metade do banco PanAmericano, determinada pelo então presidente Lula, para evitar que o banco de Silvio Santos fosse à falência.

Na mexida, quem vai se dar bem é o ex-ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), que vai assumir uma das vice-presidências, provavelmente a de Loterias, que foi de Moreira Franco no governo Lula.

Um dos últimos atos da presidente Maria Fernanda Coelho, depois de todo o escândalo, foi vir a público para orgulhosamente anunciar que a Caixa vai disponibilizar entre R$ 8 bilhões e 10 bilhões ao PanAmericano para dar liquidez ao banco.

Recapitulando: primeiro, PanAmericano recebeu R$ 739,2 milhões da Caixa. Não adiantou nada. Depois, o Fundo Garantidor de Crédito entrou com mais R$ 2,5 bilhões. Também não adiantou. O Fundo então aumentou sua operação de socorro para cerca de R$ 4 bilhões. E nada mudou, mais uma vez. E por fim a Caixa anuncia o aporte de 10 milhões.

Helio Fernandes
Análise

Inflação não está concentrada em alguns itens, diz banco

A inflação não está concentrada em alguns itens, como em alimentos, educação ou transportes, mas disseminada pela economia, na opinião da economista Laura Haralyi, do Itaú Unibanco.

- Desde outubro do ano passado, com a retomada da inflação, itens isolados têm sido destacados como vilões, como se a pressão de preços fosse algo pontual. No quarto trimestre de 2010, foi a alta de alimentos; em janeiro, a concentração desfavorável de preços administrados e, em fevereiro, os custos com educação. Esses foram fatores relevantes para os resultados de inflação do período, mas não minimizam as sinalizações dos demais indicadores de maior disseminação dos reajustes de preços pela economia e deterioração das expectativas - diz ela.

Ontem, por exemplo, o IBGE explicou que a alta das passagens aéreas pesou no resultado do IPCA-15 de março (prévia da inflação oficial, que subiu 0,60%), mas a economista acha que esse reajuste não justifica nem o nível nem a dinâmica da inflação corrente.

Ela prevê que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 0,70% em março, depois de ter fechado em 0,80% em fevereiro, enquanto a inflação em 12 meses, atualmente em 6,01%, continuaria subindo, ultrapassando o teto da meta (6,5%) em junho, depois de avançar para 6,25% em maio.

Apesar dessa aceleração ser esperada pelo mercado, a economista diz que a permanência em níveis altos por vários meses "pode elevar os riscos de maior indexação formal e informal de preços e aumentar a inércia inflacionária".

Fonte: Cpluna Mírim Leitão/Globo
Artigo de Miranda Sá


Uma lembrança: a guerra secreta pelo petróleo

Eu lembro, não-sei-quantos-anos atrás, ainda estudante, quando li um livro (não me lembro o autor) intitulado “A Guerra Secreta pelo Petróleo”. Meu pai usava conosco uma tática perfeita para nos levar à leitura: apontava na estante um volume que dizia ser “proibido” para meninos, levando-nos a devorá-los.

A “Guerra Secreta pelo Petróleo” contava a história das Sete Irmãs, empresas petrolíferas que dominavam o mundo pela espionagem, subornos, golpes de estado e manu militari. Eram a Standard Oil of New Jersey, atualmente Exxon; Royal Dutch Shell; Anglo-Persian Oil Company, hoje BP Amoco; Standard Oil of New York, agora ExxonMobil; Texaco e Standard Oil of California, que se fundiram na Chevron; e, a Gulf Oil, que se associou com outras.

O livro trazia um mapa mostrando as posses de grandes reservas do óleo fóssil (o Brasil ficava de fora, embora Monteiro Lobato, que papai acompanhava, afirmasse a existência de petróleo aqui). E foi através da geopolítica petrolífera que aprendi a conhecer o barril de pólvora que é o retalhamento do Oriente Próximo, o Irã e o Afeganistão.

O Irã, a Pérsia das Mil e Uma Noites, escreveu um capítulo vigoroso da guerra pelo petróleo com Moammad Mossadegh, personagem notável do nacionalismo persa, precursor das idéias nacionalistas (não religiosos) do Irã moderno.

Não se pode apagar da História a atuação do colonialismo francês na Argélia e na Tunísia, e as aventuras patéticas da Itália na Líbia… E como a Líbia está na ordem-do-dia trago à lembrança Kadafi, Gaddafi, Gathafi ou Qaddafi como chamem e adotem…

Como prefiro Kadafi, vá lá. A sua revolução foi romântica e o início da sua ocupação do poder teve a melhor das intenções. A Líbia era dominada por um consórcio formado pela British Petroleum (Amoco) e a Shell e meia dúzia de sanguessugas.

A Grã-Bretanha e a Holanda, expulsos os italianos na Segunda Guerra, sustentavam um governo monárquico, feudal, cujo poder se estendeu até 1969. Nesse período, Kadafi, jovem tenente do Exército Líbio, foi estudar na Inglaterra.

Em Londres, assistiu o esbanjamento dos príncipes e mandatários do seu País. Diz-se que viu o rei perder um milhão de libras num cassino. Quando regressou à pátria, já capitão fundou, com outros militares, um grupo islâmico secreto, chamado “Oficiais Livres”.

Com seus camaradas, deu um golpe de estado e tomou o poder sem derramamento de sangue. Seu governo prometeu justiça para o povo, mas pelo continuísmo e acomodação, transformou-se numa ditadura totalitária e burocrática assentada sobre refinarrias. Daí para a degenerescência moral, sustentada peloslucros do petróleo, foi um passo.

Chegaram à Líbia com caráter popular, marcado de forte nacionalismo e desconfiança ante a Europa e os EUA os ares do movimento “Cheiro de Jasmim”, que derrubou as ditaduras tunisina e egípcia.

A luta contra a ditadura me conquistou. Diante da conjuntura, vejo a grande contradição empreendida pela chamada “Coalizão”, intervindo na rebelião líbia. Fosse para impedir o massacre de civis e assassinatos de líderes oposicionistas, tudo bem. Mas uma intervenção terra a terra é duvidosa, irão trocar seis por meia dúzia. Por isso, ainda é cedo avaliar a posição da Alemanha e dos Bric.

QUEM É VIVO APARECE

Meu caro leitor, volto a me desculpar, passei um tempão sem atualizar, um erro grasso, mas confiando na sua generosidade, acreditamos manter vivo os laços que aqui constituimos, somos humano, errante circunstancial, doravante vamos procurar evitar ausência, estaremos um pouco mais presente, vamos manter viva a chama da amizade e das boas relações que conquistamos... Um abração bem afetuoso... O editor!
Decisão do STF beneficiará cerca de 30 ‘fichas-sujas’
Lula Marques/Folha


Ao anular a aplicação da Lei da Ficha Limpa para a eleição de 2010, o STF abriu o caminho para a ressurreição de cerca de 30 ‘fichas-sujas’.

Durante o julgamento, a ministra Ellen Gracie perguntou ao colega Ricardo Lewandowski quantos são os recursos pendentes de julgamento.

Além de ocupar uma cadeira no STF, Lewandowski é presidente do TSE. Ele respondeu a Gracie: “Trinta e poucos”.

É essa a quantidade de políticos que, barrados pela nova lei, foram às urnas de 2010 escorados em recursos judiciais.

Elegeram-se, mas não puderam assumir os mandatos. O Supremo devolveu-os ao jogo.

Entre os fichas-sujas que retornam à cena, o mais célebre é Jáder Barbalho (PMDB-PA). Ele vai voltar para o Senado.

A mesma Casa da qual saíra fugido. Envolto em acusações de malfeitos, teve de renunciar à presidência do Senado e ao mandato para esquivar-se da cassação.

Reteve os direitos políticos e, na eleição seguinte, elegeu-se deputado federal. No ano passado, Jader concorreu ao Senado. Agora, terá os votos validados.