CANDIDATO ALTERNATIVO ELES TEM
Além de inócuo, soa meio infantil ficar repetindo que nada mudou, que não aconteceu coisa alguma, que o processo sucessório permanece o mesmo, com Dilma Rousseff candidata contra José Serra. Aconteceu, sim, por uma dessas voltas do destino, q
uando a chefe da Casa Civil anunciou haver sido operada de um câncer e pronta para enfrentar sessões de quimioterapia. O que parecia certeza tornou-se dúvida, mesmo entre prognósticos médicos bastante otimistas. Abre-se a hipótese, por enquanto possível, ainda que não provável, de Dilma deixar de ser candidata. Claro que o festival de cortinas-de-fumaça não se deve a ela, que além de coragem, demonstrou realismo. Mas nos setores próximos de sua candidatura, a começar pelo PT, andam brincando com a situação. Ministros dizem que tudo já passou, que Dilma não está doente, mas esteve. Parlamentares sustentam não dispor de alternativas, quando não pensam em outra coisa. É preciso enfrentar os fatos. Caso a ministra perca as condições de seguir adiante como candidata, fica pueril ficar citando e fotografando Antônio Palocci, Fernando Haddad, Jacques Wagner, Tarso Genro, Patrus Ananias e até Ciro Gomes. Antes da definição do presidente Lula em favor de Dilma Rousseff, todos podiam constituir opções, ainda que melancólicas. Acresce não ser verdade que o sistema hoje incrustado no poder careça de alternativa. Ainda que por enquanto não falem nem proponham, seus integrantes pensam. E concluem. Só há um candidato capaz de manter as coisas onde estão: ele mesmo. O terceiro mandato para o Lula, apesar de constituir-se num golpe de estado igual ou pior do que aquele vibrado nas instituições pelo sociólogo antecessor. Quem viver, verá, caso a trajetória de Dilma, como candidata, venha a ser interrompida.
uando a chefe da Casa Civil anunciou haver sido operada de um câncer e pronta para enfrentar sessões de quimioterapia. O que parecia certeza tornou-se dúvida, mesmo entre prognósticos médicos bastante otimistas. Abre-se a hipótese, por enquanto possível, ainda que não provável, de Dilma deixar de ser candidata. Claro que o festival de cortinas-de-fumaça não se deve a ela, que além de coragem, demonstrou realismo. Mas nos setores próximos de sua candidatura, a começar pelo PT, andam brincando com a situação. Ministros dizem que tudo já passou, que Dilma não está doente, mas esteve. Parlamentares sustentam não dispor de alternativas, quando não pensam em outra coisa. É preciso enfrentar os fatos. Caso a ministra perca as condições de seguir adiante como candidata, fica pueril ficar citando e fotografando Antônio Palocci, Fernando Haddad, Jacques Wagner, Tarso Genro, Patrus Ananias e até Ciro Gomes. Antes da definição do presidente Lula em favor de Dilma Rousseff, todos podiam constituir opções, ainda que melancólicas. Acresce não ser verdade que o sistema hoje incrustado no poder careça de alternativa. Ainda que por enquanto não falem nem proponham, seus integrantes pensam. E concluem. Só há um candidato capaz de manter as coisas onde estão: ele mesmo. O terceiro mandato para o Lula, apesar de constituir-se num golpe de estado igual ou pior do que aquele vibrado nas instituições pelo sociólogo antecessor. Quem viver, verá, caso a trajetória de Dilma, como candidata, venha a ser interrompida. REPENSANDO O PROCESSOS
E era importante, tornou-se crucial o encontro entre os ministros do PMDB, agendado para a próxima semana. Eles discutiriam mecanismos para a afirmação do partido transformado em apêndice desimportante no processo sucessório, por conta da candidatura Dilma Rousseff. Agora, debaterão mais do que a tentativa de fazer valer a força do PMDB como linha auxiliar do presidente Lula e do PT. Estará em pauta a hipótese de fundamental mudança no jogo, ou seja, caso a chefe da Casa Civil se veja obrigada a abandonar o campo, por que aceitar que do banco levante-se outro petista? Será que craques mais completos não existiriam nos quadros do PMDB? Crescerá, como opção, a tese da candidatura própria, envolvendo desde Nelson Jobim à novamente aberta solução do ingresso de Aécio Neves na legenda. O partido havia-se conformado com a perspectiva de indicar o candidato a vice, mas, pelas voltas que o mundo dá, defronta-se com a possibilidade de subir um degrau. Se possível, num entendimento com o presidente Lula. Caso contrário, por conta própria. A ironia da história está em que, antes de conhecida a doença da candidata, os ministros do PMDB imaginavam fórmulas para limitar os espaços por ela ocupados e mais por ocupar, se eleita. Senão dar-lhe algumas cotoveladas, ao menos demonstrar a importância do partido para o sucesso da eleição e do futuro governo. Tudo mudou.
ELOCUBRAÇÕES E REALIDADE
Enquanto o mundo político entrega-se às mais variadas elocubrações decorrentes da doença da ministra Dilma Rousseff, o mundo real demonstra situações bem mais críticas. O abril vermelho continua, agora com a invasão da usina hidrelétrica de Tucuruí pelo MST. Como fazer reforma agrária nas turbinas ou na represa torna-se piada de mau gosto, haverá que concordar com recente diagnóstico de um integrante do Ministério Público do Pará, para quem os sem-terra transformaram-se numa organização paramilitar. Confrontos com a força armada dos estados tornaram-se freqüentes, muitas vezes com lamentáveis resultados de tiroteios e ferimentos. Mortes também. Fazer o quê? Um movimento antes reconhecido como necessário vai virando milícia especializada em atropelar a lei e as instituições. Sob a complacência do governo federal e dos governos estaduais e amparado pelos cofres públicos. Em boa coisa esse processo não vai dar.
O PADRE ETERNO DE FÉRIAS?
Depois da crise econômica cujos efeitos levarão anos para desaparecer, surge agora ameaça mais cruel no planeta: a gripe suína, que os modismos semânticos deste início de século deixam de rotular como epidemia para chamar de pandemia. Tanto faz, mas a verdade é que todos rezamos para não se repetir episódio de quase cem anos atrás, a gripe espanhola, responsável pela morte de milhões de pessoas, nos cinco continentes. A gente se pergunta se entrou de férias o Padre Eterno, em suas diversas versões, de Alá a Jeová e outros menos conhecidos no mundo ocidental. Surgem catastróficas as previsões, se as coisas continuarem como vão. Depois dos banqueiros e dos especuladores, entram em campo os porcos...
Fonte: claudiohumberto



















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