segunda-feira, 1 de junho de 2009

SACO DE GATOS



Ou o presidente Lula bota ordem no ministério ou logo será obrigado a demitir a metade dos ministros, se quiser preservar sua autoridade. Porque, a cada dia que passa, mais o governo parece uma federação de discordâncias.

Em linguagem popular, um saco de gatos. Carlos Minc, do Meio Ambiente, denuncia Reinhold Stephanes, da Agricultura, como agente do agro-negócio.

Também avança sobre Alfredo Nascimento, dos Transportes, insurgindo-se contra o asfaltamento da rodovia Manaus-Porto Velho. Henrique Meirelles, do Banco Central, desmente Guido Mantega, da Fazenda, no diagnóstico da crise econômica.

Tarso Genro, da Justiça, desentende-se com Nelson Jobim, da Defesa. Paulo Bernardo, do Planejamento, briga com Fernando Haddad, da Educação, na hora de contingenciar verbas orçamentárias.

Até Dilma Rousseff, todo-poderosa, não raro se vê obrigada a ceder espaço para a equipe econômica. E vai por aí. Está na hora de o comandante enquadrar o pelotão. Para isso, precisaria tomar uma série de decisões que vem protelando.

Composição não significa distanciamento. Dos 36 ministros, pelo menos 18 serão candidatos às eleições do ano que vem. Deverão desincompatibilizar-se até 31 de março. Ouve-se nos corredores do Planalto que em maioria serão substituídos pelos secretários-gerais, uma espécie de meia-sola que enfraqueceria o período final de governo. Isso, é claro, se não forem prorrogados os mandatos.

Há quem aconselhe o presidente a antecipar-se, promovendo no início do segundo semestre ampla reformulação ministerial, escolhendo para cada vaga os melhores nomes disponíveis na sociedade, à margem dos políticos que disputarão as eleições.


O texto é do Jornalista Carlos Chagas - Blog do claudiohumberto.

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