segunda-feira, 30 de agosto de 2010

ENVIADO POR RICARDO NOBLAT

Nordeste dita a tendência do eleitor na sucessão 2010


Do Blog de José Roberto Toledo

As tendências costumam partir dos centros em direção à periferia. É assim no vestuário, na tecnologia, no design. O que é moda em Milão hoje, será moda em São Paulo amanhã, e em Xiririca da Serra no dia seguinte.

E na hora de votar? Onde fica o centro e quem está na periferia?

Na eleição 2010, quem dita a tendência é o Nordeste. Quando José Serra (PSDB) ainda liderava sozinho as pesquisas sobre a sucessão presidencial, os eleitores nordestinos já preferiam Dilma Rousseff (PT). À época, era comum atribuir esse comportamento ao assistencialismo do governo Lula na região.

O tempo mostrou que essa explicação é reducionista e insuficiente. Reducionista porque desde sempre a preferência por Dilma incluiu os nordestino ricos e pobres, escolarizados ou não, com e sem bolsa federal. E insuficiente porque ela não explica o fato de essa tendência ter extrapolado as fronteiras do Nordeste.

A mais recente pesquisa Ibope/Estado/TV Globo dá pistas importantes para se entender melhor o porquê de a “onda vermelha” ter se espalhado de lá para o Norte/Centro-Oeste, para o Rio de Janeiro, depois para Minas Gerais, para São Paulo e finalmente chegar ao Sul do Brasil.

Tudo aponta para a ideia da continuidade. Mas por que o eleitor quer mais do mesmo, em vez de variar um pouco? A fila andou e incluiu dezenas de milhões no mundo do consumo. Mas, tão importante quanto, os eleitores avaliam que ela continua andando. Principalmente no Nordeste.

Na era Fernando Henrique, o controle da inflação trouxe estabilidade e evitou a corrosão da renda de praticamente todos os brasileiros.

O efeito lhe rendeu duas eleições presidenciais, mas acabou se esgotando. A economia voltou à letargia. Após oito anos, o eleitor preferiu a ruptura à continuidade.

As políticas sociais e de crédito massificados no governo Lula dão a impressão de que o movimento de inclusão é persistente. Coincidência ou não, o ritmo da economia como um todo se acelerou. Ao gosto nordestino, saiu de um arrastado bolero para um rápido xote.

Na semana passada, o CEO de um dos maiores bancos brasileiros exortava, em um seminário para os principais executivos da instituição: “Precisamos olhar para o Nordeste. O crescimento lá é mais rápido. É onde estão as oportunidades”.

Como exemplo, ele contou a história de um dono de supermercado no Piauí que montou 60 lojas, comprou 300 caminhões e fundou sua própria construtora para garantir a expansão da rede. Tudo nos últimos anos. É um novo mercado se formando. Novos atores emergindo.

Esse movimento foi traduzido pelo marqueteiro João Santana no “seguir mudando”, o mote e o xote da campanha de Dilma.

É o gerúndio no poder, mas parece ser também o ritmo da eleição.

Como diriam em Milão, o Nordeste é “trendsetter”.
Eleitor já considera Dilma ‘mais preparada’ que Serra

Numa tentativa de fugir da armadilha plebiscitária urdida por Lula, José Serra idealizara uma campanha centrada no cotejo biográfico.
Em vez de um embate do tipo Era Lula X Fase FHC, o tucano promoveria a comparação de sua biografia com a de Dilma Rousseff.

Serra imaginara que, em pouco tempo, convenceria os eleitores de que é mais preparado do que a rival para gerir o legado de Lula, aperfeiçoando-o.

O Datafolha informa que o plano fez água. Em maio, a maioria do eleitorado achava Serra (45%) “mais preparado” do que Dilma (29%).

Hoje, a curva se inverteu. Agora é Dilma (42%) quem é vista como “mais preparada” do que Serra (38%).

Nesse quesito, a pupila de Lula cresceu 14 pontos percentuais no Sudeste e 18 pontos no Nordeste. Entre os mais jovens, subiu 17 pontos.

Escassos 35 dias separam o eleitor das urnas. Serra dispõe de 25 dias a mais do que os dez dias que abalaram o mundo, em 1917, e deram à luz a Rússia bolchevista.

Num período pouco maior, 40 dias, Jesus peregrinou pelo deserto. Jejuou entre feras e resistiu às tentações de satanás.

Hitler só precisou de 41 dias para invadir a França, em 12 de maio de 1940, e festejar a rendição do inimigo, em 22 de junho do mesmo ano.

No caso de Serra, porém, a rendição foi prematura. Já na primeira semana da guerra televisiva, o tucano cedeu à tentação. E levou Lula à sua propaganda.

Com esse gesto, o presidenciável tucano evidenciou a improbabilidade de se tornar o protagonista de uma virada.

Serra é hoje, o candidato favorito a fazer de Dilma uma presidente eleita em primeiro turno.

Submetido a um tempo que voa, Serra padece o presente sem perspectiva de futuro. Parece condenado a assistir ao pretérito passando.


Escrito por Josias de Souza

POR CARLOS CHAGAS

UMA BRINCADEIRA PERIGOSA

Justiça se faça ao presidente Lula, foi ele a rejeitar o terceiro mandato. Houve tempo, no começo do ano passado, em que bastaria um estalar de dedos para a hipótese consolidar-se. Deputados do PT e de outros partidos já tinham pronta emenda constitucional permitindo uma segunda reeleição aos titulares de mandatos executivos, incluindo prefeitos e governadores, além dos presidentes da República. Um sinal verde da parte do primeiro-companheiro e apesar dos estrilos da oposição, e a matéria passaria no Congresso até mais facilmente e com menos despesas do que passou a reeleição, nos tempos de Fernando Henrique.

Naqueles idos o Lula parecia num beco sem saída, apesar de sua popularidade em alta indiscutível. Perdera José Dirceu e Antônio Palocci, os dois principais auxiliares que sonhavam sucede-lo. O PT parecia um deserto de candidatos e ele começava a pensar em Dilma Rousseff, mas sem convicções no seu próprio partido. Andava em alta a possibilidade de Aécio Neves transferir-se para o PMDB e ser lançado candidato, mas nem o governador mineiro confiava no maior partido nacional e nem o PMDB confiava no Lula. Malogrou o desembarque de Aécio do ninho dos tucanos e o presidente continuou declarando não aceitar o terceiro mandato. Nas pesquisas espontâneas que começavam a pipocar, era o nome dele que pontificava, mesmo depois de haver lançado Dilma.
A natureza seguiu seu curso, sua popularidade aumentou ainda mais e a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil começou a ser considerada, até chegar ao favoritismo de hoje.
Por que se recordam detalhes do processo sucessório, agora em sua reta final?
Porque o presidente Lula não se emenda. Esta semana, em solenidade no recém-inaugurado palácio do Planalto, na frente do ministro da Defesa e dos comandantes das três forças armadas, não resistiu ao que a totalidade da mídia chamou de brincadeirinha. Dirigindo-se a Nelson Jobim, disse que ele devia ter mandado para o Congresso uma “emendinha” capaz de dar-lhe mais uns anos de mandato. É claro que não falava a sério, mas qualquer estudante de Psicologia concluiria haver alguma coisa a mais na jocosa referência.Um pouco do subconsciente presidencial aflorando na linha d’água, agora que faltam quatro meses para ele deixar o poder. Uma afirmação totalmente dispensável, inócua pela própria consciência.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

STF LIBERA HUMOR

Ministro do STF libera piada sobre políticos na eleição

Alan Marques/Folha

Ao aprovar a lei eleitoral, em 1997, os congressistas produziram uma piada. Proibiram os humoristas de fazer graça com candidatos em períodos eleitorais.



Quando os políticos se levam assim, tão a sério, o humor como que adquire vida própria. Torna-se negro e foge das mãos dos profissionais do ramo.



Numa tentativa de devolver aos verdadeiros humoristas o direito à graça, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão foi ao STF.



Requereu a declaração da inconstitucionalidade do inciso 2º do artigo 45, o pedaço da lei eleitoral que impôs a desgraça.



Em decisão liminar (provisória), o ministro Carlos Ayres Britto suspendeu os efeitos da piada congressual.



Com essa decisão, os humoristas foram liberados para fazer piada sobre os políticos sem a concorrência desleal que seus alvos tentavam impor.



O despacho de Ayres Britto será levado ao plenário do STF, que pode mantê-lo ou não. Espera-se que o tribunal trate o humor com a seriedade devida.



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Escrito por Josias de Souza

DEU EM O GLOBO

Enviado por Ricardo Noblat Queda de Serra até em SP preocupa tucanos

Pesquisa do Datafolha mostra que Dilma cresceu mais e abriu vantagem de 20 pontos sobre o adversário

Gerson Camarotti, Cristiane Jungblut e Chico de Gois

O resultado da pesquisa Datafolha, divulgado ontem pela "Folha de S.Paulo" e que mostra que a petista Dilma Rousseff abriu vantagem de 20 pontos sobre o tucano José Serra, provocou um clima de desânimo na oposição. De forma reservada, a avaliação no PSDB é que, com este cenário, dificilmente haverá segundo turno.

Para tucanos, o maior pesadelo foi concretizado: Dilma ultrapassou Serra até mesmo em São Paulo, onde ele era governador até março. O sentimento generalizado no ninho tucano era de surpresa e perplexidade. E também de que, agora, só mesmo uma reviravolta na campanha poderia mudar este quadro.

A pesquisa, realizada nos dias 23 e 24, mostra Dilma com 49% das intenções de voto, contra 29% de Serra e 9% da candidata do PV, Marina Silva.

Segundo a pesquisa, a dianteira de Dilma se consolidou em todas as regiões do país e também em todas as faixas de renda, inclusive entre os que ganham mais de dez salários mínimos: entre esses eleitores, em pouco mais de 15 dias, Dilma passou de 28% para 40%, enquanto Serra caiu de 44% para 34%.

Numa última tentativa, a ordem, ainda que não consensual na campanha tucana, foi de jogar todas as fichas no episódio da violação do sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, e de outras três pessoas ligadas ao partido.

Mas há entre setores da campanha de Serra o temor de que essa agenda negativa amplie a rejeição do tucano. Outro número do Datafolha que preocupou muito o PSDB foi o da rejeição: 29% para Serra, contra 19% de Dilma.

— Para mim, é inexplicável essa mudança em São Paulo. Até porque as campanhas do Serra e do Geraldo Alckmin valorizam muito o estado — disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

Diante da situação, a determinação dos tucanos é manter a tropa unida e em campo para, em caso de derrota, Serra perder com honra, sem abandono dos aliados. Um sinal disso foi a exibição do depoimento do ex-governador Aécio Neves (PSDB-MG), em apoio a Serra, no programa de TV do presidenciável.

Já há um reconhecimento dos erros da campanha tucana, mas, ao mesmo tempo, se avalia que pode ser muito tarde para correções.

Por isso, os desafios dos tucanos passam a ser dois agora: interromper a trajetória de queda de Serra e garantir vitórias de candidatos tucanos aos governos de São Paulo, Paraná e Goiás.

Além disso, reverter imediatamente a situação em Minas e tentar assegurar o segundo turno no Pará, Alagoas e Piauí.

Leia mais em O Globo

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

POR CARLOS CHAGAS

NO NOVO SENADO, AS MESMAS DIFICULDADES

Nem tudo é sucesso, na campanha eleitoral liderada pelo presidente Lula. Dilma Rousseff parece eleita, mas aumentar as bancadas do PT no Congresso, por enquanto, é sonho de noite de verão. Em especial no Senado, motivo das maiores preocupações do primeiro-companheiro.

Conforme pesquisas realizadas nos estados, dos 54 senadores a ser eleitos em outubro, o PT deverá eleger apenas sete: Jorge Viana, no Acre, Delcídio Amaral, em Mato Grosso do Sul, Gleise Hoffman, no Paraná, Humberto Costa, em Pernambuco, Wellington Dias, no Piauí, e Marta Suplicy, em São Paulo. Permanecerão, do PT, apenas o suplente de Tião Viana, no Acre, e Eduardo Suplicy, em São Paulo. O resultado é que o partido, hoje, tem nove senadores, e continuará com nove, na melhor das hipóteses.

É claro que dos 81 senadores atuais, mais da metade pertencem a partidos que apóiam o governo, ou seja, estão com Lula e Dilma, mas garantir, ninguém garante. Ainda permanecem abertas as cicatrizes da derrota na prorrogação da CPMF. Dos favoritos na disputa pelas duas novas vagas, também mais da metade respaldam o governo, mas é a velha história de que, nas votações passadas e futuras, cada caso é um caso. A nova presidente da República precisará negociar, porque fechados mesmo com ela, só nove. As negociações, muitas vezes, custam caro.



SERÁ QUE O COMANDO COMANDA?
Apressou-se o presidente do PMDB, Michel Temer, em desfazer especulações a respeito do açodamento com que integrantes do partido lançam-se no futuro governo de Dilma Rousseff. Ele telefonou para dirigentes do PT e chefes da campanha da candidata, dizendo não ser essa a postura do comando do PMDB, que não autoriza tal comportamento e que ninguém, em sua direção, avançou o sinal no rumo da composição do ministério, na suposição da vitória de Dilma.

O problema é saber se o comando comanda, porque de alguns anos para cá o PMDB transformou-se num balcão de negócios. Prevalece, nas votações parlamentares, o “toma lá, dá cá” que levou o partido a dispor de seis ministérios no governo Lula e mais um monte de diretorias de empresas estatais.

Michel Temer, na vice-presidência da República, poderá servir de anteparo às pretensões fisiológicas de seus companheiros, mas como a avenida que conduz o PMDB ao palácio do Jaburu tem duas mãos, quem melhor do que o ainda presidente da Câmara para representar o partido na participação no governo?



A HISTÓRIA FUNCIONA A FAVOR
Virou lugar comum na crônica política imaginar que os vice-presidentes estão sempre de olho na cadeira dos presidentes. Ou, pelo menos, costumam ficar alheios ou até em oposição aos titulares. Não é verdade. Da democratização de 1945 aos nossos dias, faíscas saíram apenas entre Café Filho e Getúlio Vargas, Aureliano Chaves e João Figueiredo e Itamar Franco e Fernando Collor.

No mais, Nereu Ramos e Eurico Dutra deram-se muito bem, assim como João Goulart e Juscelino Kubitschek, João Goulart e Jânio Quadros, José Maria Alckmin e Castello Branco, Pedro Aleixo e Costa e Silva, Augusto Rademaker e Garrastazu Médici, Adalberto Pereira dos Santos e Ernesto Geisel, José Sarney e Tancredo Neves, Marco Maciel e Fernando Henrique e, agora, José Alencar e Lula.

O fato de os vice-presidentes não mais presidirem o Senado e nem serem eleitos separadamente ajudou bastante no relacionamento deles com os presidentes. Inexistem motivos para supor que venha a ser diferente no próximo governo.



SALTANDO DE BANDA
À medida em que outubro se aproxima e as pesquisas favorecem cada vez mais Dilma Rousseff, vai diminuindo o diapasão de críticas e reparos à candidata. Mas seria bom não deixar passar certas escorregadelas. Não dá para aceitar, assim, que diante de questões polêmicas, Dilma salte de banda, sem definir-se. É o caso das indagações feitas a ela pelas igrejas, sequiosas de saber seu pensamento sobre a legalização do aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a pesquisa com células-tronco. A companheira acaba de acentuar, por escrito, num boletim “ao povo de Deus”, que esses temas pertencem ao Congresso, a quem caberá a palavra.

Não é bem assim. Em se tratando de projetos de lei, a decisão final cabe ao presidente da República, livre para sancioná-los ou vetá-los. Acresce que a população fica sempre voltada para sua principal figura, querendo saber até o time para o qual ela torce. E por sinal: Dilma é Flamengo no Rio, Corintians em São Paulo, Atlético em Minas e Internacional no Rio Grande?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

POR CARLOS CHAGAS

“NENHUMA TOLERÂNCIA” – MENSAGEM QUE RENDERIA VOTOS

Nem justifica nem explica porque os principais candidatos à presidência da República evoluem com excessiva cautela a respeito da esfrangalhada segurança pública verificada no país. Dilma fala que a educação diminuirá o número de crimes. Serra promete criar um ministério específico para enfrentar a questão mas não diz o que fazer a curto prazo para tirar os criminosos da rua. Marina dá a impressão de que defendendo o meio ambiente defenderá o cidadão contra a violência e a insegurança.

Falta coragem não apenas para eles, mas para os candidatos a governador, deputado e senador em todo o país. Poderia surpreender-se o primeiro a aproveitar esse mês e dias que nos separam das eleições para bater firme na questão. Nada de dizer que bandido bom é bandido morto. A pena capital parece fora de questão. Mas bandido bom tem que ser bandido preso. No caso de crimes hediondos, preso pelo resto da vida. Sem regalias nem benefícios de espécie alguma. De preferência enjaulado como animal que é. Importa reparar o passado e preservar o futuro, não dele, mas de quantos vivem do lado de fora.

Ainda no fim de semana assistiu-se a outro espetáculo de animalidade explícita num dos bairros nobres do Rio. As imagens mostram montes de bandidos atirando a esmo e invadindo um hotel com sofisticado armamento, fazendo reféns e no fim entregando-se à polícia, por falta de condições para resistir. Basta assistir os telejornais e ler o noticiário policial dos diários para se ter a noção da gravidade da questão. Mais do que saúde, educação, transportes e habitação, a segurança pública constitui o maior problema nacional.

Crescerá o candidato a deputado ou senador que defender prisão perpétua, isolamento permanente, trabalhos forçados, presídios no meio da mata ou em ilhas isoladas para quantos assassinos, estupradores, seqüestradores, contrabandistas, narcotraficantes e sucedâneos tiverem sido capturados. Assim como se torna imprescindível o combate implacável aos que ainda se encontram soltos. “Nenhuma tolerância” - poderia significar um bom slogan de campanha.



O VERDADEIRO PERFIL

Só por milagre, e dos grandes, Dilma Rousseff deixará de ser eleita. A pergunta que se faz é se na presidência da República manterá o perfil de mãezona sorridente e bem produzida, revelado nos palanques, ou retomará as características de áspera e intransigente administradora, mantidas há anos?

Em termos políticos, como se comportará? Abrindo espaços para os partidos que a apóiam, do PT ao PMDB, ou fechando as portas às reivindicações, tanto as justas e necessárias quanto as malandras e pouco éticas? Na maioria dos casos torna-se difícil separa-las.

Seu relacionamento com a oposição configura outra incógnita: irá tratá-la a pão e água, quem sabe nem isso, ou tentará cooptar seus contingentes dispostos a colaborar para objetivos comuns?

Enquadrará o ministério, exigindo subserviência de cada ministro, ou terá neles uma instância de consulta permanente, em vez de obediência irrestrita?

E sobre a equipe a compor, passará o apagador no quadro-negro (ou branco?) do atual governo ou conservará peças que o presidente Lula poliu ao longo de oito anos?

Manterá a postura complacente do antecessor frente às elites empresariais e especulativas ou tentará corrigir excessos por elas praticados? Com relação às massas, preservará o assistencialismo ou admitirá reformas sociais como direito legítimo delas, não como dádivas do trono?

Muitas e maiores são as dúvidas a respeito do futuro governo, abrindo-se apenas uma certeza: para melhor ou para pior, engana-se quem supuser um videotape do governo atual.

PRECAUÇÃO DOS TUCANOS

Declínio de Serra leva a oposição a priorizar o Senado

Lula Marques/Folha


Esboçada em todas as pesquisas de opinião, a perspectiva de vitória de Dilma Rousseff deslocou o foco da oposição.



As cúpulas do PSDB e do DEM decidiram voltar suas atenções para a disputa travada nos Estados pelas cadeiras do Senado.



A iniciativa da articulação partiu de Fernando Henrique Cardoso. Ele deflagrou o movimento na semana passada.



Sem alarde, FHC dividiu suas apreensões com Jorge Bornhausen, presidente de honra do DEM; e Sérgio Guerra, presidente do PSDB.



Acha que, confirmando-se o triunfo de Dilma, não restará à oposição senão erguer no Legislativo barricadas contra a “dominação” petista.



Dá-se de barato que a maioria governista na Câmara, acachapante sob Lula, tende a ser ainda maior numa eventual gestão Dilma.



E tenta-se reproduzir no Senado o quadro que permitiu à oposição impor ao Planalto derrotas como a rejeição da emenda que prorrogava a CPMF.



Excluído da campanha tucana de José Serra, que prefere exibir Lula no rádio e na TV, FHC declara-se, em privado, preocupado com os rumos da própria democracia.



Revela-se receoso de que a expectativa do poder longevo leve o petismo a tentar mimetizar no Brasil o modelo autocrático do venezuelano Hugo Chávez.



Enxerga no Senado a única trincheira na qual a oposição ainda pode se posicionar para deter eventuais "arroubos antidemocráticos”.



Ficou combinado que, em entrevistas e artigos de jornal, os líderes da oposição devem ostentar um discurso voltado à classe média.



Em essência, vai-se esgrimir a tese segundo a qual o poder do Executivo precisa ser submetido ao contrapeso de um Congresso capaz de vigiá-lo.



Candidato ao Senado pelo DEM do Rio de Janeiro, o ex-prefeito Cesar Maia foi o primeiro a levar o discurso aos lábios.



Num vídeo que pendurou em sua página na internet, na última sexta (20), Cesar Maia fez referência ao Datafolha.



Sem meias palavras, disse que a vantagem de 17 pontos percentuais atribuída a Dilma leva a um deslocamento do “foco para as eleições do Senado”.



“Essa é uma questão da maior preocupação de todos nós, que somos amantes da democracia”, disse Cesar Maia.



“Queremos evitar que, no Brasil, aconteça o que aconteceu na Venezuela", acrescentou. Para ele, o “jogo” agora é “o controle do Senado”.



No centro das apreensões de tucanos e ‘demos’ está um número mágico: 47. É esse o escore necessário à aprovação de uma emenda constitucional no Senado.



Hoje, Lula dispõe da maioria dos votos dos 81 senadores. A supremacia é, porém, apenas nominal.



Em articulação com dissidentes governistas, a oposição impôs derrotas ao governo até em votações de projetos que exigem a maioria simples de 41 votos.



Atento à fragilidade do consórcio que lhe dá suporte no Senado, Lula empenha-se em prover para Dilma um cenário mais confortável.



Em público, o presidente pede votos em comícios para sua pupila e também para os candidatos ao Senado alinhados com o governo.



Para sensibilizar as platéias, Lula não se cansa de recordar que, ao derrubar a CPMF, a oposição o privou de injetar R$ 40 bilhões na saúde.



Entre quatro paredes, Lula afirma aos políticos que o cercam: “Um senador vale mais do que três governadores”.



Nas eleições de 2010, estão em jogo 54 dos 81 assentos do Senado. Deve-se ao Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) o estudo mais completo sobre prognósticos.



O levantamento carece de atualizações. Mas é, por ora, o que mais se aproxima da guerra travada nos Estados.



O documento esboça um quadro pouco alvissareiro para a oposição. Estima que o PMDB deve conservar nas urnas a condição de dono da maior bancada do Senado.



Prevê que o PT pode saltar da quarta para a segunda colocação em número de senadores. E vaticina a redução das bancadas oposicionistas.



Hoje, PSDB e DEM operam com 14 senadores cada um, atrás do PMDB e à frente do PT.



Tomados pelas previsões do Diap os tucanos correm o risco de ser deslocados para a terceira posição. E os ‘demos’ para a quarta. Daí a preocupação de FHC e Cia..



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Escrito por Josias de Souza

MATO GROSSO

Juízes afastados por nepotismo e corrupção voltam à ativa

Condenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por nepotismo, o desembargador José Jurandir de Lima volta às atividades no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) nesta segunda-feira (23), quando completaria cinco meses do seu afastamento.

O retorno de Lima foi determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que concedeu liminar em ação impetrada pelos advogados do desembargador.

Com a decisão de Toffoli, Lima se juntará a outros dez magistrados também do TJ-MT que nas últimas semanas retornaram ao tribunal após ficar afastados por quase seis meses.

Por desvio de verba pública, haviam sido condenados pelo CNJ à pena máxima (aposentadoria compulsória).

O retorno dos dez magistrados ocorreu entre os dias 4 e 11 deste mês, após decisão do ministro Celso de Mello (STF) anunciada no último dia 2.

“Todos já estão trabalhando. Em razão do represamento dos processos cada um dos juízes que voltou terá que avaliar 850 processos de imediato”, disse ao blog o juiz Antonio Horácio, um dos absolvidos por Mello.

“O retorno foi tranqüilo. Inclusive vários advogados já vieram ao meu gabinete comemorar o meu retorno. Há um ambiente de absoluta tranqüilidade. A exceção da pessoa que me perseguiu, todos se mostraram felizes com o retorno dos dez”, acrescentou Horácio ao fazer referência ao ex-corregedor geral de Justiça, Orlando Perri, que o denunciou.

Para Horácio, ele foi vítima de perseguição “explícita e implacável” feita por Perri.

“Que Deus de a ele o que ele mereça. Ele sabe que fez muita coisa errada. E apesar de eu não beber [bebida alcoólica], não descarto um dia tomar um café com ele. Eu o perdôo”, sentenciou Horácio.

O ex-corregedor esteve à frente das investigações que culminaram no afastamento dos dez magistrados acusados de montarem um esquema de desvio de recursos do Tribunal de Justiça.

O rombo nos cofres do Tribunal é estimado em R$ 1,4 milhão. Além Horácio, também foi afastado do cargo o então presidente da Tribunal, desembargador Mariano Travassos.

“Estou plenamente de acordo com a decisão do ministro Celso de Mello”, disse Travassos ao se referir ao fato de que a volta ao tribunal não lhe devolverá o cargo de presidente.

Quanto ao ambiente de trabalho, resumiu com a seguinte frase: “Está tudo tranqüilo”.

Além dos dois, Celso de Mello também concedeu liminar a José Ferreira Leite (ex-presidente); Graciema Ribeiro das Caravellas; Juanita Cruz da Silva Clait Duarte; Irênio Fernandes; José Tadeu Cury; Marcelo Souza Barros; Marco Aurélio Ferreira e Maria Cristina Oliveira Simões.

Em sua decisão, Celso de Mello alegou que o ex-corregedor impediu que a investigação do escândalo fosse feita pelo TJ-MT ao encaminhá-las diretamente ao CNJ.

“Ao precipitar a atuação do Conselho Nacional de Justiça, sem sequer haver ensejado, ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso, o senhor corregedor-geral da Justiça teria, aparentemente, inviabilizado a prática, pelo Judiciário local, de uma prerrogativa que lhe não poderia ter sido subtraída”, disse Mello na ocasião.

Nos autos, o ex-corregedor explica, no entanto, que as investigações não foram encaminhadas ao TJ em razão de os envolvidos serem juízes com “notório prestígio e influência” no Tribunal, o que, segundo ele, comprometeria a imparcialidade dos julgamentos.

Atualmente, o próprio corregedor responde a cinco processos no CNJ que correm em segredo de Justiça.

“Partiu-se de uma premissa equivocada de que o CNJ não pode avocar, chamar para si, o julgamento de processos disciplinares. O CNJ tem sido muito importante no sentido de abrir essa caixa fechada dos Tribunais de Justiça. Não queremos crer, mas temos que estar alerta para um movimento do Supremo no sentido de diminuir a competência do CNJ”, disse ao blog o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante.

Autores do pedido inicial de investigação do escândalo do TJ-MT, representantes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) de Mato Grosso classificaram as decisões dos dois ministros do STF como “desmotivadoras”.

“Estamos abismados e incrédulos. Se permanecerem as decisões dos ministros estarão sepultando definitivamente o Conselho Nacional de Justiça”, avaliou o coordenador do MCCE de MT, Antônio Cavalcante Filho. Segundo ele, a decisões podem inibir inclusive novas delações por parte dos cidadãos comuns.

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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

ENVIADO POR SANDRO VAIA - ARTIGO

Brincando de casinha

“Querem infantilizar os brasileiros com essa história de pai e mãe”. Essa foi a frase politicamente mais significativa e importante que a candidata Marina Silva pronunciou em toda a campanha eleitoral.Mais importante que todas as suas quilométricas panacéias sobre sustentabilidade.

Na véspera,o presidente Lula,num discurso em Pernambuco,decretou que “a palavra não é governar; a palavra é cuidar.Eu quero ganhar as eleições para cuidar de meu povo como uma mãe cuida de seu filho”

A declaração de Marina,feita durante o debate UOL-Folha, colocou as coisas em seus devidos lugares: estamos numa das campanhas políticas mais despolitizadas da história recente do País e devemos isso aos candidatos principais,seus partidos e aos construtores de suas estratégias eleitorais-que ouvem o galo cantar há dezenas de anos e não sabem onde.

Na semana passada,quando escrevi neste espaço sobre a predominância do emocional sobre o racional nas campanhas políticas, baseado nas experiências neurológicas de cientistas norte-americanos descritas no livro “O Cérebro Político”, não estava me referindo aos tangos chorosos de Libertad Lamarque, mas a narrativas políticas construídas sobre bases emocionais, na reafirmação de crenças e valores básicos que diferenciam candidatos e partidos políticos.

Um vídeo postado esta semana no blog de Augusto Nunes mostrando um debate entre Mário Covas e Paulo Maluf na campanha eleitoral de 1998 para o governo de São Paulo é um exemplo do que se entende por uso legítimo e correto do fator emocional no discurso político.

Cansado de ser submetido à tediosa enumeração de realizações supostas ou não, medidas em números verdadeiros ou forjados, de total irrelevância e absolutamente intraduzíveis para o eleitor comum, Covas deixou de lado por alguns momentos aquilo que se convencionou chamar de “programa de governo” (que de resto cada candidato pode copiar do outro ou pode inventar ou maquiar à vontade) e partiu para um duelo de fundamentos que se resumia a isto: mostrar a diferença que havia entre ele e Maluf em história de vida,crenças,princípios.

Em suma,ele mostrou que era Covas e que o outro era Maluf. No segundo turno, a diferença entre ambos, que era de 1.5milhão de votos a favor de Maluf, passou para quase 2 milhões a favor de Covas.E ele não venceu porque prometeu mais 14 unidades de saúde ou 73 km de estradas ou redução de 0,3% no ICMS dos liquidificadores, mas porque mostrou a diferença substancial que existia entre ele e seu adversário.

Os marqueteiros políticos têm horror ao confronto e às verdades.Os “soi disant” analistas políticos, a maioria deles de rabo preso com algum dos interesses em jogo, se horrorizam com “a agressividade” de alguém que se dispõe a questionar o adversário,como se os candidatos estivessem em cena apenas para interpretar um “pas de deux” de cordialidade forjada e hipócrita substituindo o verdadeiro confronto das idéias que constituem a substância política de cada um.

A campanha política se transformou num jogo de faz de conta, como se o verdadeiro debate de idéias e de princípios, que é o que marca a diferença entre uns e outros, tivesse que ser,obrigatoriamente,um festival de incivilidades.

A despolitização da política e a infantilização do País , com a dedicada ajuda do presidente que quer tratar uma nação como a mãe trata os filhos,dos marqueteiros,dos analistas políticos que abominam a exposição e o debate das diferenças,estão tratando de tornar a eleição onde se decide o futuro do País numa fantasia onde 135 milhões de eleitores são convocados a brincar de casinha.



Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez.. E.mail: svaia@uol.com.br

BLOG DO NOBLAT - LINHK AO LADO

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

POR CARLOS CHAGAS - COLUNISTA DO BLOG CLAUDIOHUMBERTO

DOS MARMITEIROS AOS PAUS-DE-ARARA


Para Marx e Lênin, a História só se repetia como farsa. Muita gente discorda. Às vezes as coisas se passam iguaizinhas, mesmo separadas por décadas, séculos e até milênios.

Em 1945 disputaram a presidência da República o brigadeiro Eduardo Gomes e o marechal Eurico Dutra. O aviador era o preferido das elites e da classe média, campeão de comícios nas grandes cidades. O soldado, além de feio, falava mal e carecia de apoio urbano, ainda que 80% da população morasse no interior. Diversos fatores deram a vitória a Dutra, mas um deles serviu como golpe de graça na eleição: num de seus discursos, o brigadeiro bateu firme nos órfãos da ditadura de Getúlio Vargas, afirmando rejeitar o voto dos “marmiteiros”. Referia-se a quantos haviam crescido politicamente e até enriquecido durante o Estado Novo. Só que um hábil getulista, Hugo Borghi, aproveitou-se daquela frase para espalhar pelo país inteiro que Eduardo Gomes repudiava o apoio de quantos trabalhadores comiam de marmita, saindo de casa cedo e levando o almoço para a fábrica ou para o campo.


Pois é. Dilma Rousseff, ao abordar seu passado de guerrilheira urbana, adepta da luta armada contra a ditadura militar, saiu-se com afirmação capaz de prestar-se a igual confusão. Disse não ser possível “dialogar com o pau-de-arara”. Deixou clara a impossibilidade de entendimento entre torturadores e torturados. Quando jovem, ela também sofreu os horrores dessa hedionda forma de obtenção de confissões.


O problema é se alguém do lado de José Serra distorcer o raciocínio e sair por aí alardeando que a adversária não quer conversa com os “paus-de-arara”, nordestinos durante muitas décadas viajando para o Sul na carroceria de caminhões, amontoados como gado. Até o presidente Lula, então um menino, chegou assim a São Paulo, com a mãe e os irmãos.


Hoje, dificilmente a distorção pegaria, tendo os meios de comunicação e de transporte evoluído de tal forma que a mentira seria desmascarada em questão de minutos, pela televisão, além de os nordestinos que demandam o sul-maravilha utilizarem ônibus e não mais caminhões. Mesmo assim, seria bom a candidata não dar bandeira e lembrar-se de que a História, como farsa, pode repetir-se. Os paus-de-arara, tanto quanto os marmiteiros, agradecem.

ALGUÉM ANDA EXAGERANDO
De um lado, a imensa popularidade do presidente Lula, beirando os 80% da opinião nacional que julga o governo bom e ótimo, material para intensa propaganda sobre ser o Brasil a terra da promissão.


De outro, porém, a manchete do “Globo” de ontem, denunciando que 37 milhões de brasileiros dormem na rua, próximos do local de trabalho, por falta de dinheiro para pagar a passagem de ônibus e voltar todos os dias para casa.


Num país de 37 milhões de abandonados jamais 80% apoiariam com tanto entusiasmo o seu governo. Logo, um dos números está errado. Ou ambos.


O calor da disputa eleitoral costuma levar a exageros. Os índices de popularidade do presidente impulsionam a candidatura de Dilma Rousseff, enquanto a resistência a ela multiplica a legião de moradores de rua.

A INCÓGNITA DO VOTO MILITAR
Passou a época de especular a respeito dos militares. Como pensam, o que sentem, quais suas preferências, para onde se inclinam e como votarão? Durante 21 anos era essa uma das maiores preocupações nacionais, tanto dos que apoiavam o regime quanto de seus opositores. O país respirava conforme as reações do chamado “sistema”, temerosos uns, confiantes outros.


Felizmente, os militares saíram do palco. Justiça se faça, até colaborando para que o passado fosse esquecido. Também, os generais de hoje eram os aspirantes e jovens tenentes de ontem. Nada tiveram a ver com os desmandos de seus chefes. Mas houve tempo em que doutos sociólogos e agudos intelectuais passavam o tempo perscrutando a mente dos militares para saber o que aconteceria no dia seguinte.


Apenas por diletantismo, vale indagar como os militares observam e participam do processo sucessório. Isso, se admitirmos o estamento castrense como um bloco monolítico, o que não é.


A oficialidade da Marinha, Exército e Aeronáutica está, por lei, obrigada a votar. Mesmo desvinculada do passado, optará pela candidatura de Dilma Rousseff, guerrilheira, processada, punida e torturada por seus antecessores, acusada de pegar em armas contra o regime? Ou irá preferir José Serra, um dos oradores do célebre comício do dia 13 de março de 1964, então presidente da União Nacional dos Estudantes, obrigado a exilar-se no Chile para evitar que acontecesse com ele o que aconteceu com a adversária de hoje?


Existirão opções? Aos militares será dado votar na candidata que pretende manter a Amazônia como um imenso jardim botânico? Afinal, sustentam opinião oposta à de Marina Silva, defendem o desenvolvimento industrial da região e a preservação de nossa soberania diante das tentativas de internacionalização e transformação de tribos em nações indígenas independentes.


Sobra Plínio de Arruda Sampaio, mas como optarão por outro foragido da “gloriosa”, comunista declarado, ainda mais católico apostólico romano praticante, duas características que faziam ferver o sangue de muitos generais, há quarenta anos?


Inexistem máquinas de votar exclusivas para militares, mas, se elas funcionassem, seria no mínimo curioso saber os resultados.

DEU SONO
Deu sono a inauguração, ontem, do período de propaganda eleitoral obrigatória pelo rádio e a televisão. Tanto no primeiro período, iniciado às 13 horas, quanto no segundo, às 20.30 horas, muita gente fechou os olhos e tentou aproveitar o tempo recompondo forças. Não se cometerá a injustiça de concluir que os candidatos deixaram de se esforçar. Pelo contrário, deram tudo de si. Sorriram, prometeram e criticaram. O diabo é acreditar neles. Vai ser assim até 30 de setembro, tempo que a imaginação poderia aproveitar de formas variadas. Que tal ler “Os Sertões” em pílulas, algumas páginas duas vezes por dia? Ou aprender chinês? Por que não decifrar as intrincadas regras do baseball ou do futebol americano? Quem sabe meditar sobre as promessas do presidente Barack Obama de retirar as tropas do Afeganistão? Coisas a ocupar o tempo sempre haverá...

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TSE: validade da Ficha Limpa é imediata

MIN CARMEN LÚCIA
O Tribunal Superior Eleitoral manteve por 5x2 votos, na noite desta terça-feira, o entendimento de que a Lei da Ficha Limpa deve ter aplicação imediata, já nas eleições deste ano. A decisão deve ser seguida pelos tribunais regionais eleitorais. A Lei veta a candidatura de políticos condenados em decisões colegiadas. A decisão foi tomada no julgamento de recurso do candidato a deputado estadual cearense Francisco das Chagas Rodrigues Alves (PSB), que teve o registro de candidatura negado pelo Tribunal Regional Eleitoral. Ele tem condenação por compra de votos nas eleições de 2004. O julgamento foi suspenso pelo pedido de vista da ministra Carmen Lúcia. O presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski, sustentou que só se justificaria o adiamento da validade da lei se representasse “rompimento da igualdade entre os partidos” na disputa.

ESSE É O CARA - (MANCHETE DO BLOG)

Lula: ‘Se tiver coisa errada vou ligar para presidenta’
Lula concedeu nesta terça (17) uma entrevista a emissoras de rádio do Nordeste. Falou como se Dilma Rousseff já estivesse eleita. Chamou-a de “presidenta”



A certa altura, admitiu explicitamente que vai se imiscuir no governo de sua pupila: "Se tiver alguma coisa errada vou pegar o telefone e ligar para minha presidenta...”



“...E dizer 'olha, tem uma coisa aqui errada. Pode fazer minha filha, que eu não consegui fazer’."



Noutro trecho, Lula ironizou o antecessor Fernando Henrique sem mencionar-lhe o nome:



"Quem pensa que vou deixar a presidência e vou para Paris, para Harvard, não sei para onde...”



“...Eu vou vir para o sertão brasileiro, vou viajar esse país inteiro para ver o que eu fiz e o que eu não fiz".



- Serviço: Aqui, a íntegra do áudio da entrevista.

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Escrito por Josias de Souza

DEU EM O GLOBO - ENVIADO POR NOBLAT

Os enganos e acertos do 1º programa

Serra errou ao incluir Lula no jingle, Marina, ao não se apresentar, e Dilma não deve se escudar no presidente, dizem analistas

Alessandra Duarte e Carolina Benevides

Enquanto Dilma Rousseff (PT) quis se mostrar afetiva, José Serra (PSDB) tentou ser popular. E Marina Silva (PV) se perdeu no meio ambiente.

No primeiro programa eleitoral, a maioria dos presidenciáveis se preocupou em apresentar sua biografia, mas, segundo cientistas políticos que analisaram a propaganda a pedido do GLOBO, alguns tiveram mais erros que acertos — como os fatos de Serra ter posto o nome do presidente Lula no jingle e de Marina não ter sido apresentada no programa.

— Serra teve fala convincente, mas buscou fórmula mais antiga de programa, com samba — diz a cientista política e historiadora Isabel Lustosa.

— O da Dilma foi bonito, e fez bem ao explorar o passado de luta contra a ditadura, com as amigas da prisão; não sonegou a informação de que é de esquerda. O Serra, nesse ponto, ficou sem discurso. Foi um erro o Lula no jingle; pode perder o eleitor cativo dele. Ao mesmo tempo, não cola a imagem de que é candidato do Lula.

A inclusão do nome de Lula no jingle tucano também foi criticada pelo cientista político Roberto Romano, da Unicamp:

— Chamá-lo de Zé é forçar a barra. Do mesmo modo que mostrar a trajetória dele como um pobre que subiu na vida. Já a Dilma tem de ter cuidado para não fazer do Lula um escudo.

— Não cola ser o Zé. Ele nunca foi conhecido como Zé. Ele é o Serra, não fez campanha para o governo de São Paulo como o Zé. Quis colar o nome Lula da Silva ao dele, mas isso depõe contra — acrescenta Paulo Bahia, cientista político da UFRJ.

Para o professor de sociologia e política da PUC-Rio Ricardo Ismael, Serra acertou ao falar de saúde, tema que interessa ao eleitorado, e ao listar cargos para os quais foi eleito, enquanto Dilma ocupou cargos executivos, não eletivos.

O fato de Serra ter falado para a câmera, porém, deixou o programa com menos emoção do que o da petista:

— Serra quis popularizar com música nordestina e fala olhando para o eleitor. Dilma pegou a linha do afeto, conversa de modo intimista, confessional. O objetivo foi mostrar a Dilma doce, que fala da mãe, da filha, brinca com o cachorro.

Marina, dizem os analistas, teve o pior primeiro programa:

— Parecia um "Globo Repórter" sobre a natureza — conclui Isabel Lustosa.

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terça-feira, 17 de agosto de 2010

O CONGRESSO EM FOCO - COLUNISTA - Rudolfo Lago*

Tudo por um segundo turno

“Serra agora está como aquele lutador de boxe que leva uma saraivada de golpes no final do primeiro round. Toda a sua energia concentra-se em ficar de pé”

A última rodada da pesquisa Datafolha foi um balde de água gelada, siberiana, para o comando da campanha do candidato do PSDB, José Serra, à Presidência da República. Os números do Datafolha até então, sempre mais favoráveis a Serra, serviam de esteio para evitar debandadas e corpo mole nos estados. Essa é uma característica das eleições casadas. Elas garantem apoio ao candidato à Presidência enquanto isso for algo bom para as eleições nos estados. Na hora em que pedir votos para o candidato à Presidência atrapalha conseguir votos para governador, senador, deputado, o candidato à Presidência vai desaparecendo da campanha estadual.

Serra não apenas perdeu a liderança para Dilma Rousseff, do PT. Ela já apareceu oito pontos percentuais à frente. Fica mais do que confirmado um favoritismo que os outros institutos de pesquisa já apontavam. Feita a leitura da pesquisa, os estrategistas da campanha de Serra agora não pensam mais em como fazer para chegar à frente da adversária petista no primeiro turno. A tarefa agora passou a ser conseguir de todas as formas que haja segundo turno.

“A Dilma no segundo turno, derrete”, apostou o líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC), numa conversa com este colunista na última sexta-feira (13). Descontado o natural discurso engajado em favor de Serra, a conversa com Paulo Bornhausen apontou para o cenário que se encaminha para o candidato do PSDB, nessa fase que se inicia, de campanha de fato, com o início das propagandas de rádio e TV.

A avaliação que os aliados de Serra fazem é que a possibilidade de crescimento de Dilma se esgota terminado o primeiro turno. Até pelo formato escolhido pelo próprio presidente Lula, que não permitiu que Ciro Gomes (CE), do PSB, se apresentasse como um segundo candidato da situação, é no voto em Dilma que se concentra toda manifestação de homenagem, apreço e apoio ao atual governo. Quem quer a continuidade do governo Lula, vota em Dilma. Quem quer que mude, vota nos demais, variando aí a intensidade e o formato da mudança.

Assim, acreditam os estrategistas da campanha de Serra que Dilma chegará ao seu limite no primeiro turno. E que a grande maioria dos votos nos demais candidatos irá para Serra. “Lula, no seu melhor momento, não ganhou no primeiro turno”, diz Paulo Bornhausen, referindo-se à eleição de 2006, em que o presidente foi ao segundo turno com Geraldo Alckmin, do PSDB. “Lula, de fato, furou o espaço do voto cativo que sempre há no PT. Dilma não vai furar”, confia o líder do DEM.

A essa altura, parece haver entre os aliados de Serra um tanto de cálculo racional e um tanto de torcida. Em primeiro lugar, claro está que Serra tem que fazer tudo para levar a eleição ao segundo turno. Se levar, o primeiro impacto disso será mais favorável a ele, que terá conseguido conter a arrancada de Dilma. Mas é difícil prever como se comportará de fato o eleitor que não escolheu Dilma nem Serra no primeiro turno.

O PV de Marina esteve no governo Lula. A não ser que Marina declare apoio a Serra no segundo turno – o que não parece provável -, o grupo realmente mais ligado a ela parece ter mais afinidade ideológica com o PT. Mesmo com todas as restrições, numa opção apenas entre ela e Serra, podem ir para Dilma. Os empresários com preocupações ambientais, que se aliaram à candidatura de Marina por causa de seu vice, o dono da Natura, Guilherme Leal, podem ir para Serra. A confiar no que dizem as pesquisas, os demais candidatos têm presença tão pequena no total de votos que não parecem ter qualquer capacidade de fazer pender a balança. De qualquer modo, não parece provável que Serra tivesse os votos dos eleitores dos candidatos radicais de esquerda. Poderia conseguir os votinhos dos dois conservadores: Eymael, do PSDC, e Levy Fidélix, do PRTB.

Enfim, o quadro atual aponta para um favoritismo de Dilma no primeiro turno que somente um acidente imprevisto poderia reverter. A chance de Serra fica para um segundo turno. Que seria uma espécie de freio de arrumação, uma tomada de fôlego para a nova tentativa de virar a eleição. Serra agora está como aquele lutador de boxe que leva uma saraivada de golpes no final do primeiro round. Toda a sua energia concentra-se em ficar de pé. Para ver se uma esponja de água gelada e algum curativo nas feridas durante o intervalo façam com que ele consiga pensar em alguma coisa diferente no segundo round.


*É o editor-executivo do Congresso em Foco. Formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília em 1986, Rudolfo Lago atua como jornalista especializado em política desde 1987. Com passagens pelos principais jornais e revistas do país, foi editor de Política do jornal Correio Braziliense, editor-assistente da revista Veja e editor especial da revista IstoÉ, entre outras funções. Vencedor de quatro prêmios de jornalismo, incluindo o Prêmio Esso, em 2000, com equipe do Correio Braziliense, pela série de reportagens que resultaram na cassação do senador Luiz Estevão

FANTASIAS E ILUSÕES

Por Carlos Chagas

Começa hoje a temporada de esperança para uns, de frustração para outros e de mistificação para a imensa maioria da população. Não adianta mascarar de contribuição para a democracia esse horário de propaganda eleitoral gratuita e obrigatória no rádio e na televisão, que se estenderá até 30 de setembro.

Podem os candidatos, os marqueteiros, os partidos e os institutos de pesquisa imaginar que vão manipular a opinião pública, mudar o eixo das preocupações nacionais ou definir o futuro do país. Ledo engano. Estarão mesmo é abusando da paciência do eleitorado e criando fantasias por conta de falsas e exageradas mensagens de transformação da vida do cidadão comum. Não mudarão nada, na medida em que venderão ilusões e perturbarão a rotina do eleitor.

Dos pretendentes à presidência da República aos governos estaduais, ao Congresso e às Assembléias Legislativas, poucos acreditarão na própria capacidade de mudar o mundo. No máximo, conseguirão alterar alguns votos, mas nada capaz de inverter tendências já esboçadas faz muito. Um ou outro candidato a deputado, por exemplo, terá condições de amealhar algum apoio adicional depois de aparecer nas telinhas ou ser ouvido pelos microfones, exceções geradas pela excentricidade,o histrionismo ou, quem sabe,o valor de sua pregação. O resto, porém, será mera perda de tempo e enganação.

RAZÕES QUE A RAZÃO DESCONHECE
Com todo o respeito, mas a pergunta não quer calar. O que pretendem, lançando-se candidatos à presidência da República, Rui Pimenta, Zé Maria, José Maria Eymaiel, Levy Fidelix e Ivan Pinheiro? Muita gente acrescentaria Marina Silva e Plínio de Arruda Sampaio, apesar do respeitável viés ideológico desses dois. Será que acreditam na possibilidade de eleger-se? Menos pelas pesquisas, mais pelo papel por eles exercido na realidade nacional, desde que se apresentaram sabiam da inviabilidade de suas escolhas pelo eleitorado.

Não se cometerá a injustiça de supor os candidatos referidos atrás de alguns momentos de glória e de discutível exposição nacional. Terão seus motivos, mas perderam o senso de realidade. Ouvi-los no período de propaganda eleitoral obrigatória e gratuita pelo rádio e a televisão será no máximo curioso.

PLEBISCITO MESMO
Por sorte, capacidade ou instinto, a verdade é que o presidente Lula acertou. A sucessão presidencial transformou-se numa espécie de plebiscito entre o governo dele e a experiência passada dos tucanos, no período de governo de Fernando Henrique. Dilma Rousseff, com satisfação, José Serra, nem tanto, acomodam-se a essa realidade. As tentativas do ex-governador de São Paulo de levar o debate para o futuro tem-se revelado infrutíferas. Interessa menos, nos debates, saber o que os candidatos prometem, mas comparar o que foi feito. Nesse particular, ganha o Lula, até porque o antecessor já se transformou em lembrança esmaecida do passado. As pesquisas reveladas ontem dão a tônica das tendências. Caso não sobrevenham inusitados ou fatos novos, a eleição está decidida em sua forma plebiscitária.


A CORRIDA JÁ COMEÇOU
Fala-se da movimentação verificada tanto no PT quanto no governo, sem esquecer os movimentos subterrâneos que emocionam o PMDB. Muito já se especula sobre o governo Dilma Rousseff, caso as previsões da vitória da candidata se confirmem.


Entre os companheiros, a expectativa é de um ministério basicamente composto pelo partido, não obstante declarações da ex-ministra a respeito de ampliar alianças e governar com todos os aliados. O problema é que paralelamente ao PT existe um outro valor, senão mais forte, ao menos igual: o governo Lula, quer dizer, aqueles que já ocupam o poder e pretendem preservá-lo. Imaginar os dois grupos unidos em torno de um só objetivo equivale a desconhecer a natureza humana. Tem-se a impressão de um daqueles bailes de gafieira, perto da chegada da polícia: “quem está fora não entra, quem está dentro não sai”, máxima que contraria pelo menos a metade dos companheiros.


Enquanto isso, o PMDB já define planos, metas e objetivos, em silêncio e sem alarde. O resultado das eleições seria outro, na hipótese de o partido ter apoiado José Serra, como aconteceu em 2002, ou tivesse lançado candidato próprio. Como maior partido nacional o PMDB prepara suas faturas, que apresentará assim que definido o perfil do novo Congresso.
Ibope reforça hipótese de Dilma vencer no 1º turno





Saiu do forno uma nova pesquisa do Ibope. Traz mais um lote de más notícias para José Serra. Segundo o instituto, Dilma Rousseff abriu sobre ele onze pontos de vantagem.



Hoje, diz o Ibope, a pupila de Lula soma 43% das intenções de voto, contra 32% atribuídos ao seu rival.



Em 5 de agosto, a dianteira de Dilma era de cinco pontos: 39% a 34%. Marina Silva manteve-se estável: 8%. Juntos, os demais candidatos não somam 1%.



Entre os eleitores ouvidos pelo Ibope, 7% disseram que optarão por votar em branco ou anular o voto. Outros 9% declararam-se indecisos.



Contando-se apenas os votos válidos, como faz o TSE, Dilma belisca, hoje, 51%. Serra, 38%. E Marina, 10%.



Nesse cenário, Dilma poderia ser eleita no primeiro turno se a eleição fosse hoje.



Utiliza-se o condicional em função da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos -para mais ou para menos.



Na hipótese de a disputa deslizar para o segundo turno, Dilma prevaleceria sobre Serra por 48% a 37%. De novo, 11 pontos de diferença.



O Ibope também mediu a popularidade de Lula ‘Cabo Eleitoral’ da Silva: 78% dos pesquisados consideram que o governo dele é ótimo ou bom.



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Escrito por Josias de Souza

Enviado por Ricardo Noblat

Ibope: Dilma vira no Sudeste e amplia vantagem no Nordeste

Do blog de Jose Roberto de Toledo

Dilma Rousseff (PT) virou no Sudeste. A petista lidera na região que é o maior colégio eleitoral do país por 41% a 32%. Na pesquisa anterior do Ibope, há menos de 10 dias, ela estava empatada em 35% com José Serra (PSDB) na região. E, no final de junho, estava cinco pontos atrás do tucano.

A despeito das margens de erro maiores (porque a amostra regional é menor que a nacional), a tendência de evolução das intenções de voto no Sudeste é consistente. E surpreendente. No primeiro turno de 2006, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perdeu para Geraldo Alckmin (PSDB) por 820 mil votos de diferença na região.

Essa virada de Dilma deve-se ao aumento da vantagem da petista no Rio de Janeiro, à manutenção de uma pequena margem em Minas Gerais e a um surpreendente empate em São Paulo, onde Serra era governador até abril.

Como as margens de erro são grandes, esses resultados devem ser vistos com cautela, mas a sua repetição e intensificação a cada pesquisa são um sinal de que o tucano tem um problema grande a resolver.

O Sudeste e o Nordeste (onde Dilma ampliou a vantagem de 19 para 29 pontos em pouco mais de uma semana) são os locais onde Serra mais fez campanha nos últimos meses e semanas.

Soma-se a isso o fato de que os dois candidatos foram vistos por cerca de um quarto dos eleitores em suas entrevistas ao Jornal Nacional da TV Globo. E que, na avaliação dos eleitores, o desempenho de Dilma não foi superior (23% de ótimo/bom, contra 20% do tucano) a ponto de justificar o crescimento tão agudo da sua vantagem.

Uma hipótese que parece cada vez mais consistente é que o aumento da exposição de Serra, via eventos de campanha e em debates e entrevistas na TV, faz aumentar o contingente de eleitores que o vê como candidato de oposição. E ele perde votos com isso, porque 78% acham o governo ótimo ou bom.

Essa hipótese ganha força ao se notar o perfil dos eleitores que trocaram o tucano pela petista: são principalmente mulheres e eleitores de baixa renda e pouca escolaridade, que provavelmente aumentaram seu grau de informação sobre a disputa após os debates e entrevistas na TV.

Outro indicador: Dilma só ganha de Serra entre os que dão nota 8, 9 ou 10 ao governo. Só que estes são 68% do eleitorado, e a vantagem da petista entre eles é cada vez maior.

Resta ao tucano olhar para a história recente da sucessão presidencial. Em 2006, Lula tinha 55% dos votos válidos antes de começar o horário eleitoral na TV e rádio. Acabou com menos de 49% e precisou disputar o segundo turno. Mas Lula tinha menos tempo de propaganda que Alckmin, e a avaliação de seu governo não era tão positiva quanto hoje.

domingo, 15 de agosto de 2010

ESTRATÉGIA DE CAMPANHA DE SERRA DEU 100% ERRADO

Fábio Pozzebom/ABr


Todos os planos que José Serra traçara para sucessão de 2010 deram errado. Em consequência, o presidenciável tucano chega à fase do horário eleitoral gratuito, último estágio da campanha, em situação de absoluta desvantagem.



No pior cenário esboçado pelo tucanato, previa-se que Serra iria à propaganda de televisão empatado nas pesquisas com Dilma Rousseff. Deu-se algo mais dramático.



Todos os institutos acomodam Serra atrás de sua principal antagonista. No Datafolha, o fosso é de oito pontos. Vai abaixo um inventário dos equívocos que distanciaram a prancheta do comitê de Serra dos fatos:



1. Chapa puro-sangue: Serra estava convicto de que Aécio Neves aceitaria compor com ele uma chapa só de tucanos. Em privado, dizia que as negativas de Aécio não sobreviveriam a abril. Aceitaria a vice quando deixasse o governo de Minas. Erro.



2. PMDB: O tucanato tentou atrair o PMDB para a coligação de Serra. Nos subterrâneos, chegou-se a levar à mesa a posição de vice. Desde o início, a chance de acordo era vista como remota. Mas o PSDB fizera uma aposta: dividido, o PMDB não entregaria o seu tempo de TV a Dilma. Equívoco.



3. Ciro Gomes: O QG de Serra achava que Ciro levaria sua candidatura presidencial às últimas consequências. Numa fase em que Serra ainda frequentava as pesquisas com dianteira de cerca de 30 pontos, o tucanato idealizou um cenário de sonho.



Candidato, Ciro polarizaria com Dilma a disputa pelo segundo lugar, dividindo o eleitorado simpático ao governo. Mais um malogro.



4. Marina Silva: Serra empenhou-se para pôr de pé, no Rio, a aliança de seus apoiadores (PSDB, DEM e PPS) com o PV de Fernando Gabeira. Imaginou-se que, tonificado, Gabeira iria à disputa pelo governo fluminense com chances de êxito. E o palanque dele roubaria votos de Dilma para Serra e Marina.



Deu chabu. Empurrado por Lula, Cabral é, hoje, candidato a um triunfo de primeiro turno. A vantagem de Dilma cresce no Estado. E Marina subtrai votos de Serra.



5. Sul e Sudeste: O miolo da tática de Serra consistia em abrir boa frente sobre Dilma nessas duas regiões. Sob reserva, Luiz Gonzales, o marqueteiro de Serra, dizia: O Nordeste é importante, mas nossas cidadelas são o Sul e o Sudeste.



Acrescentava: Não podemos perder de muito Nordeste. E temos de ganhar muito bem no Sul e Sudeste. As duas premissas fizeram água. Ampliou-se a vantagem de Dilma no Nordeste. E ela já prevalece sobre Serra também no Sudeste.



Há 20 dias, Serra batia Dilma em São Paulo e era batido por ela no Rio. Em Minas, a situação era de equilíbrio. Hoje, informa o Datafolha, a vantagem de Dilma (41%) ampliou-se em dez pontos no Rio. Serra (25%) enxerga Marina (15%) no retrovisor.



Em Minas, Dilma saltou de 35% para 41%. E Serra deslizou de 38% para 34%. Em São Paulo, o tucano ainda lidera, mas sua vantagem sofreu uma erosão de sete pontos. Resta, por ora, a “cidadela” do Sul, insuficiente para compensar o Nordeste. Pior: Dilma fareja os calcanhares de Serra também nesse pedaço do mapa.



No Rio Grande do Sul, por exemplo, a vantagem de Serra caiu, em 20 dias, de 12 pontos para oito. No Paraná, encurtou-se de 15 pontos para sete.



6. Plebiscito: Lula urdira uma eleição baseada na comparação do governo dele com a era FHC. Serra e seu time de marketing deram de ombros. Como antídoto, decidiram promover um confronto de biografias: a de Serra contra a de Dilma.



Entre todos os equívocos, esse talvez tenha sido o mais crasso. Ignorou-se uma evidência. Do alto de sua popularidade lunar, Lula tornou-se o eixo da campanha. Tudo gira ao redor dele.



Lula transferiu votos para Dilma em proporção nunca antes vista na história desse país.



7. Debates e entrevistas: Em sua penúltima aposta, o grão-tucanato previra que Serra, por experiente, daria um baile em Dilma nos confrontos diretos. Não deu.



Reza a cartilha dos marqueteiros que, nesse tipo de embate, o candidato que vai bem não ganha votos. Porém, o contendor que dá vexame sujeita-se à perda de eleitores. Para o PSDB, o vexame de Dilma era certo como o nascer do Sol a cada manhã.



No primeiro debate, promovido pela TV Bandeirantes, o escorregão não veio. Na entrevista ao “Jornal Nacional”, também não. Serra houve-se bem nos dois eventos. Porém, ao esquivar-se do desastre, Dilma como que ombrou-se com ele.



8. Propaganda eletrônica: Começa nesta terça (17) a publicidade eleitoral no rádio e na TV. O comitê tucano vai à sua última aposta. No vídeo, insistir na exposição da biografia do candidato. Serra será vendido como gestor experiente.



Vai-se esgrimir a tese de que Serra –ex-secretário de Estado, ex-deputado, ex-senador, ministros duas vezes, ex-prefeito e ex-governador— está mais apto do que Dilma para continuar o que Lula fez de bom e avançar no que resta por fazer.



Até aqui, o discurso não colou. Na propaganda adversária, o próprio Lula se encarregará de dizer que a herdeira dele é Dilma, não Serra. A julgar pelas pesquisas, o eleitor parece mais propenso a dar crédito ao dono do testamento.



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Escrito por Josias de Souza

DEU EM O GLOBO

Na reta final

De Merval Pereira

A decomposição da mais recente pesquisa do Datafolha, que mostra a candidata oficial Dilma Rousseff colocando oito pontos de vantagem sobre o candidato da oposição José Serra, mostra uma tendência semelhante ao que aconteceu no primeiro turno da eleição de 2006, com o país dividido por regiões: Serra segue liderando no Sul do país, Dilma vence no Nordeste e no Norte, e o Sudeste está empatado dentro da margem de erro da pesquisa, com ligeira vantagem para Dilma. Em 2006, Alckmin perdeu a eleição mas ganhou no Sudeste, graças aos votos de São Paulo.

O cientista político Cesar Romero Jacob, diretor da editora da PUC, coordena uma equipe de pesquisadores brasileiros e franceses que estuda a “geografia do voto” nas eleições presidenciais do Brasil de 1989 a 2006 e vê um cenário semelhante ao da última eleição presidencial se desenhando, embora acredite que a fatura não esteja decidida a favor da candidata do governo, mesmo que as condições objetivas sejam favoráveis a ela.

Perto de ganhar a eleição no primeiro turno, com 47% dos votos válidos, Dilma Rousseff está em situação pior do que Lula aparecia às vésperas da campanha de rádio e televisão de 2006, quando o presidente, buscando a reeleição, tinha 55% dos votos válidos.

Também o então candidato tucano Geraldo Alckmin, estava em situação pior do que hoje está Serra: havia caído de 28% para 24%, enquanto Serra aparece hoje com 33%, ou 38% de votos válidos.

Marina Silva registra 12% de votos válidos, enquanto os candidatos de partidos pequenos somados vão a 2%, o mesmo quadro de 2006, quando Heloisa Helena, do PSOL, aparecia com 11% dos votos e Cristovam Buarque com apenas 1%.

O resultado do primeiro turno foi bem diferente. Lula teve 48,61% dos votos válidos e Alckmin: 41,64%, enquanto Heloisa Helena e Cristovam somavam menos de 10% dos votos. O que demonstra que política não pode ser confundida com uma ciência exata, nem as pesquisas definem o resultado final das urnas.

A situação regional é explicada por Cesar Romero como resultado de uma cadeia de interesses, e não uma divisão simplista entre “ricos e pobres”.

No Nordeste, por exemplo, não é especificamente o beneficiário do Bolsa Família que influencia o voto, mas uma cadeia de beneficiários. No que aumenta a renda na região, e também a classe média, são também os comerciantes que se beneficiam.

E no Sul, não é só o executivo dos setores exportadores, mas toda a região que é afetada pela valorização do real, que prejudica as exportações.

Se o real estivesse valendo menos em relação ao dólar, toda a região estaria com mais dinheiro, não apenas os grandes exportadores como a Sadia e a Perdigão, mas também o pequeno produtor rural, que faz parte da cadeia exportadora, ressalta Cesar Romero.

Comparando os mapas regionais do resultado da eleição passada no primeiro turno com as pesquisas atuais, o cientista político da PUC destaca que, em 2006, Lula teve um ótimo desempenho na região Norte-Nordeste e em parte do Sudeste.

Em contrapartida, o Sul, São Paulo, parte de Minas e o Centro-Oeste ficaram com o outro lado.

Leia a íntegra do artigo em Na reta final

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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O congresso em Foco

Alguém ainda suporta os debates?

"Os políticos brasileiros ainda não aprenderam a debater corretamente. Ainda temos muito receio em abordar em público os temas sabidamente mais polêmicos. Preferimos ficar dentro da nossa zona de conforto"






Rogério Schmitt*
A cada nova campanha eleitoral se renovam as esperanças de que os debates entre os presidenciáveis na televisão adquiram por aqui a importância que sempre tiveram em outros países. Mas não tem jeito mesmo. Já me convenci de que isso nunca vai acontecer. Os nossos debates continuarão sendo simplesmente intragáveis.

Naturalmente, não estou me referindo ao preparo técnico dos nossos candidatos. Todos eles (pelo menos os mais importantes) são exaustivamente treinados por assessores especializados para não fazer feio e para falar a linguagem da televisão. A fórmula costuma dar certo. Tem sido muito raro vermos algum grave deslize verbal por parte dos presidenciáveis.

Também não estou me referindo à abundância de candidatos normalmente presentes nos debates. De fato, a nossa legislação eleitoral não faculta às emissoras de TV convidar apenas os presidenciáveis mais competitivos. Mas mesmo os debates travados durante o segundo turno - com a presença de apenas dois candidatos - costumam igualmente padecer dos males da intragabilidade. Quando muito, são só um pouquinho melhores.

O fato é que os debates entre presidenciáveis no Brasil via de regra sequer conseguem aumentar a audiência média (naquela faixa de horário) das emissoras que os promovem. Pelo contrário, o mais comum até é que aconteça o contrário. O mesmo poderia ser dito dos debates entre candidatos a governador e a prefeito das capitais. Após tantas campanhas eleitorais, isso não pode ser coincidência.

Alguns poderão alegar que a estabilidade política, a alternância no poder e a rotinização da democracia criariam incentivos para que haja uma convergência de ideias e de propostas entre os candidatos e partidos mais relevantes. A ausência de grandes conflitos ideológicos tornaria, automatica e inevitavelmente, os debates mais mornos.

Essa hipótese é verossímil. Mas os mesmos incentivos estão presentes em outras democracias, e nem por isso os debates deles se tornam tão desinteressantes como os nossos. As campanhas presidenciais americanas são o melhor exemplo disso. Esse ano, tivemos até debates interessantíssimos (e inéditos) entre os candidatos britânicos a primeiro-ministro.

Desconfio que a melhor explicação esteja em outro lugar. A minha hipótese é que os políticos brasileiros ainda não aprenderam a debater corretamente. Ainda temos muito receio em abordar em público os temas sabidamente mais polêmicos. Preferimos ficar dentro da nossa zona de conforto, aquela onde sabemos por antecipação que não haverá muita divergência. A economia é um exemplo típico.

A experiência internacional comprova que a boa polêmica pode ser feita de forma impessoal e respeitosa. A atual geração de políticos ainda não parece ter percebido isso. E os debates televisivos acabam virando vítimas dessa falta de coragem. Assim, é normal que os telespectadores prefiram ver futebol na tv.




* Consultor político, com doutorado em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Foi professor da Universidade de São Paulo (USP), da PUC-SP e da Fesp-SP. Publicou o livro Partidos políticos do Brasil: 1945-2000 (Jorge Zahar Editor, 2000) e co-organizou a coletânea Partidos e coligações eleitorais no Brasil (Unesp/Fundação Konrad Adenauer, 2005).




Outros textos do colunista Rogério Schmitt*

O congresso em Foco

Alguém ainda suporta os debates?

"Os políticos brasileiros ainda não aprenderam a debater corretamente. Ainda temos muito receio em abordar em público os temas sabidamente mais polêmicos. Preferimos ficar dentro da nossa zona de conforto"






Rogério Schmitt*
A cada nova campanha eleitoral se renovam as esperanças de que os debates entre os presidenciáveis na televisão adquiram por aqui a importância que sempre tiveram em outros países. Mas não tem jeito mesmo. Já me convenci de que isso nunca vai acontecer. Os nossos debates continuarão sendo simplesmente intragáveis.

Naturalmente, não estou me referindo ao preparo técnico dos nossos candidatos. Todos eles (pelo menos os mais importantes) são exaustivamente treinados por assessores especializados para não fazer feio e para falar a linguagem da televisão. A fórmula costuma dar certo. Tem sido muito raro vermos algum grave deslize verbal por parte dos presidenciáveis.

Também não estou me referindo à abundância de candidatos normalmente presentes nos debates. De fato, a nossa legislação eleitoral não faculta às emissoras de TV convidar apenas os presidenciáveis mais competitivos. Mas mesmo os debates travados durante o segundo turno - com a presença de apenas dois candidatos - costumam igualmente padecer dos males da intragabilidade. Quando muito, são só um pouquinho melhores.

O fato é que os debates entre presidenciáveis no Brasil via de regra sequer conseguem aumentar a audiência média (naquela faixa de horário) das emissoras que os promovem. Pelo contrário, o mais comum até é que aconteça o contrário. O mesmo poderia ser dito dos debates entre candidatos a governador e a prefeito das capitais. Após tantas campanhas eleitorais, isso não pode ser coincidência.

Alguns poderão alegar que a estabilidade política, a alternância no poder e a rotinização da democracia criariam incentivos para que haja uma convergência de ideias e de propostas entre os candidatos e partidos mais relevantes. A ausência de grandes conflitos ideológicos tornaria, automatica e inevitavelmente, os debates mais mornos.

Essa hipótese é verossímil. Mas os mesmos incentivos estão presentes em outras democracias, e nem por isso os debates deles se tornam tão desinteressantes como os nossos. As campanhas presidenciais americanas são o melhor exemplo disso. Esse ano, tivemos até debates interessantíssimos (e inéditos) entre os candidatos britânicos a primeiro-ministro.

Desconfio que a melhor explicação esteja em outro lugar. A minha hipótese é que os políticos brasileiros ainda não aprenderam a debater corretamente. Ainda temos muito receio em abordar em público os temas sabidamente mais polêmicos. Preferimos ficar dentro da nossa zona de conforto, aquela onde sabemos por antecipação que não haverá muita divergência. A economia é um exemplo típico.

A experiência internacional comprova que a boa polêmica pode ser feita de forma impessoal e respeitosa. A atual geração de políticos ainda não parece ter percebido isso. E os debates televisivos acabam virando vítimas dessa falta de coragem. Assim, é normal que os telespectadores prefiram ver futebol na tv.




* Consultor político, com doutorado em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Foi professor da Universidade de São Paulo (USP), da PUC-SP e da Fesp-SP. Publicou o livro Partidos políticos do Brasil: 1945-2000 (Jorge Zahar Editor, 2000) e co-organizou a coletânea Partidos e coligações eleitorais no Brasil (Unesp/Fundação Konrad Adenauer, 2005).




Outros textos do colunista Rogério Schmitt*

MINISTRA MÁRCIA LOPES AFIRMA:

Bolsa Família aumenta rendimento
escolar dos alunos beneficiados

Uma pesquisa encomendada pelo Ministério do Desenvolvimento Social constatou melhora no rendimento escolar e nas condições de saúde das crianças beneficiadas pelo Programa Bolsa Família. O levantamento ouviu famílias que recebem o benefício e aquelas que não recebem e apresentam perfil semelhante aos beneficiados. Segundo a ministra Márcia Lopes (Desenvolvimento Social) o Bolsa Família tem contribuído “para melhorar a vida” das pessoas que recebem o benefício. O levantamento mostrou que a taxa de matrícula cresceu 4,4 pontos percentuais entre crianças e adolescentes de 6 a 17 anos beneficiadas e não beneficiadas. No caso de meninos e meninas de 7 a 14 anos, 95% estão matriculados. No entanto, a partir dos 15 anos, a frequência escolar cai entre os jovens de ambos os sexos que estão ou não no programa.

Fonte: Claudiohuberto

terça-feira, 10 de agosto de 2010

DEU EM O GLOBO

Saltando barreiras

De Merval Pereira

Os partidos que apoiam a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff respiraram aliviados depois do debate da TV Bandeirantes. Na análise interna, a candidata inventada pelo presidente Lula havia passado por todos os testes na pré-campanha eleitoral: contato com o eleitor nas ruas, negociações políticas com os aliados nos estados, e erros corrigidos nos primeiros momentos da propaganda pela internet.

Faltava saber como se sairia num debate ao vivo com os demais candidatos, mesmo que a audiência fosse pequena.

A avaliação entre eles foi de que Dilma passou também nesse teste, não por ter ido bem no primeiro debate, mas por não ter sido o desastre que alguns temiam. "O empate foi bom para ela", avaliou o deputado Henrique Eduardo Alves, um dos principais líderes do PMDB.

Mesmo quando confrontado com a opinião generalizada de que o candidato da oposição, José Serra, vencera o debate na verdade, Henrique Eduardo Alves comentou: "Mas não foi uma derrota por nocaute, longe disso".

A mesma coisa pode-se dizer da participação da candidata oficial na bancada do Jornal Nacional ontem à noite, abrindo a série de entrevistas com os principais candidatos à Presidência da República.

Ao contrário do debate da Bandeirantes, Dilma Rousseff não gaguejou e foi bastante assertiva nas suas respostas, e só errou uma vez, quando colocou a Baixada Santista no Rio de Janeiro.

O problema é que disse uma série de inverdades, que passaram como fatos para os telespectadores.

Por exemplo, quando afirmou que os investimentos em saneamento na favela da Rocinha, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) representam uma mudança de comportamento do governo federal.

Simplesmente, na Rocinha, não há nenhum investimento do PAC relativo a saneamento.

A candidata oficial também distorceu os fatos quando disse que o presidente Lula, ao assumir o governo, encontrou a inflação descontrolada.

Pura verdade, só que a explosão da inflação deveu-se ao "efeito Lula", isto é, ao temor dos mercados de que Lula vitorioso aplicasse tudo o que defendia e não mantivesse o rumo da economia.

Como ele fez justamente o contrário do que prometia, tudo voltou aos lugares.

A admissão de que o PT amadureceu no governo é uma maneira de fugir da acusação de incoerência, ao manter hoje alianças políticas com seus antigos adversários políticos.

E a metáfora da mãe cuidando da família ministerial, sendo dura quando é preciso para fazer as coisas andarem, é recorrente na candidata, e embora revele uma pobreza de visão política, pode ser eficiente em termos eleitorais.

Leia a íntegra do artigo em Saltando barreiras

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LULA PREPARA O FUTURO

Por Carlos Chagas

Parece claro o objetivo do presidente Lula ao reunir o ministério, hoje, aqui em Brasília: botar a máquina administrativa para operar em ritmo total, se possível frenético. Não deixar um setor, sequer, devagar, quase parando, como vinha acontecendo em alguns. Cada ministro será chamado a relatar suas atividades e, em especial, o que ainda pode ser feito até o final do seu mandato.

Esse tour de force obviamente beneficiará a candidatura Dilma Rousseff, devendo a equipe ser exortada para também atuar politicamente em favor dela, por certo que depois do expediente e nos fins de semana. A preocupação do presidente, no entanto, centraliza-se no seu governo. Pretende que sua aceitação pela opinião pública venha a crescer mais ainda, nas próximas pesquisas, se possível acima dos 80%. Está atento para as críticas formuladas na campanha eleitoral, especialmente por parte de José Serra. Elas devem ser respondidas de imediato.
O Lula prepara o futuro, não apenas a cargo de Dilma Rousseff, se ela for eleita, mas no que diz respeito a ele mesmo. Mostra-se disposto a permanecer na política, liderando o PT. Seus planos são exatamente contrários à performance de Fernando Henrique, isto é, não tornará pública qualquer análise sobre o futuro governo. Pretende centralizar sua atividade na defesa de reformas institucionais, ainda que sem atropelar as iniciativas de quem vier a sucedê-lo. No caso, imagina venha a ser Dilma, mas se for Serra, da mesma forma.

Sobre voltar ao poder em 2014, não fala. Nem precisa.

DECLARAÇÕES DE FHC - A FOLHA

"Ao virar militante, Lula está abusando’, declara FHC



Fernando Henrique Cardoso participou, em São Paulo, do lançamento de um novo selo editorial, o Penguin-Companhia.



Como peça inaugural, a nova casa de livros relançou “O Príncipe”, clássico de Maquiavel (1469-1527).



FHC dirigiu à platéia uma palestra sobre a obra. Depois, disse meia dúzia de palavras aos repórteres.



Falou sobre seu personagem preferido: Lula. “Não vou dizer como ele tem se conduzido”, declarou.



Na sequência, disse o que dissera que não diria: “Ao se transformar em militante, [Lula] está abusando”.



Comparou-se ao sucessor: “Não fiz como ele faz”. A comprovar os abusos, segundo o grão-tucano, há o lote de multas impostas a Lula pelo TSE –sete, no total.



Negou que José Serra o mantenha no armário. “Agora há pouco, acabei de falar com ele”, disse, manusenado o celular.



Declarou que sua participação na campanha é ativa. Antes de se despedir, lançou no ar, entre risos, uma provocação: “Não sou maquiavélico”.



Nas folhas de “O Príncipe”, Maquiavel ensina, entre outras coisas, que a política não cabe na moldura dos juízos morais.



No universo político, o mal, desde que praticado sob pretexto conveniente, não é mal. É meio para alcançar um fim.



Nesse jogo, lecionou o mestre, o príncipe precisa combinar duas formas de luta: numa, vale-se da lei. Noutra, da força.



A certa altura, Maquiável recorre a uma metáfora zoológica. Anota que a raposa não pode defender-se do lobo. E o leão não sabe esquivar-se das armadilhas.



Assim, ao príncipe cabe ser, simultaneamente, leão e raposa. Eis a coluna vertebral da doutrina maquiavélica:



Forte, o príncipe assegura a tranqulidade do principado, protegendo os pequenos dos grandes.



O povo não se revolta. E os grandes nada podem contra o príncipe, porque o sabem estimado pelo povo.



Em seu primeiro madarinato, FHC, então um respeitado presidente que, como ministro, lançara as bases do Real, cavou a própria reeleição. Foi leão e raposa.



Em 2002, no ocaso do segundo reinado, FHC tentou fazer de José Serra o sucessor. Mantinha intacta a felpa de raposa. Porém...



Porém, faltando-lhe a cumplicidade do povo, que já o olhava de esguelha, era um leão sem juba. E Lula, de sapo barbudo, converteu-se em neo-raposa.



Relegeu-se em 2006. Agora, no ocaso de seu ciclo, montado em popularidade inaudita, Lula ruge como leão por Dilma Rousseff.



Difícil negar razão a FHC. Lula, de fato, “está abusando”. Mas é de perguntar:



Ao por de pé a reeleição, com monetária desfaçatez, o que fez FHC senão abusar? Mudou as regras com a partida em andamento.



Repise-se a máxima: Em política, o mal não é mal. Encontrado o pretexto, é apenas um meio para alcançar um fim.



No caso de Lula, o meio que encontrou foi sacudir na direção de Serra o lençol do fantasma da impopularidade de FHC.



Se tudo correr como planejado, o fim não será Dilma, como se imagina, mas o retorno posterior do sapo que se fez princípe.

Fonte: Josias de Sousa

domingo, 8 de agosto de 2010

PAPAI DEUS LEVOU

artigo

Hojé pra mim é uma data de muita recordação, saudades,não diria tristezas, mas de infindáveis recordações do meu "heroi" meu querido Pai, levado por Deus pra sua morada desde 22 de Julho de 1999.
Onze anos fez de sua trasferência para o andar superior, não diria que ele morreu, simplesmente continua sua existência num plano maior servindo a Deus.
Ser pai significa algo de bom, o meu foi um paizão, homem probo, honesto, trabalhador, aguerrido no seu cotidiano, figura franca e solidária, me passou muitos ensinamentos, entre eles o da sinceridade, lealdade, confiança, honestidace e coragem pra os desafios da vida.
Hoje meu dia é simplesmente de lembranças boas, agradecendo ao meu herói as oportunidades que me ofereceu: Estudar foi seu primeiro empenho para comigo,não permitiu que me tornasse um operário braçal, abriu estradas, me pavimentou caminhos, se doou no serviço da permanente labuta pra me proporcionar boa vida, graças á ele e Deus, nada tenho a reclamar. Se não vivo melhor foi porque não quiz aproveitar tudo de bom e melhor que foi por ele oferecido, todavia a vida me proporciona bem estar, sem conviver com vaidades, ambição,inveja ou outro qualquer tipo de ação pejorativa... O senhor se foi,mas sua iamgem jamais será apagada das nossas lembranças.
Obrigado meu Pai, você continuará sendo meu "Herói'.

sábado, 7 de agosto de 2010

ENVIADO POR RICARDO NOBLAT/7/8/2.010

Ibope: Serra ganha no Sul, Dilma no Nordeste

Petista continua com 39% das intenções de voto contra 34% de Serra ; Marina aparece com 8%

Estadão.com.br

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, manteve a vantagem de cinco porcentuais sobre José Serra (PSDB), segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo realizada entre os dias 2 e 5 de agosto de 2010.

A petista continua com os mesmos 39% contra os 34% de Serra da pesquisa anterior, realizada entre 26 e 29 de julho. Marina foi a única a oscilar, indo de 7% para 8%.

Os candidatos José Maria Eymael (PSDC), Ivan Pinheiro (PCB), Levy Fidelix (PRTB), Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), Rui Costa Pimenta (PCO) e Zé Maria (PSTU) registraram 0% das intenções de voto. Brancos e nulos somam 7% e indecisos são 12%.

Em um eventual segundo turno, Dilma teria 44% dos votos contra 39% de Serra. Brancos e nulos somam 8% nesse cenário e 9% se declararam indecisos. Na pesquisa anterior, Dilma aparecia com 46% e Serra com 40%.

Na pesquisa espontânea - quando nenhum cartão de resposta é apresentado e o eleitor responde com o que lhe vem à cabeça -, Dilma lidera com 25%, Serra aparece com 17% e Marina com 4%. Outros nomes citados somam 4% enquanto brancos e nulos são 6%. 44% não souberam responder.

Serra aparece com a maior rejeição entre os candidatos à Presidência: 25% (ante 24% da pesquisa anterior). Já Dilma registra 18% de rejeição (ante 19%) e Marina, 12% (ante 13%).

O Ibope também questionou os eleitores quanto à crença na vitória. 46% dos eleitores acreditam que Dilma vencerá a disputa, contra 31% que creem numa vitória de Serra e 2%, na vitória de Marina.

Para 75% dos entrevistados, o governo Lula é ótimo ou bom - houve uma pequena oscilação em relação à pesquisa anterior, quando esse índice atingiu 77%. 19% avaliam o governo como regular e apenas 4% como ruim ou péssimo.

85% dos eleitores disseram aprovar a maneira como Lula governa o Brasil, mesmo índice da pesquisa anterior. A nota média continua em 7,9.

A região sul é a única onde Serra lidera: 42% contra 34% de Dilma. Nesta reigão, Marina aparece com 5%.
No sudeste há empate entre os dois: 35% cada um. Marina registra 8%.

Já o nordeste é a região que apresenta a mais ampla liderança da petista. 46% contra 27% do tucano e 7% de Marina.

No norte/centro-oeste, Dilma registra 40% contra 33% de Serra e 8% de Marina. As regiões com maior número de indecisos são norte/centro-oeste e o sul, ambas com 14%.

Na divisão por renda, Dilma aparece melhor entre aqueles que ganham até 1 salário mínimo: 44% contra 30% de Serra e 4% de Marina.

Entre quem ganha de 1 a 2 mínimos, há empate entre Dilma e Serra: 36% para cada. Marina aparece com 7% nesse grupo.

Na faixa que vai de 2 a 5 mínimos, Dilma tem 41%, Serra, 30% e Marina, 10%. Já Serra lidera entre quem ganha mais de 5 salários mínimos: 40% contra 36% de Dilma e 9% de Marina.

As maiores porcentagens de indecisos estão entre quem ganha até 1 mínimo (15%) e entre 1 e 2 mínimos(14%)

No detalhamento por sexo, Dilma lidera entre os homens por 10 pontos de vantagem: 43% a 33%. Entre as mulheres, a situação é de empate técnico: a petista aparece com 35% e Serra com 34%. Já a candidata Marina Silva tem 7% entre os homens e 8% entre as mulheres. A maior parte dos indecisos está entre as mulheres: 14% a 9%.

Na análise por idade, Dilma lidera em todas as faixas etárias, tendo seu melhor desempenho entre os eleitores que têm de 25 a 29 anos (44%). Está é também a faixa onde Marina aparece melhor (10%). Entre estes eleitores, Serra registra 33% das intenções de voto. Já Serra vai melhor ente os eleitores que têm de 16 a 24 anos e acima de 50 anos (36%), grupo em que Dilma registra 39% e Marina, 4%.

Ainda na faixa etária dos 16 aos 24, Dilma tem 39% e Marina, 8%. No grupo de 30 a 39 anos, Dilma tem 39%, contra 34% de Serra e 8% de Marina.

Entre os eleitores que têm de 40 a 49 anos, Dilma lidera com 34%, Serra tem 30% e Marina, 9%

No quesito escolaridade, Dilma tem seu melhor desempenho entre os eleitores que tem até a quarta série do ensino fundamental e entre a quinta e a oitava série: 40% em ambas. Já Serra aparece com 35 e 37%, respectivamente, e Marina com 2% e 5%. O grupo que tem até a quarta série também apresenta a maior porcentagem de indecisos: 16%.

Dilma também lidera entre os eleitores com ensino médio: 39% a 33% de Serra e 10% de Marina. Entre os que têm curso superior, há empate técnico: 32% de Dilma contra 31% de Serra. É nessa faixa também que Marina aparece melhor: 18%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 2 e 5 de agosto de 2010. Foram realizadas 2506 entrevistas com eleitores de 173 municípios de todo o País.

O intervalo de confiança estimado é de 95% e a margem de erro estimada é de 2%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número 21697/2010.

Leia mais em Dilma consolida vantagem sobre Serra, aponta Ibope

ELEITOR DE DILMA MAIS CONFIANTE QUE O DE SERRA

Do Blog de José Roberto Toledo

Mais eleitores continuam apostando na vitória de Dilma Rousseff (PT) do que na eleição de José Serra (PSDB) em outubro.

Para 46%, a petista será a próxima presidente, enquanto 31% acreditam que o tucano será o sucessor de Lula no Palácio do Planalto, segundo o Ibope.

Há uma semana esses percentuais eram de 47% e 32%, respectivamente.

O favoritismo de Dilma é reflexo do fato de que seus eleitores estão mais confiantes no sucesso de sua candidata do que os de Serra: 84% de quem declara voto na petista prevê sua vitória, enquanto apenas 67% dos serristas acreditam que ele será eleito.

Marina Silva (PV) tem 8% das intenções de voto, mas apenas 2% dos eleitores acreditam que ela vencerá a eleição.

Mais da metade dos eleitores da senadora (54%) acha que Dilma sairá vitoriosa, 20% deles apostam em Serra, e só 16% acreditam na eleição de sua própria candidata.

Há ainda 19% de eleitores que não têm palpite sobre quem será o presidenciável eleito. A maior parte desses está indecisa sobre em quem vai votar para presidente.

Em rodadas anteriores, a expectativa de vitória foi um termômetro da intenção de voto. O crescimento das apostas em Dilma foi um prenúncio do aumento dos percentuais da petista na pesquisa seguinte.

Sob esse aspecto, a estabilidade dos percentuais de quem acha que a petista será eleita são uma boa notícia para Serra.

Mas fazer campanha contra as expectativas é mais difícil, principalmente na hora de arrecadar recursos.

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

DEU EM O GLOBO

Embate sobre heranças

No primeiro debate, Dilma ataca o governo FH, enquanto Serra mira na petista

Polarizado entre os candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), o primeiro debate entre os presidenciáveis, ontem à noite, na TV Bandeirantes, foi dominado pelo embate em torno dos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.

Seguindo a estratégia de sua campanha, Dilma preferiu atacar Fernando Henrique para tentar atingir Serra, enquanto o tucano partiu para o confronto direto com a petista.

Marina Silva, do PV, a terceira colocada nas pesquisa, não atacou ninguém, enquanto Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) criticou tudo e todos, especialmente Dilma e o governo Lula. No último bloco, ao fazer as considerações finais, Serra e Dilma se emocionaram.

Os problemas de infraestrutura foram motivo de divergência entre Serra e Dilma logo no primeiro bloco.

Ao responder a uma pergunta da petista sobre a criação de 14 milhões de empregos com carteira assinada pelo atual governo, numa comparação com a gestão de Fernando Henrique, Serra disse que não se deveria ficar olhando pelo retrovisor e criticou a situação de portos, aeroportos e estradas do país.

Dilma, aliás, citou primeiro FH do que Lula, só falando o nome de seu principal cabo eleitoral no terceiro bloco, depois de mais de uma hora de debate.

— Temos de falar do futuro. (Sobre) Como vamos consertar os aeroportos. Poderia dar muitos outros exemplos, como o caso das estradas que estão em péssimas condições — disse Serra, que voltou à carga ao fim do primeiro bloco: — Só sugiro, Dilma, que você vá a Salvador e veja o que é um porto congestionado. Esse avanço é muito difícil de se constatar. Acredito que nem a sua segurança a aconselharia a viajar por algumas estradas do país. Andar em estradas federais no Brasil é um perigo público.

Dilma, que mostrou nervosismo no começo e chegou a cometer gafes, como dizer que o Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) era para transportar crianças, contestou os problemas de infraestrutura citados por Serra. Ao comparar as administrações de FH e Lula, Dilma destacou os programas do atual governo.

— Acho confortável esquecer o passado. Não acho prudente. Nós chegamos a 14 milhões de empregos com carteira assinada. Tiramos 24 milhões de pessoas da pobreza. Só fizemos isso por conta de programas sociais como o Bolsa Família. Portos tiveram grande investimento, temos as estradas duplicadas, investimentos em saneamento — afirmou a candidata.

Em pergunta para Serra, Marina criticou as divergências entre os partidos de seus adversários e procurou se apresentar como uma candidata da conciliação.

— Nos últimos 16 anos, tivemos oportunidade de ver dois grandes partidos que não foram capazes de fazer aquilo que tenho proposto. Um realinhamento histórico. Ser capaz de esquecer as divergências da oposição pela oposição.

Serra rebateu a crítica:

— Marina, você era senadora, eu era ministro da saúde. E toquei uma emenda, que não era de minha autoria, mas tornamos ela viável, foi o que salvou a saúde. Ficou faltando uma lei que o governo devia ter mandado para o Congresso até 2004. Quero lembrar que no caso dessa emenda todos os partidos aprovaram. Estou muito na sua linha.

Em relação à primeira pergunta feita pelo mediador, Ricardo Boechat, os três candidatos mostraram opiniões parecidas. Eles deveriam dizer o que pretendem priorizar entre educação, saúde e segurança. Dilma, Serra, Marina e Plínio disseram que não há como não priorizar os três setores.

Serra citou suas propostas:

— São como três órgãos do corpo humano, ou seja: os 3 são indispensáveis, fudamentais. Saúde e segurança têm a ver com a vida, enquanto educação tem a ver com futuro. São três grandes prioridades. O combate ao crime não pode ser só estadual, o governo federal tem de ser envolver mais do que tem se envolvido e para isso vou criar o Ministério da Segurança; na saúde, vamos encurtar o tempo de espera em consultas, fazendo mais de 150 centros de especialização.

Dilma também citou propostas para os três setores:

— O governo tem de atender simultaneamente e priorizar todos os temas. São três pilares da política pública.Vou tratar da questão da educação dando prioridade à qualidade do ensino, pagar bem ao professor, ampliar, como fizemos no nosso governo, as universidades. Ao mesmo tempo, a questão da saúde é fundamental. Seria a presidente que vai completar o SUS — afirmou Dilma, que prometeu ainda levar ao restante do país a experiência das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) implantada em favelas do Rio de Janeiro.

Marina Silva também disse que os três temas têm de ser atacados simultaneamente e aproveitou para enfatizar as deficiências na área de saúde:

— Educação é a base de tudo, porque sem ela a pessoa tem menos segurança, menos saúde. Eu vou escolher a saúde para ser uma das primeiras. Milhões de brasileiros estão nas filas, esperando para marcar exames. Eu sei o que é um péssimo atendimento de saúde, porque já experimentei isso no Acre com a saúde pública. Vou mobilizar o Congresso, prefeitos e governadores para regulamentar a emenda 29 que até hoje não foi regulamentada.

Plínio, em sua primeira participação, acusou a mídia de "esquecer uma candidatura". E, ao responder à pergunta sobre o que pretendia priorizar, entre os temas saúde, educação e segurança, ele se apresentou como o candidato que lutará contra a desigualdade:

— Queremos propor outra alternativa, de um modelo de desigualdade para um modelo de igualdade. O que vem primeiro? os três. Tudo isso é fundamental. Nos três problemas, há uma questão de desigualdade social, que temos de enfrentar com coragem e firmeza.
Debate inglês” é bom para Plínio e pior para Dilma

Do blog de Jose Roberto de Toledo

Nas palavras da experiente socióloga Fátima Pacheco Jordão, “parecia um debate inglês”. Não houve provocação, piada, baixaria nem puxada de tapete. Só discussão de “alto nível”. Comparado aos debates que a própria Band rememorou na abertura do programa, foi de dar sono. Começou com quase 6 pontos no Ibope, o que é muito para quem concorreu com uma semifinal de Taça Libertadores, e terminou com menos de 2 pontos.

Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) saiu com mais do que entrou. Já pode colocar no currículo que foi “trending topic” mundial do Twitter: seu nome foi uma das expressões mais citadas por usuários da rede social no mundo durante o período do debate.

Na forma, foi quem melhor se saiu, dirigindo-se diretamente ao telespectador com intimidade. Falou com segurança e surpreendeu pelo tom direto e por partir para o confronto. No conteúdo, é para quem concorda com as ideias do PSOL. Talvez comece a beliscar um pontinho ou outro na próxima rodada de pesquisas. A fórmula, todavia, pode cansar rápido.

Marina Silva (PV) perdeu uma oportunidade para ser notada. Plínio ocupou o lugar que poderia ter sido dela, se fosse uma franco-atiradora. Não é. Comportada, demorou para conseguir mostrar suas diferenças em relação a Dilma e Serra. Só embalou quando começou a falar de meio ambiente, mas o debate já estava acabando.

Foi segura, olhou direto para a câmera. Mas precisará ser mais agressiva, ou pelo menos incisiva, para ganhar espaço numa disputa tão polarizada. Isso parece contrariar sua natureza conciliadora. O poema que declamou no final ficou fora de contexto. Não emocionou.

José Serra (PSDB) mostrou que é mais experiente que Dilma. Conseguiu criticar o governo sem falar mal de Lula.

Surpreendentemente, não abjurou o governo Fernando Henrique Cardoso, ao contrário. Usou uma linguagem mais direta e popular do que a principal adversária. Conseguiu dominar boa parte do temário do debate, pondo a saúde, seu ponto forte, em evidência (o que lhe valeu a pecha de “hipocondríaco”, dada por Plínio).

Mas Serra falou duas bobagens que poderão ser exploradas pelos adversários. Ao enumerar os problemas de portos e aeroportos, arrematou: “Eu não sei como se vai resolver isso”. Não é a melhor frase para um candidato.

Depois, ao falar de reforma agrária, qualificou propriedades de 80 hectares como “chácara de fim-de-semana”. São 800 mil metros quadrados, algo como 80 quarteirões, praticamente um bairro.

No final, Serra foi buscar uma memória do pai para emocionar-se. Embargou a voz e lacrimejou. A emoção pareceu genuína, mas a técnica para obtê-la pareceu estudada.

Dilma Rousseff (PT) cometeu todos os erros que os rivais diziam que ela cometeria. Foi prolixa, usou um palavreado difícil e vazio: “política estruturante”, “flexibilizar”, “bioma”, “oligopolizados”. Abusou das siglas, do jargão e de cifras. Não concluiu a maior parte dos raciocínios que começou. Olhou para o oponente em vez de olhar para o telespectador. Quando o fez, olhou para a câmera errada. Estava ofegante, respirando fora do ritmo das frases. Estourou o tempo em quase todas as respostas.

Mas o pior erro de Dilma foi outro. Ela demorou uma hora e meia para dizer a palavra mais importante do seu discurso: Lula. Antes, sempre disse “nosso governo”, sem explicar que era o governo dela e de Lula. Quando percebeu o equívoco, já estava no final do debate. E, mesmo quando tentou, não conseguiu usar a figura do presidente para passar emoção. Num olhar de Poliana, Dilma ao menos sabe, agora, tudo o que precisa corrigir para o próximo debate.

Resumo O debate da Band muda o rumo da campanha? Não. Ao menos por ora, Dilma segue sendo favorita. Os adversários podem comemorar porque os pontos fracos da candidata do governo ficaram evidenciados, e serão explorados. Para quem está em baixa nas pesquisas e com dificuldades para obter financiamento de campanha, é um alento. Mas ainda é insuficiente para virar o jogo. Aumenta, porém, a importância dos próximos debates.

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