quarta-feira, 17 de março de 2010

EM PESQUISAS, PASSADO NÃO SERVE PARAPREVER O FUTURO

Do blog de José Roberto de Toledo:

São cinco eleições presidenciais polarizadas entre PSDB e PT, entre PT e PSDB. Mas a análise de cada uma delas mostra que a história nunca se repete de forma idêntica.

Olhar para um momento da campanha eleitoral e, a partir dele, tentar fazer previsões para o futuro é um exercício tão científico quanto a quiromancia. Em eleições e, portanto, em pesquisas eleitorais, o passado não é espelho do futuro.

O gráfico abaixo mostra o percentual de intenção de voto dos candidatos a presidente tucano (azul) e petista (vermelho) nas eleições de 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, sempre nos meses de março e maio, segundo o Datafolha.

O percentual de Dilma Rousseff (PT) em 2010 é muito semelhante aos do candidato do seu partido, na mesma fase da campanha, em 1994 e em 2002.

Em ambas as eleições, Luiz Inácio Lula da Silva chegou a um patamar próximo de 30% em março e cresceu para mais de 40% dois meses depois. Mas com desfechos opostos: uma ele perdeu, a outra ele ganhou.

Um petista poderia olhar para o passado e dizer que Dilma vai repetir o Lula vitorioso de 2002. Um tucano diria que ela fará como Lula em 1994: subir antes da hora para cair na reta final.

Já o percentual de José Serra (PSDB) é maior do que o da maioria dos presidenciáveis tucanos nessa época da eleição em anos anteriores. Só perde para o de Fernando Henrique Cardoso em 1998.

Um petista olharia o gráfico e poderia arriscar que, assim como em 2002, o tucano tende a continuar caindo até ser ultrapassado por Dilma. Já um militante do PSDB enxergaria uma repetição de 1998, quando FHC saiu de um patamar alto, teve uma inflexão no meio do ano, mas terminou eleito no 1º turno.

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SEGUNDO TRIMESTRE VAI DITAR COMPORTAMENTO DA INFLAÇÃO

Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio

Para o economista Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio, o segundo trimestre será decisivo para avaliar o comportamento da inflação em 2010. E se ela ficará abaixo ou acima de 5%, como já prevê o mercado, mesmo com a alta do juros.

- Nos primeiros três meses, nossa previsão para o IPCA é de 1,94%. Depois, deve haver uma desaceleração entre abril e junho, derrubando a variação para 1%. Estou sendo otimista em relação ao câmbio e aos preços administrados (energia) e agrícolas. Junto com uma melhora no comportamento dos preços de serviços, eles podem ajudar a puxar a inflação para baixo - diz o economista.

Ainda assim, segundo Cunha, o IPCA ficará acima da meta, em 5,04%, levando-se em conta as previsões de alta de 0,75% no terceiro trimestre e de 1,26% nos últimos três meses deste ano.

- A taxa de 4,5% prevista pelo governo não existe, a dúvida é saber o quanto vamos passar de 5%. Isso tudo considerando a alta dos juros - lembra.

Na análise do economista, o BC deveria começar a elevar a Selic agora, terminando o ciclo de alta antes das eleições, no início de setembro, com os juros em 11,25%. Seriam cinco doses de 0,5 ponto percentual. Essa medida também influenciaria na inflação do ano que vem.

- As expectativas para 2010 e 2011 estão se deteriorando e, quanto mais rápido o BC começar a atuar, menor será a intensidade da alta - explica Cunha, que prevê crescimento de 6% para o PIB brasileiro.

Fonte: Coluna de Míriam Leitão

PLANO COLLOR: INVASÃO DO DINHEIRO ALHEIO

Pedro do Coutto

Este ano completa-se vinte e um anos do ato mais invasivo da propriedade alheia: o Plano Collor I, que, agora se vê, deixou um rombo de 50 bilhões de reais na economia popular. Uma invasão completa da propriedade alheia, contra a sua vontade e contra a verdade que resultar de uma poupança popular acumulada ao longo de sacrifícios e esperanças. Uma prova do fracasso do Plano Collor I? A resposta está no Plano Collor 2. Se o plano 1 tivesse alcançado êxito, por quê motivo deveria ser feito o 2? Não faz sentido. A população até hoje não conseguiu ser ressarcida e nunca o será. Por um motivo muito simples: durante os dezoito meses em que o absurdo congelamento durou, a inflação pelo IBGE, somou cerca de 1200 por cento. Foi devolvida ao longo dos doze meses seguintes. Mas a que taxas? Pouco mais de 700 por cento.

É só comparar os números e verificar as perdas daqueles que conseguiram alguma devolução. Outros esperam a devolução até hoje. O plano foi efetivamente sinistro. Os bancos ganharam uma fortuna. Os pequenos poupadores perderam quase tudo. Não adianta agora que o número de depositantes aumentou e o volume atualmente atinge mais de 250 bilhões de reais. Atingiria muito mais, sobretudo se os valores tivessem sido corrigidos adequadamente.

O Plano Collor I representou um fracasso absoluto. Basta medir seu reflexo no Produto Interno Bruto para se chegar a uma certeza econômica. Não vale a pena relacionar as tragédias pessoais. Os tratamentos médicos interrompidos, as mortes em conseqüência, os demais dramas familiares. O desrespeito à propriedade dos outros sem sua concordância. Não apenas um roubo, uma nítida apropriação indébita. Uma prova do fracasso absoluto a mais? Muito simples: alguém seria capaz de repetir o ato? A pergunta deve começar pelo próprio Colllor?

Se nem ele repetiria, quanto mais os outros não autores do descalabro. Outra prova: o próprio Colllor, em entrevista publicada pelo Jornal do Brasil elogiou fortemente a atuação do presidente Lula no processo de desenvolvimento econômico. Lula pratica o oposto – exatamente o oposto – do que lula adotou. Não bloqueou poupança alguma. Não descapitalizou pessoa alguma. Ao contrário: sua força maior vem de aplicar aos salários os índices inflacionários. Nada mais contrário à política de Collor do que isso.

Collor tentou – isso sim – capitalizar o Estado de maneira arbitrária e violenta. Lula, ao contrário, aproximou o crédito, seu grande segredo para o aumento do consumo. São políticas opostas. Como então o primeiro elogia o segundo, se o que aditou foi completamente diferente? Em 21 anos a inflação brasileira foi enorme. Sua reposição da poupança bloqueada ficou com quem? Pois todos nós sabemos que não pode existir débito sem crédito. Logo, se alguém perdeu, foi porque alguém ganhou.

Os bancos venceram através da dolarização para a qual não houve limite. E o dólar não sofreu o menor constrangimento. Evasão de dólares e fuga do Imposto de Renda são manobras hoje mais do que conhecidas. Só não existem ações contrárias a elas. E por que deveria havê-las? Os juros brasileiros são os mais altos do mundo. Para uma inflação anual calculada pelo IBGE em 4,3 por cento, os bancos e o comercio cobram em torno de seis por cento. Ao mês. Um paraíso para o capital estrangeiro. Um desastre para o capital nacional. As taxas de crédito comemoravam a diferença. É fácil fazer as contas. Difícil é chegar à diferença ao longo de 21 anos. Vinte e um anos é muita coisa.

Tribuna da Imprensa - Hélio Fernandes

domingo, 7 de março de 2010

PLANO DO PT PREVÊ DILMA Á FRENTE DE SERRA ATÉ JULHO

O PT enganchou sua estratégia de campanha a uma meta: deseja que Dilma Rousseff ultrapasse José Serra nas pesquisas antes de 1º de julho.



Pelo calendário da Justiça Eleitoral, é nesse dia que começa a propaganda eleitoral eletrônica. Os candidatos levarão a cara à TV e a voz ao rádio.



Animado com o Datafolha que acomodou Dilma a quatro pontos dos calcanhares de Serra, o petismo passou a cultivar uma “certeza”.



Além de chegar à vitrine eletrônica na frente de Serra, Dilma vai ao ar com ares de "favorita".



Um favoritismo tonificado pelo flerte do eleitor com a tese da “continuidade”.



Para converter pretensão em realidade, o PT ajusta sua tática. Nos próximos meses, planeja, por exemplo, intensificar as viagens de sua candidata a São Paulo.



Nesse ponto, o plano do partido coincide com a vontade de Lula. Também ele avalia que o jogo da sucessão será jogado no Sudeste, com peso em São Paulo.



Tomado pela leitura que o governo faz da conjuntura, o tucanato joga suas fichas em São Paulo e Minas. Daí a pressão para que Aécio Neves aceite ser vice.



Enxerga-se lógica na movimentação do rival. O PSDB tenta compensar nos dois maiores colégios eleitorais a dianteira de Dilma nas regiões Nordeste e Norte.



Lula e o PT farão o que puder para atrapalhar. Além dos seus próprios esforços, contam com um desgaste "natural" de Serra.



Afora o estrago provocado pelas enchentes, estima-se que o PSDB está na bica de enfiar na coligação de Serra duas encrencas: Roberto Jefferson e Joaquim Roriz.



Para tonificar o tempo de TV de Serra, menor que o de Dilma, o tucanato negocia a adesão do PTB de Jefferson e do PSC de Roriz.



O petismo solta fogos. Acha que os dois novos aliados do adversário não serão digeridos pelo eleitor de classe média, simpático a Serra.



Estima, de resto, que, de mãos dadas com Orestes Quércia (PMDB), Jefferson e Roriz, Serra perde as condições de se enrolar na bandeira da ética.



O zero a zero no placar das perversões empurraria a disputa, segundo a visão de integrantes da cúpula do PT, para o campo programático.



Nesse quesito, o PT acredita que Dilma tende a prevalecer de goleada. Por quê? Ela seria a única contendora com legitimidade para dizer que manterá Lula, aprofundando-o.



Para o PT, Dilma tem a era Lula para apresentar. E Serra teria dificuldades para contrapor sua gestão paulista aos “feitos” de Brasília, de amplitude nacional.



Imagina-se também que será fácil colar a imagem do ex-ministro Serra à de FHC, um ex-presidente que frequenta as pesquisas com semblante de rejeitado.



Embora Serra ainda não tenha retirado a candidatura do armário, o PT já o tem como adversário. Mais: descrê da hipótese de Aécio virar vice.



Torce para que o companheiro de chapa de Serra venha das fileiras do DEM. Algo que, mercê dos panetone$ do DF, lhe furtaria de vez o discurso da ética.



Na prancheta, a estratégia do PT é infalível. Submetido ao acaso, personagem invisível e caprichoso, o plano terá de vencer o imprevisível.



De concreto, apenas uma previsão é, por ora, infalível: pode até acontecer que a Dilma ganhe, na hipótese de que não perca.

Escrito por Josias de Souza

IDEOLOGICAMENTE FALANDO

Karl Marx falou primeiro e Lenin repetiu: a História só se repete como farsa. Seria bom, assim, que certos políticos e alguns cronistas parassem com essa moda de supor Minas e São Paulo em conflito. O que aconteceu nos idos de 1932 não se reproduz mais. A batalha do túnel, vencida pelos mineiros, encerrou o sonho constitucionalista, que muitos rotularam como separatista, sem a certeza de ter sido.

É bobagem imaginar que Minas rejeitará José Serra, paulista, porque Aécio Neves, mineiro, retirou-se da disputa. O governador de São Paulo poderá muito bem perder a eleição, mas terá sido por razões muito menos geográficas do que políticas. Pior ainda parece imaginar que os mineiros votarão em Dilma Rousseff porque ela nasceu em Belo Horizonte. A candidata dispõe de excelentes condições para vencer, mas por motivos diversos, o maior deles pela indicação do presidente Lula. Aliás, Dilma é tão mineira quanto o Lula é pernambucano.

Em suma, não dá para pretender uma nova batalha entre Minas e São Paulo causada por um bairrismo arcaico e inconseqüente. Até porque, se os dois estados se apresentarem unidos numa chapa única, os adversários que saiam de baixo.

ATT: A SÍNTESE FOI TRANSCRITA DA TRIBUNA DA IMPRENSA

quarta-feira, 3 de março de 2010

DEU NA FOLHA DE SÃO PAULO

Dilma tem 40% entre quem tem Bolsa Família; Serra, 25%

Resultado é o oposto do total dos eleitores, onde o tucano lidera por 32% a 28%

Já entre os beneficiados pelo Minha Casa, Minha Vida, outro programa em que o governo aposta na eleição, Serra vence por 35% a 28%

A pré-candidata do PT Dilma Rousseff lidera a disputa pelo Planalto entre os eleitores beneficiados pelo Bolsa Família, mostra pesquisa Datafolha. Mas, a oito meses das eleições, a vantagem da petista não se mantém entre os contemplados por financiamentos de habitação popular do programa Minha Casa, Minha Vida.

Dilma alcança 40% dos votos entre os inscritos no Bolsa Família, contra 25% de Serra e 10% de Ciro Gomes (PSB). Marina Silva (PV) tem 8% nesse universo. A liderança da petista chega a 46% dos votos entre os inscritos no Bolsa Família no cenário sem Serra nem Ciro.

No domingo, o Datafolha revelou que a diferença entre José Serra (PSDB) e a pré-candidata petista caiu de 14 para 4 pontos desde dezembro. O tucano tem 32% contra 28% de Dilma no principal cenário.

Entre os entrevistados que afirmam receber benefícios do Bolsa Família, no entanto, Dilma Rousseff passa a liderar a pesquisa, que identificou 10% dos eleitores como beneficiários do principal programa de transferência do governo. Assinante doi jornal leia mais em: Dilma tem 40% entre quem tem Bolsa Família; Serra, 25%

Fonte: Blog do Noblat

ANÁLISE

Giannetti: risco é dar um passo maior do que a perna

Para o economista e escritor Eduardo Giannetti da Fonseca, neste ano de retomada do crescimento, o risco é o Brasil tentar dar um passo maior do que a perna, porque quer aumentar o nível de investimento, o consumo das famílias e o gasto do governo.

- Não dá para fazer tudo isso ao mesmo tempo. Se tentarmos, dois desequilíbrios podem aparecer: a pressão da inflação e o déficit em conta corrente – diz ele, apontado pela imprensa como o economista que vai estruturar o plano de governo da pré-candidata do PV, Marina Silva.

Segundo Giannetti, no segundo trimestre, o Banco Central deve começar o ciclo de aperto, aumentando a taxa básica de juros, que hoje está em 8,75% ao ano. A dose não será cavalar. Ele prevê algumas rodadas de alta até se chegar aos 11,25% projetados pelo mercado para o fim de 2010.

- Como dizia um ex-presidente do Federal Reserve, o Banco Central faz esse movimento de tirar o barril de chope quando a festa começa a ficar animada. Ou seja, quando a economia começa a crescer, o BC pisa no freio. Mas desta vez, o movimento será menos brusco. A partir de abril, maio, os aumentos serão graduais – opina o economista, para quem a elevação do compulsório pela autoridade monetária foi uma tentativa de postergar o início do “aperto”.

Apesar das recentes altas apontadas por indicadores de inflação, Giannetti defende que ela está comportada, convergindo para a meta do governo, de 4,5%.

- O IPCA (inflação oficial) tem plenas condições de ficar próximo da meta. Mas se houver aumento do gasto público, o Banco Central poderá fazer um movimento mais abrupto de contenção – diz o economista, professor do Insper/SP.

Fazer planos com os recursos do pré-sal, para ele, é temerário, porque não se sabe a respeito das condições em que será produzido, o preço do barril, entre outras variáveis.

- É como começar a gastar o dinheiro que você acha que vai ganhar na loteria. O Brasil, aliás, está se comprometendo a fazer grandes aportes para os próximos anos, como trem-bala, Olimpíadas, Copa. Se somarmos o volume de recursos, mantendo o consumo e o tamanho do Estado, a conta não fecha – afirma.

Como a base é fraca, ou seja, em 2009 o Brasil cresceu pouco (a taxa ainda não foi divulgada), o PIB deste ano deve registrar alta de 5,5% a 6%, de acordo com Giannetti.

- Mas não dá para dizer que essa será a taxa de crescimento sustentável para os próximos anos.

Fonte: Coluna de Míriam Leitão - Globo