sexta-feira, 29 de maio de 2009

SETE QUESTÕES SEM RESPOSTA

artigo Enviado por Noblat

Do jeito como as coisas estão neste momento, só os crédulos ao extremo acreditam que a CPI da Petrobras venha a apurar, efetivamente, algum dos sete pontos sob suspeita na conduta da empresa que a oposição quer investigar.

Formado por onze senadores, dos quais apenas três pertencem à oposição, o órgão investigador também terá presidente e relator escolhidos entre integrantes do bloco de apoio ao governo e seus aliados.
Mudando o que deve ser mudado, a política é uma guerra travada com outras armas e, até por isso, raros são os momentos em que nela florescem a cortesia e o respeito pelo adversário.
Entende-se, embora se deva lamentar, que o governo tenha tentado, até onde lhe foi possível, impedir que a CPI da Petrobras fosse criada.
E que, havendo aquele esforço falhado, haja mobilizado seus articuladores para dar a ela o formato mais benigno possível. Há, entretanto, limite para tudo.

O Planalto, na CPI da Petrobras, exagerou na dose. Na prática, decidiu por antecipação que nenhuma das sete suspeitas e denúncias em que se basearam os oposicionistas para justificar a criação da CPI deve ser examinada a fundo.
É preciso analisar com severidade esse empenho do Executivo de neutralizar por antecipação o direito que tem a oposição de investigar-lhe os atos, não apenas na aparência, mas em seus reais fundamentos, motivações e consequências.

Ele traduz um cerceamento brutal e inegável tanto do direito de divergir quanto da garantia de acesso dos simples cidadãos às informações e dados de interesse público. Muito mais que a oposição, ele fere a democracia.
Os órgãos de preservação do patrimônio histórico têm como escopo manterem intactos ou restaurarem marcos relevantes de uma cultura.
Há ocasiões, no entanto, em que se deparam com conjuntos arquitetônicos nos quais, à míngua de providências tempestivas, o interior se acha inteiramente modificado.

Restam apenas aspectos do traçado externo e volume da construção original. Nesses casos, preservam os aspectos remanescentes que passam ao visitante a impressão de se mover, ainda, no cenário original. Coisa parecida, mas com intenção perversa, vem fazendo o bloco de apoio ao governo e os partidos aliados em relação a uma das mais eficazes ferramentas de investigação das oposições.
Conserva-se a fachada das CPIs, mas esvazia-se, implacavelmente, o conteúdo das que possam trazer dissabor ao poderoso de plantão.
O conteúdo delas, portanto, nada tem a ver com a aparência externa, até porque os nomes que a constituem, pela banda governista, são indicados para dificultar que se investigue com seriedade e se apure com consistência.
Com a reiteração da praxe, a independência e igualdade dos poderes vão passando, da importante função de mecanismo essencial à administração democrática, à inócua condição de fachada.

Deputado federal Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) e membro titular da Comissão de Constituição e Justiça

quinta-feira, 28 de maio de 2009

COLUNA DE CARLOS CHAGAS - BLOG DE CLAUDIOHUMBERTO


OS MILITARES BATERÃO CONTINÊNCIA


Vale abrir com a premissa: com a redemocratização de 1985 e o fim do regime militar, as Forças Armadas passaram a engolir sapos em posição de sentido e vem mantendo conduta exemplar, voltadas para suas funções constitucionais. Bissextos pronunciamentos enaltecendo o passado constituem episódios mais do que naturais, mesmo reprováveis. Essa postura de isolamento, no entanto, não significa que os militares se encontrem desligados da realidade nacional. Participam das agruras e dos momentos de euforia de toda a sociedade e não deixam de observar os sucessivos lances da política, da economia e da administração. Dias atrás, reuniram-se em Porto Alegre os generais em comando no Sul do país. Num dos encontros estava presente o governador de um dos estados da região, e a conversa, totalmente informal, versou em torno do terceiro mandato do presidente Lula ou da prorrogação de todos os mandatos para efeito de coincidência das eleições em 2012. As opiniões foram claras: os generais veriam com naturalidade uma iniciativa do Congresso nesse sentido, desde que constitucionalmente adotada. Apesar das dificuldades de ordem financeira, com cortes e contingenciamentos orçamentários ditados pela crise econômica, as Forças Armadas estão muito satisfeitas com o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Reconhecem seus esforços e os resultados obtidos em favor do estamento castrense. Veriam com bons olhos a continuidade de Jobim no cargo, por mais dois anos. Registre-se esse evento como antídoto para a intriga de que os militares não aceitariam mudanças nas regras do jogo. Passou o tempo dos pronunciamentos, importando repetir: desde que adotadas de acordo com o processo institucional e democrático vigente.


PROPOSTA EM ASCENSÃO


Será inútil tapar o sol com a peneira. A proposta da prorrogação de todos os mandatos por dois anos passou à frente da tese do terceiro mandato para o Lula. Seria mais viável aprová-la no Congresso, já que além de beneficiar o presidente da República e os governadores, favoreceria deputados e senadores. Como discordar ainda não foi proibido, haverá que registrar uma opinião pessoal: a prorrogação de mandatos é imoral, ainda que venha a ser constitucional. Ou a sociedade civil se mobiliza, caso concorde com esse diagnóstico e disponha de forças para impor sua opinião, ou o mundo político logo festejará a permanência de seus atores no palco até 2012. Mesmo entre a maioria dos oposicionistas, germina a tentação de aprovar o casuísmo. Afinal, José Serra e Aécio Neves ganhariam tempo para seus planos futuros com a permanência nos palácios dos Bandeirantes e da Liberdade. Para não falar nos demais governadores, no próprio presidente da República e, de tabela, seus ministros. Ou nos parlamentares federais e estaduais. Sem esquecer a candidata Dilma Rousseff, para quem dois anos de moratória seriam fundamentais para suas pretensões. Aqui para nós, não cabe aos jornalistas discutir com a notícia, mesmo reconhecendo o caráter ignominioso de muitas. A notícia hoje é essa, apesar de todos os mandatários terem sido eleitos para períodos determinados. Mas como o sociólogo puxou a fila da implosão das instituições, impondo a reeleição, fica difícil aos partidos argumentar com a ética. Emenda constitucional de autoria do deputado Sandro Mabel logo começará a tramitar, estabelecendo a coincidência de mandatos federais, estaduais e municipais, ao fim dos mandatos municipais. A menos que o presidente Lula se insurja, dê um murro na mesa e acabe com a traquinagem.


NINGUÉM LEMBRA DE GETÚLIO E BRIZOLA


Semana passada o presidente Lula declarou que nenhum governante, antes dele, realizou sequer 50% do que vem realizando em matéria de educação e ensino. Nenhuma voz levantou-se para protestar, sequer no PTB e no PDT. Ou não foram Getúlio Vargas, que criou as universidades públicas, e Leonel Brizola, que nos governos do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro promoveu a maior revolução no setor? Dá uma certa tristeza verificar como a memória nacional é posta em frangalhos diante do sabujismo. O Lula pode estar avançando muito no plano do ensino e da educação, mas daí a considerá-lo ou deixar que ele se considere, sem um reparo, o maior de todos os governantes, a distância é imensa.


A MORTE E OS ASSASSINOSA


morte anunciada da “Gazeta Mercantil” faz vestirem luto os velhos jornalistas. Segue-se ao assassinato de numerosos outros veículos de comunicação, desde o “Correio da Manhã”, o “Diário de Notícias”, a “Ultima Hora”, “O Cruzeiro”, “O Jornal”, o “Diário da Noite”, a “TV-Rio”, a “TV- Excelsior”, a “TV-Manchete”, a “Manchete” e quantos mais? Um só denominador revela o drama da mídia nacional, porque outras publicações ou emissoras encontram-se na fila do cadafalso. Más administrações tem sido sistematicamente substituídas pela sanha de vigaristas que, sem tirar nem pôr, adquirem o patrimônio esgarçado, não cumprem os compromissos assumidos, retaliam as empresas, deixam os empregados à míngua e saem, quase sem exceção, com as contas bancárias recheadas. Tem razão mestre Alberto Dines quando diz que todo proprietário bem sucedido de empresas jornalísticas logo se transforma em proprietário de mil outras atividades, enquanto os proprietários de mil outras atividades sempre dão um jeito de tornar-se proprietários de empresas jornalísticas. Para que? Para colocarem a notícia a serviço de seus interesses...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

PLANALTO DEVE ADIAR PROJETO SOBRE POUPANÇA

deu na folha de s.paulo

Sem consenso na equipe econômica, texto só deve chegar ao Congresso no 2º semestre; governo também quer evitar "efeito CPI"
Governo avalia que proposta prevendo cobrança de IR de aplicação de mais de R$ 50 mil corre risco de ser afetada pela disputa política com oposição
De Vando Cruz e Leandra Peres:
A guerra política deflagrada pela criação da CPI da Petrobras e a falta de consenso na equipe econômica deve levar o governo a adiar o envio ao Congresso do projeto que vai taxar as aplicações acima de R$ 50 mil na caderneta de poupança.
Embora a cobrança de IR (Imposto de Renda) sobre os rendimentos da poupança tenha sido anunciada no último dia 13, o governo ainda não tem pronto o texto com a proposta. A ideia é começar a cobrança em janeiro de 2010 por meio do recolhimento mensal na fonte, mas não houve acordo sobre como isso será feito.
Agora, a tendência é que o texto chegue ao Legislativo apenas no segundo semestre, quando o clima pode estar menos desfavorável. Segundo a Folha apurou, a área econômica e os articuladores políticos do governo avaliam que a tramitação da proposta correria risco se fosse enviada em meio às turbulências políticas criadas depois da CPI da Petrobras, dando mais munição à oposição na sua guerra ao Executivo.
A cobrança de imposto sobre as aplicações da caderneta é um tema politicamente sensível e o governo teme os ataques feitos pela oposição, que já criticou a proposta. A palavra final caberá ao presidente Lula, mas tudo indica que o envio será mesmo adiado. Um auxiliar do presidente destacava ontem que o governo tem até o final do ano para aprovar a taxação das cadernetas e que agora o tema ficaria "contaminado" pela disputa no Congresso.
Se o Congresso não aprovar a criação do imposto, a cobrança não poderá ser feita em 2010. A legislação exige que novos impostos ou a elevação de alíquotas seja aprovada no ano anterior ao início da arrecadação. Assinante do jornal leia mais em:
Planalto deve adiar projeto sobre poupança

Fonte: blog do Noblat

terça-feira, 26 de maio de 2009

SINDICALISMO NAUFRAGADO

Não raro o ridículo supera a derrota. Certas instituições, grupos, partidos, clubes ou sucedâneos, depois de uma peleja, saem mais desmoralizados do que vencidos quando, ao invés de lutarem até o fim, preferiram entregar-se ao adversário. Assim acontece desde a primeira eleição do Lula com as centrais sindicais. Em vez de resistir e dar suporte às propostas e postulados pelos quais empenharam-se desde que criados, cederam ao recuo do candidato de seus sonhos, apoiando o pesadelo que foi a adesão do Lula ao neoliberalismo e às imposições dos gestores da política econômica anterior. O Lula ganhou a presidência da República, em 2002, mas assumiu rendido e derrotado através da “Carta aos Brasileiros”, quando comprometeu-se a não mudar nada do que vinham impondo Fernando Henrique Cardoso e sua quadrilha. Aderiu e, embora inovando com o assistencialismo do bolsa-família, integrou-se no modelo elitista dominado pelo mercado. Esperava-se que a CUT, a Central Sindical e outros penduricalhos formassem na trincheira da resistência. Afinal, eles é que deram suporte à candidatura do PT. Durante anos lideraram a batalha contra a supressão e o restabelecimento dos direitos sociais, pela preservação dos monopólios estatais e a soberania nacional. Poderiam ter levado o governo dos trabalhadores a permanecer sustentando os postulados que o levaram à vitória nas urnas. Por fatores que o fisiologismo explica tanto quanto a fraqueza das convicções, as centrais sindicais encolheram-se. Deixaram de reagir aos avanços das elites financeiras e até deram apoio ao recuo do Lula. Sumiram das ruas as passeatas, as greves, as contestações. Os dirigentes sindicais que discordaram viram-se afastados, uma equipe de sabujos passou a controlar as instituições e o sindicalismo brasileiro ganhou as profundezas. Desapareceram os movimentos em favor de melhores condições de vida, da defesa dos aposentados, dos assalariados que não fossem metalúrgicos e das grandes bandeiras nacionais então ensarilhadas.

Texto do colunista politico Carlos Chagas

segunda-feira, 25 de maio de 2009

400 ANOS DE POESIA



A Inglaterra está celebrando os 400 anos de publicação dos sonetos do seu mais ilustre filho, o escritor, poeta e dramaturgo William Shakespeare, para muitos historiadores a personalidade mais importante de toda a História das artes em todos os tempos

O autor do romance Romeu e Julieta ganhará uma sériede homenagens com eventos especiais, leituras e recitais poéticos e muito glamour literário.
Shakespear compôs seus 154 sonetos entre os anos de 1592 e 1597, mas que só foram publicados em uma coleção de 1609, por obra do editor Thomas Thorpe

.A dedicatória dos poemas eram para uma pessoa que Shakespeare tratava apenas como W. H., e que segundo os pesquisadores da sua obra, era o senhor Henry Wriothesley, conhecido naqueles anos como "Conde de Southampton", afeito ao mecenato.

Para os historiadores William Minto, Edward Dowdene Frederick Furnivall, o autor dos sonetos se inspirou nos poemas alexandrinos de George Chapman, um dramaturgo e tradutor inglês que era especialista nas artes gregas
.Os temas nos sonetos shakespeareanos são do cotidiano da época, versando sobre amor, o tempo e as emoções humanas nos campos da alma e da mente.

Na programação de comemoração pelos 400 anos dos poemas, a rede televisiva BBC produzirá uma série de programas e transmitirá os diversos eventos que serão realizados na cidade de Strafford Upon-Avon,onde nasceu William Shakespeare.


FONTE: ALEX MEDEIROS

domingo, 24 de maio de 2009

MÍDIA MÍDIA & DIREITO HUMANOS: A editoria que não há

Escrito por Washington Araújo

Pretendo neste espaço alinhavar alguns pensamentos sobre direitos humanos e mídia. Um exercício mental, nada mais. Vamos lá. Em geral, direitos humanos rima com a defesa de pessoas ou populações vulneráveis. Aquelas que estão à margem da lei e dos benefícios providos pelo Estado. Aquelas que são de alguma maneira discriminadas, preteridas em sua busca por um lugar ao sol. A vulnerabilidade tem relação direta com a origem étnica/racial, como a população indígena, a população quilombola (remanescentes dos escravos capturados na África para servir ao progresso do Brasil Colônia e Império), a população cigana.
A vulnerabilidade tem rosto humano. São crianças, em geral, abandonadas à própria sorte e que no mais das vezes ajudam no trabalho sujo dos traficantes de drogas, vicejam na periferia das grandes metrópoles brasileiras e são agrupadas sob o rótulo de “meninos e meninas de rua”. São mulheres, em sua maioria afrodescendente, com baixo grau de instrução formal, desempregadas ou subempregadas, muitas vezes abastecendo bancos de dados das vítimas de crimes contra a mulher como espancamento, queimaduras e outras formas de violência no âmbito doméstico ou em lugares públicos. Parte desse contingente sobrevive da prostituição do corpo.
A vulnerabilidade também tem gênero. E aí entram homossexuais masculinos e femininos, bissexuais, travestis, transexuais. E também tem classe social. Engrossam suas fileiras milhões de desempregados, milhões de subempregados, milhares de pessoas moradores de rua. São sobreviventes que tocam a vida com menos que um salário mínimo mensal, conseguido de forma lícita ou ilícita.
Boa parte da imprensa trata dos direitos humanos das populações vulneráveis pelo viés do exotismo, do folclórico (em sua acepção de não-acadêmico) e, principalmente, quando são vítimas de violência.
Um por um
O drama dos meninos e meninas de rua. Recebem alguma atenção dos meios midiáticos quando o pano de fundo é… uma chacina, como aquela ocorrida na Candelária, no Rio de Janeiro, em 23 de julho de 1993. São notícia quando são abatidos (literalmente) em confrontos da polícia com traficantes nas batalhas quase diárias nos morros do Rio. Raras são as matérias, reportagens, notícias que tragam perfis e entrevistas com defensores dos direitos humanos mais afetos à defesa dos meninos e meninas de rua. O IBGE e o IPEA – órgãos oficiais que nos apresentam com eficiência indicadores sociais que abordam diversos aspectos sobre renda, emprego, etnia/raça, gênero, faixa etária, grau de escolaridade etc. – dificilmente conseguem que dados estatísticos e sociais sobre nossos meninos e meninas do Brasil, que correm risco de morte 24 horas por dia, sejam divulgados com a ênfase e o espaço midiático que o tema, por urgente, requer.
O drama dos moradores de rua. Tornam-se manchete em jornais e lugar privilegiado na escalada dos telejornais noturnos quando são vítimas de violência, em especial em alguma grande cidade do país. É o caso da chacina da Praça dos Colonizadores em São Paulo, nos dias 19 e 22 de agosto de 2004. À época noticiou-se que nas agressões contra os moradores de rua resultaram sete morreram, todos golpeadas na cabeça. Os ataques ganharam repercussão internacional. Outros moradores de rua ficaram feridos durante as ações. Policiais foram detidos sob suspeita de envolvimento no crime. O resto foi a repercussão desse macabro lead. E um arremedo de apuração sobre a identificação e punição dos assassinos – neste caso, fardados.
Uma vez mais a cobertura da imprensa envereda pela indignação com o crime em si e traz sempre uma ponta de compaixão, um texto ou subtexto a provocar a solidariedade natural dos leitores, ouvintes, telespectadores, internautas com os mortos que, a bem da verdade, perambulam pelas vias públicas como mortos em vida ou, para rememorar filme brasileiro de sucesso nos anos 1980, “cabras marcados para morrer”.
O drama dos índios. Luta incessante pela sobrevivência. Luta diuturna para reaver suas terras através de demarcações minimamente justas. Um rosto indígena: Galdino Jesus dos Santos, também conhecido como “índio Galdino”, uma liderança do povo indígena Pataxó Hã-Hã-Hãe que foi queimado vivo enquanto dormia num abrigo de ônibus, em Brasília, em 20 de abril de 1997, após participar de manifestações pelo Dia do Índio, num crime que chocou o Brasil. O crime foi praticado por cinco jovens de classe média-alta de Brasília, alguns na linha direta de parentesco com juízes e desembargadores.
Morreu travando o bom combate Galdino, de 45 anos. Estava em Brasília para participar de uma reunião na Procuradoria-Geral da República. A pauta: reclamar por suas terras. Chegou de madrugada na pensão que o hospedava. Ninguém atendeu a porta após suas batidas. Decidiu ali mesmo dormir ao relento, tendo como abrigo uma prosaica parada de ônibus. Pouco depois, como se fosse algo corriqueiro, atearam fogo sobre ele. Nas chamas que envolveram 95% do corpo do índio observei que, mais que seu corpo, as chamas atingiram não apenas Galdino, mas também o seu povo, os Pataxó e, por extensão, a humanidade como um todo, uma vez que os povos indígenas desde há muito são considerados patrimônio da humanidade.
Mais recentemente, a imprensa tem destacado à demarcação das terras na chamada reserva Raposa Serra do Sol, terra indígena Macuxi homologada a nordeste do estado brasileiro de Roraima, uma das maiores do país, com 1.743.089 hectares e 1.000 km de perímetro. Fora isso pouco tem sido noticiado sobre as precárias condições de sobrevivência física (e cultural) de diversas outras tribos indígenas como os Kiriri, em Mirandela, no sertão baiano, ou dos jovens índios que, vivendo em Limão Verde, Mato Grosso do Sul, decidiram nos últimos anos dar cabo à própria vida.
Marca desconhecida
Os assaltos, como uma praga, infelicitam a todos igualmente. Mas recebem espaço da mídia se a vítima desfruta uma boa posição social. Exemplo? O caso do relógio Rolex roubado do apresentador Luciano Huck, em 27 de setembro de 2007. Foi capa de revistas semanais. Ocupou partes de primeiras páginas dos principais jornais do Brasil. Teve seu desabafo publicado no jornal Folha de S.Paulo. Texto controverso que abarca no último parágrafo pérolas de cinismo:
“Hoje posso dizer que sou parte das estatísticas da violência em São Paulo. E, se você ainda não tem um assalto para chamar de seu, não se preocupe: a sua hora vai chegar.”
Foi o roubo de um relógio, mas teve a repercussão de crimes escabrosos e de violência inominável como a morte dos pequenos João Hélio, 6 anos, no Rio, em 7 de fevereiro de 2007. Após o assalto do carro de sua mãe, o menino não conseguiu ser desvencilhado do cinto de segurança. Com o menino preso pelo lado de fora do veículo, os assaltantes o arrastaram por sete quilômetros, passando pelos bairros de Oswaldo Cruz, Madureira, Campinho e Cascadura. Uma morte brutal. Por pouco o relógio roubado do Huck não ganhou em espaço para a cobertura de outro crime: Isabela Nardoni. Tinha apenas cinco anos de idade e foi jogada do apartamento de seu pai localizado no sexto andar do Edifício London, no bairro de Vila Guilherme, em São Paulo.
Esses três casos ilustram bem a forma como a violência urbana é pautada na mídia. Existem algumas seleções naturais, não tão naturais quanto aquelas do velho Darwin para elaborar a teoria da evolução das espécies. Aqui, a seleção passa pelo tipo de violência: quanto mais macabra e pontuada por requintes de crueldade, mais espaço e relevância irá receber; depois, a seleção do status sócio-econômico das vítimas.
O roubo de um relógio de marca desconhecida de um professor de matemática de uma escola pública praticado por dois motoqueiros, um deles apontando-lhe um Colt 38, dificilmente alcançaria duas linhas no rodapé de uma página de jornal, muito menos seria capa de revista semanal e seu desabafo, tão ou mais contundente que o de Luciano Huck, jamais encontraria espaço nobre do jornal de maior circulação diária do país, em página dita nobre.
Tema universal
Pensar em jornalismo cidadão parece o mesmo que nadar contra a maré. Qualquer tipo de jornalismo alcunhado pelo “cidadão” já começaria sem muito gás: os personagens das notícias seriam em sua maioria ilustres anônimos, gente que faz parte da paisagem urbana ou rural e que nem por isso são notadas, detectadas, vistas.
Existem editorias fixas, tradicionais como aquelas que tratam de Política, Economia, Esportes, Mundo, Cultura, apenas para mencionar as mais tradicionais. Mas não temos nenhum único órgão da mídia nacional que mantenha uma editoria dedicada a cobrir o tema dos Direitos Humanos. Temos espaço para as “páginas policiais”, a “crônica policial” que espelha a forma como a violência corrói nosso tecido social. E temos primeiras páginas e até cadernos especiais para cobrir escândalos em série em qualquer editoria já citada. Falta espaço midiático para vítimas que compõem as tais populações vulneráveis. E, por isso, faltam cadernos de Cidadania. E faltando cadernos de Cidadania temos o seu contraponto que são os tais cadernos de serviço público, com informações sobre direitos do consumidor, concursos públicos, bancos e shoppings que abrem suas portas em feriados nacionais.
Enquanto não existir editorias sólidas, bem aparelhadas e com a missão de trazer para o dia a dia das redações e das editorias o tema universal da defesa e promoção dos direitos humanos teremos uma mídia capenga, joguete de interesses políticos, econômicos e comerciais – aqueles que habitam há séculos o andar de cima.
publicado em
Questão de Direito /05/09
Pretendo neste espaço alinhavar alguns pensamentos sobre direitos humanos e mídia. Um exercício mental, nada mais. Vamos lá. Em geral, direitos humanos rima com a defesa de pessoas ou populações vulneráveis. Aquelas que estão à margem da lei e dos benefícios providos pelo Estado. Aquelas que são de alguma maneira discriminadas, preteridas em sua busca por um lugar ao sol. A vulnerabilidade tem relação direta com a origem étnica/racial, como a população indígena, a população quilombola (remanescentes dos escravos capturados na África para servir ao progresso do Brasil Colônia e Império), a população cigana.
A vulnerabilidade tem rosto humano. São crianças, em geral, abandonadas à própria sorte e que no mais das vezes ajudam no trabalho sujo dos traficantes de drogas, vicejam na periferia das grandes metrópoles brasileiras e são agrupadas sob o rótulo de “meninos e meninas de rua”. São mulheres, em sua maioria afrodescendente, com baixo grau de instrução formal, desempregadas ou subempregadas, muitas vezes abastecendo bancos de dados das vítimas de crimes contra a mulher como espancamento, queimaduras e outras formas de violência no âmbito doméstico ou em lugares públicos. Parte desse contingente sobrevive da prostituição do corpo.
A vulnerabilidade também tem gênero. E aí entram homossexuais masculinos e femininos, bissexuais, travestis, transexuais. E também tem classe social. Engrossam suas fileiras milhões de desempregados, milhões de subempregados, milhares de pessoas moradores de rua. São sobreviventes que tocam a vida com menos que um salário mínimo mensal, conseguido de forma lícita ou ilícita.
Boa parte da imprensa trata dos direitos humanos das populações vulneráveis pelo viés do exotismo, do folclórico (em sua acepção de não-acadêmico) e, principalmente, quando são vítimas de violência.
Um por um
O drama dos meninos e meninas de rua. Recebem alguma atenção dos meios midiáticos quando o pano de fundo é… uma chacina, como aquela ocorrida na Candelária, no Rio de Janeiro, em 23 de julho de 1993. São notícia quando são abatidos (literalmente) em confrontos da polícia com traficantes nas batalhas quase diárias nos morros do Rio. Raras são as matérias, reportagens, notícias que tragam perfis e entrevistas com defensores dos direitos humanos mais afetos à defesa dos meninos e meninas de rua. O IBGE e o IPEA – órgãos oficiais que nos apresentam com eficiência indicadores sociais que abordam diversos aspectos sobre renda, emprego, etnia/raça, gênero, faixa etária, grau de escolaridade etc. – dificilmente conseguem que dados estatísticos e sociais sobre nossos meninos e meninas do Brasil, que correm risco de morte 24 horas por dia, sejam divulgados com a ênfase e o espaço midiático que o tema, por urgente, requer.
O drama dos moradores de rua. Tornam-se manchete em jornais e lugar privilegiado na escalada dos telejornais noturnos quando são vítimas de violência, em especial em alguma grande cidade do país. É o caso da chacina da Praça dos Colonizadores em São Paulo, nos dias 19 e 22 de agosto de 2004. À época noticiou-se que nas agressões contra os moradores de rua resultaram sete morreram, todos golpeadas na cabeça. Os ataques ganharam repercussão internacional. Outros moradores de rua ficaram feridos durante as ações. Policiais foram detidos sob suspeita de envolvimento no crime. O resto foi a repercussão desse macabro lead. E um arremedo de apuração sobre a identificação e punição dos assassinos – neste caso, fardados.
Uma vez mais a cobertura da imprensa envereda pela indignação com o crime em si e traz sempre uma ponta de compaixão, um texto ou subtexto a provocar a solidariedade natural dos leitores, ouvintes, telespectadores, internautas com os mortos que, a bem da verdade, perambulam pelas vias públicas como mortos em vida ou, para rememorar filme brasileiro de sucesso nos anos 1980, “cabras marcados para morrer”.
O drama dos índios. Luta incessante pela sobrevivência. Luta diuturna para reaver suas terras através de demarcações minimamente justas. Um rosto indígena: Galdino Jesus dos Santos, também conhecido como “índio Galdino”, uma liderança do povo indígena Pataxó Hã-Hã-Hãe que foi queimado vivo enquanto dormia num abrigo de ônibus, em Brasília, em 20 de abril de 1997, após participar de manifestações pelo Dia do Índio, num crime que chocou o Brasil. O crime foi praticado por cinco jovens de classe média-alta de Brasília, alguns na linha direta de parentesco com juízes e desembargadores.
Morreu travando o bom combate Galdino, de 45 anos. Estava em Brasília para participar de uma reunião na Procuradoria-Geral da República. A pauta: reclamar por suas terras. Chegou de madrugada na pensão que o hospedava. Ninguém atendeu a porta após suas batidas. Decidiu ali mesmo dormir ao relento, tendo como abrigo uma prosaica parada de ônibus. Pouco depois, como se fosse algo corriqueiro, atearam fogo sobre ele. Nas chamas que envolveram 95% do corpo do índio observei que, mais que seu corpo, as chamas atingiram não apenas Galdino, mas também o seu povo, os Pataxó e, por extensão, a humanidade como um todo, uma vez que os povos indígenas desde há muito são considerados patrimônio da humanidade.
Mais recentemente, a imprensa tem destacado à demarcação das terras na chamada reserva Raposa Serra do Sol, terra indígena Macuxi homologada a nordeste do estado brasileiro de Roraima, uma das maiores do país, com 1.743.089 hectares e 1.000 km de perímetro. Fora isso pouco tem sido noticiado sobre as precárias condições de sobrevivência física (e cultural) de diversas outras tribos indígenas como os Kiriri, em Mirandela, no sertão baiano, ou dos jovens índios que, vivendo em Limão Verde, Mato Grosso do Sul, decidiram nos últimos anos dar cabo à própria vida.
Marca desconhecida
Os assaltos, como uma praga, infelicitam a todos igualmente. Mas recebem espaço da mídia se a vítima desfruta uma boa posição social. Exemplo? O caso do relógio Rolex roubado do apresentador Luciano Huck, em 27 de setembro de 2007. Foi capa de revistas semanais. Ocupou partes de primeiras páginas dos principais jornais do Brasil. Teve seu desabafo publicado no jornal Folha de S.Paulo. Texto controverso que abarca no último parágrafo pérolas de cinismo:
“Hoje posso dizer que sou parte das estatísticas da violência em São Paulo. E, se você ainda não tem um assalto para chamar de seu, não se preocupe: a sua hora vai chegar.”
Foi o roubo de um relógio, mas teve a repercussão de crimes escabrosos e de violência inominável como a morte dos pequenos João Hélio, 6 anos, no Rio, em 7 de fevereiro de 2007. Após o assalto do carro de sua mãe, o menino não conseguiu ser desvencilhado do cinto de segurança. Com o menino preso pelo lado de fora do veículo, os assaltantes o arrastaram por sete quilômetros, passando pelos bairros de Oswaldo Cruz, Madureira, Campinho e Cascadura. Uma morte brutal. Por pouco o relógio roubado do Huck não ganhou em espaço para a cobertura de outro crime: Isabela Nardoni. Tinha apenas cinco anos de idade e foi jogada do apartamento de seu pai localizado no sexto andar do Edifício London, no bairro de Vila Guilherme, em São Paulo.
Esses três casos ilustram bem a forma como a violência urbana é pautada na mídia. Existem algumas seleções naturais, não tão naturais quanto aquelas do velho Darwin para elaborar a teoria da evolução das espécies. Aqui, a seleção passa pelo tipo de violência: quanto mais macabra e pontuada por requintes de crueldade, mais espaço e relevância irá receber; depois, a seleção do status sócio-econômico das vítimas.
O roubo de um relógio de marca desconhecida de um professor de matemática de uma escola pública praticado por dois motoqueiros, um deles apontando-lhe um Colt 38, dificilmente alcançaria duas linhas no rodapé de uma página de jornal, muito menos seria capa de revista semanal e seu desabafo, tão ou mais contundente que o de Luciano Huck, jamais encontraria espaço nobre do jornal de maior circulação diária do país, em página dita nobre.
Tema universal
Pensar em jornalismo cidadão parece o mesmo que nadar contra a maré. Qualquer tipo de jornalismo alcunhado pelo “cidadão” já começaria sem muito gás: os personagens das notícias seriam em sua maioria ilustres anônimos, gente que faz parte da paisagem urbana ou rural e que nem por isso são notadas, detectadas, vistas.
Existem editorias fixas, tradicionais como aquelas que tratam de Política, Economia, Esportes, Mundo, Cultura, apenas para mencionar as mais tradicionais. Mas não temos nenhum único órgão da mídia nacional que mantenha uma editoria dedicada a cobrir o tema dos Direitos Humanos. Temos espaço para as “páginas policiais”, a “crônica policial” que espelha a forma como a violência corrói nosso tecido social. E temos primeiras páginas e até cadernos especiais para cobrir escândalos em série em qualquer editoria já citada. Falta espaço midiático para vítimas que compõem as tais populações vulneráveis. E, por isso, faltam cadernos de Cidadania. E faltando cadernos de Cidadania temos o seu contraponto que são os tais cadernos de serviço público, com informações sobre direitos do consumidor, concursos públicos, bancos e shoppings que abrem suas portas em feriados nacionais.
Enquanto não existir editorias sólidas, bem aparelhadas e com a missão de trazer para o dia a dia das redações e das editorias o tema universal da defesa e promoção dos direitos humanos teremos uma mídia capenga, joguete de interesses políticos, econômicos e comerciais – aqueles que habitam há séculos o andar de cima.


publicado em Questão de Direito - Fórum

Fonte: cidadãodomundo

sexta-feira, 22 de maio de 2009

AÉCIO FIXA COMO ESTRATÉGIA ATRAIR ALIADOS DE LULA





Decidido a espantar o rumor de que já se compôs para ser vice de José Serra, Aécio Neves vai à vitrine.

Nesta quinta (21), desfilou pelo Congresso. Reuniu-se com deputados do DEM. Foi à sala do amigo Pedro Simon (PMDB-SP)...

...Posou para fotos no gabinete do presidente da Câmara e mandachuva do PMDB Michel Temer (SP). Ali, protagonizou uma cena inusitada.

Supostos sócios de Lula no empreendimento Dilma-2010, Temer e o líder do PMDB Henrique Eduardo Alves deixaram-se fotografar, aos risos, do lado de Aécio.

Compuseram a cena, exposta na foto lá do alto, o líder e o presidente do DEM –respectivamente Ronaldo Caiado e Rodrigo Maia, encoberto por Temer na imagem.

Aécio fez piada: "Quando essa foto for publicada, o povo em São João Del Rey vai dizer: ‘O homem está eleito’”. Seguiu-se uma jucunda gargalhada.

Por trás do chiste, esconde-se a estratégia de Aécio. O governador tucano de Minas tenta atrair para sua canoa partidos que orbitam ao redor de Lula.

Eis a tese que Aécio desfia, em privado: Chega um momento em que os partidos dão as costas para o poder e passam a dar mais atenção à perspectiva de poder.

Para Aécio, como Lula está fora do páreo, o tucanato representa, nesta fase de pré-campanha de 2010, uma possibilidade de poder mais vistosa do que o petismo.

Aposta que legendas como PMDB, PTB, PP e PR cedo ou tarde se darão conta disso. E começarão a saltar do barco do governo. Decidiu assediá-los.

Diz que não pensa em deixar o PSDB. Afirma que vai às prévias contra Serra. E age para mostrar-se mais agregador do que o rival doméstico.

Aécio tenta atenuar a importância das pesquisas, que sorriem mais para Serra. Alega que os índices de Serra são tonificados pelo recall de 2002.

O diabo é que a cúpula do tucanato não parece concordar com ele. Onze em cada dez lideranças do PSDB avaliam que a hora é de Serra. Toreiam as ambições de Aécio por duas razões.

Primeiro para contornar a desunião que envenenou as últimas campanhas presidenciais do PSDB. Segundo para evitar que Aécio deixe a legenda.


Escrito por Josias de Souza às 06h09

quinta-feira, 21 de maio de 2009

OPINIÕES DE CARLOS CHAGAS - COLUNISTA POLITICO


POR CIMA DA CARNE SECA


Brasília – De caso pensado, o PMDB continua na contramão do governo. Mesmo preocupado em por enquanto não bater de frente com o palácio do Planalto, o maior partido nacional coleciona episódios de desentendimento, da eleição de José Sarney para presidente do Senado, contra o candidato do PT, até o apoio velado à CPI da Petrobrás. Entre esses dois episódios, registra-se uma série de pequenas desavenças, mesmo sem a intenção do rompimento imediato. São avisos, prenúncios do inevitável. No caso, o inevitável será o desembarque do PMDB da candidatura Dilma Rousseff, caso, é claro, ela se mantenha. Por enquanto, para os peemedebistas, é bom conservar os seis ministérios, as dezenas de diretorias de empresas estatais e as centenas de cargos de escalões inferiores. O divórcio, porém, parece óbvio, apesar dos esforços que o presidente Lula fez e mais fará para manter a aliança. Porque poucos duvidam, tanto da derrota da chefe da Casa Civil, vale repetir, se ela puder seguir em frente como candidata, quanto da saída do PMDB da base oficial. A razão é simples: o partido quer ficar onde sempre esteve, ou seja, no poder. De preferência sem os ônus, quer dizer, não apresentando candidato próprio à sucessão do ano que vem. Até porque, esse candidato não existe. A corrente flui para José Serra, ainda que exista uma hipótese maior para tudo continuar como está, ou até ficar melhor, sem os entreveros atuais: o terceiro mandato. Caso o presidente Lula venha a ceder e aceitar concorrer a mais um período administrativo, tudo indica que será eleito. Assim, contará com o PMDB, podendo até emplacar o candidato a vice. Sabem os cardeais da legenda que serão peça-chave na armação desse golpe, porque sem os votos de suas bancadas na Câmara e no Senado nenhuma emenda constitucional será aprovada. É o que se chama, em linguagem nordestina, ficar por cima da carne seca.


MALDADE


Só pode ser maldade o que o governo e os áulicos do presidente Lula, sem esquecer o próprio, andam fazendo com a ministra Dilma Rousseff. Porque uma vez caracterizada sua doença, mesmo dentro de um excepcional tratamento, a chefe da Casa Civil deveria ter sido poupada. Pelo menos nos quatro meses em que se vem submetendo à quimioterapia. É maldade ficar repetindo que ela está muito bem e que pode levar vida normal. Pior ainda, deixá-la entregue a seus afazeres de primeira-ministra e de candidata presidencial. A madrugada de terça-feira demonstrou que mesmo sem se entregar, ela precisaria estar cercada dos cuidados que a situação exige. O choque de saber que precisou embarcar num jatinho em Brasília e internar-se num hospital em São Paulo terá sido tão grande quanto o do anúncio de que tinha câncer. Crueldade tem sido a programação que Dilma, muitas vezes, acaba não podendo cumprir, obrigada a cancelar, só nos últimos dias, sua presença no Fórum Nacional de João Paulo dos Reis Veloso, no Fórum da revista “Exame”, numa reunião plenária do PT, no Congresso de Radiodifusão e numa ida ao Ceará para explicar o PAC. Muito melhor teria sido, para ela, licenciar-se de atividades administrativas e políticas, recolhendo-se até, esperam todos, reaparecer completamente curada e pronta para retomar a trajetória de candidata. A atual estratégia do governo só faz prejudicá-la e, ao contrário do que pretendem, enfraquece suas possibilidades.


TODOS DE BRAÇOS CRUZADOS


Duas semanas já se passaram desde que o Supremo Tribunal Federal considerou caduca a Lei de Imprensa, deixando perigoso vazio em termos de garantias variadas no comportamento da mídia. Nem adianta repetir que a decisão das mais alta corte nacional de justiça exprimiu mero jogo de cena, porque os artigos ditatoriais da referida lei já haviam sido revogados pelo Bom Direito, desde a promulgação na nova Constituição em 1988. O problema é que foi tudo pelo ralo, inclusive os artigos que asseguravam o direito de resposta, a segurança da retratação como fator de paralisação de ações penais, a garantia de reparação para quem fosse ofendido em sua honra através dos meios de comunicação, a punição para quem criasse alarma no sistema bancário, a preservação de segredos de estado e tantas outras posturas essenciais ao bem-estar social. Esperava-se, inclusive alguns ministros do Supremo, que a revogação pura e simples da Lei de Imprensa levaria imediatamente o Congresso a debater e aprovar em tempo recorde um novo conjunto legal moderno e adaptado ao século XXI. Pois até agora, nada. Nem na Câmara, nem no Senado, nem nos partidos políticos ou sequer na sociedade civil surgiram sinais de preocupação diante do vazio. É como se tudo fosse permitido, numa sociedade sem condicionamentos. A imprensa marrom deve estar em festa.


FALTA A NEGATIVA PRINCIPAL


Apressou-se o PSDB em esclarecer que a CPI da Petrobrás jamais ousará prejudicar a empresa, que os trabalhos se desenvolverão investigando possíveis irregularidades praticadas ao longo dos anos, mas, de forma alguma, capazes de denegrir sua imagem ou atrapalhar suas atividades no país ou no mundo. Ótimo, dos tucanos não se esperava outra coisa, ainda que, por cautela, o governo pretenda selecionar oito senadores de sua estrita confiança, entre os onze titulares da CPI. Só que tem um problema: o PSDB foi acusado pelas lideranças oficiais de estar tramando a privatização da Petrobrás, se José Serra chegar ao poder. Sobre essa hipótese, nenhuma palavra, nenhuma negativa. Será que as oposições pretendem mesmo entregar ao mercado um dos maiores patrimônios nacionais? Seria bom que se pronunciassem o mais rápido possível.

EU QUERO MINHA DIRETORIA

Miguezim de Princesa

I

Senadores da República,Venho relatar meu tormento:Trabalhei a vida inteira,Tive um fusca e um jumento,Mas não consigo juntarDinheiro para comprarUma casa ou apartamento.

II

Depois de muito lutar,Vim parar na capital, Onde tudo é muito caro Na especulação fatal. Por mais que tenha apelado, Difícil é ser contemplado Com imóvel funcional.

III

Trabalho até altas horas Da vista se irritar,Da perna ficar dormente, Do cabelo arrepiar, Da coisa mudar de tom, Mas hora-extra que é bom Ninguém vem pra me pagar.

IV

Quando vou à Paraíba Num baú a chacoalhar, Não aparece um cristão Disposto a me ajudar Com uma passagem de avião Pra melhorar meu padrão E o cansaço aliviar.

V

Princesa é como no México: Esse celular normal, Que a gente compra nas lojas, Quando pega, pega mal. Assim quando lá eu for, Vou pedir ao senador Um celular funcional.

VI

Quero ingressar no Senado, Ser funcionário exemplar, Tomar conta de garagem,Limpar o chão, capinar, Dirigir escadaria, Mas depois, no fim do dia, Degustar um caviar.

VII

Eu quero ser diretorPara dar nó de gravata, Ficar enrolando bufa Ou filmando passeata, Ganhar mais que senador, Passear no corredor Só espalhando bravata.

VIII

Eu quero ser diretor Montado na brilhantina, Cheio de ajuda de custo Para botar gasolina No posto do meu irmão Que fica na contramão Da ética que me arruína.

IX

Diretor eu quero ser Para um assunto retado: Passar o dia flanando Atrás de rabo assanhado De piriguetes sabidas Que se fingem de perdidas No corredor do Senado

.X

Eu quero ser diretor, Bem nos conformes da lei. Só que existe um problema: A lotação eu não sei. Eu topo qualquer lugar, Até mesmo pra escovar O bigode do Sarney.

sábado, 16 de maio de 2009

ENTREVISTA

O BLOG RESOLVEU ENTREVISTAR DÊNIS ROBERTO LACERDA CABRAL - Presidente do Diretório Municipal do PHS - CARNAUBAIS/RN

BLOG: O que levou você assumir a Presidencia do PHS?

DÊNIS: Desde os primórdios da minha meninice que despertei para a atividade politica, uma coisa natural, rasgando as entranhas. Como tenho no sangue o pulsar da politica outros familiares, antes de mim já militaram politicamente, isso ficou mais fácil e pujante. Politicamente sempre me afinei com tio Aluizio, discuto, indago, peço opinião e até discordo de vez em quando da forma de se praticar a politica. Como tio Aluizio sabia dessa vontade minha de ingressar na vida pública, ele informado da extinção da comissão do PHS em Carnaubais, me ligou avisando e consultando se eu toparia começar a fazer um trabalho de base em Carnaubais. Como respondí que sim, ele procurou o coordenador regional o Sr. Romildo Queiroz em Assu e tratou do assunto, sendo meu nome respaldado para a executiva estadual. Procurei o Partido em Natal e através do seu secretário geral Leandro Carlos Prudêncio e o vereador natalense Mauricio Gurgel, recebi deles total carta branca para vir reorganizar o PHS em Carnaubais.
BLOG: Como vc vai conciliar o tempo para isso? de uma vez que mora, trabalha e estuda na capital?
DÊNIS: Neste primeiro ano, principalmente nestes meses iniciais torna-se um pouco mais dificil, mas vou procurar estar mais presente em Carnaubais, sem correria, mas com responsabilidade vou conciliar as coisas, contando que o partido e os companheiros que comigo formam a executiva municipal possam realizar algo em beneficie da causa que abraçamos.
BLOG: Tem planos para o futuro?
DÊNIS: Lógico, sem saber ainda definidamente o que nem como, mas é pra frente que se anda, o projeto está apenas começando, devagar, devagarinho chegaremos lá... Tudo vai depender da persistência, da vontade de fazer e querer sempre ajuda no que pleiteamos.
BLOG: Você sente-se preparado para os desafios? A politica muitas vezes é ingrata, como lidar com esses aspectos?
DÊNIS: Estaria mentindo se dissesse que sim, embora os desafios não sejam bichos de sete cabeças, eles são administraveis, superados, depende muito das nossas ações e do conjunto de forças comuns que estão no entorno das questões em pauta.
BLOG: Como fazer para competir com os outros que estão há mais tempo no páreo? Não se preocupar com o trabalho dos outros, vamos nos preocupar em implantar uma marca nossa, uma ação renovada e diferente, contando que seja para o bem da comunidade.
BLOG: Voce acha que tem espaços para fazer um trabalho, sem contar com estrutura financeira?
DÊNIS: Esse é apenas um dos desafios, talvez o mais dificil, embora não seja o mais fundamental.
BLOG: Como pretende fazer para ir a luta?
DÊNIS: Lutando, trabalhando para executar o que precisamos realizar, indo de encontro aos problemas, sem medo de enfrentá-los, buscando as parcerias internas e externas, elaborando projetos, planejando ações, correndo atrás das soluções, sem desanimar nem cobrando resultados imediatos. O sucesso é consequência do que fazemos, fora dessa cogitação é querer ser apenas oportunista.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A ARTE DO DISCURSO


Lembra quando a gente se formava (primeiro ou segundo grau, ou curso universitário) e se fazia a maior onda em torno da escolha do orador da turma? Eu, por exemplo, fui oradora da minha turma de b-a-bá, lá pelo ano de 1967: “Querido Paraninfo, Senhoras, Senhores, meus colegas! Mais uma turma de doutores em b-a-bá se forma hoje...”
Como você vê, ainda me lembro do discurso, e cresci achando que falar em público era coisa de formatura ou comício eleitoral.
Mas, aqui na Suécia, não há festa de casamento, jantar, reunião familiar, aniversário ou enterro sem discurso. Não é brincadeira não! “Att hålla tal” (fazer um discurso, em sueco) é uma das primeiras coisas que a gente entende como essência da cultura local.
A antiga arte da Retórica ou Oratória foi matéria exigida nas escolas suecas até 1842. A partir da reforma do ensino naquele ano, a Retórica foi retirada do currículo escolar. Talvez porque, naquela época, a “arte de falar com razão e emoção”, no dizer da conhecida professora Barbro Fällman, fosse tida como “a arte de manipular”.
Mas, falar em público e falar bem não precisa ser manipulação. E o costume de fazer discursos continua firme e forte na cultura local. A maior parte dos discursos a que assisti ao longo dos anos, aqui, foram feitos para homenagear noivos em um casamento, ou um amigo que faz aniversário redondo (30, 40, 50 ou 60 anos), ou alguém que termina um doutorado ou se aposenta.
O incrível é que a tradicional timidez sueca faz desse costume local uma tortura autoinfligida. A maior parte dos suecos prefere morrer a falar em público. Há muitos que não aproveitam nem um segundo da festa, até a hora de falar e, depois, se encharcam de álcool para esquecer o que, quase sempre só para eles mesmos, foi um vexame. Outros bebem para criar coragem, e aí o vexame é quase garantido.
A palavra de ordem frente a um amigo que faz aniversário ou se casa é preparar o discurso e treinar, treinar, treinar... Há gente que só pensa nisso, durante semanas de insônia pré-festa! Winston Churchill teria dito que não há nada que requeira mais preparação prévia do que um bom discurso de improviso. Mas se eu tiver de ir a uma festa com um discurso preparado, acabou-se a festa para mim! Nas poucas vezes em que soltei a voz e discursei nas festas de amigos aqui, foi na base da emoção do momento, com o alto risco de me afogar em um rio de lágrimas e levar junto alguns companheiros de mesa.
É custoso, para a maior parte dos estrangeiros, acostumar-se ao costume local dos discursos e às longas listas de oradores, em qualquer festa mais significativa. Alguns de nós nunca aprendemos. Mas festa sem discurso, aqui, não é festa de verdade!
Por isso, os livros sobre como fazer um discurso vendem-se como pãozinho quente. E os cursos de oratória anunciam-se constantemente, nos jornais e na internet. Há também discursos já prontos, na rede, para você usar em caso de necessidade e falta de inspiração.
Eu fiz um curso na universidade, Retórica Prática, mais para aprender sueco que para aprender sobre a arte da Oratória. E, esta semana, tive a oportunidade de ouvir Barbro Fällman metralhar-nos, de maneira brilhante, com métodos e técnicas de argumentação. Aquela mulher pode me convencer a tomar qualquer decisão, com técnicas que ela maneja com incrível destreza, precisão e competência!
Mas, voltando aos discursos menos profissionais e às festas familiares, o fato é que surpreender um amigo com palavras de apreço em um momento importante da vida dele é, sem dúvida, um presente inesquecível! Por isso, as memórias de infância, as gafes do colegial, as viagens dos tempos de solteiros e os hobbies praticados juntos estão sempre na ordem do dia das homenagens.
Calejada, posso afirmar que, se você ainda não foi a um casamento de verdade, com uma longa lista de oradores e um jantar que dura pelo menos oito horas, tipo “Quatro casamentos e um funeral”, então você ainda tem algo a experimentar nesta vida.
Meu recorde foi uma festa de casamento de onze horas de duração. Eu não falava sueco e não entendia patavina! Depois, me explicaram que a festa foi assim, curtinha (“!”), devido aos costumes da família que, formada por cristãos-evangélicos tradicionais, também não contemplou a possibilidade de servir bebida alcoólica durante o jantar.
Ah, bom!

Leitora do blog, Sandra Paulsen, casada, mãe de dois filhos, é baiana de Itabuna. Fez mestrado em Economia na UnB. Morou em Santiago do Chile nos anos 90. Vive há quase uma década em Estocolmo, onde concluiu doutorado em Economia Ambiental. Escreve no Blog sempre às segundas e sextas.


Fonte: Blog do Noblat

quinta-feira, 14 de maio de 2009

deu em o estado de s.paulo

''Lula disse que equipe pode ser doida, mas ele não''

Comentário de Mantega refere-se à bronca dada pelo presidente sobre mudanças na caderneta de poupança

De Vera Rosa:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exigiu do Ministério da Fazenda uma saída política para impedir que as mudanças na caderneta de poupança prejudiquem o pequeno investidor. Escaldado pelas críticas antecipadas da oposição e temendo que seus adversários carimbassem as medidas como "confisco", em plena temporada eleitoral, Lula vetou todas as propostas apresentadas para isentar apenas as aplicações de até R$ 20 mil de cobrança do Imposto de Renda. Pior: em várias ocasiões mostrou irritação com os números que viu.
"Lula disse que a equipe econômica pode ser doida, mas ele não é", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao comentar, de forma bem-humorada, as broncas do presidente, durante reunião com dirigentes de centrais sindicais, na terça-feira. Ainda ontem, pouco antes da entrevista convocada para anunciar as mudanças na mais popular aplicação do País, o presidente pediu a Mantega uma dose adicional de cautela na hora de explicar o assunto. "As palavras são mágicas nesse momento", disse Lula.
Diante de representantes dos 14 partidos que compõem a coalizão governista, o presidente manifestou receio com a exploração política do tema na pré-campanha da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff para sua sucessão, em 2010.
"Todo cuidado é pouco", insistiu Lula. O Planalto planeja até fazer uma campanha de utilidade pública com o objetivo de esclarecer que "nada mudou para o pequeno poupador", se constatar que houve ruídos na comunicação. Leia mais em: ''Lula disse que equipe pode ser doida, mas ele não''

Fonte: blog do Noblat

terça-feira, 12 de maio de 2009

E AGORA YEDA?



A casinha da Yeda: Comprada com dinheiro de corrupção



O PSOL apresentou nesta segunda-feira novos documentos que, reforçam a denúncia sobre o caixa dois na campanha eleitoral da governadora Yeda Crusius (PSDB), em 2006.A deputada Luciana Genro (PSOL-RS), disse; "O marido da governadora era um arrecadador informal. Ele recebia esse dinheiro das doações e não passava para a campanha. Ele Crusius tenta desqualificar e desmente a existência de caixa dois. Mas os documentos reforçam a existência de caixa três, ou seja, a apropriação de parte dos recursos do caixa dois", disse a deputada à Folha Online, por telefone.Luciana disse ainda que foi com o dinheiro do "caixa três" que Yeda e seu marido compraram, em dezembro de 2006, uma casa avaliada em R$ 750 mil.O partido apresentou cópias de dois e-mails enviados por dois executivos do Rio Grande do Sul solicitando adesão à campanha de Yeda. Um deles indica que o recebedor da "encomenda" seria o "marido" --mas não diz de quem.O outro e-mail relaciona seis empresas que colaboraram com a campanha de Yeda. Segundo o PSOL, pelo menos duas empresas não constam na lista de doadores oficiais encaminha à Justiça Eleitoral.O PSOL também vai pedir à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul para pedir continuidade no processo de impeachment de Yeda feito no ano passado pelo partido. O pedido está na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O partido vai reivindicar, no mínimo, o afastamento provisório da governadora para não atrapalhar as investigações
.E vocês lembram dessa notícia aqui?:
Yeda cogita ser primeira mulher presidente"Não descarto de jeito nenhum" disse ela. Será qe ainda está nos planos da governadora disputar a Presidência da República?


Fonte: blog amigos do presidente Lula

BOM MESMO É CONVIVER COM AS DIFERENÇAS


artigo


Nos últimos dias me alimentara de frutas, batata doce e mandioca; precisava consumir alguma proteína animal. Daí concordara com o jovem maku, que falava português, em trocar uma lanterna por um pequeno pedaço de caititu moqueado. Ele participara da caçada ao porco selvagem. Sem sorrir, entregara-me o alimento embrulhado numa grande folha chamuscada.
E provocara-me:
- Na cidade, mulher branca com fome pega carne na geladeira. Tudo fácil!
Eu sorrira e respondera:
- Não, não é fácil assim. Na cidade a gente não caça, mas precisa de dinheiro para ter carne e dinheiro não nasce em árvore...
Estava na aldeia maku Santo Atanásio, no Alto Rio Negro, fronteira com a Colômbia, fazendo uma reportagem para a revista Manchete sobre a coca brasileira (o ipadu). Isso aconteceu em 1983 e marcou-me porque fora a primeira vez que via um índio se comportar daquela maneira. Até então, em diversas outras aldeias de índios aculturados, escutara discursos do tipo "aqui ninguém mata para roubar", "nossas crianças não são abandonadas" etc.
Porém, a politização era quase ingênua. Hoje, o tom da conversa é totalmente outro. Na semana passada, lideranças indígenas se reuniram em Brasília no sexto Acampamento Terra Livre a fim de consolidar as propostas para um novo Estatuto do Índio, cobrar do governo a criação do Conselho Superior de Política Indigenista e fazer pressão pela demarcação de todas as terras indígenas.
Nada demais se o caráter do documento final do encontro, divulgado na internet, não fosse um tanto equivocado. Por exemplo: "Lembramos que a dívida do Estado Brasileiro para com os nossos povos é impagável, que o mínimo que exigimos é que nos seja garantido a posse e o uso-fruto exclusivo das nossas terras, o pouco que nos sobrou, e nos deixem viver, neste país, que já foi todo nosso, conforme os nossos usos e costumes".
Sou solidária aos índios diante de racismo e quaisquer preconceitos. Que tenham suas terras atuais protegidas. Concordo plenamente que seus antepassados tiveram as deles invadidas por colonizadores, bandeirantes e aventureiros. Sofreram massacres e injustiças terríveis. Dito isto, não seria justo omitir que eles também se matavam em guerras de território entre as próprias tribos.
Outra verdade às vezes esquecida: este país nasceu, queiramos ou não, a partir da chegada dos portugueses, do convívio deles com os nativos e as nativas. Da população cabocla que foi se formando; com mamelucos, depois africanos, cafuzos e mestiços de diversas etnias. Com trocas e assimilações de todas as naturezas: materiais, físicas, culturais, lingüísticas, religiosas, míticas... Com muita dança e muita briga; paz e violência. Morte e vida.
Antes da chegada dos portugueses e dos africanos (trazidos como escravos) não havia o nosso país, não havia Brasil. Não haveríamos nós todos, hoje brasileiros miscigenados; com os mesmos genes em todas as camadas e classes sociais. O mundo seria outro. Portugal não seria como é. Ah, sim. Alemães, italianos, japoneses e outros povos vieram a ter relevância na nossa miscigenação a partir do século XX.
Então não está correto ongs e missionários estrangeiros se intrometerem nesta história, manipulando ideologicamente os brasileiros índios. Até porque os portugueses não foram piores nem melhores, mas totalmente diferentes dos espanhóis que colonizaram o restante da América Latina. Uma outra história.
Agora, o fato é que a população indígena brasileira cresce 4% ao ano, o dobro da população não-índia. Induzir grupos a se fecharem em nome da diferença costuma acabar muito mal. Já no caso das tribos que vivem isoladas na selva amazônica, sem contato com a civilização e em equilíbrio com o seu habitat, nada mais lógico do que respeitarmos o seu refúgio. Elas se tornam naturalmente guardiãs de reservas florestais e santuários de diversidade; no Brasil.

Ateneia Feijó é jornalista e escritora. Trabalhou nos principais jornais e revistas do país - entre eles a extinta Manchete, o Jornal do Brasil e o Correio Braziliense

segunda-feira, 11 de maio de 2009

A VERDADEIRA CAUSA DO AUMENTO DA CRIMINALIDADE ESTÁ NO AUMENTO DO DESEMPREGO

Sociólogos, criminalistas, cientistas políticos e curiosos perguntam porque, só de janeiro para cá, São Paulo registrou 200 mil ocorrências criminais, o dobro do ano passado, no mesmo período, na capital e no interior. Os mais ousados avançam para pesquisar o crescimento de assaltos, roubos, sequestros, assassinatos e sucedâneos no país inteiro. A cifra surge abominável. Dobrou a violência. Dizem alguns que a causa está nas recentes decisões do Supremo Tribunal Federal, por haver mandado soltar os presos sem sentença definitiva transitada em julgado, impedindo, também, prisões temporárias e preventivas sem o grau de periculosidade efetivamente caracterizado nos criminosos. Pode ser que uma pequena parte desse horror se deva a essa concepção liberal da mais alta corte nacional de justiça, mas nem de longe explica a multiplicação do surto animalesco. A causa maior do aumento da criminalidade reside no desemprero em passa verificado no país desde oiutubro do ano passado. Ainda que o governo esconda os números reais, pelo menos dois milhões de trabalhadores foram postos na rua da amargura, por conta da crise econômica. E continuam sendo. A imensa maioria dos desempregados recorre às ínfimas reservas mantidas, às parcas indenizações recebidas, ao salário-desemprego e à caridade de amigos e parentes, mas um percentual cada vez mais perigoso, inflado pelo desespero, leva parte dos dispensados a apelar para o crime. Claro que não poderiam nem deveriam agir assim, mas diante da fome dos filhos e da falta de perspectivas para encontrar novos empregos, optam por retirar da sociedade aquilo que a sociedade lhes vem negando. Assaltam, roubam, sequestram, matam e são mortos por falta de alternativa. Por certo que razoável número de bandidos age assim por índole, mas a maior parte, mesmo sem razão ou justificativa, o faz por desespero. Adiantará aumentar o número de policiais nas ruas? Nem pensar, porque os órgãos de segurança crescem no máximo em proporção aritmética, enquanto os criminosos, no mínimo, em proporção geométrica. Fazer o quê? Para começar, extiguir o festival de publicidade oficial, aceitar os números verdadeiros e atacar o mal pela raiz, ou seja, adotar uma política de criação de empregos. Nem que seja para levar um grupo a abrir buracos e outro para fechá-los, logo em seguida. Em vez de dinheiro público para bancos e empresas falidas, que tal repetir o New Deal de Franklin Rooosevelt?


TEXTO DO JORNALISTA CARLOS CHAGAS - BLOG DO CLAUDIO HUMBERTO

domingo, 10 de maio de 2009

AVISEM SEUS FAMILIARES E AMIGOS!

Informação Importante e de extrema urgência!

Dentro dos Shopping Centers há pessoas próximas às entradas dos cinemas fazendo uma suposta pesquisa com os jovens (algo “interessante”, como cinema, TV, um novo filme a ser lançado…).
Pegam então o nome, telefone fixo e residencial, endereço e algumas características como as roupas, cor do cabelo, etc etc etc do seu filho.
Depois que as pessoas entram no cinema, eles esperam alguns minutos, ligam para a pessoa que foi “entrevistada” para ver se o celular está mesmo desligado e, se estiver, eles ligam para a casa da pessoa.
O bandido diz o nome completo do seu filho (o que já assusta), as características como cabelo, estatura, roupas e diz ainda “Ligue para seu filho, se acha que estou mentindo… o nº dele é 9XXX - XXXX? Está desligado…”(pronto, se ele sabe até o nº do celular de seu filho, só pode ser verdade).

E como um filme dura em média 2Hs, demora muito para você conseguir ligar e ser atendido.
Aí você já está em pânico e pronto para fazer o que o bandido lhe pedir.

AVISO DE UM DELEGADO DE POLÍCIA:

* “Isso não é boato, é fato.

** Instruam seus filhos a não responderem nenhuma entrevista ou pesquisa nas ruas e fornecer informações curriculares apenas diretamente para empresas. Não coloquem curriculum em sites….
Nunca desliguem os celulares… Coloque-os em “silencioso”.
Em caso de cinemas, coloque-o para que simplesmente acenda a luz…
Assim saberão se algum parente está ligando… O nível de inteligência dos bandidos está aumentando… Temos que nos precaver cada vez mais…


fonte: blog cidadãodomundo

sábado, 9 de maio de 2009

BLOGUEIROS QUE SE CUIDEM


O novo dilúvio que afogou Salvador esta semana, somado ao drama das enchentes que causam destruição e matam, em seis estados do Nordeste, faz o sino tocar, embora sem a intensidade necessária. Afinal, o quadro humano e social que se vê pelas bandas de cá tem escala mais dramática, mais dolorosa e profunda até agora, que o da nova gripe atribuída aos suínos nos Estados Unidos e México, que acaba de desembarcar no País. Os donos do poder em geral (por histórica malandrice), e a imprensa em particular (por suas escolhas eletivas) seguem mais voltados para as dores e mazelas à distância, embora já despertem para o drama em seu quintal.
Olhando bem no meio do caos deste maio de aguaceiros na Bahia dá para ver: o Pacto Republicano plantado há menos de um mês em Brasília pelos presidentes dos três poderes - Lula, Gilmar, Sarney e Temer - já produz os primeiros e prematuros frutos. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, fez, enfim, sua primeira viagem como chefe da Nação, ao Maranhão da família Sarney.
Símbolo petista de origem popular nordestina, Lula levou um aperto de mão solidário e um saco de promessa de ajuda material e recursos financeiros do poder federal à "frágil" aliada do PMDB, Roseana Sarney, na hora da tragédia. Tragédia a cujas causas a governadora está umbilicalmente colada, por suas ligações sanguíneas e políticas com um dos mais prolongados e socialmente injustos domínios oligárquicos já impostos à região, do qual Roseana é parte e segmento.
Faltou alguém para documentar tanta contradição, como fez o baiano Glauber Rocha com sua explosiva câmera na mão no tempo do governador Jose Sarney, na fundação da oligarquia maranhense, em 1966. As breves imagens nos canais de TV em rede nacional, no entanto, refletem, mesmo que palidamente, a extensão da miséria contida no pungente drama humano causado pelas enchentes.
Quer outro exemplo de fruto do Pacto? Veja que o ministro Joaquim Barbosa pediu licença esta semana e se afastou de sua polêmica cadeira no Supremo Tribunal Federal, para tratar de problemas de saúde.
Seguramente, agravados nos últimos dias, a partir do bate-boca em que acusou o presidente da corte de chefiar "capangas em Mato Grosso" e de "destruir o poder Judiciário no País", e das pressões sofridas a partir daí.
O fato tem efeito de repentino "freio de arrumação". Cessa a turbulência no STF, faz-se silêncio no recinto aparentemente pacificado. Assim, o presidente Gilmar Mendes fica mais à vontade para seguir cantando no terreiro do Planalto, com ecos por outros quadrantes do País. Quarta-feira (6), "em tom de desabafo", conforme assinalou o jornal "O Globo", Mendes, com jeito de político em palanque, conclamou os juizes a desafiar a opinião pública. Segundo o presidente do STF, os magistrados não podem consultar "o sujeito da esquina", antes de tomar decisões. Mas Mendes dá um passo (ou vários) além, na sua retórica agressiva e desafiadora. Algo que ainda surpreende, mesmo partindo do ministro mato-grossense, porque pouco tem a ver com a proverbial moderação que o País se habituou a ver em seus principais jurisconsultos - motivo explícito da explosão indignada do ministro Joaquim Barbosa no recente bate-boca que assombrou a Nação.
"Não se dá independência ao juiz para ele ficar consultando o sujeito da esquina. Vamos ouvir as ruas para saber o que o povo pensa sobre o STF conceder ou não um habeas corpus? Ou os nossos blogueiros? A jurisdição constitucional, por definição, é contramajoritária. Ela só funciona por ser contramajoritária", proclamou o presidente do Supremo ao discursar em um seminário da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). Ao que se sabe, sem nenhuma contestação.
Em Salvador, na mesma semana, desembarcou Protógenes Queiroz no meio do temporal que quase faz o avião em que ele viajava ir pousar no aeroporto de Aracaju. O delegado da Polícia Federal que conduziu a Operação Satiagraha veio à sua cidade natal fazer conferência sobre "ética e assédio moral" na sede local do Ministério Público do Trabalho e visitar Igreja do Senhor do Bomfim.
Na colina sagrada, segundo ele, foi pedir "que a justiça seja feita para todos os criminosos do País, a começar pelo banqueiro Dantas". O condutor da Satiagraha dever ter recebido como "um sinal" de acolhimento e aprovação do santo de maior devoção dos baianos, a inclusão do nome do banqueiro entre os denunciados no relatório final da CPI dos Grampos, em que o seu nome ficou de fora, apesar dos esforços ingentes de alguns, a começar pelo presidente da comissão, deputado Marcelo Itagiba, para que ambos - mais o ex-diretor geral da policia federal, Paulo Lacerda - fossem jogados no mesmo saco.
Mas o Pacto Republicano tende a seguir avançando. Agora, os blogueiros que se cuidem.

Vitor Hugo Soares é jornalista -E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

sexta-feira, 8 de maio de 2009

BARRAGEM DE OITICICA NÃO RESOLVERÁ PROBLEMAS DAS ENCHENTES ADVERTE PROFESSOR

De acordo com professor de hidrologia, o volume de 600 milhões de m ³, e o tipo dela, de acumulação, serão insuficientes para conter o volume das águas.

Por Luana Ferreira

Festejada como uma grande conquista pelo governo do estado, a garantia dada esta semana por Geddel Vieira (Integração Nacional) de que o governo federal concluirá as obras da Barragem de Oiticica pode não representar uma grande mudança para a população que sofre com as enchentes anuais do rio Piranhas-Açu.De acordo com o professor de hidrologia da UFRN, João Abner, o volume da barragem, de 600 milhões de m ³, e o tipo dela, de acumulação, são insuficientes para conter o volume das águas que costuma fazer o rio transbordar nesta época do ano. “Várias combinações podem ser feitas, mas em qualquer alternativa que você pense, pede uma (barragem de) Oiticica com mais de 600 milhões de m³”, avaliou o professor, acrescentando que calcular a reserva de espera ideal é uma tarefa complexa e que uma boa saída seria associar à nova barragem a construção de comportas maiores na Armando Ribeiro.Ainda de acordo com João Abner, outra questão importante é que a construção da barragem pode ocasionar enchentes “para cima” e afetar, principalmente, as cidades de Jardim de Piranhas e São Rafael.Existem basicamente dois tipos de barragem: a de regularização, que retém água para usá-la no período das secas, e a de contenção, projetada com base nas cheias, e que por isso deve ficar a maior parte do ano vazia.Segundo a assessoria da Secretaria de Recursos Hídricos, Oiticica será construída com objetivo de abastecer de água a região do Seridó, e só servirá minimamente como contenção. Ainda de acordo com a assessoria, o projeto já está pronto para ser encaminhado ao Ministério da Integração Nacional e na quarta-feira (13) terá início a mobilização das comunidades para o planejamento da desapropriação da área.“A barragem pode até melhorar o problema. Agora, o povo de Assu tem que aprender a conviver com as enchentes”, afirmou o professor, que já foi responsável pelo projeto numa das muitas idas e vindas que vem sofrendo há mais de 18 anos.História antigaA história da barragem começou ainda na década de 90, quando foi projetada para ter 1,6 bilhão de m ³ e irrigar cerca de 15 mil hectares na região. De lá pra cá, foi embargada diversas vezes, a maioria por superfaturamento envolvendo a empresa Norberto Odebrecht, que ganhou a primeira licitação. O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Rio Grande do Norte só continuaria a receber o dinheiro do governo federal caso cancelasse o contrato com a empresa, mas a articulação política da governadora Wilma de Faria (PSB) e da bancada federal fez com que, a partir de 2004, emendas coletivas para a Oiticica continuassem a ser aprovadas e o dinheiro, empenhado.Em 2007, o contrato com a Odebrecht foi finalmente rompido e o governo do estado deu início a um novo trâmite burocrático. Integrado ao mapa de transposição do rio São Francisco, o projeto da barragem também mudou: passou a ter um volume de 600 milhões de m ³, capacidade de irrigação de 2.650 mil hectares e possibilidade de geração de energia elétrica. A previsão é que a obra custe R$ 180 milhões e seja entregue em 2011.

Fonte: Numinuto

AIIMPORTANCIA DA FAMILIA EM NOSSA VIDA

Jos?lia Coringa (joseliacoringa@yahoo.com.br)
Enviada:
sexta-feira, 8 de maio de 2009 4:01:52
Para:
aluiziolacerda@hotmail.com

Tem coisa melhor no mundo que chegar em casa e ter alguém te esperando?Alguém preocupado com você, perguntando sobre o seu dia, suas dificuldades, suas perdas e suas vitórias?Alguém sempre disposto, com um ombro amigo, pronto para te ouvir, te abraçar?Sua família, pai, mãe, irmão, avô, avó, sobrinhos, filhos, netos. Sem dúvida essas pessoas são importantíssimas na sua vida por “N” razões.Engana-se aquele que se acha forte o suficiente para lutar contra seus problemas, matando um leão por dia nessa selva de pedras. E que selva! Dificuldades, angústias, decepções, enfim, a vida nos trás problemas, mesmo sendo bela!Mesmo sendo possível fazermos algumas escolhas para nortear nossas vidas, devemos nos lembrar que, quando menos esperamos, tem uma pedra no meio do caminho. As vezes grande como o muro de Berlim... Derrepente, seus amigos não são mais seus "amigos", foram por uma questão de conviniência, e é assim, essa sociedade hipócrita e egoísta, onde prevalesce a mentira, a falcidade, a falta de respeito ao próximo, a ambição desenfreada, que passa como um trem em cima de alguém. No entanto, só a nossa família sendo equilibrada e unida, firme em seus propósitos para nos fortalecer. A Família é mesmo um porto seguro. Porém, nem sempre encontramos a solução de nossos problemas dentro de nós mesmos ou dentro de nossos familiares. A fé em Deus deve ser maior, tudo tem solução. A justiça de Deus tarda mais não falha jamais.

PROFESSORA: JOSÉLIA CORINGA

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Como a midia brasileira pautará o Sr, Intolerãncia?

Postado por Washington Araújo - cidadão do mundo

Na História, nunca houve um Império tão multifacetado quanto o Império Persa, talvez por reflexo da política adotada pelo rei Ciro, que apesar de dominar várias nações, respeitava suas peculiaridades culturais, obtendo dessa forma a admiração e o respeito dos povos conquistados. Mas cremos que nenhum imperador da Antiguidade foi mais político que Dario, o Grande. Foi durante seu governo que a Pérsia atingiu seu apogeu, e entrou para a história como um dos impérios da Antiguidade. Talvez, nada saberíamos desse povo se Dario não tivesse tido a grande idéia de perpetuar essa história, narrando suas conquistas e deixando tudo devidamente registrado nas paredes de Persépolis.

Entre o mundo antigo e o atual muitos séculos decorreram. E muitas voltas a história deu. Até mesmo o nome da Pérsia mudou para Irã. Nesse intervalo de tempo o palco de guerra teve outros protagonistas, armas de destruição em massa vieram à existência, mapas geopolíticos foram redesenhados, democracias floresceram, ditaduras surgiram e ideologias criaram raízes na consciência coletiva da humanidade. E carnificina aconteceu, e não foi pouca, e em todos os continentes.

O mundo viu e sofreu os horrores de dois megaconflitos, com proporção internacional. Apenas, para ilustrar, a Segunda Guerra Mundial contabilizou em seu rastro de morte nada menos que 46 milhões de pessoas. Dessas, 6 milhões eram judias e morreram de forma mais perversa, cruel e torpe – fuziladas, asfixiadas ou incineradas em campos de concentração na Alemanha nazista. Inclui-se também, como uma cicatriz na história moral da humanidade, duas cidades japonesas que literalmente evaporaram: Hiroshima e Nagasaki. Essas populações foram exterminadas ante a explosão de bombas atômicas de parte dos Estados Unidos da América.

“Governo racista”

Na penúltima semana de abril, ficamos atônitos com os rumos da Conferência sobre Racismo convocada pelas Nações Unidas com o objetivo maior de assegurar a continuidade do encontro de 2001, realizado em Durban (África do Sul). Pois bem, esse evento teve início em Genebra, em 20 de abril último, em clima tenso devido à ausência de pesos pesados do Ocidente, como Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Itália, Israel, Austrália e Polônia.

Evento dessa magnitude, convocado para tratar de um dos piores flagelos da humanidade que é a existência toda e qualquer forma de racismo e discriminação, dificilmente poderia se harmonizar com o pensamento e as ações do único chefe de Estado inscrito para falar na abertura da conferência: o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad. Para qualquer pessoa minimamente informada, fica patente que a simples evocação do nome traz à memória episódios de racismo e intolerância explícitos.

Ahmadinejad é reconhecido nas esferas diplomáticas dos quatro cantos do mundo como incitador de intolerância e discriminação contra adeptos de minorias religiosas existentes em seu país (bahá´ís, judeus, cristãos, muçulmanos sunitas), contra minorias étnicas (curdos, árabes, balúchis) e, de uma maneira geral, contra as mulheres.

Como era previsível, do seu lugar de fala, na condição de chefe de uma nação, o presidente iraniano chamou Israel de “governo racista”, provocando a saída dos europeus presentes. E não se contentou com isto. Foi além, muito além dos limites do aceitável. Ahmadinejad explicou que “após o final da Segunda Guerra Mundial, eles (os aliados) recorreram à agressão militar para retirar as terras de uma nação inteira sob o pretexto do sofrimento judeu” – e não se fez de rogado sobre a que país desejava atingir, falando em tom abertamente beligerante que “eles enviaram migrantes da Europa, dos Estados Unidos e do mundo do Holocausto para estabelecer um governo racista na Palestina ocupada”.

Era uma óbvia, uma clara alusão a Israel. Uma retórica alimentada pelo fogo da intolerância, a tal ponto atiçado quando, ainda em seu discurso-manifesto, convocou (ou seria melhor incitou?) sua audiência a envidar “esforços para pôr fim aos abusos dos sionistas e de (seus) aliados”.

Minorias e mulheres

Mesmo estando ainda em sua primeira sessão, bem no início, o evento viu-se diante de um duro dilema: como tratar de racismo, dialogar sobre formas de abolir a discriminação se o chefe do Executivo de uma nação-membro do sistema Nações Unidas, o Irã, personificava o próprio mal a ser extirpado? Foi quando, em meio aos ataques ao Estado de Israel, 23 representantes europeus saíram da sala sob as vaias dos participantes. Não tardou para que os meios noticiosos dessem ampla cobertura a tão turbulento início de evento internacional com a chancela das Nações Unidas.

“Lamentamos veementemente a linguagem utilizada pelo presidente iraniano. Do nosso ponto de vista, o discurso estava totalmente fora de contexto para uma conferência destinada a promover a diversidade e a tolerância”, indicou o porta-voz do alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay. Já o embaixador da França Jean-Baptiste Mattéi tratou de explicitar a saída dos representantes europeus do auditório principal: “No momento em que Israel era estigmatizado na tribuna pelo presidente iraniano, nós nos retiramos da sala para deixar clara a nossa rejeição absoluta a essas afirmações”.

O que teria motivado o discurso belicoso do mandatário iraniano? Uma coisa sabemos: ele não pode alegar destempero verbal nem aqueles nossos conhecidos equívocos da mal-afamada arte do improviso. Isto porque, algumas horas antes de iniciar seu discurso, o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon havia alertado Ahmadinejad para evitar qualquer ligação entre sionismo e racismo. Por outras vias, delegados dos países europeus haviam feito chegar aos ouvidos da delegação iraniana que estavam prontos para deixar o salão caso Ahmadinejad, conhecido por suas diatribes antiisraelenses, proferisse “acusações antissemitas”.

Obviamente um barraco dessa grandeza estava, desde logo, destinado a ocupar parte do noticiário nas páginas da editoria Internacional mundo afora. Mas a mídia, de uma forma quase generalizada, deu mais importância à forma que ao conteúdo. Falou-se muito de suas frases. Esqueceram de anotar que o salão em Genebra estava tomado em grande parte por claques constituída por “representantes” de organizações não-governamentais iranianas, a soldo de seu governo. Deixaram de informar os leitores, ouvintes e telespectadores que o objetivo do polêmico iraniano era nada menos que esvaziar os objetivos da Conferência sobre Racismo.

Tanto que a mídia deixou passar quase em branco o pronunciamento do ministro norueguês Jonas Gahr Store, que falou logo em seguida a Ahmadinejad. O norueguês disse ao plenário que após aquele discurso “o Irã havia se isolado do mundo civilizado” e que ele não iria permitir que “o presidente iraniano sequestrasse os esforços coletivos de muitos”.

A imprensa perdeu uma oportunidade ímpar de chamar a atenção do mundo para os crônicos e cada vez mais penosos casos de violação sistemática de direitos humanos no Irã. E, quanto a isto, é de todo lamentável que Mahmud Ahmadinejad tenha deixado de falar sobre as severas formas de discriminação que ocorrem em seu próprio país, desviando sua atenção para propagar a idéia de extinção do Estado judaico.

Lamentável também que ele tenha deixado de observar que sob sua presidência a condição dos direitos humanos no Irã se deteriora grave e rapidamente como demonstram à larga relatórios produzidos e chancelados, regularmente, por organismos das Nações Unidas. Em se tratando de uma conferência para reforçar a luta mundial contra o racismo, a mídia não chamou a atenção para o fato de que a discriminação no Irã vitimiza em cheio minorias étnicas e religiosas e também as mulheres.

Vista grossa

Contra grupos étnicos, bastava ele citar que os curdos são acusados, por seu governo, de serem terroristas, de atuarem contra a segurança nacional ou de cometerem traição ao país, sem qualquer prova ou evidência concreta. Parece claro que as autoridades iranianas não desejam distinguir entre o que se configura como defesa pacífica dos direitos das minorias e o que são ataques de terroristas. Fato é que, em 2008, membros da minoria curda foram vigorosamente reprimidos e sofrem também perseguição no Irã minorias como a árabe e balúchi.

Contra grupos religiosos, existe disponível a qualquer interessado no tema da proteção dos direitos humanos vasta documentação e amplo noticiário dando conta que tal forma de discriminação é vastamente disseminada por todo o território iraniano, afetando os bahá´ís, cristãos, judeus, sufís e muçulmanos sunitas, além de outras minorias.

Os bahá´ís, em particular, enfrentam múltiplas formas de discriminação devidas unicamente às suas crenças religiosas. Nos últimos quatro anos, mais de 200 bahá´ís foram arbitrariamente aprisionados, detidos, intimidados e molestados. Quando lhe são imputados crimes, em geral essas acusações são falsas, coisas do tipo “estar agindo contra a segurança nacional”. A eles são negados uma vida decente devido às restrições quanto a terem emprego e ao confisco de suas propriedades. Estudantes bahá´ís são expulsos das universidades tão logo eles se identifiquem como bahá´ís. Sete líderes bahá´ís no Irã estão presos na temida prisão de Evin, em Teerã, há mais de sete meses e contra eles ainda não foi iniciado o processo legal. A defensora constituída pelos bahá´ís, a Prêmio Nobel da Paz Shirin Ebadi, ainda não conseguiu autorização para se encontrar com seus clientes.

Preocupa, de forma particular, a maneira como o governo controla os meios noticiosos em sua política editorial de vilanizar os adeptos da fé bahá´í. Centenas de artigos, programas de rádio e de televisão, comentários na internet e panfletos contendo discursos de ódio vêm sendo disseminados no Irã desde que o presidente Mahmud Ahmadinejad chegou ao poder. E também clérigos e autoridades vêm publicamente incitando o ódio e a violência contra os bahá´ís.

Não se pode fazer vista grossa ao fato de que aos bahá´ís iranianos são negados o direito de resposta. Ataques contra lares bahá´ís, negócios e cemitérios dessa minoria religiosa – por sinal a maior do país, com cerca de 300.000 seguidores – são abertamente encorajados e depois tratados com impunidade.

Esperança de balanço

Qual foi, então, o foco da mídia? Primeiro, o discurso anti-Israel do presidente iraniano. Segundo, a saída do salão durante a fala do iraniano de dezenas de representantes de governos ocidentais. Terceiro, responsabilizar Ahmadinejad pelo esvaziamento – que não houve – da Conferência. Com isso deixou-se de pautar os males do racismo em várias partes do mundo, bem como suas funestas consequências.

Hora de voltar às páginas da História. Enquanto reis de impérios anteriores, na Antiguidade, produziam tumbas faraônicas, e outros esculpiam e pintavam imagens de guerras em que representavam o rei esmagando e massacrando os povos dominados, o rei persa Dario eternizava e honrava seus povos esculpindo-os nas escadarias do palácio de Persépolis, no acesso à sala de audiência. Eram imagens nas quais os povos dominados pelo império honravam o grande rei Dario, com oferendas típicas de seus países. Que outro rei retrataria seus ex-inimigos nas paredes de seu castelo?

Muito bem. Na quarta-feira (6/5), o Brasil estará recebendo o presidente do Irã Mahmud Ahmadinejad, em visita oficial. Será a primeira vez que um presidente iraniano pisará em solo brasileiro. E também a primeira viagem oficial de Ahmadinejad após sua controvertida passagem pela Conferência contra o Racismo em Genebra.

Esperemos que boa parte dos temas aqui apresentados sejam tratados pelo presidente Lula, veiculados pela mídia nacional e internacional. E que, em um futuro balanço dessa viagem, algum repórter possa escrever:

“O presidente brasileiro deixou claro ao seu colega iraniano que mais importante que tratar de volume de exportações era tratar de meios para elevar a dignidade humana. Mais vital que exportar minérios, tecnologia e produzir alimentos em larga escala, o Brasil reafirmou sua posição oficial de defesa e promoção dos direitos fundamentais da pessoa humana, seu repúdio a toda forma de racismo e discriminação, sua proteção à liberdade de crença e de opinião, sua defesa – sem meios termos – da condição da mulher

quarta-feira, 6 de maio de 2009

RESGATANDO NOSSA CULTURA

Um movimento silencioso surge em meio à maior reserva natural de carnaúba da América do Sul. A pequena cidade de Carnaubais, com seus cerca de 10 mil habitantes assiste de camarote uma mobilização cultural que começa a ganhar corpo e mostrar a cara — nada a ver com simples festas regadas a brega e forró, a Coordenação de Cultura do município (ligada à Secretaria de Educação) resolveu quebrar o 'protocolo' ao realizar um evento multicultural gratuito na praça principal.Apesar de a proposta do assessor cultural Zelito Coringa — de fazer a esfera 'praça-igreja-missa-parque-prefeitura-delegacia-escola-cineteatro sair da inércia — ter sido boicotada num primeiro momento pelo próprio poder público, Zelito conseguiu o que queria: despertar a população para seus referenciais. Nestes tempos de globalização desenfreada, a diferença está justamente na essência.Ator, músico e poeta, Zelito Coringa e sua equipe da assessoria cultural de Carnaubais colocaram lenha na caldeira da auto-estima ao promover a primeira edição do Festival Semearte, onde a cidade mergulhou — por uma semana — em uma intensa programação com debates, shows, apresentações de grupos de teatro locais e saraus poéticos. Até o cine-teatro São Luiz, único espaço na cidade com estrutura para exibir vídeos e receber espetáculos, aproveitou o movimento para sessões extras.O debate, cuja pretensão era ser considerado o Iº Fórum Municipal de Cultura, atraiu pouco mais de 20 pessoas, porém, com representatividade satisfatória, o grupo legitimou a conversa sobre leis de incentivo, fundos de cultura, relação cultura x mídia, mobilização social, mapeamento artístico-cultural e funcionamento/adesão ao Sistema Nacional de Cultura. Questionamentos como cultura versus entretenimento, e concessões de rádios comunitárias também foram levantadas.O lado pop da poesia popularO que mais impressiona nesta típica cidade do interior nordestino, com direito a pracinha, roda-gigante, bêbado, fofoqueira e louco, é sua ligação com a literatura de cordel. Nos muitos intervalos da programação, na hora do almoço, em qualquer lugar, não importava... se achasse conveniente, o poeta cordelista Antônio Francisco — membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (com sede no Rio de Janeiro) desde outubro de 2005, onde ocupa a cadeira do patrono Patativa do Assaré — derramava sem dó seus versos politizados e sempre bem humorados. Com tudo na ponta da língua, esse mossoroense de 57 anos não dava chances à falta de atenção do público.Observações desconcertantes a partir de uma poética simples, por vezes pueril, como esses trechos da extensa Os sete constituintes ou os animais têm razão: “O porco dizia assim: já sujaram os sete mares / do Atlântico ao Mar Egeu, as florestas estão capengas, os rios da cor de breu / E ainda por cima dizem que o seboso aqui sou eu” ou ainda “A vaca se levantou e disse franzindo a testa / ‘Eu convivo com o homem, sei que ele não presta / É um mal-agradecido, orgulhoso, inconsciente, / é doido e se faz de cego, não sente o que a gente sente / E quando nasce toma a pulso o leite da gente”.Na praça lotada, a fascinação pelo poeta faz ‘coraçõezinhos’ baterem mais forte: “Gosto muito dele, li vários livros seus mas ainda não o conhecia pessoalmente”, disse Aldinete Sales da Silva, 19, após descer do palco onde declamou Os sete constituintes... ao lado do ídolo. Atriz desde 1999 e vestibulanda de letras em 2005, Aldinete mora no sítio Casinhas, a 30 minutos “di péis” do centro de Carnaubais. Considerado um fenômeno teatral pelo assessor de cultura da cidade, o grupo do sítio Casinhas é autodidata e desenvolve a própria linguagem na hora de interpretar. Durante o evento, o grupo apresentou o julgamento do personagem João Grilo — fragmento cênico do Auto da Compadecida , de Ariano Suassuna.“Só a banda não iria preencher a gente, esse povo todo também precisa de poesia”, aposta Aldinete. Limpeza do egoUma nova rajada de raios subliminares, e entra em cena a Trotamundos Companhia de Arte. Trupe formada por Coringa, Beto Vieira, Mazinho Viana, Dudu Campos e Ana Celina, a Trotamundos encenou o espetáculo (no cine-teatro São Luiz) Coivarins: sete notas de Cordel em cena, vencedor do prêmio de Melhor Trilha Sonora Original no Festival de Teatro Potiguar 2005 (Dudu Campos, Mazinho Viana e Zelito Coringa).Com textos de Antônio Francisco e Zelito, direção de Nonato Santos e Beto Vieira, Coivarins pode ser encarado como um ritual de purificação do ego através do fogo. A origem da palavra vem do vocábulo coivara, que segundo o Aurélio significa “restos ou pilha de ramagens não atingidas pela queimada, na roça à qual se deitou fogo, e que se juntam para serem incineradas a fim de limpar o terreno e adubá-lo com as cinzas, para uma lavoura”.Conduzidos pelo cordel e por experiências sonoras executadas ao vivo, os “Etlogents” — seres elementais que guardam o saber do Coivarins — plantam novas sementes cidadãs na platéia, com mensagem que pregam amor ao próximo, respeito à natureza e valorização das tradições. Depois, na praça principal a 150 metros do São Luiz, o boi de Reis da cidade vizinha de Porto do Mangue encerra a Semana de Arte com orgulho e brilho nos olhos. O mesmo brilho que nos faz crer em tempos melhores.

Matéria Publicada no Site: www.overmundo.com.br -

-Postado por Varzeano no Varzeano