Oito anos de degustação
“Os pedágios da corrupção política e da falta de educação e formação de boa parte da sociedade brasileira são os dois fatores mais graves que permanecem ao final da era Lula. Aqui, ele não pode abrir a boca para dizer que 'nunca antes na história do país' mudanças foram produzidas"
Rudolfo Lago*
Certamente, há um bocado de complexidade na administração de um país grande, com uma imensa falta de uniformidade social, com quistos como os provocados pelo crime organizado no Rio de Janeiro especialmente, com um sistema de educação considerado um dos piores do mundo, com taxa de corrupção altíssima, etc, etc, como o Brasil. Mas o presidente Lula, ao fazer um balanço da sua passagem pelo cargo, conclui que lidar com todos esses problemas foi “gostoso até demais”.
E deve ter sido “gostoso até demais” mesmo. Com uma popularidade de mais de 80%, nunca vista no final de um governo, elegendo como sua sucessora alguém até então desconhecida do mundo político, com recordes na taxa de pleno emprego, economia estabilizada e inclusão social nunca vista, Lula tem mesmo razão de concluir seu mandato satisfeito.
E é evidente a percepção de como ele se sentiu à vontade no posto. Morar num palácio, conversar de igual para igual com os principais governantes do mundo, voar no Aerolula. Lula viveu tudo isso com muito prazer. E não é verdade dizer que qualquer um assim faria. Para citar um exemplo, Itamar Franco sempre pareceu alguém pouco à vontade no posto. Quem o acompanhou como presidente sabe. Itamar fugia da segurança para ir ao shopping de Fusca com a namorada. Passou dois anos insistindo em levar uma vida de pessoa comum que o cargo lhe negava. Ou seja: do ponto de vista da rotina presidencial, das benesses e das obrigações, o que para Lula foi uma delícia, pode ter sido um tanto quanto penoso para Itamar.
A isso se soma a compensação pelas respostas dadas pelas ruas, seja na percepção da sua popularidade, seja nas urnas que elegerem Dilma. Mas, voltando aos problemas listados lá no primeiro parágrafo, a gente sabe que, apesar dos avanços, as complexidades brasileiras continuam fazendo vítimas diárias. E Lula, com a sensibilidade que certamente tem, deve sair sabendo que seus oito anos de mandato não resolveram todos os problemas brasileiros. Ao final do “gostoso até demais”, é o gostinho amargo que fica desses oito anos de degustação. Talvez resida aí o maior desafio que terá Dilma Rousseff: quando Lula deixar a Presidência, e o país sair da sombra provocada pela sua imensa e popular presença, é possível que aflorem de forma mais visível os nossos problemas, e a perspectiva de que temos de enfrentá-los.
Muitos balanços da era Lula foram publicados nos últimos dias. Assim, sem a pretensão da originalidade, vamos a mais um deles aqui. A diferença será avaliar o impacto do que houve de positivo e negativo na perspectiva da ausência de Lula no poder.
Estabilidade econômica – Quando conversamos com investidores, embaixadores ou outros agentes estrangeiros que atuam no Brasil, há sempre um ponto em comum na impressão deles. Todos consideram que o país tornou-se um porto confiável para investimentos. Cumpre as regras do mercado e não está disposto a fazer loucuras. Ou seja: lucra cada vez mais como opção de investimentos externos, e sabe que a contrapartida exigida é que nenhuma guinada haverá na condução da economia. Antes das eleições, em conversas com diplomatas espanhóis e portugueses, eles diziam ter absoluta certeza de que nada mudaria vencesse as eleições Dilma ou José Serra. Assim como Lula manteve os pressupostos de política econômica que Fernando Henrique Cardoso já mantinha, assim fará Dilma. Esse é um ponto da vida brasileira que entrou no automático.
Desenvolvimento e política social – É aqui que está o pulo do gato da era Lula, onde seu governo diferenciou-se de Fernando Henrique e onde garantiu as altíssimas taxas de popularidade que conquistou. Até Fernando Henrique, o controle da inflação e da estabilidade econômica era feito com uma imensa contenção do crédito e do consumo. Evitava-se o avanço de novas camadas da sociedade ao mercado porque se acreditava que isso faria a inflação estourar e que se perderia o controle. Lula apostou na certeza de que deveria facilitar o crédito e melhorar as condições das populações de baixa renda com a ampliação dos programas sociais. Com isso, incrementou fortemente o mercado interno. Quando estourou a crise mundial, o país estava menos dependente dos mercados externos. O Brasil assim escapou da crise. E a imensa satisfação das camadas mais pobres que antes não tinham acesso ao consumo transformou Lula nesse fenômeno de popularidade.
Política externa – Ser chamado pelo presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, de “o cara” está longe de ter sido uma brincadeira gratuita. A política externa de Lula foi um dos pontos mais coerentes e que seguiu sem maiores correções de rumo desde o início. Apoiou-se em dois pontos, e, de um modo geral, mostrou-se adequado em ambos. Em primeiro lugar, partiu do pressuposto de que as mudanças que aconteciam no eixo econômico do mundo abriam espaço para a construção de novas parcerias das quais o Brasil poderia se tornar protagonista. Assim, aproximou-se da China, da Índia. Criou os Brics (o conjunto que hoje forma com outros países emergentes na economia – Rússia, China, Índia, e, agora, a África do Sul). Firmou parcerias firmes com a França. Assim, ganhou musculatura para o segundo ponto: exercer um papel maior de protagonista nos debates internacionais. Nesse ponto, pode ter falhado em moderar as críticas ao Irã ou à Venezuela. Mas é inegável que o Brasil hoje tem opiniões mais respeitadas no plano internacional.
Educação – Lula talvez não tenha se dado conta do imenso impacto negativo da imagem que passava de homem que se fez por si mesmo, sem escola, sem educação formal. Esqueceu-se que era um fenômeno difícil de se repetir. A identificação que gerou nas pessoas com origem semelhante à sua tinha chance quase zero de se repetir nas suas trajetórias, num mundo com cada vez menos espaço para os trabalhos braçais e não especializados. Dentre os países do grupo emergente do qual faz parte, o Brasil tem hoje índices iguais de potencial econômico, mas índices vergonhosamente inferiores quando se verifica a educação de seu povo. Analfabetismo, escolas precárias, baixa formação. Quando o país perceber que não há espaço para um segundo Lula, já terá perdido a batalha para os outros países no futuro.
Corrupção e formação política – Ao avaliar o ministério que formou, que não consegue agradar nem a ela, Dilma provavelmente percebe o tamanho do ônus que vem da escolha de não tentar alterar a prática política. Lula elegeu-se em 2002 centrando o discurso da sua campanha na promessa de uma alteração profunda no plano da ética nas relações políticas. A propaganda do governo é incapaz de esconder que, nesse ponto, a era Lula falhou de forma retumbante. A popularidade de Lula poderia ter estabelecido um pacto com a sociedade, no qual o governo poderia propor um programa de mudanças e impor ao Congresso essa agenda. Se a população apoiasse o programa, o Congresso acabaria, sem alternativa, por encampá-lo. Como nunca houve com clareza tal agenda, o caminho seguido foi o mesmo de sempre: conquistar a qualquer preço a maioria, e essa maioria, satisfeita com as contrapartidas em cargos e em verbas, aprovaria o que lhe fosse pedido. O resultado foram os vários escândalos surgidos. Em muitos momentos, Lula viu-se apenas na condição de defensor de biografias que os escândalos manchavam. Fez assim com José Sarney, com Renan Calheiros, com Jader Barbalho. Chegou ao cúmulo ao afagar Fernando Collor, um presidente que ajudou a derrubar e que tinha feito o mais feio e pesado dos jogos para derrotá-lo em 1989. Difícil conseguir conciliar tal perdão com coerência ou retidão de caráter.
O ministério que tomará posse com Dilma no sábado é só o fruto mais recente das consequências de tal relação política. E é nesse ponto que o Brasil, após os oito anos de degustação da era Lula, talvez mais perca. É evidente que ministros políticos que nada entendem das pastas que ocupam terão menos capacidade de fazer evoluir os setores que ficam sob suas responsabilidades. É evidente que o país perde quando parte das verbas públicas precisa atender aos interesses políticos dos aliados (para dizer o mínimo), pulverizadas nas emendas individuais ao orçamento. Que são, de acordo com as palavras do próprio ministro da Controladoria Geral da União, Jorge Hage, os principais fatores de desvio e corrupção com o dinheiro público.
Os pedágios da corrupção política e da falta de educação e formação de boa parte da sociedade brasileira são os dois fatores mais graves que permanecem ao final da era Lula. Aqui, ele não pode abrir a boca para dizer que “nunca antes na história do país” mudanças foram produzidas.
*É o editor-executivo do Congresso em Foco. Formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília em 1986, Rudolfo Lago atua como jornalista especializado em política desde 1987. Com passagens pelos principais jornais e revistas do país, foi editor de Política do jornal Correio Braziliense, editor-assistente da revista Veja e editor especial da revista IstoÉ, entre outras funções. Vencedor de quatro prêmios de jornalismo, incluindo o Prêmio Esso, em 2000, com equipe do Correio Braziliense, pela série de reportagens que resultaram na cassação do senador Luiz Estevão
Outros textos do colunista Rudolfo Lago*
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Réveillon de Dilma será para íntimos
Rudolfo Lago
Às vésperas da sua posse como presidenta, Dilma Rousseff fará um réveillon apenas para a família e amigos mais íntimos na Granja do Torto. O presidente Lula e sua mulher, Marisa, foram convidados, mas ainda não confirmaram presença. Além de Lula e Marisa, Dilma pretende passar o Ano Novo com sua família: a mãe, também Dilma, a tia Arilda, sua filha Paula (com o marido, Rafael), e o neto da presidenta, Gabriel.
No dia seguinte, 1º de janeiro de 2011, Dilma tomará posse. Os organizadores esperam a presença de 20 mil pessoas na festa. Na Catedral de Brasília, Dilma embarcará no Rolls Royce Silver Wraith, de 1953, um carro só utilizado em ocasiões especiais. No carro conversível, Dilma desfilará pela Esplanada dos Ministérios, acompanhada de dois caveleiros da guarda dos Dragões da Independência, até o Congresso Nacional, onde será empossada presidenta pelo congresso Nacional. O vice-presidente Michel Temer seguirá em outro veículo, atrás de Dilma.
Fonte: Congresso em Foco
Rudolfo Lago
Às vésperas da sua posse como presidenta, Dilma Rousseff fará um réveillon apenas para a família e amigos mais íntimos na Granja do Torto. O presidente Lula e sua mulher, Marisa, foram convidados, mas ainda não confirmaram presença. Além de Lula e Marisa, Dilma pretende passar o Ano Novo com sua família: a mãe, também Dilma, a tia Arilda, sua filha Paula (com o marido, Rafael), e o neto da presidenta, Gabriel.
No dia seguinte, 1º de janeiro de 2011, Dilma tomará posse. Os organizadores esperam a presença de 20 mil pessoas na festa. Na Catedral de Brasília, Dilma embarcará no Rolls Royce Silver Wraith, de 1953, um carro só utilizado em ocasiões especiais. No carro conversível, Dilma desfilará pela Esplanada dos Ministérios, acompanhada de dois caveleiros da guarda dos Dragões da Independência, até o Congresso Nacional, onde será empossada presidenta pelo congresso Nacional. O vice-presidente Michel Temer seguirá em outro veículo, atrás de Dilma.
Fonte: Congresso em Foco
Lula elogia Dilma e descarta abandonar política com fim do mandato
DE SÃO PAULO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou nesta terça-feira, em sua coluna semanal, sua sucessora, Dilma Rousseff, e descartou abandonar a política com o fim de seu mandato. Segundo Lula, a maior surpresa que o Brasil terá com o governo Dilma será "em relação à sua capacidade de comandar, de produzir, de fazer as coisas andarem, de fazer acontecer".
"Ela já demonstrou isso ao longo de meus dois mandatos e, se o governo tem hoje altíssimos índices de popularidade, uma boa parcela dessa aceitação se deve ao que ela nos ajudou a realizar. Aliás, Dilma já surpreendeu muita gente ao participar de um processo que nunca tinha vivido antes --a disputa eleitoral-- e se tornar vitoriosa. Era um campo absolutamente novo, pelo qual ela nunca tinha passado e, no entanto, superou concorrentes de grande experiência, que tinham se dedicado a fazer política durante toda a vida. Ela tem uma grande capacidade de aprender e de se adaptar a situações novas e extraordinárias. Sua fibra é impressionante."
O presidente ainda citou os obstáculos que a petista enfrentou até chegar à Presidência. "Ainda jovem, enquanto muita gente se recolhia ou se dobrava, ela teve a coragem de colocar a vida em risco e enfrentar a ditadura e as torturas. Mais recentemente enfrentou e venceu um inimigo ainda mais perigoso e traiçoeiro, o câncer. Nós temos, felizmente, à frente dos destinos do nosso país uma pessoa preparada para vencer os mais diferentes desafios. Inclusive o principal, que é fazer mais e melhor do que foi feito nestes últimos oito anos."
Lula afirmou que não irá deixar a política. "Deixar de fazer política, para mim, seria o mesmo que deixar de me alimentar ou respirar. Não, essa hipótese de abandonar a política não existe. Eu não posso jogar pela janela a experiência acumulada de fazer um governo que é considerado muito bem-sucedido. Quero levar a países pobres, da América Latina e da África, os modelos que nós construímos de combinar o crescimento econômico com políticas eficazes de transferência de renda. Sinto-me com bastante energia para continuar atuando no sentido de contribuir para a construção de nações prósperas, com povos que vivam em liberdade e com justiça social."
Ele prometeu atuar dentro do PT e em aliança com vários outros para viabilizar as reformas política e tributária. "Essas são questões urgentes e mais afetas aos partidos e ao Congresso do que ao governo federal. Pretendo ainda viajar por esse país, repetindo, de certa maneira, as caravanas da cidadania realizadas entre 1991 e 1994, quando percorri 91 mil quilômetros de Brasil. Quero verificar o que nós construímos nestes oito anos de mandato, divulgar o que é pouco divulgado, mostrar esse novo Brasil pujante, de gente que passou a se alimentar, que foi integrada à cidadania, esse Brasil que acredita no amanhã."
Fonte: Folha/SP
DE SÃO PAULO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou nesta terça-feira, em sua coluna semanal, sua sucessora, Dilma Rousseff, e descartou abandonar a política com o fim de seu mandato. Segundo Lula, a maior surpresa que o Brasil terá com o governo Dilma será "em relação à sua capacidade de comandar, de produzir, de fazer as coisas andarem, de fazer acontecer".
"Ela já demonstrou isso ao longo de meus dois mandatos e, se o governo tem hoje altíssimos índices de popularidade, uma boa parcela dessa aceitação se deve ao que ela nos ajudou a realizar. Aliás, Dilma já surpreendeu muita gente ao participar de um processo que nunca tinha vivido antes --a disputa eleitoral-- e se tornar vitoriosa. Era um campo absolutamente novo, pelo qual ela nunca tinha passado e, no entanto, superou concorrentes de grande experiência, que tinham se dedicado a fazer política durante toda a vida. Ela tem uma grande capacidade de aprender e de se adaptar a situações novas e extraordinárias. Sua fibra é impressionante."
O presidente ainda citou os obstáculos que a petista enfrentou até chegar à Presidência. "Ainda jovem, enquanto muita gente se recolhia ou se dobrava, ela teve a coragem de colocar a vida em risco e enfrentar a ditadura e as torturas. Mais recentemente enfrentou e venceu um inimigo ainda mais perigoso e traiçoeiro, o câncer. Nós temos, felizmente, à frente dos destinos do nosso país uma pessoa preparada para vencer os mais diferentes desafios. Inclusive o principal, que é fazer mais e melhor do que foi feito nestes últimos oito anos."
Lula afirmou que não irá deixar a política. "Deixar de fazer política, para mim, seria o mesmo que deixar de me alimentar ou respirar. Não, essa hipótese de abandonar a política não existe. Eu não posso jogar pela janela a experiência acumulada de fazer um governo que é considerado muito bem-sucedido. Quero levar a países pobres, da América Latina e da África, os modelos que nós construímos de combinar o crescimento econômico com políticas eficazes de transferência de renda. Sinto-me com bastante energia para continuar atuando no sentido de contribuir para a construção de nações prósperas, com povos que vivam em liberdade e com justiça social."
Ele prometeu atuar dentro do PT e em aliança com vários outros para viabilizar as reformas política e tributária. "Essas são questões urgentes e mais afetas aos partidos e ao Congresso do que ao governo federal. Pretendo ainda viajar por esse país, repetindo, de certa maneira, as caravanas da cidadania realizadas entre 1991 e 1994, quando percorri 91 mil quilômetros de Brasil. Quero verificar o que nós construímos nestes oito anos de mandato, divulgar o que é pouco divulgado, mostrar esse novo Brasil pujante, de gente que passou a se alimentar, que foi integrada à cidadania, esse Brasil que acredita no amanhã."
Fonte: Folha/SP
COMO SUPORTAR O VAZIO?
Carlos Chagas
Declarou o presidente Lula, ontem, no seu programa semanal de rádio, que governar foi gostoso demais. Depois, no café da manhã com os repórteres credenciados no palácio do Planalto, repetiu a mesma coisa. Tratou-se de um lamento.
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É natural que o Lula venha a sentir-se como peixe fora d’água a partir do próximo sábado. Feliz, mas desconfortável. Não se livrará tão cedo do assédio da imprensa, muito menos dos correligionários, dos curiosos e dos chatos. Só que não terá o que fazer, ao menos nos primeiros tempos. Se vai percorrer o país como presidente de honra do PT, é fácil falar mas difícil de realizar. Parece que desistiu de criar uma fundação com o seu nome, endereço, telefone e escritório. Para o exterior, em férias, não irá, ainda que possa passar não mais do que duas semanas numa praia do Nordeste ou numa fazenda do Pantanal.�
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Problemas financeiros não terá. Além da aposentadoria de ex-presidente da República, conseguiu economizar bastante os proventos dos últimos oito anos. Mas como preencher o vazio?
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Nessa hora, a saída para o Lula será seguir o exemplo de Juscelino Kubitschek, sem necessidade de eleger-se senador em eleições suplementares, já que seus adversários não estarão fazendo-o de alvo. Mas preparar a volta ao poder será a solução. Só que com um problema: JK viu-se sucedido por um quase desafeto. Nenhum compromisso tinha com Jânio Quadros e, assim, estabeleceu uma espécie de confronto com ele. Logo depois, com João Goulart, recusou maiores aproximações, sustentando cada vez mais a volta em 1965. Tinha até escritório eleitoral, ainda em 1962. Os fados desarrumaram tudo. Depois de cassado pelo movimento militar, aliás, injustamente, comeu o pão que o diabo amassou.
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O ainda presidente elegeu a sucessora, não poderá mostrar-se como alternativa para quem promete dar continuidade às suas realizações. Até tem declarado que Dilma Rousseff tem direito à reeleição. Mas se não preencher o futuro com sua candidatura a retornar ao poder, dificilmente suportará o vazio.�
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SAPOS E URUBUS
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Dilma Rousseff engoliu montes de sapos, ao constituir seu ministério. Convidou quem não conhecia, talvez até quem não queria, em nome da harmonia em sua base partidária. Adiantou?
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De jeito nenhum, porque no PT, no PMDB, no PSB e penduricalhos, registram-se amuos, idiossincrasias e até ameaças por parte dos descontentes. Dos frustrados pela impossibilidade de terem sido escolhidos ou de emplacar representantes dos diversos grupos em que se dividem as legendas.
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Por enquanto as escaramuças não se transformaram em guerrilha, já que falta preencher centenas de cargos no segundo escalão, em cima dos quais os urubus continuam voando. Mas será questão de tempo até que os ressentidos mostrem garras e presas.
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Muita gente diz que melhor teria feito a presidente eleita se compusesse o ministério de seus sonhos, sem interferências partidárias. Poderia ter sido pior, no caso, mas não adianta lamentar o leite derramado. A partir de sua posse, ela terá condições de demonstrar a inocuidade das pressões recebidas, enquadrando em especial os ministros caídos de paraquedas em seu governo. Bem como de demonstrar ao Congresso quem manda no país. Convém aguardar.
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NADA DE CONSTITUINTE EXCLUSIVA
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Aguarda-se a apresentação do plano de governo de Dilma Rousseff, capaz de ser esboçado em seu discurso de posse, mas, certamente, só divulgado em detalhes nos dias seguintes.
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Dos muitos balões de ensaio verificados durante a campanha e até agora, alguns murcharam, como o da criação dos ministérios da Pequena e Média Empresa, dos Aeroportos e até da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
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Uma proposta, porém, além de murchar, lambeu, quer dizer, pegou fogo sem deixar sequer as cinzas: o novo governo não proporá e nem apoiará a tese da Constituinte Exclusiva para a realização da reforma política. Caberá ao Congresso, se quiser e se puder, promover as mudanças necessárias nas instituições eleitorais e partidárias.
Dilma não cruzará os braços, como fizeram Fernando Henrique e o próprio Lula. Terá opiniões a transmitir e a defender no Legislativo, através de seus líderes. Não apoiará, no entanto, essa esdrúxula proposta da eleição de constituintes encarregados apenas de promover o elenco de alterações necessárias ao bom funcionamento das instituições políticas. Seria embaralhar atribuições.
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OS LÍDERES DO GOVERNO
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Nessa briga de foice em quarto escuro pelas vagas de ministro e de candidatos ao segundo escalão, pouco ou nada se tem falado a respeito de quem Dilma Rousseff escolherá para líderes do governo na Câmara e no Senado. Como o novo Congresso só se instala em fevereiro, sendo janeiro mês de recesso, é possível que tudo continue como está.
Sem dúvidas, a nova presidente consultará o vice Michel Temer, os presidentes dos partidos da base oficial e os ministros mais diretamente ligados às questões políticas. Uma coisa, porém, parece certa: Romero Jucá não continuará no Senado. Para bom entendedor…
Carlos Chagas
Declarou o presidente Lula, ontem, no seu programa semanal de rádio, que governar foi gostoso demais. Depois, no café da manhã com os repórteres credenciados no palácio do Planalto, repetiu a mesma coisa. Tratou-se de um lamento.
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É natural que o Lula venha a sentir-se como peixe fora d’água a partir do próximo sábado. Feliz, mas desconfortável. Não se livrará tão cedo do assédio da imprensa, muito menos dos correligionários, dos curiosos e dos chatos. Só que não terá o que fazer, ao menos nos primeiros tempos. Se vai percorrer o país como presidente de honra do PT, é fácil falar mas difícil de realizar. Parece que desistiu de criar uma fundação com o seu nome, endereço, telefone e escritório. Para o exterior, em férias, não irá, ainda que possa passar não mais do que duas semanas numa praia do Nordeste ou numa fazenda do Pantanal.�
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Problemas financeiros não terá. Além da aposentadoria de ex-presidente da República, conseguiu economizar bastante os proventos dos últimos oito anos. Mas como preencher o vazio?
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Nessa hora, a saída para o Lula será seguir o exemplo de Juscelino Kubitschek, sem necessidade de eleger-se senador em eleições suplementares, já que seus adversários não estarão fazendo-o de alvo. Mas preparar a volta ao poder será a solução. Só que com um problema: JK viu-se sucedido por um quase desafeto. Nenhum compromisso tinha com Jânio Quadros e, assim, estabeleceu uma espécie de confronto com ele. Logo depois, com João Goulart, recusou maiores aproximações, sustentando cada vez mais a volta em 1965. Tinha até escritório eleitoral, ainda em 1962. Os fados desarrumaram tudo. Depois de cassado pelo movimento militar, aliás, injustamente, comeu o pão que o diabo amassou.
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O ainda presidente elegeu a sucessora, não poderá mostrar-se como alternativa para quem promete dar continuidade às suas realizações. Até tem declarado que Dilma Rousseff tem direito à reeleição. Mas se não preencher o futuro com sua candidatura a retornar ao poder, dificilmente suportará o vazio.�
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SAPOS E URUBUS
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Dilma Rousseff engoliu montes de sapos, ao constituir seu ministério. Convidou quem não conhecia, talvez até quem não queria, em nome da harmonia em sua base partidária. Adiantou?
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De jeito nenhum, porque no PT, no PMDB, no PSB e penduricalhos, registram-se amuos, idiossincrasias e até ameaças por parte dos descontentes. Dos frustrados pela impossibilidade de terem sido escolhidos ou de emplacar representantes dos diversos grupos em que se dividem as legendas.
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Por enquanto as escaramuças não se transformaram em guerrilha, já que falta preencher centenas de cargos no segundo escalão, em cima dos quais os urubus continuam voando. Mas será questão de tempo até que os ressentidos mostrem garras e presas.
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Muita gente diz que melhor teria feito a presidente eleita se compusesse o ministério de seus sonhos, sem interferências partidárias. Poderia ter sido pior, no caso, mas não adianta lamentar o leite derramado. A partir de sua posse, ela terá condições de demonstrar a inocuidade das pressões recebidas, enquadrando em especial os ministros caídos de paraquedas em seu governo. Bem como de demonstrar ao Congresso quem manda no país. Convém aguardar.
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NADA DE CONSTITUINTE EXCLUSIVA
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Aguarda-se a apresentação do plano de governo de Dilma Rousseff, capaz de ser esboçado em seu discurso de posse, mas, certamente, só divulgado em detalhes nos dias seguintes.
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Dos muitos balões de ensaio verificados durante a campanha e até agora, alguns murcharam, como o da criação dos ministérios da Pequena e Média Empresa, dos Aeroportos e até da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
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Uma proposta, porém, além de murchar, lambeu, quer dizer, pegou fogo sem deixar sequer as cinzas: o novo governo não proporá e nem apoiará a tese da Constituinte Exclusiva para a realização da reforma política. Caberá ao Congresso, se quiser e se puder, promover as mudanças necessárias nas instituições eleitorais e partidárias.
Dilma não cruzará os braços, como fizeram Fernando Henrique e o próprio Lula. Terá opiniões a transmitir e a defender no Legislativo, através de seus líderes. Não apoiará, no entanto, essa esdrúxula proposta da eleição de constituintes encarregados apenas de promover o elenco de alterações necessárias ao bom funcionamento das instituições políticas. Seria embaralhar atribuições.
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OS LÍDERES DO GOVERNO
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Nessa briga de foice em quarto escuro pelas vagas de ministro e de candidatos ao segundo escalão, pouco ou nada se tem falado a respeito de quem Dilma Rousseff escolherá para líderes do governo na Câmara e no Senado. Como o novo Congresso só se instala em fevereiro, sendo janeiro mês de recesso, é possível que tudo continue como está.
Sem dúvidas, a nova presidente consultará o vice Michel Temer, os presidentes dos partidos da base oficial e os ministros mais diretamente ligados às questões políticas. Uma coisa, porém, parece certa: Romero Jucá não continuará no Senado. Para bom entendedor…
Política
Coisas públicas
Do blog de Daniel Piza
Uma das coisas curiosas nesses oito anos de governo Lula foi a ginástica verbal que aqueles que se dizem "de esquerda", que durante duas décadas sonharam com a chegada da classe operária ao Planalto, fazem para justificar os elogios a um tipo de gestão que tanto condenavam.
Lula manteve o modelo econômico do antecessor, que antes classificava erroneamente de "neoliberal", em todos os aspectos: meta de inflação, câmbio livre, reservas financeiras, estímulos ao consumo, juros relativos entre os maiores do mundo, busca de graus melhores nas agências de risco; nenhuma privatização cancelada ou sequer investigada, e até alguns bancos estatais vendidos.
Estatizações? Poucas. Reforma agrária? Longe disso. Protecionismo maior? Não, mesmo com aumento do déficit externo. Transferência de renda? Os ricos nunca estiveram tão ricos. Leia mais em Coisas públicas
Blog do Noblat
Coisas públicas
Do blog de Daniel Piza
Uma das coisas curiosas nesses oito anos de governo Lula foi a ginástica verbal que aqueles que se dizem "de esquerda", que durante duas décadas sonharam com a chegada da classe operária ao Planalto, fazem para justificar os elogios a um tipo de gestão que tanto condenavam.
Lula manteve o modelo econômico do antecessor, que antes classificava erroneamente de "neoliberal", em todos os aspectos: meta de inflação, câmbio livre, reservas financeiras, estímulos ao consumo, juros relativos entre os maiores do mundo, busca de graus melhores nas agências de risco; nenhuma privatização cancelada ou sequer investigada, e até alguns bancos estatais vendidos.
Estatizações? Poucas. Reforma agrária? Longe disso. Protecionismo maior? Não, mesmo com aumento do déficit externo. Transferência de renda? Os ricos nunca estiveram tão ricos. Leia mais em Coisas públicas
Blog do Noblat
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Aumentar ou reduzir o consumo?
Carlos Chagas
Mestre Hélio Fernandes, mais uma vez, acertou na mosca: para evitar a crise, Barack Obama colocou mais 600 bilhões de dólares no mercado. Pelos mesmo motivos, Henrique Meirelles tirou de circulação 61 bilhões de reais. Lá, a estratégia é aumentar o consumo. Aqui, reduzi-lo.
Some-se à nossa política restritiva as sucessivas ameaças de Guido Mantega, que continuará na Fazenda promete cortes nos investimentos, diminuição de gastos públicos essenciais, ajuste fiscal e até a possibilidade de aumento de impostos.
Alguém anda pisando no tomate e, pelo jeito, não é o presidente americano. A principal alegação para a popularidade do presidente Lula repousa na inclusão de milhões de cidadãos na sociedade de consumo. Quem jamais possuiu um fogareiro agora compra fogões, geladeiras, máquinas de lavar e aparelhos de televisão. Muitos que viajavam de trem e de metrô adquiriram automóveis, mesmo usados, em prestações a perder de vista. Os que iam de ônibus vão de avião. Aqueles acostumados a duas refeições por dia fazem três.
Se a estratégia é reduzir o consumo, a redução atingirá primeiro os emergentes. Junto com a impopularidade previsível para o novo governo e a nova presidente da República. Dá para entender?
PREMONIÇÃO
Coincidência ou não, o presidente Lula foi vaiado pelos estudantes da Universidade de Brasília, segunda-feira, ao inaugurar um pavilhão que homenageia a memória de Darcy Ribeiro. A prioridade, para os jovens, era outra, numa instituição que cada dia mais deixa a desejar. Não passou recibo, o primeiro-companheiro, acompanhado do presidente do Uruguai. Sem referir-se aos apupos, ateve-se ao texto do discurso preparado antes, surpreendendo pela falta de seus peculiares improvisos. Raríssimas vezes nos últimos oito anos o Lula recebeu vaias. Estariam os estudantes reagindo às medidas de contenção anunciadas pela equipe econômica de Dilma Rousseff?
CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONTEÚDO
Aferram-se os meios de comunicação na defesa da proibição constitucional de restrições à liberdade de expressão do pensamento. Nada mais justo e necessário. Censura, nunca mais! Anuncia-se estar o poder público, também pela Constituição, buscando mecanismos para evitar excessos e abusos praticados através da mídia. Fala-se numa agência a ser criada, composta e mantida pelo Poder Executivo, com a função de analisar e determinar punições para abusos e excessos. Sempre a posteriori, depois das matérias divulgadas, para não exprimir atentado ao conteúdo jornalístico.
Mas quem garante que depois de sucessivas multas, suspensões e até cassação de concessões, os meios de comunicação não venham a suprimir determinado tipo de matéria descritiva ou opinativa que desagrade aqueles a quem coube aplicar as punições? Estará o conteúdo, então, sofrendo restrições. Solução, mesmo, para evitar o mau uso dos meios de comunicação, só pode estar no Poder Judiciário. Estimular preconceitos de raça, classe ou religião, induzir ao crime, à violência e ao tóxico, contrariar os bons costumes, ofender a honra alheia – tudo isso precisa ser punido, depois de acontecido. Mas apenas por decisão da Justiça.
UM VERBO PERNICIOSO
Volta à moda o verbo “refundar”, aliás, um atentado à semântica. Porque se uma determinada instituição vai ser “refundada”, é porque deixou de existir a que foi “fundada”. A palavra certa seria reformar. Ou então fundar outra instituição.
O raciocínio vale para os partidos políticos, no caso, para o PSDB. Seus líderes, a começar pelos luminares, os portadores de mil diplomas, estão falando em “refundá-lo”. Com todo o respeito, uma bobagem, até porque como seria o novo ninho tucano? Adotaria agora, ou deixaria sair pelo ralo, se já adotada, a social-democracia? No máximo deveriam ser revistos o programa e os estatutos do PSDB, bem como renovada sua direção. Ou, então, programe-se o enterro do partido e providencie-se a troca ornitológica: em vez de tucanos, a Fênix…
Mestre Hélio Fernandes, mais uma vez, acertou na mosca: para evitar a crise, Barack Obama colocou mais 600 bilhões de dólares no mercado. Pelos mesmo motivos, Henrique Meirelles tirou de circulação 61 bilhões de reais. Lá, a estratégia é aumentar o consumo. Aqui, reduzi-lo.
Some-se à nossa política restritiva as sucessivas ameaças de Guido Mantega, que continuará na Fazenda promete cortes nos investimentos, diminuição de gastos públicos essenciais, ajuste fiscal e até a possibilidade de aumento de impostos.
Alguém anda pisando no tomate e, pelo jeito, não é o presidente americano. A principal alegação para a popularidade do presidente Lula repousa na inclusão de milhões de cidadãos na sociedade de consumo. Quem jamais possuiu um fogareiro agora compra fogões, geladeiras, máquinas de lavar e aparelhos de televisão. Muitos que viajavam de trem e de metrô adquiriram automóveis, mesmo usados, em prestações a perder de vista. Os que iam de ônibus vão de avião. Aqueles acostumados a duas refeições por dia fazem três.
Se a estratégia é reduzir o consumo, a redução atingirá primeiro os emergentes. Junto com a impopularidade previsível para o novo governo e a nova presidente da República. Dá para entender?
PREMONIÇÃO
Coincidência ou não, o presidente Lula foi vaiado pelos estudantes da Universidade de Brasília, segunda-feira, ao inaugurar um pavilhão que homenageia a memória de Darcy Ribeiro. A prioridade, para os jovens, era outra, numa instituição que cada dia mais deixa a desejar. Não passou recibo, o primeiro-companheiro, acompanhado do presidente do Uruguai. Sem referir-se aos apupos, ateve-se ao texto do discurso preparado antes, surpreendendo pela falta de seus peculiares improvisos. Raríssimas vezes nos últimos oito anos o Lula recebeu vaias. Estariam os estudantes reagindo às medidas de contenção anunciadas pela equipe econômica de Dilma Rousseff?
CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONTEÚDO
Aferram-se os meios de comunicação na defesa da proibição constitucional de restrições à liberdade de expressão do pensamento. Nada mais justo e necessário. Censura, nunca mais! Anuncia-se estar o poder público, também pela Constituição, buscando mecanismos para evitar excessos e abusos praticados através da mídia. Fala-se numa agência a ser criada, composta e mantida pelo Poder Executivo, com a função de analisar e determinar punições para abusos e excessos. Sempre a posteriori, depois das matérias divulgadas, para não exprimir atentado ao conteúdo jornalístico.
Mas quem garante que depois de sucessivas multas, suspensões e até cassação de concessões, os meios de comunicação não venham a suprimir determinado tipo de matéria descritiva ou opinativa que desagrade aqueles a quem coube aplicar as punições? Estará o conteúdo, então, sofrendo restrições. Solução, mesmo, para evitar o mau uso dos meios de comunicação, só pode estar no Poder Judiciário. Estimular preconceitos de raça, classe ou religião, induzir ao crime, à violência e ao tóxico, contrariar os bons costumes, ofender a honra alheia – tudo isso precisa ser punido, depois de acontecido. Mas apenas por decisão da Justiça.
UM VERBO PERNICIOSO
Volta à moda o verbo “refundar”, aliás, um atentado à semântica. Porque se uma determinada instituição vai ser “refundada”, é porque deixou de existir a que foi “fundada”. A palavra certa seria reformar. Ou então fundar outra instituição.
O raciocínio vale para os partidos políticos, no caso, para o PSDB. Seus líderes, a começar pelos luminares, os portadores de mil diplomas, estão falando em “refundá-lo”. Com todo o respeito, uma bobagem, até porque como seria o novo ninho tucano? Adotaria agora, ou deixaria sair pelo ralo, se já adotada, a social-democracia? No máximo deveriam ser revistos o programa e os estatutos do PSDB, bem como renovada sua direção. Ou, então, programe-se o enterro do partido e providencie-se a troca ornitológica: em vez de tucanos, a Fênix…
Um novo sistema partidário?
"E se todas as fusões partidárias discutidas acontecessem de verdade? Quais seriam as suas consequências práticas?"
Rogério Schmitt*
Dediquei a maior parte da minha carreira acadêmica ao estudo do papel dos partidos no nosso sistema político. Depois que passei a trabalhar com consultoria no setor privado, continuei analisando (ainda mais de perto) a consolidação do sistema partidário brasileiro. Sem falsa modéstia, posso dizer que entendo bem desse assunto. Por isso, não resisti à tentação e resolvi revisitar a questão partidária na atual conjuntura.
Desde o fim das eleições presidenciais, venho acompanhando com bastante interesse as notícias sobre o que seria uma iminente e generalizada reorganização dos nossos partidos políticos. Se todos esses relatos fossem verdadeiros, não sobraria pedra sobre pedra.
O PT poderia incorporar os seus aliados tradicionais (PSB, PDT e PCdoB). Os partidos de oposição (PSDB, DEM e PPS) poderiam se fundir numa única sigla. O PMDB lideraria um "blocão" com outros partidos centristas (PTB, PP, PR e PSC). Alguns chegam até a mencionar uma possível incorporação do DEM ao PMDB. E como poderia me esquecer do emergente bloco parlamentar dos "nanicos" (PRTB, PRP, PTC e PSL)?
Já tenho tempo suficiente de janela para saber que essas notícias sobre fusões e incorporações de partidos são blefes típicos do período que vai da eleição presidencial até a posse do novo governo. Ao longo dessas semanas, o que as legendas estão realmente buscando é aumentar o seu cacife político, seja para participar do governo (no primeiro ou no segundo escalões), seja para influenciar a composição das comissões do Congresso na legislatura seguinte. Na melhor das hipóteses, as supostas fusões acabam se convertendo em meros blocos parlamentares. É como se a montanha parisse um rato.
Portanto, sou extremamente cético em relação à viabilidade do surgimento de um novo sistema partidário - composto por menos partidos e/ou por partidos programaticamente mais homogêneos. Essa não foi a primeira, e certamente não será a última vez, em que o tema frequentará as manchetes dos jornais.
Por outro lado, apesar de todo o meu racionalismo, devo confessar que, desta vez, me permiti usar um pouco mais a minha imaginação. Decidi levar a sério uma hipótese: e se todas essas fusões partidárias acontecessem de verdade? Em outras palavras, quais seriam as suas consequências práticas?
Ao explorar mentalmente essa "realidade alternativa", consegui visualizar a formação de um sistema partidário totalmente novo - composto por duas grandes frentes partidárias. Seria uma espécie de bipartidarismo informal. No campo da centro-esquerda, um bloco liderado pelo PT - ao qual se agregariam os seus aliados tradicionais e mais alguns convidados (PV? PPS?). No campo da centro-direita, um bloco liderado pelo PMDB - e reforçado pelas outras siglas do suposto "blocão" e pelo DEM.
E não é que a coisa até parece fazer algum sentido, inclusive do ponto de vista ideológico? De fato, esses são os dois blocos que darão sustentação ao governo Dilma. E ambos teriam força política suficiente para apresentar candidatos competitivos na eleição presidencial de 2014.
O único problema desse "mundo paralelo" seria em qual dos blocos encaixar o PSDB. Na minha imaginação, tive mais facilidade para enxergar os tucanos caminhando para o lado do bloco petista (de centro-esquerda) do que para o bloco peemedebista (de centro-direita). As lideranças dos dois partidos - ambas surgidas na oposição de esquerda ao regime militar - estariam enfim reunificadas.
Será que exagerei na minha "viagem"? Acho melhor voltar correndo para o meu ceticismo original!
* Consultor político, com doutorado em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Foi professor da Universidade de São Paulo (USP), da PUC-SP e da Fesp-SP. Publicou o livro Partidos políticos do Brasil: 1945-2000 (Jorge Zahar Editor, 2000) e co-organizou a coletânea Partidos e coligações eleitorais no Brasil (Unesp/Fundação Konrad Adenauer, 2005).
Fonte: O Congresso em Foco
Rogério Schmitt*
Dediquei a maior parte da minha carreira acadêmica ao estudo do papel dos partidos no nosso sistema político. Depois que passei a trabalhar com consultoria no setor privado, continuei analisando (ainda mais de perto) a consolidação do sistema partidário brasileiro. Sem falsa modéstia, posso dizer que entendo bem desse assunto. Por isso, não resisti à tentação e resolvi revisitar a questão partidária na atual conjuntura.
Desde o fim das eleições presidenciais, venho acompanhando com bastante interesse as notícias sobre o que seria uma iminente e generalizada reorganização dos nossos partidos políticos. Se todos esses relatos fossem verdadeiros, não sobraria pedra sobre pedra.
O PT poderia incorporar os seus aliados tradicionais (PSB, PDT e PCdoB). Os partidos de oposição (PSDB, DEM e PPS) poderiam se fundir numa única sigla. O PMDB lideraria um "blocão" com outros partidos centristas (PTB, PP, PR e PSC). Alguns chegam até a mencionar uma possível incorporação do DEM ao PMDB. E como poderia me esquecer do emergente bloco parlamentar dos "nanicos" (PRTB, PRP, PTC e PSL)?
Já tenho tempo suficiente de janela para saber que essas notícias sobre fusões e incorporações de partidos são blefes típicos do período que vai da eleição presidencial até a posse do novo governo. Ao longo dessas semanas, o que as legendas estão realmente buscando é aumentar o seu cacife político, seja para participar do governo (no primeiro ou no segundo escalões), seja para influenciar a composição das comissões do Congresso na legislatura seguinte. Na melhor das hipóteses, as supostas fusões acabam se convertendo em meros blocos parlamentares. É como se a montanha parisse um rato.
Portanto, sou extremamente cético em relação à viabilidade do surgimento de um novo sistema partidário - composto por menos partidos e/ou por partidos programaticamente mais homogêneos. Essa não foi a primeira, e certamente não será a última vez, em que o tema frequentará as manchetes dos jornais.
Por outro lado, apesar de todo o meu racionalismo, devo confessar que, desta vez, me permiti usar um pouco mais a minha imaginação. Decidi levar a sério uma hipótese: e se todas essas fusões partidárias acontecessem de verdade? Em outras palavras, quais seriam as suas consequências práticas?
Ao explorar mentalmente essa "realidade alternativa", consegui visualizar a formação de um sistema partidário totalmente novo - composto por duas grandes frentes partidárias. Seria uma espécie de bipartidarismo informal. No campo da centro-esquerda, um bloco liderado pelo PT - ao qual se agregariam os seus aliados tradicionais e mais alguns convidados (PV? PPS?). No campo da centro-direita, um bloco liderado pelo PMDB - e reforçado pelas outras siglas do suposto "blocão" e pelo DEM.
E não é que a coisa até parece fazer algum sentido, inclusive do ponto de vista ideológico? De fato, esses são os dois blocos que darão sustentação ao governo Dilma. E ambos teriam força política suficiente para apresentar candidatos competitivos na eleição presidencial de 2014.
O único problema desse "mundo paralelo" seria em qual dos blocos encaixar o PSDB. Na minha imaginação, tive mais facilidade para enxergar os tucanos caminhando para o lado do bloco petista (de centro-esquerda) do que para o bloco peemedebista (de centro-direita). As lideranças dos dois partidos - ambas surgidas na oposição de esquerda ao regime militar - estariam enfim reunificadas.
Será que exagerei na minha "viagem"? Acho melhor voltar correndo para o meu ceticismo original!
* Consultor político, com doutorado em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Foi professor da Universidade de São Paulo (USP), da PUC-SP e da Fesp-SP. Publicou o livro Partidos políticos do Brasil: 1945-2000 (Jorge Zahar Editor, 2000) e co-organizou a coletânea Partidos e coligações eleitorais no Brasil (Unesp/Fundação Konrad Adenauer, 2005).
Fonte: O Congresso em Foco
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Tá no Portal de Luis Nassif
INFLAÇÃO À VISTA
Por causa das ações policiais no Rio de Janeiro ( ocupação do complexo de favelas do Alemão ) a inflação disparou.
Isso mesmo, as drogas agora, somente encontradas no câmbio negro estão com um acréscimo de até 1.200 %
Enquanto isso o movimento cresceu no Estados vizinhos ao Rio de Janeiro - São Paulo - Minas Gerais - Paraná e
Mato Grosso do Sul, estão recebendo consumidores de drogas oriundos do RJ.
Isso esta alavancando um movimento recorde nas transações drogas / armas
Espera-se das autoridades competentes uma reação imediata para conter o preço abusivo cometido pelos traficantes.
Transcrito do Jornal " Diário da Tarde - Colômbia 26/11 )
Por causa das ações policiais no Rio de Janeiro ( ocupação do complexo de favelas do Alemão ) a inflação disparou.
Isso mesmo, as drogas agora, somente encontradas no câmbio negro estão com um acréscimo de até 1.200 %
Enquanto isso o movimento cresceu no Estados vizinhos ao Rio de Janeiro - São Paulo - Minas Gerais - Paraná e
Mato Grosso do Sul, estão recebendo consumidores de drogas oriundos do RJ.
Isso esta alavancando um movimento recorde nas transações drogas / armas
Espera-se das autoridades competentes uma reação imediata para conter o preço abusivo cometido pelos traficantes.
Transcrito do Jornal " Diário da Tarde - Colômbia 26/11 )
GUERRA AO NARCOTRÁFICO
Tráfico usou serviços públicos para sair com armas do Alemão
Os serviços públicos, como coleta de lixo e obras de saneamento, foram usados por traficantes que conseguiram fugir por galerias pluviais do Complexo do Alemão e também por bandidos que ainda se escondem na favela, de onde tentam retirar armas, munição e drogas. Policiais e militares acharam no lixo, ontem, um fuzil, carregadores e munições para fuzis 762 e 556, a1ém de duas granadas, um sinalizador e um caderno da contabilidade do tráfico. A polícia também descobriu o trecho da galeria pluvial que traficantes usaram, segundo testemunhas, para fugir do Complexo do Alemão. Por essa tubulação, teriam escapado ainda na noite de sábado os chefes do tráfico Fabiano Atanázio da Silva, o FB, e Paulo Roberto de Souza Paz, o Mica. Eles teriam deixado o esconderijo com mais 50 bandidos, todos armados de fuzis, em direção ao Morro do Adeus, que fica bem em frente. De lá, teriam partido para outras comunidades. Como o GLOBO mostrou anteontem, bandidos destruíram a tampa que cobria a rede pluvial na Rua Joaquim de Queiroz, escapando por baixo da Estrada do Itararé, onde forças de segurança se preparavam para o que se temia ser um banho de sangue. E assim, tal como a Batalha do Itararé paulista, na Revolução de 30, a do Alemão também não houve.
Polícia investiga desvios de drogas e dinheiro
A cúpula de Segurança do Rio investiga o envolvimento de policiais no desvio de dinheiro, drogas e armas apreendidas, além de facilitação de fuga de traficantes. As polícias Militar e Civil, cujos contingentes somam 1.600 homens, não relataram nenhuma apreensão de dinheiro. A Polícia Federal, que atua com 300 homens, anunciou ter recolhido R$ 39.850, segundo informou. O Exército, que tem 800 soldados, relatou R$ 106 mil. Suspeita-se que dinheiro tenha saído das favelas em mochilas, enquanto carros foram usados para levar outros pertences.
Tudo isso é Complexo
Complexo não é só a palavra que define a região que concentra dezenas de favelas no Rio. O termo também reflete o emaranhado de acusações e problemas.
Moradores citam policiais ligados a milícias e constrangendo mulheres, porcos comendo corpos e traficantes pagando para fugir, relata Plínio Fraga (Folha de São Paulo).
Exército pode ficar no Rio até a Copa e atuar em outras capitais
As Forças Armadas serão usadas na segurança pública do Rio até pelo menos a Copa de 2014, informa a repórter Bruno Paes Manso. Foi o que ficou definido em reunião da presidente eleita Dilma Rousseff com o governador do Rio, Sergio Cabral, o vice, Luiz Fernando Pezão, e o futuro ministro Antonio Palocci (Casa Civil). Além disso, há a possibilidade de replicar a ação militar que liberou a Complexo do Alemão em outras capitais do Brasil com problemas semelhantes.
Tropas querem nova missão bem definida
O governo do Rio de Janeiro se reúne hoje para discutir o prosseguimento da operação de ocupação de favelas. As Forças Armadas querem saber exatamente por quanto tempo terão de atuar, para definir o tipo e a quantidade de soldados empregados. O ministro Nelson Jobim (Defesa) está orientando as providências. Para vencer resistências jurídicas e atender ao apelo da sociedade, ele avisou que é preciso “romper paradigmas”.
Tranquilidade no Alemão e medo na Baixada
Moradores de Duque de Caxias viram pelo menos três vans lotadas de bandidos fugidos do Alemão e temem que outros marginais migrem para o município, onde o governo estadual já promete ocupar comunidades com as Unidades de Polícia Pacificadora.
O pó que vai virar pó
A quantidade de drogas apreendidas até ontem no A1emão impressiona. São 33 toneladas de maconha, 225 quilos de cocaína, 37 quilos de crack e muito lança-perfume. Só o que já foi periciado pela polícia. Vão virar cinzas na CSN.
FONTE: Blog do Mirandasá
Os serviços públicos, como coleta de lixo e obras de saneamento, foram usados por traficantes que conseguiram fugir por galerias pluviais do Complexo do Alemão e também por bandidos que ainda se escondem na favela, de onde tentam retirar armas, munição e drogas. Policiais e militares acharam no lixo, ontem, um fuzil, carregadores e munições para fuzis 762 e 556, a1ém de duas granadas, um sinalizador e um caderno da contabilidade do tráfico. A polícia também descobriu o trecho da galeria pluvial que traficantes usaram, segundo testemunhas, para fugir do Complexo do Alemão. Por essa tubulação, teriam escapado ainda na noite de sábado os chefes do tráfico Fabiano Atanázio da Silva, o FB, e Paulo Roberto de Souza Paz, o Mica. Eles teriam deixado o esconderijo com mais 50 bandidos, todos armados de fuzis, em direção ao Morro do Adeus, que fica bem em frente. De lá, teriam partido para outras comunidades. Como o GLOBO mostrou anteontem, bandidos destruíram a tampa que cobria a rede pluvial na Rua Joaquim de Queiroz, escapando por baixo da Estrada do Itararé, onde forças de segurança se preparavam para o que se temia ser um banho de sangue. E assim, tal como a Batalha do Itararé paulista, na Revolução de 30, a do Alemão também não houve.
Polícia investiga desvios de drogas e dinheiro
A cúpula de Segurança do Rio investiga o envolvimento de policiais no desvio de dinheiro, drogas e armas apreendidas, além de facilitação de fuga de traficantes. As polícias Militar e Civil, cujos contingentes somam 1.600 homens, não relataram nenhuma apreensão de dinheiro. A Polícia Federal, que atua com 300 homens, anunciou ter recolhido R$ 39.850, segundo informou. O Exército, que tem 800 soldados, relatou R$ 106 mil. Suspeita-se que dinheiro tenha saído das favelas em mochilas, enquanto carros foram usados para levar outros pertences.
Tudo isso é Complexo
Complexo não é só a palavra que define a região que concentra dezenas de favelas no Rio. O termo também reflete o emaranhado de acusações e problemas.
Moradores citam policiais ligados a milícias e constrangendo mulheres, porcos comendo corpos e traficantes pagando para fugir, relata Plínio Fraga (Folha de São Paulo).
Exército pode ficar no Rio até a Copa e atuar em outras capitais
As Forças Armadas serão usadas na segurança pública do Rio até pelo menos a Copa de 2014, informa a repórter Bruno Paes Manso. Foi o que ficou definido em reunião da presidente eleita Dilma Rousseff com o governador do Rio, Sergio Cabral, o vice, Luiz Fernando Pezão, e o futuro ministro Antonio Palocci (Casa Civil). Além disso, há a possibilidade de replicar a ação militar que liberou a Complexo do Alemão em outras capitais do Brasil com problemas semelhantes.
Tropas querem nova missão bem definida
O governo do Rio de Janeiro se reúne hoje para discutir o prosseguimento da operação de ocupação de favelas. As Forças Armadas querem saber exatamente por quanto tempo terão de atuar, para definir o tipo e a quantidade de soldados empregados. O ministro Nelson Jobim (Defesa) está orientando as providências. Para vencer resistências jurídicas e atender ao apelo da sociedade, ele avisou que é preciso “romper paradigmas”.
Tranquilidade no Alemão e medo na Baixada
Moradores de Duque de Caxias viram pelo menos três vans lotadas de bandidos fugidos do Alemão e temem que outros marginais migrem para o município, onde o governo estadual já promete ocupar comunidades com as Unidades de Polícia Pacificadora.
O pó que vai virar pó
A quantidade de drogas apreendidas até ontem no A1emão impressiona. São 33 toneladas de maconha, 225 quilos de cocaína, 37 quilos de crack e muito lança-perfume. Só o que já foi periciado pela polícia. Vão virar cinzas na CSN.
FONTE: Blog do Mirandasá
Tá no blog de claudiohumberto
A FALTA QUE FAZ O MURRO NA MESA
Por Carlos Chagas
Como se não bastasse essa luta de foice em quarto escuro entre os partidos da base governista, disputando lugares no ministério, revela-se agora uma sub-briga de características ainda mais singulares: engalfinham-se as diversas facções em que o PT se divide. A turma do “Construindo um Novo Brasil”, dizendo-se majoritária, protesta contra a entrega do ministério da Justiça a José Eduardo Cardoso e a perspectiva de se tornarem ministros Fernando Pimentel, Idely Salvatti e Patrus Ananias, entre outros.
Nessa época em que, de trás para a frente, uniram-se até o “Comando Vermelho”, o “Terceiro Comando” e o “Amigos dos Amigos”, felizmente derrotadas as três quadrilhas nos morros do Rio, não deixa de ser irônico que o PT, em vez de unir-se, ofereça o espetáculo de um tiroteio explícito e sem quartel.
O presidente Lula e a sucessora, Dilma Rousseff, parecem estar acima dos diversos grupos do PT, mas insurgem-se com a ambição dos companheiros. O resultado final poderá ser o aparecimento de muito mais ressentidos do que de agradecidos.
Para demonstrar que não apenas o partido oficial se divide, tome-se o PMDB. O governador Sérgio Cabral, posto no alto do prestígio nacional, acaba de vetar a ida de Moreira Franco para o ministério. Ignora-se a reação da presidente eleita diante da inusitada intervenção, mas o vice-presidente eleito e presidente do partido, Michel Temer, não gostou nem um pouco. Ele é Moreira e não abre, apesar das reverências devidas ao governador fluminense por conta da vitória no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro.
Assim continua a novela da composição da nova equipe de governo, que, vale repetir pela milésima vez, só se resolverá com um murro na mesa, a ser dado por Dilma. Afinal, o sistema é presidencialista, onde só um deveria mandar e os outros, obedecer.
E NÓS, COMO FICAMOS?
Anunciou o ministro do presente e do futuro, Guido Mantega, que continuará por mais um ano a redução do IPI para materiais de construção. Excelente iniciativa, capaz de oxigenar o mercado de trabalho e contribuir para a diminuição do déficit habitacional. O empresariado exultou porque pagar menos imposto nesses tempos bicudos de taxações exorbitantes é um refrigério.
Fica a pergunta, no entanto, sobre que bondades o governo Lula-Dilma poderá fazer para o assalariado de classe média, aquele que só tem se defrontado com maldades, há décadas. Deixando para outro dia discutir se salário é renda, porque não é, apesar da distorção mundial da premissa, que tal a nova equipe econômica preparar alguma boa surpresa para as dezenas de milhões que vivem de salário no país inteiro? As massas menos favorecidas recebem o bolsa-família. As elites vão muito bem, obrigado, envoltas em benesses e privilégios. Mas para o cidadão que paga impostos e se defronta com a precariedade dos serviços públicos, sobra o quê?
MEGALÓPOLIS
eleições de 1945 venceu o general Eurico Dutra porque 80% da população vivia no interior, apenas 20% nas cidades. Hoje, conforme o censo recém-realizado, oito em cada dez brasileiros residem nas cidades. Como ultrapassamos os 190 milhões de habitantes, eis aí a explicação de porque Dilma Rousseff elegeu-se com a maioria do voto urbano. Não demora para que certas regiões, mesmo inter-estaduais como Rio e São Paulo venham constituir-se numa imensa megalópolis. O trem-bala passaria, do começo ao fim de seu trajeto, entre um emaranhado de casas, edifícios, casebres e sucedâneos.
É preciso tomar cuidado. Virou mistificação o discurso da necessidade de fixação do homem no campo. Se ele continua demandando as cidades, com todas as suas agruras, é porque a vida no interior fica sempre pior em matéria de necessidades básicas, a começar pelo emprego, a saúde e a educação.
NÃO FOI À RUA DA ALFÂNDEGA NEM À 25 DE MARÇO
A divulgação de milhares de mensagens reservadas dos embaixadores dos Estados Unidos à Secretaria de Estado revela o despreparo de muitos deles diante da realidade dos países onde serviram. Não dá para aceitar a versão de Clifford Sobel sobre o Brasil vir prendendo, punindo e até expulsando terroristas, ainda que os acusando da prática de outros delitos. Terrorismo, por aqui, só aquele promovido pelos narcotraficantes, jamais com conotações geopolíticas, ideológicas, religiosas ou de berço. O ex-embaixador bem que poderia ter dedicado parte de seu tempo passado entre nós para visitar a rua da Alfândega, no Rio, ou a 25 de Março, em São Paulo, para verificar como é possível conviverem árabes e judeus em ambiente de paz e cordialidade. Como não deu um exemplo sequer da versão enviada para Washington, fica devendo...
Por Carlos Chagas
Como se não bastasse essa luta de foice em quarto escuro entre os partidos da base governista, disputando lugares no ministério, revela-se agora uma sub-briga de características ainda mais singulares: engalfinham-se as diversas facções em que o PT se divide. A turma do “Construindo um Novo Brasil”, dizendo-se majoritária, protesta contra a entrega do ministério da Justiça a José Eduardo Cardoso e a perspectiva de se tornarem ministros Fernando Pimentel, Idely Salvatti e Patrus Ananias, entre outros.
Nessa época em que, de trás para a frente, uniram-se até o “Comando Vermelho”, o “Terceiro Comando” e o “Amigos dos Amigos”, felizmente derrotadas as três quadrilhas nos morros do Rio, não deixa de ser irônico que o PT, em vez de unir-se, ofereça o espetáculo de um tiroteio explícito e sem quartel.
O presidente Lula e a sucessora, Dilma Rousseff, parecem estar acima dos diversos grupos do PT, mas insurgem-se com a ambição dos companheiros. O resultado final poderá ser o aparecimento de muito mais ressentidos do que de agradecidos.
Para demonstrar que não apenas o partido oficial se divide, tome-se o PMDB. O governador Sérgio Cabral, posto no alto do prestígio nacional, acaba de vetar a ida de Moreira Franco para o ministério. Ignora-se a reação da presidente eleita diante da inusitada intervenção, mas o vice-presidente eleito e presidente do partido, Michel Temer, não gostou nem um pouco. Ele é Moreira e não abre, apesar das reverências devidas ao governador fluminense por conta da vitória no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro.
Assim continua a novela da composição da nova equipe de governo, que, vale repetir pela milésima vez, só se resolverá com um murro na mesa, a ser dado por Dilma. Afinal, o sistema é presidencialista, onde só um deveria mandar e os outros, obedecer.
E NÓS, COMO FICAMOS?
Anunciou o ministro do presente e do futuro, Guido Mantega, que continuará por mais um ano a redução do IPI para materiais de construção. Excelente iniciativa, capaz de oxigenar o mercado de trabalho e contribuir para a diminuição do déficit habitacional. O empresariado exultou porque pagar menos imposto nesses tempos bicudos de taxações exorbitantes é um refrigério.
Fica a pergunta, no entanto, sobre que bondades o governo Lula-Dilma poderá fazer para o assalariado de classe média, aquele que só tem se defrontado com maldades, há décadas. Deixando para outro dia discutir se salário é renda, porque não é, apesar da distorção mundial da premissa, que tal a nova equipe econômica preparar alguma boa surpresa para as dezenas de milhões que vivem de salário no país inteiro? As massas menos favorecidas recebem o bolsa-família. As elites vão muito bem, obrigado, envoltas em benesses e privilégios. Mas para o cidadão que paga impostos e se defronta com a precariedade dos serviços públicos, sobra o quê?
MEGALÓPOLIS
eleições de 1945 venceu o general Eurico Dutra porque 80% da população vivia no interior, apenas 20% nas cidades. Hoje, conforme o censo recém-realizado, oito em cada dez brasileiros residem nas cidades. Como ultrapassamos os 190 milhões de habitantes, eis aí a explicação de porque Dilma Rousseff elegeu-se com a maioria do voto urbano. Não demora para que certas regiões, mesmo inter-estaduais como Rio e São Paulo venham constituir-se numa imensa megalópolis. O trem-bala passaria, do começo ao fim de seu trajeto, entre um emaranhado de casas, edifícios, casebres e sucedâneos.
É preciso tomar cuidado. Virou mistificação o discurso da necessidade de fixação do homem no campo. Se ele continua demandando as cidades, com todas as suas agruras, é porque a vida no interior fica sempre pior em matéria de necessidades básicas, a começar pelo emprego, a saúde e a educação.
NÃO FOI À RUA DA ALFÂNDEGA NEM À 25 DE MARÇO
A divulgação de milhares de mensagens reservadas dos embaixadores dos Estados Unidos à Secretaria de Estado revela o despreparo de muitos deles diante da realidade dos países onde serviram. Não dá para aceitar a versão de Clifford Sobel sobre o Brasil vir prendendo, punindo e até expulsando terroristas, ainda que os acusando da prática de outros delitos. Terrorismo, por aqui, só aquele promovido pelos narcotraficantes, jamais com conotações geopolíticas, ideológicas, religiosas ou de berço. O ex-embaixador bem que poderia ter dedicado parte de seu tempo passado entre nós para visitar a rua da Alfândega, no Rio, ou a 25 de Março, em São Paulo, para verificar como é possível conviverem árabes e judeus em ambiente de paz e cordialidade. Como não deu um exemplo sequer da versão enviada para Washington, fica devendo...
EXTRAIDO DO BLOG O CONGRESSO EM FOCO
Michel Temer, o vice que virou problema
“Como aliado, ele é uma graça. Sem combinar antes com Dilma, assumiu compromisso com aumentos salariais bilionários e não para de defender, às vezes ostensivamente, posições – leia-se: cargos e orçamentos – para o seu partido”
Sylvio Costa*
Dizer que o PMDB e sua notória voracidade por cargos, verbas e outros nacos de poder são neste momento o maior problema político no caminho de Dilma Rousseff é contar parte da história. Para ser preciso, é o presidente nacional do PMDB e vice-presidente da República eleito, Michel Temer, a grande encrenca que Dilma tem enfrentado nas últimas semanas.
Como aliado, Temer é uma graça. Sem ouvir antes Dilma, assumiu com policiais, parlamentares e outras categorias o compromisso de usar seus últimos momentos de presidente da Câmara dos Deputados para aprovar aumentos salariais bilionários, que podem criar um grave problema econômico interno numa conjuntura em que a realidade externa – de recessão e pressão cambial – já é desfavorável. Mostra disposição para brigar se o PMDB, segunda bancada da Câmara, não ficar com a presidência da Casa. E não para de defender, às vezes ostensivamente, posições – leia-se: cargos e orçamentos – para o seu partido, como a manutenção dos seis ministérios já ocupados pelo PMDB (tese descartada por Dilma) ou a indicação do braço direito, Moreira Franco, para o primeiro escalão. Com mais discrição, se articula para influenciar até as escolhas de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e do novo procurador-geral da República (o mandato do atual, Roberto Gurgel, acaba em julho de 2011).
Mais do que nunca, Temer encarna a figura de dirigente máximo do seu partido, cargo que exerce com gosto desde setembro de 2001. São quase dez anos no controle de uma das principais máquinas partidárias do país, e ele parece determinado a mantê-lo em suas mãos. Mais que isso. Dá demonstrações de que chega ao governo com a pretensão de ampliar tanto o seu poder pessoal quanto o do PMDB. Emitiu o primeiro sinal nesse sentido, em almoço em Brasília, realizado ainda na campanha eleitoral. “Estamos aqui partilhando este pão, assim como partilhamos este governo e estaremos no futuro partilhando o governo com a presidente Dilma", proclamou.
Soube-se depois, graças à colunista Mônica Bergamo, que o então candidato a vice já engatilhava um plano B naqueles dias em que saudava as delícias do pão petista. O ex-governador do Rio Moreira Franco (de novo ele!) negociava à época uma aproximação com Gilberto Kassab (DEM) no estilo Bombril, ou seja, com mil e uma utilidades. No mínimo, estaria estabelecida uma ponte para composição com José Serra na hipótese de vitória tucana contra Dilma. No máximo, as conversas poderiam resultar em fusão do partido do prefeito paulistano com o PMDB. Tratava-se, em qualquer circunstância, de construir alianças para aumentar o cacife do partido na partilha da administração federal.
Ambos os cenários (Serra presidente ou a fusão PMDB/DEM) estão descartados, no primeiro caso possivelmente para sempre, mas o namoro com Kassab prossegue em São Paulo, assim como o desejo de se cacifar para vender mais caro o apoio a Dilma. É nesse contexto que deve ser compreendida a ameaça de formação de um bloco na Câmara juntando os peemedebistas a quatro notáveis insígnias da devoção ao interesse público, o PR de Valdemar Costa Neto, o PTB de Roberto Jefferson, o PP de Paulo Maluf e o PSC de Joaquim Roriz.
O grupo reúne, por coincidência, os partidos que apresentaram nas últimas eleições os mais altos índices de candidatos enrolados. Nenhuma novidade para o decadente PMDB de hoje, uma organização que em nada lembra a agremiação que no passado simbolizou a defesa da democracia e a luta contra o arbítrio. Esse PMDB em que Temer é rei, e no qual políticos de boa reputação como os senadores Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE) ficaram em minoria, é o campeão em número de parlamentares processados no Supremo.
Temer é doutor em Direito e constitucionalista, disciplina sobre a qual lecionou e escreveu vários livros. Sabe perfeitamente o que diz a Constituição sobre as atribuições do vice-presidente da República. O seu papel se restringe a substituir o presidente, nos casos de ausência deste, e a participar de órgãos consultivos ou realizar missões especiais, quando convocado pelo chefe do Executivo. Constitucionalmente, portanto, cabe a Dilma, e só a ela, decidir sobre nomeações.
Por que então, sabendo disso, Michel Temer cria tantos problemas? Uma razão provável é que acredite que tenha chegado a sua grande chance. Com 70 anos, um currículo vistoso e um patrimônio que apresentou excepcional crescimento nos últimos anos, Temer quer mais. E se tornar vice-presidente, acumulando o comando de um partido importante, equivale a um bilhete premiado para alguém que, como ele, fez carreira política em razão da reconhecida habilidade nos bastidores e não do poder de fogo eleitoral. Assumiu como suplente dois dos seis mandatos que desempenhou como deputado federal por Sâo Paulo. Nas eleições de 2006, em que apoiou Geraldo Alckmin (PSDB) contra Lula (PT), elegeu-se com dificuldades. Votação boa mesmo teve em 1998 e em 2002, quando recebeu, respectivamente, 206.154 e 252.229 votos. Foi bastante ajudado pela proximidade com a cúpula do PSDB e do governo Fernando Henrique, do qual foi um dos principais pilares no Congresso durante oito anos. Foi naqueles tempos que ganhou do então senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) o apelido de “mordomo de filme de terror”.
É um achado. Combinam-se nele o semblante inflexível, e pouco dado a risos; a oratória correta, mas que não empolga; e a eventual condição de suspeito. Temer, definitivamente, não é bom de imagem. Por isso, os marqueteiros de Dilma trataram de escondê-lo ao longo da maior parte da campanha eleitoral. Durante o panetonegate, veio à tona vídeo em que o empresário Alcir Collaço o acusava de receber R$ 100 mil por mês do mensalão do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (o que o vice nega). Temer também foi uma das mais reluzentes estrelas da farra das passagens aéreas, revelada pelo Congresso em Foco. Junto com a família, fez turismo na Bahia com passagens pagas pela Câmara. Em nota, argumentou que “o crédito era do parlamentar”, incorrendo em lamentável confusão entre o público e o privado. Se a verba era pública, não podia ser do parlamentar. E a ilegalidade do procedimento, desde o primeiro instante atestada por diversas fontes jurídicas procuradas pelo site, ficou patente na decisão do Tribunal de Contas da União.
Fernando Henrique teve o vice dos sonhos de qualquer presidente: o senador Marco Maciel (DEM-PE), que é conhecido pela discrição e pela lealdade. Lula encontrou em José Alencar, mais do que um vice, um grande amigo, estabelecendo-se entre os dois caso raro de admiração e afeto mútuos. Nem mesmo as pancadas que Alencar dava na política econômica, sobretudo no primeiro mandato de Lula, abalaram esse relacionamento. É igual a zero a chance de Temer trazer para Dilma nos próximos quatro anos a tranquilidade que Maciel e José Alencar trouxeram nos últimos 16 anos a FHC e Lula. Resta saber até onde irá a sua capacidade de criar problemas.
* Jornalista, criou e dirige o site Congresso em Foco.
“Como aliado, ele é uma graça. Sem combinar antes com Dilma, assumiu compromisso com aumentos salariais bilionários e não para de defender, às vezes ostensivamente, posições – leia-se: cargos e orçamentos – para o seu partido”
Sylvio Costa*
Dizer que o PMDB e sua notória voracidade por cargos, verbas e outros nacos de poder são neste momento o maior problema político no caminho de Dilma Rousseff é contar parte da história. Para ser preciso, é o presidente nacional do PMDB e vice-presidente da República eleito, Michel Temer, a grande encrenca que Dilma tem enfrentado nas últimas semanas.
Como aliado, Temer é uma graça. Sem ouvir antes Dilma, assumiu com policiais, parlamentares e outras categorias o compromisso de usar seus últimos momentos de presidente da Câmara dos Deputados para aprovar aumentos salariais bilionários, que podem criar um grave problema econômico interno numa conjuntura em que a realidade externa – de recessão e pressão cambial – já é desfavorável. Mostra disposição para brigar se o PMDB, segunda bancada da Câmara, não ficar com a presidência da Casa. E não para de defender, às vezes ostensivamente, posições – leia-se: cargos e orçamentos – para o seu partido, como a manutenção dos seis ministérios já ocupados pelo PMDB (tese descartada por Dilma) ou a indicação do braço direito, Moreira Franco, para o primeiro escalão. Com mais discrição, se articula para influenciar até as escolhas de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e do novo procurador-geral da República (o mandato do atual, Roberto Gurgel, acaba em julho de 2011).
Mais do que nunca, Temer encarna a figura de dirigente máximo do seu partido, cargo que exerce com gosto desde setembro de 2001. São quase dez anos no controle de uma das principais máquinas partidárias do país, e ele parece determinado a mantê-lo em suas mãos. Mais que isso. Dá demonstrações de que chega ao governo com a pretensão de ampliar tanto o seu poder pessoal quanto o do PMDB. Emitiu o primeiro sinal nesse sentido, em almoço em Brasília, realizado ainda na campanha eleitoral. “Estamos aqui partilhando este pão, assim como partilhamos este governo e estaremos no futuro partilhando o governo com a presidente Dilma", proclamou.
Soube-se depois, graças à colunista Mônica Bergamo, que o então candidato a vice já engatilhava um plano B naqueles dias em que saudava as delícias do pão petista. O ex-governador do Rio Moreira Franco (de novo ele!) negociava à época uma aproximação com Gilberto Kassab (DEM) no estilo Bombril, ou seja, com mil e uma utilidades. No mínimo, estaria estabelecida uma ponte para composição com José Serra na hipótese de vitória tucana contra Dilma. No máximo, as conversas poderiam resultar em fusão do partido do prefeito paulistano com o PMDB. Tratava-se, em qualquer circunstância, de construir alianças para aumentar o cacife do partido na partilha da administração federal.
Ambos os cenários (Serra presidente ou a fusão PMDB/DEM) estão descartados, no primeiro caso possivelmente para sempre, mas o namoro com Kassab prossegue em São Paulo, assim como o desejo de se cacifar para vender mais caro o apoio a Dilma. É nesse contexto que deve ser compreendida a ameaça de formação de um bloco na Câmara juntando os peemedebistas a quatro notáveis insígnias da devoção ao interesse público, o PR de Valdemar Costa Neto, o PTB de Roberto Jefferson, o PP de Paulo Maluf e o PSC de Joaquim Roriz.
O grupo reúne, por coincidência, os partidos que apresentaram nas últimas eleições os mais altos índices de candidatos enrolados. Nenhuma novidade para o decadente PMDB de hoje, uma organização que em nada lembra a agremiação que no passado simbolizou a defesa da democracia e a luta contra o arbítrio. Esse PMDB em que Temer é rei, e no qual políticos de boa reputação como os senadores Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE) ficaram em minoria, é o campeão em número de parlamentares processados no Supremo.
Temer é doutor em Direito e constitucionalista, disciplina sobre a qual lecionou e escreveu vários livros. Sabe perfeitamente o que diz a Constituição sobre as atribuições do vice-presidente da República. O seu papel se restringe a substituir o presidente, nos casos de ausência deste, e a participar de órgãos consultivos ou realizar missões especiais, quando convocado pelo chefe do Executivo. Constitucionalmente, portanto, cabe a Dilma, e só a ela, decidir sobre nomeações.
Por que então, sabendo disso, Michel Temer cria tantos problemas? Uma razão provável é que acredite que tenha chegado a sua grande chance. Com 70 anos, um currículo vistoso e um patrimônio que apresentou excepcional crescimento nos últimos anos, Temer quer mais. E se tornar vice-presidente, acumulando o comando de um partido importante, equivale a um bilhete premiado para alguém que, como ele, fez carreira política em razão da reconhecida habilidade nos bastidores e não do poder de fogo eleitoral. Assumiu como suplente dois dos seis mandatos que desempenhou como deputado federal por Sâo Paulo. Nas eleições de 2006, em que apoiou Geraldo Alckmin (PSDB) contra Lula (PT), elegeu-se com dificuldades. Votação boa mesmo teve em 1998 e em 2002, quando recebeu, respectivamente, 206.154 e 252.229 votos. Foi bastante ajudado pela proximidade com a cúpula do PSDB e do governo Fernando Henrique, do qual foi um dos principais pilares no Congresso durante oito anos. Foi naqueles tempos que ganhou do então senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) o apelido de “mordomo de filme de terror”.
É um achado. Combinam-se nele o semblante inflexível, e pouco dado a risos; a oratória correta, mas que não empolga; e a eventual condição de suspeito. Temer, definitivamente, não é bom de imagem. Por isso, os marqueteiros de Dilma trataram de escondê-lo ao longo da maior parte da campanha eleitoral. Durante o panetonegate, veio à tona vídeo em que o empresário Alcir Collaço o acusava de receber R$ 100 mil por mês do mensalão do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (o que o vice nega). Temer também foi uma das mais reluzentes estrelas da farra das passagens aéreas, revelada pelo Congresso em Foco. Junto com a família, fez turismo na Bahia com passagens pagas pela Câmara. Em nota, argumentou que “o crédito era do parlamentar”, incorrendo em lamentável confusão entre o público e o privado. Se a verba era pública, não podia ser do parlamentar. E a ilegalidade do procedimento, desde o primeiro instante atestada por diversas fontes jurídicas procuradas pelo site, ficou patente na decisão do Tribunal de Contas da União.
Fernando Henrique teve o vice dos sonhos de qualquer presidente: o senador Marco Maciel (DEM-PE), que é conhecido pela discrição e pela lealdade. Lula encontrou em José Alencar, mais do que um vice, um grande amigo, estabelecendo-se entre os dois caso raro de admiração e afeto mútuos. Nem mesmo as pancadas que Alencar dava na política econômica, sobretudo no primeiro mandato de Lula, abalaram esse relacionamento. É igual a zero a chance de Temer trazer para Dilma nos próximos quatro anos a tranquilidade que Maciel e José Alencar trouxeram nos últimos 16 anos a FHC e Lula. Resta saber até onde irá a sua capacidade de criar problemas.
* Jornalista, criou e dirige o site Congresso em Foco.
A CARA DO NOVO GOVERNO
Deu no Correio Braziliense
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
A reação de parte da imprensa às informações sobre a composição do governo Dilma é curiosa. Em alguns veículos, chega a ser cômica.
Outro dia, um dos jornais de São Paulo estampou em manchete que Dilma estava “montando o núcleo de seu ministério com lulistas”. O que será que o editor imaginava? Que ela fosse recrutar “serristas” para os postos-chave de sua administração?
Como ensinam os manuais do jornalismo, essa não é uma notícia. Ou será que algo tão óbvio merece destaque? “Cachorro come linguiça” não é um título para a primeira página. No dia em que a linguiça comer o cachorro, aí sim a teremos uma notícia (que, aliás, deverá ser impressa em letras garrafais).
Na mesma linha, um jornal carioca achou que era necessário alertar os leitores para o fato de que “Lula está indicando várias pessoas para o governo Dilma”. Em meio a estatísticas sobre quantos nomes já havia emplacado, a matéria era de franca desaprovação.
Na verdade, tanto nessa, quanto na manchete do jornal paulista, estava implícita quase uma denúncia, como se um duplo mal-feito estivesse sendo cometido. Por Lula, ao “se meter” na formação do novo governo, ao “tentar interferir” onde, aparentemente, não deveria ter voz. Por Dilma, ao não reagir à intromissão e o deixar livre para apontar nomes.
Quem publica coisas assim dá mostras de não ter entendido a eleição que acabamos de fazer. Não entendeu como Lula, seu principal arquiteto, a concebeu, como Dilma encarnou a proposta, e como a grande maioria do eleitorado a assimilou.
Tudo mundo sabe que, quando Lula formulou o projeto da candidatura Dilma, a ideia central era de continuidade: do governo, de suas prioridades, de seu estilo. Ele nunca disse o contrário e insistiu no uso de imagens que caracterizavam, com clareza, o que ela representava. Para que ninguém tivesse dúvidas, chegou a afirmar que votar em Dilma era a mesma coisa que votar nele. Foi explícito nos palanques, nas declarações, na televisão.
Dilma sempre falou a mesma coisa. Mostrou-se à vontade como representante de Lula e do governo, seja por sua lealdade para com o presidente, seja pela boa razão de que o governo era dela também. Apresentar-se ao país como candidata de continuidade nunca a deixou desconfortável, pois significava defender aquilo a que havia se dedicado nos últimos oito anos.
Isso foi bem entendido pelos eleitores. Desde o primeiro momento e até o fim da eleição, as pessoas olharam para Dilma sabendo qual era a natureza de sua candidatura. Muitas descobriram suas qualidades pessoais, mas o núcleo da decisão de votar em seu nome foi outro, como mostraram as pesquisas.
Ninguém votou em Dilma para que o “dilmismo” vencesse o “serrismo”. Só quem quis que a eleição fosse essa foi o próprio Serra, que sabia que perderia se o foco da escolha se alargasse, se os eleitores olhassem para o que cada candidato representava e não se limitassem a fazer a velha comparação de biografias.
Agora, quando Dilma escuta Lula na montagem do governo, ela apenas cumpre a promessa fundamental de sua candidatura, a razão principal (para alguns eleitores, a única) dela ter sido votada. Quando dá mostras de que manterá ministros e dirigentes, faz apenas o natural. Se, por exemplo, se comprometeu durante a campanha com a preservação de determinada política, porque razão não seria adequado que o responsável permanecesse?
O governo que está sendo organizado terá a cara da continuidade, política e administrativa. Terá a cara de Lula, do PT e das outras forças partidárias que venceram a eleição. Terá a cara da atual administração, que é aprovada pela maioria da sociedade. Terá a cara de Dilma, pois é ela que o chefiará.
É isso que foi combinado com o país.
Siga o Blog do Noblat
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
A reação de parte da imprensa às informações sobre a composição do governo Dilma é curiosa. Em alguns veículos, chega a ser cômica.
Outro dia, um dos jornais de São Paulo estampou em manchete que Dilma estava “montando o núcleo de seu ministério com lulistas”. O que será que o editor imaginava? Que ela fosse recrutar “serristas” para os postos-chave de sua administração?
Como ensinam os manuais do jornalismo, essa não é uma notícia. Ou será que algo tão óbvio merece destaque? “Cachorro come linguiça” não é um título para a primeira página. No dia em que a linguiça comer o cachorro, aí sim a teremos uma notícia (que, aliás, deverá ser impressa em letras garrafais).
Na mesma linha, um jornal carioca achou que era necessário alertar os leitores para o fato de que “Lula está indicando várias pessoas para o governo Dilma”. Em meio a estatísticas sobre quantos nomes já havia emplacado, a matéria era de franca desaprovação.
Na verdade, tanto nessa, quanto na manchete do jornal paulista, estava implícita quase uma denúncia, como se um duplo mal-feito estivesse sendo cometido. Por Lula, ao “se meter” na formação do novo governo, ao “tentar interferir” onde, aparentemente, não deveria ter voz. Por Dilma, ao não reagir à intromissão e o deixar livre para apontar nomes.
Quem publica coisas assim dá mostras de não ter entendido a eleição que acabamos de fazer. Não entendeu como Lula, seu principal arquiteto, a concebeu, como Dilma encarnou a proposta, e como a grande maioria do eleitorado a assimilou.
Tudo mundo sabe que, quando Lula formulou o projeto da candidatura Dilma, a ideia central era de continuidade: do governo, de suas prioridades, de seu estilo. Ele nunca disse o contrário e insistiu no uso de imagens que caracterizavam, com clareza, o que ela representava. Para que ninguém tivesse dúvidas, chegou a afirmar que votar em Dilma era a mesma coisa que votar nele. Foi explícito nos palanques, nas declarações, na televisão.
Dilma sempre falou a mesma coisa. Mostrou-se à vontade como representante de Lula e do governo, seja por sua lealdade para com o presidente, seja pela boa razão de que o governo era dela também. Apresentar-se ao país como candidata de continuidade nunca a deixou desconfortável, pois significava defender aquilo a que havia se dedicado nos últimos oito anos.
Isso foi bem entendido pelos eleitores. Desde o primeiro momento e até o fim da eleição, as pessoas olharam para Dilma sabendo qual era a natureza de sua candidatura. Muitas descobriram suas qualidades pessoais, mas o núcleo da decisão de votar em seu nome foi outro, como mostraram as pesquisas.
Ninguém votou em Dilma para que o “dilmismo” vencesse o “serrismo”. Só quem quis que a eleição fosse essa foi o próprio Serra, que sabia que perderia se o foco da escolha se alargasse, se os eleitores olhassem para o que cada candidato representava e não se limitassem a fazer a velha comparação de biografias.
Agora, quando Dilma escuta Lula na montagem do governo, ela apenas cumpre a promessa fundamental de sua candidatura, a razão principal (para alguns eleitores, a única) dela ter sido votada. Quando dá mostras de que manterá ministros e dirigentes, faz apenas o natural. Se, por exemplo, se comprometeu durante a campanha com a preservação de determinada política, porque razão não seria adequado que o responsável permanecesse?
O governo que está sendo organizado terá a cara da continuidade, política e administrativa. Terá a cara de Lula, do PT e das outras forças partidárias que venceram a eleição. Terá a cara da atual administração, que é aprovada pela maioria da sociedade. Terá a cara de Dilma, pois é ela que o chefiará.
É isso que foi combinado com o país.
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quinta-feira, 18 de novembro de 2010
A HORA DO MURRO NA MESA
Por Carlos Chagas
Ou Dilma Rousseff dá um murro na mesa, já, ou assumirá o governo pela metade, ou menos, no primeiro dia de janeiro. Tornaram-se atrevidos os urubus que até agora voavam sobre a Granja do Torto: dos vôos rasantes passaram a descer nos jardins, a quebrar vidraças com seus bicos afiados e a ocupar os cantos obscuros das salas de reunião.
Perderam a compostura os partidos da base oficial e até as legendas que ficaram de fora da candidatura vitoriosa. Da imposição de manterem os ministérios de que dispõem no governo Lula, passaram a exigir novas pastas, formalizando a criação de blocos parlamentares destinados a chantagear a presidente eleita.
A pretexto de disputar a presidência da Câmara, PMDB, PR, PSC e até o PP, que não apoiou Dilma, e o PTB, que apoiou Serra, movimentam-se para lotear ministérios e impor ministros. Do outro lado, PT, PDT e PC do B não querem outra coisa, enquanto o PSB imagina-se em condições de agir sozinho, mas com as mesmas intenções.
Quando das eleições em outubro, não houve um só eleitor que tivesse votado para presidente da República levando os partidos em consideração. Tratados como apêndices desimportantes, meros penduricalhos incômodos, os líderes políticos em nada influíram no resultado. Agora, ameaçam com a sombra de impasses legislativos e rejeições de projetos de interesse do palácio do Planalto caso não se vejam contemplados na repartição do pão a que não tem direito.
A hora é de a nova presidente botar as quadrilhas para correr, pela força de seus mais de 50 milhões de votos, compondo o ministério que mais se adaptar a seus planos e projetos, mesmo aproveitando figuras partidárias de capacidade reconhecida. Fora daí, será um péssimo começo.
FONTE: CLAUDIOHUMBERTO
Ou Dilma Rousseff dá um murro na mesa, já, ou assumirá o governo pela metade, ou menos, no primeiro dia de janeiro. Tornaram-se atrevidos os urubus que até agora voavam sobre a Granja do Torto: dos vôos rasantes passaram a descer nos jardins, a quebrar vidraças com seus bicos afiados e a ocupar os cantos obscuros das salas de reunião.
Perderam a compostura os partidos da base oficial e até as legendas que ficaram de fora da candidatura vitoriosa. Da imposição de manterem os ministérios de que dispõem no governo Lula, passaram a exigir novas pastas, formalizando a criação de blocos parlamentares destinados a chantagear a presidente eleita.
A pretexto de disputar a presidência da Câmara, PMDB, PR, PSC e até o PP, que não apoiou Dilma, e o PTB, que apoiou Serra, movimentam-se para lotear ministérios e impor ministros. Do outro lado, PT, PDT e PC do B não querem outra coisa, enquanto o PSB imagina-se em condições de agir sozinho, mas com as mesmas intenções.
Quando das eleições em outubro, não houve um só eleitor que tivesse votado para presidente da República levando os partidos em consideração. Tratados como apêndices desimportantes, meros penduricalhos incômodos, os líderes políticos em nada influíram no resultado. Agora, ameaçam com a sombra de impasses legislativos e rejeições de projetos de interesse do palácio do Planalto caso não se vejam contemplados na repartição do pão a que não tem direito.
A hora é de a nova presidente botar as quadrilhas para correr, pela força de seus mais de 50 milhões de votos, compondo o ministério que mais se adaptar a seus planos e projetos, mesmo aproveitando figuras partidárias de capacidade reconhecida. Fora daí, será um péssimo começo.
FONTE: CLAUDIOHUMBERTO
DEU NA FOLHA DE S.PAULO
Prova de resistência
Renata Lo Prete
Ninguém assumirá agora de público, mas lideranças do PT já dizem que o partido deverá atender ao pleito do PMDB e assinar, até o fim de dezembro, um acordo que garanta rodízio entre as duas legendas na presidência da Câmara até 2015.
O cabo de guerra resultou no conturbado anúncio de um bloco partidário encabeçado pelo PMDB, mas, reservadamente, petistas admitem que abandonarão no tempo certo a exigência de estender a alternância ao Senado, onde o PMDB tem a maior bancada. O PT sabe que, se esticar a corda, Dilma Rousseff começará sua gestão sob clima de instabilidade no Congresso.
Renata Lo Prete
Ninguém assumirá agora de público, mas lideranças do PT já dizem que o partido deverá atender ao pleito do PMDB e assinar, até o fim de dezembro, um acordo que garanta rodízio entre as duas legendas na presidência da Câmara até 2015.
O cabo de guerra resultou no conturbado anúncio de um bloco partidário encabeçado pelo PMDB, mas, reservadamente, petistas admitem que abandonarão no tempo certo a exigência de estender a alternância ao Senado, onde o PMDB tem a maior bancada. O PT sabe que, se esticar a corda, Dilma Rousseff começará sua gestão sob clima de instabilidade no Congresso.
DEU EM O GLOBO
O passado assombra o PMDB
Ilimar Franco
Os políticos mais experientes do Congresso avaliam que o PMDB da Câmara cometeu um erro estratégico ao anunciar a formação de um bloco parlamentar sem combinar com seu principal aliado, o PT, e com a presidente eleita Dilma Rousseff.
Eles argumentam que o PMDB, tendo Michel Temer na vice-presidência, não pode pretender agir com Dilma como o ex-presidente do partido, o falecido Ulysses Guimarães, fazia com o então presidente José Sarney, na redemocratização.
Consideram que essas atitudes envenenam relações, ao invés de contribuir para que Michel tenha uma estreita interlocução com a presidente.
Ilimar Franco
Os políticos mais experientes do Congresso avaliam que o PMDB da Câmara cometeu um erro estratégico ao anunciar a formação de um bloco parlamentar sem combinar com seu principal aliado, o PT, e com a presidente eleita Dilma Rousseff.
Eles argumentam que o PMDB, tendo Michel Temer na vice-presidência, não pode pretender agir com Dilma como o ex-presidente do partido, o falecido Ulysses Guimarães, fazia com o então presidente José Sarney, na redemocratização.
Consideram que essas atitudes envenenam relações, ao invés de contribuir para que Michel tenha uma estreita interlocução com a presidente.
DILMA ABRA O OLHO
Se conselho fosse bom não se dava, seria vendido, mas nada custa alertar quem imagina ter tudo sobre controle, o laboratório da conspiração já surpreendeu muitos governos, quando muitos imaginam que o mar estar sereno, surge as trovoadas e tempestades ocasionias.
Se o PMDB não é visto como um bom parceiro, se não ajuda como aliado, imaginem os senhores tê-lo como inimigo.
O PMDB ao longo do tempo tem amordaçado uma boa parte do governismo, com seu fisiologismo pragmático tem deixado engessado quando deseja o poder, Lula sabe disso, FHC jà viveu esses constrangimentos, será que Dilma pelo fato de ser mulher vai receber tratamento diferenciado?
Aposto que não, na história do parlamento republicano o PMDB é a sigla que melhor profeça a oração de São Francisco, aprendeu com genialidade professoral a lição do toma lá, dá cá.
Não é bom ter o PMDB como amigo. Pior ainda tê-lo como inimigo, o aviso está dado.
A presidente eleita, Dilma Rousseff, como afirma a colunista Maria Inez Nassif, já deve ter percebido o tamanho do barulho que o PMDB faz e a enorme capacidade do partido de desferir golpes rápidos e certeiros em seus aliados, quando o assunto é participação na máquina do governo.
Sozinho, o PT, com sua bancada de 88 deputados na Câmara, será incapaz de se contrapor a isso.
E não parece ser do perfil da eleita dar nó em pingo d'água, como conseguiu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à base da estratégia uma no cravo, uma na ferradura, e o superbloco partidário, antes de emplacar seus objetivos já provoca sérias preocupações ao planalto central.
O PMDB neste inicio de governo pra quem imaginava estar conformado com o advento da vice-presidência na mão de Michel Temer, deve se acostumar com outras barganhas do partido; enquanto não se der por satisfeito vai amargar igualmente a jiló.
Escrito por aluiziolacerda às 15h58
Se o PMDB não é visto como um bom parceiro, se não ajuda como aliado, imaginem os senhores tê-lo como inimigo.
O PMDB ao longo do tempo tem amordaçado uma boa parte do governismo, com seu fisiologismo pragmático tem deixado engessado quando deseja o poder, Lula sabe disso, FHC jà viveu esses constrangimentos, será que Dilma pelo fato de ser mulher vai receber tratamento diferenciado?
Aposto que não, na história do parlamento republicano o PMDB é a sigla que melhor profeça a oração de São Francisco, aprendeu com genialidade professoral a lição do toma lá, dá cá.
Não é bom ter o PMDB como amigo. Pior ainda tê-lo como inimigo, o aviso está dado.
A presidente eleita, Dilma Rousseff, como afirma a colunista Maria Inez Nassif, já deve ter percebido o tamanho do barulho que o PMDB faz e a enorme capacidade do partido de desferir golpes rápidos e certeiros em seus aliados, quando o assunto é participação na máquina do governo.
Sozinho, o PT, com sua bancada de 88 deputados na Câmara, será incapaz de se contrapor a isso.
E não parece ser do perfil da eleita dar nó em pingo d'água, como conseguiu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à base da estratégia uma no cravo, uma na ferradura, e o superbloco partidário, antes de emplacar seus objetivos já provoca sérias preocupações ao planalto central.
O PMDB neste inicio de governo pra quem imaginava estar conformado com o advento da vice-presidência na mão de Michel Temer, deve se acostumar com outras barganhas do partido; enquanto não se der por satisfeito vai amargar igualmente a jiló.
Escrito por aluiziolacerda às 15h58
domingo, 7 de novembro de 2010
TEXTOS DUPLOS
João Santana: Aécio não venceria Dilma
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o marqueteiro da campanha de Dilma Rousseff, João Santana, declarou que, caso Aécio Neves fosse candidato à Presidência em 2010, Dilma Rousseff também teria vencido. “Aécio poderia ter feito uma campanha mais bonita e mais vibrante do que Serra. Mas mesmo assim seria derrotado”, analisa Santana.Ainda segundo o marqueteiro, durante a pré-campanha de 2010, houve um erro da oposição ao menosprezar o potencial de crescimento de Dilma e, também, a capacidade de transferência de votos de Lula. “É o período da arrogante, equivocada e elitista teoria do poste”.Em relação aos erros cometidos durante a campanha, ele considera que os tucanos tiveram uma estratégia equivocada. “Erraram mais eles que insistiram nessa maré hipócrita. Isso, aliás, foi um dos maiores fatores de desgaste e inibição do crescimento de [José] Serra no segundo turno”.O marqueteiro acredita que a discussão envolvendo questões religiosas, prejudicou bastante o candidato derrotado. “Como abusou da dose, provocou, no final, rejeição dos setores evangélicos que interpretaram o fato como jogada eleitoral e afastou segmentos do voto independente, principalmente de setores da classe média urbana, que se chocou com o falso moralismo e direitização da campanha de Serra”.Sobre o próximo governo, Santana dá um recado aos políticos: “não subestimem Dilma Rousseff. Este alerta vale tanto para opositores como para apoiadores da nova presidente. Dentro e fora do Brasil já começam a pipocar análises apressadas de que Dilma dificilmente preencherá o grande vazio sentimental e simbólico que será deixado por Lula. E que este será um problema intransponível para ela. Bobagem”.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o marqueteiro da campanha de Dilma Rousseff, João Santana, declarou que, caso Aécio Neves fosse candidato à Presidência em 2010, Dilma Rousseff também teria vencido. “Aécio poderia ter feito uma campanha mais bonita e mais vibrante do que Serra. Mas mesmo assim seria derrotado”, analisa Santana.
Ainda segundo o marqueteiro, durante a pré-campanha de 2010, houve um erro da oposição ao menosprezar o potencial de crescimento de Dilma e, também, a capacidade de transferência de votos de Lula. “É o período da arrogante, equivocada e elitista teoria do poste”.
Em relação aos erros cometidos durante a campanha, ele considera que os tucanos tiveram uma estratégia equivocada. “Erraram mais eles que insistiram nessa maré hipócrita. Isso, aliás, foi um dos maiores fatores de desgaste e inibição do crescimento de [José] Serra no segundo turno”.
O marqueteiro acredita que a discussão envolvendo questões religiosas, prejudicou bastante o candidato derrotado. “Como abusou da dose, provocou, no final, rejeição dos setores evangélicos que interpretaram o fato como jogada eleitoral e afastou segmentos do voto independente, principalmente de setores da classe média urbana, que se chocou com o falso moralismo e direitização da campanha de Serra”.
Sobre o próximo governo, Santana dá um recado aos políticos: “não subestimem Dilma Rousseff. Este alerta vale tanto para opositores como para apoiadores da nova presidente. Dentro e fora do Brasil já começam a pipocar análises apressadas de que Dilma dificilmente preencherá o grande vazio sentimental e simbólico que será deixado por Lula. E que este será um problema intransponível para ela. Bobagem”.
Inep detecta erro na impressão de cartão de resposta do Enem
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela organização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), informou que houve um erro na impressão das provas, com a troca dos títulos das áreas de conhecimento nos cartões de resposta.“Os problemas de ordem gráfica serão apurados e os candidatos podem ficar tranquilos, pois ninguém sairá prejudicado”, declarou o presidente do Inep, Joaquim José Soares Neto.O presidente explicou que os estudantes que se sentirem prejudicados com o problema poderão acessar requerimento no site do Ministério da Educação. Soares Neto ressaltou que o exame não será anulado, nem sua correção será atrasada.O gabarito oficial das provas deste fim de semana será divulgado na terça-feira (9), a partir das 18h. Já o resultado final do exame só será apresentado na primeira quinzena de janeiro.Neste sábado (6), o índice de abstenção foi de cerca de 27%. A prova foi aplicada em 128,2 mil salas em 1,6 mil cidades. Neste domingo, os exames começam a partir das 13 horas.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela organização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), informou que houve um erro na impressão das provas, com a troca dos títulos das áreas de conhecimento nos cartões de resposta.
“Os problemas de ordem gráfica serão apurados e os candidatos podem ficar tranquilos, pois ninguém sairá prejudicado”, declarou o presidente do Inep, Joaquim José Soares Neto.
O presidente explicou que os estudantes que se sentirem prejudicados com o problema poderão acessar requerimento no site do Ministério da Educação. Soares Neto ressaltou que o exame não será anulado, nem sua correção será atrasada.
O gabarito oficial das provas deste fim de semana será divulgado na terça-feira (9), a partir das 18h. Já o resultado final do exame só será apresentado na primeira quinzena de janeiro.
Neste sábado (6), o índice de abstenção foi de cerca de 27%. A prova foi aplicada em 128,2 mil salas em 1,6 mil cidades. Neste domingo, os exames começam a partir das 13 horas.
Fonte: Textos transcritos do Brasilia Confidencial
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o marqueteiro da campanha de Dilma Rousseff, João Santana, declarou que, caso Aécio Neves fosse candidato à Presidência em 2010, Dilma Rousseff também teria vencido. “Aécio poderia ter feito uma campanha mais bonita e mais vibrante do que Serra. Mas mesmo assim seria derrotado”, analisa Santana.Ainda segundo o marqueteiro, durante a pré-campanha de 2010, houve um erro da oposição ao menosprezar o potencial de crescimento de Dilma e, também, a capacidade de transferência de votos de Lula. “É o período da arrogante, equivocada e elitista teoria do poste”.Em relação aos erros cometidos durante a campanha, ele considera que os tucanos tiveram uma estratégia equivocada. “Erraram mais eles que insistiram nessa maré hipócrita. Isso, aliás, foi um dos maiores fatores de desgaste e inibição do crescimento de [José] Serra no segundo turno”.O marqueteiro acredita que a discussão envolvendo questões religiosas, prejudicou bastante o candidato derrotado. “Como abusou da dose, provocou, no final, rejeição dos setores evangélicos que interpretaram o fato como jogada eleitoral e afastou segmentos do voto independente, principalmente de setores da classe média urbana, que se chocou com o falso moralismo e direitização da campanha de Serra”.Sobre o próximo governo, Santana dá um recado aos políticos: “não subestimem Dilma Rousseff. Este alerta vale tanto para opositores como para apoiadores da nova presidente. Dentro e fora do Brasil já começam a pipocar análises apressadas de que Dilma dificilmente preencherá o grande vazio sentimental e simbólico que será deixado por Lula. E que este será um problema intransponível para ela. Bobagem”.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o marqueteiro da campanha de Dilma Rousseff, João Santana, declarou que, caso Aécio Neves fosse candidato à Presidência em 2010, Dilma Rousseff também teria vencido. “Aécio poderia ter feito uma campanha mais bonita e mais vibrante do que Serra. Mas mesmo assim seria derrotado”, analisa Santana.
Ainda segundo o marqueteiro, durante a pré-campanha de 2010, houve um erro da oposição ao menosprezar o potencial de crescimento de Dilma e, também, a capacidade de transferência de votos de Lula. “É o período da arrogante, equivocada e elitista teoria do poste”.
Em relação aos erros cometidos durante a campanha, ele considera que os tucanos tiveram uma estratégia equivocada. “Erraram mais eles que insistiram nessa maré hipócrita. Isso, aliás, foi um dos maiores fatores de desgaste e inibição do crescimento de [José] Serra no segundo turno”.
O marqueteiro acredita que a discussão envolvendo questões religiosas, prejudicou bastante o candidato derrotado. “Como abusou da dose, provocou, no final, rejeição dos setores evangélicos que interpretaram o fato como jogada eleitoral e afastou segmentos do voto independente, principalmente de setores da classe média urbana, que se chocou com o falso moralismo e direitização da campanha de Serra”.
Sobre o próximo governo, Santana dá um recado aos políticos: “não subestimem Dilma Rousseff. Este alerta vale tanto para opositores como para apoiadores da nova presidente. Dentro e fora do Brasil já começam a pipocar análises apressadas de que Dilma dificilmente preencherá o grande vazio sentimental e simbólico que será deixado por Lula. E que este será um problema intransponível para ela. Bobagem”.
Inep detecta erro na impressão de cartão de resposta do Enem
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela organização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), informou que houve um erro na impressão das provas, com a troca dos títulos das áreas de conhecimento nos cartões de resposta.“Os problemas de ordem gráfica serão apurados e os candidatos podem ficar tranquilos, pois ninguém sairá prejudicado”, declarou o presidente do Inep, Joaquim José Soares Neto.O presidente explicou que os estudantes que se sentirem prejudicados com o problema poderão acessar requerimento no site do Ministério da Educação. Soares Neto ressaltou que o exame não será anulado, nem sua correção será atrasada.O gabarito oficial das provas deste fim de semana será divulgado na terça-feira (9), a partir das 18h. Já o resultado final do exame só será apresentado na primeira quinzena de janeiro.Neste sábado (6), o índice de abstenção foi de cerca de 27%. A prova foi aplicada em 128,2 mil salas em 1,6 mil cidades. Neste domingo, os exames começam a partir das 13 horas.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela organização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), informou que houve um erro na impressão das provas, com a troca dos títulos das áreas de conhecimento nos cartões de resposta.
“Os problemas de ordem gráfica serão apurados e os candidatos podem ficar tranquilos, pois ninguém sairá prejudicado”, declarou o presidente do Inep, Joaquim José Soares Neto.
O presidente explicou que os estudantes que se sentirem prejudicados com o problema poderão acessar requerimento no site do Ministério da Educação. Soares Neto ressaltou que o exame não será anulado, nem sua correção será atrasada.
O gabarito oficial das provas deste fim de semana será divulgado na terça-feira (9), a partir das 18h. Já o resultado final do exame só será apresentado na primeira quinzena de janeiro.
Neste sábado (6), o índice de abstenção foi de cerca de 27%. A prova foi aplicada em 128,2 mil salas em 1,6 mil cidades. Neste domingo, os exames começam a partir das 13 horas.
Fonte: Textos transcritos do Brasilia Confidencial
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Com fim de mandato, Lula se dedicará à aprovação da reforma política
BRASÍLIA - O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse hoje que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se dedicará, no próximo ano, às negociações com partidos para viabilizar a reforma política. “Essa será a sua principal dedicação política, após o dia 31 de dezembro”, afirmou.
Desde ontem, Lula tem indicado qual será a sua atuação ao término do mandato. Ontem, o presidente afirmou que não pretende se candidatar novamente ao cargo de presidente da República em 2014. Ele disse que, por ter um índice elevado de aprovação do governo, uma nova candidatura poderia gerar uma expectativa na população “infinitamente maior”, que dificilmente seria atendida.
As declarações do presidente, relatadas pelo ministro Padilha, foram dadas durante a reunião ministerial no Palácio do Planalto. No encontro, Lula cobrou dos ministros maior empenho para acelerar as obras prioritárias e expandir os programas sociais do governo federal.
Segundo o ministro, a equipe do primeiro escalão do governo está impedida de tirar férias até o fim do ano. O presidente solicitou ainda que a Casa Civil e o Gabinete da Presidência da República elaborassem um balanço dos oito anos de governo e registrassem em cartório.
(Rafael Bitencourt | Valor)
Desde ontem, Lula tem indicado qual será a sua atuação ao término do mandato. Ontem, o presidente afirmou que não pretende se candidatar novamente ao cargo de presidente da República em 2014. Ele disse que, por ter um índice elevado de aprovação do governo, uma nova candidatura poderia gerar uma expectativa na população “infinitamente maior”, que dificilmente seria atendida.
As declarações do presidente, relatadas pelo ministro Padilha, foram dadas durante a reunião ministerial no Palácio do Planalto. No encontro, Lula cobrou dos ministros maior empenho para acelerar as obras prioritárias e expandir os programas sociais do governo federal.
Segundo o ministro, a equipe do primeiro escalão do governo está impedida de tirar férias até o fim do ano. O presidente solicitou ainda que a Casa Civil e o Gabinete da Presidência da República elaborassem um balanço dos oito anos de governo e registrassem em cartório.
(Rafael Bitencourt | Valor)
Cid Gomes defende que Dilma apoie Aécio à presidência do Senado
BRASÍLIA - O governador reeleito do Ceará, Cid Gomes (PSB), sugeriu que a presidenta eleita, Dilma Rousseff (PT), adote um “gesto concreto” para conquistar a oposição e garantir um trânsito mais fácil no Congresso Nacional no momento de aprovar projetos de interesse do governo. Esse “gesto concreto”, na opinião de Cid Gomes, é apoiar o nome do tucano Aécio Neves para a presidência do Senado no próximo ano.
“Acho que ela deveria fazer mesmo um gesto concreto de estender a mão à oposição. Na minha opinião, esse gesto concreto seria apoiar um o nome de Aécio Neves para a Presidência do Senado”, disse o governador.
A proposta vai de encontro ao acordo fechado pelos presidentes do PT, José Eduardo Dutra, e do PMDB, Michel Temer, vice-presidente eleito, sobre o comando das duas casas legislativas. Os dois pretendem estabelecer um rodízio entre o PMDB e o PT na Câmara e no Senado para os próximos quatro anos.
Mesmo assim, Cid insistirá no convencimento da presidenta eleita. “Convencida a Dilma, o PT se convence. Se o PMDB não aceitar, que não aceite, mas ele [o PMDB] vai aceitar”.
O governador reeleito apresentou a ideia hoje ao PSB, que está reunido, em Brasília, para discutir a forma de participação dos socialistas na gestão de Dilma Rousseff. “Houve susto. Apresentei de supetão. Mas houve quem aplaudisse. Não houve vaias”, informou.
A ideia, de acordo com Cid, seria um grande passo rumo ao que ele chamou de “pacto pela governabilidade”. “Eu fiz muito mais no Ceará e deu certo. O PSDB, com quem eu concorri, participou do meu governo.”
Na opinião do governador reeleito, o “gesto” de Dilma poderia facilitar acordos com a oposição para a aprovação de projetos sobre o pré-sal e na discussão de uma proposta de reforma tributária ampla, ideia que foi defendida por ela como prioridade, durante a campanha.
Cid disse que não chegou a conversar com a presidenta eleita sobre o assunto e acredita na “facilidade do diálogo” com Aécio.
“A gente sabe que existe um PSDB mais radical que é representado pelo José Serra lá em São Paulo. Mas há uma facilidade de diálogo grande com o Aécio Neves. Isso também iria fortalecê-lo dentro do próprio partido”, disse Cid Gomes.
Ele acredita em uma abertura de Aécio para a aproximação com o governo de Dilma, mesmo dentro de um partido de oposição. “Oposição por oposição não adianta nada. Para que oposição? Acho que a gente tem que ter uma proposta para o país”, acrescentou.
(Agência Brasil)
“Acho que ela deveria fazer mesmo um gesto concreto de estender a mão à oposição. Na minha opinião, esse gesto concreto seria apoiar um o nome de Aécio Neves para a Presidência do Senado”, disse o governador.
A proposta vai de encontro ao acordo fechado pelos presidentes do PT, José Eduardo Dutra, e do PMDB, Michel Temer, vice-presidente eleito, sobre o comando das duas casas legislativas. Os dois pretendem estabelecer um rodízio entre o PMDB e o PT na Câmara e no Senado para os próximos quatro anos.
Mesmo assim, Cid insistirá no convencimento da presidenta eleita. “Convencida a Dilma, o PT se convence. Se o PMDB não aceitar, que não aceite, mas ele [o PMDB] vai aceitar”.
O governador reeleito apresentou a ideia hoje ao PSB, que está reunido, em Brasília, para discutir a forma de participação dos socialistas na gestão de Dilma Rousseff. “Houve susto. Apresentei de supetão. Mas houve quem aplaudisse. Não houve vaias”, informou.
A ideia, de acordo com Cid, seria um grande passo rumo ao que ele chamou de “pacto pela governabilidade”. “Eu fiz muito mais no Ceará e deu certo. O PSDB, com quem eu concorri, participou do meu governo.”
Na opinião do governador reeleito, o “gesto” de Dilma poderia facilitar acordos com a oposição para a aprovação de projetos sobre o pré-sal e na discussão de uma proposta de reforma tributária ampla, ideia que foi defendida por ela como prioridade, durante a campanha.
Cid disse que não chegou a conversar com a presidenta eleita sobre o assunto e acredita na “facilidade do diálogo” com Aécio.
“A gente sabe que existe um PSDB mais radical que é representado pelo José Serra lá em São Paulo. Mas há uma facilidade de diálogo grande com o Aécio Neves. Isso também iria fortalecê-lo dentro do próprio partido”, disse Cid Gomes.
Ele acredita em uma abertura de Aécio para a aproximação com o governo de Dilma, mesmo dentro de um partido de oposição. “Oposição por oposição não adianta nada. Para que oposição? Acho que a gente tem que ter uma proposta para o país”, acrescentou.
(Agência Brasil)
SOLIDARIEDADE AOS VENCIDOS
- Rodolfo Motta Lima (*) -
Nunca é ético tripudiar sobre o vencido. Nas vitórias, recomenda-se uma certa condescendência com quem perdeu. Por isso, para aqueles de coração aberto, ofereço aqui algumas sugestões de votos de solidariedade para com os derrotados, neste momento em que estão lambendo suas feridas.
Em primeiro lugar , pode-se escolher a solidariedade com o tucano vencido , porque é fácil imaginar a dor de cabeça que o forte impacto de uma bolinha de papel lhe deve ter causado, moral e fisicamente; ou o arrependimento que deve estar sentindo por não ter deixado a outro (um mineiro, talvez) a ingrata missão de opor-se a um projeto de aprovação popular.
A solidariedade ao candidato pode e deve estender-se a muita gente próxima a ele, que deve ter passado noites insones , ao longo do período eleitoral, imaginando a candidata vencedora a executar criancinhas em praça pública, em cerimônias de aborto coletivo...
Igualmente humanitária seria a posição de solidariedade que se dirigisse para os políticos vencidos na derrota dos tucanos. Ela poderia destinar-se, por exemplo, a uma série de ex-senadores (tucanos ou agregados) , a maioria deles do Norte ou Nordeste, caciques que, de repente, se descobriram sem tribos, e que, até agora, não devem estar entendendo como conseguiram perder as eleições depois de tentar destruir, sem tréguas, a figura de um presidente com 82% de aplauso do povo.
Um voto especial, nesse âmbito, pode ir, seguramente, para o Sr. César Maia, que, na voz das urnas, encontrou ressonância equivalente às vozes que vemos diuturnamente ecoar na “Cidade da Música”, elefante branco que marcou a sua gestão na Prefeitura carioca...
Outra que merece essa mão estendida é a mídia corporativa desse país, esse poderosíssimo poder de fazer cabeças, mas injustamente não levada em consideração no pleito presidencial pela maioria dos eleitores, apesar dos esforços éticos e aéticos , factuais ou ficcionais, que levou a efeito para tentar eleger o candidato que perdeu. E, nesse caso específico, a solidariedade deve abranger os valentes profissionais que compõem essa mídia, entre eles alguns comentaristas políticos e economistas de nomeada, ”especialistas” que devem até agora estar se interrogando sobre como, onde e por que erraram, já que fizeram certinho o dever de casa (ou melhor, o dever “da casa” onde trabalham)...
Deve ser horrível fazer jornalismo em um país em que as pessoas se atrevem a ter juízo próprio ...
Por falar nisso, não se deve esquecer uma possível solidariedade aos leitores que escrevem cartas nessas publicações midiáticas – em sua esmagadora maioria, legítimos representantes de uma elite que, raivosa, a julgar pela forma como se manifesta, tem imensa dificuldade em conviver bem com a melhor repartição do pão que sobra em fartas mesas, com o maior movimento de gente nos aeroportos, com a maior presença de “estranhos” nas Universidades, enfim, com a felicidade melhor distribuída... Imagino como estejam tristes pelo fato de não ter sido ainda desta vez que se reinstaurou entre nós o nirvana dos privilegiados ...
Também há a possibilidade de se ser solidário a algumas entidades religiosas (instituições ou seitas, não importa) que, não se pode negar, cumpriram direitinho – embora sem êxito, no final das contas (que pena!) - o seu papel de aterrorizar os eleitores com assuntos que não deveriam ter composto o cardápio eleitoral. Um destaque especial pode ser conferido ao Papa, que fez todo o esforço possível para que o obscurantismo prevalecesse , mas que não encontrou, entre os seus fiéis, tanta devoção à causa quanto julgava, apesar das recomendadas lavagens cerebrais eclesiásticas.
Há ainda a solidariedade aos verdes – cuja “onda”, afinal de contas, acabou por não gerar mais que uns gatos pingados no Congresso - e aos de outras colorações que, por não terem uma posição firmada sobre coisa alguma, encontraram grande dificuldade para se manterem em cima de muros, em posição desconfortável que, quem sabe, ainda lhes poderá trazer, no futuro, outros problemas de desvio na coluna ideológica. Aqui excluo, em nome da verdade, o Sr Fernando Gabeira, que, embora verde, jamais se omitiu e deixou claríssima sua posição de aproximação retrógrada com a turma da direita
Pode ser que, tocados por essa onda de solidariedade, alguns desses derrotados venham a experimentar uma crise de consciência ou uma correção de rumos. Não sou muito otimista quanto a isso. A julgar pelo tom da “saudação” do candidato derrotado no discurso que se seguiu à proclamação dos resultados, penso que Dilma e as forças vitoriosas não devem desprezar as potencialidades venenosamente vingativas desse pessoal. E devem, desde já, prevenir-se com o antídoto infalível – porque já testado e comprovado - da continuidade dos projetos de redenção social como tônica do Governo.
Sobre o autor deste artigo
Rodolpho Motta Lima:
Advogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ, com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.
Fonte: Portal do Luiz Nassif
Nunca é ético tripudiar sobre o vencido. Nas vitórias, recomenda-se uma certa condescendência com quem perdeu. Por isso, para aqueles de coração aberto, ofereço aqui algumas sugestões de votos de solidariedade para com os derrotados, neste momento em que estão lambendo suas feridas.
Em primeiro lugar , pode-se escolher a solidariedade com o tucano vencido , porque é fácil imaginar a dor de cabeça que o forte impacto de uma bolinha de papel lhe deve ter causado, moral e fisicamente; ou o arrependimento que deve estar sentindo por não ter deixado a outro (um mineiro, talvez) a ingrata missão de opor-se a um projeto de aprovação popular.
A solidariedade ao candidato pode e deve estender-se a muita gente próxima a ele, que deve ter passado noites insones , ao longo do período eleitoral, imaginando a candidata vencedora a executar criancinhas em praça pública, em cerimônias de aborto coletivo...
Igualmente humanitária seria a posição de solidariedade que se dirigisse para os políticos vencidos na derrota dos tucanos. Ela poderia destinar-se, por exemplo, a uma série de ex-senadores (tucanos ou agregados) , a maioria deles do Norte ou Nordeste, caciques que, de repente, se descobriram sem tribos, e que, até agora, não devem estar entendendo como conseguiram perder as eleições depois de tentar destruir, sem tréguas, a figura de um presidente com 82% de aplauso do povo.
Um voto especial, nesse âmbito, pode ir, seguramente, para o Sr. César Maia, que, na voz das urnas, encontrou ressonância equivalente às vozes que vemos diuturnamente ecoar na “Cidade da Música”, elefante branco que marcou a sua gestão na Prefeitura carioca...
Outra que merece essa mão estendida é a mídia corporativa desse país, esse poderosíssimo poder de fazer cabeças, mas injustamente não levada em consideração no pleito presidencial pela maioria dos eleitores, apesar dos esforços éticos e aéticos , factuais ou ficcionais, que levou a efeito para tentar eleger o candidato que perdeu. E, nesse caso específico, a solidariedade deve abranger os valentes profissionais que compõem essa mídia, entre eles alguns comentaristas políticos e economistas de nomeada, ”especialistas” que devem até agora estar se interrogando sobre como, onde e por que erraram, já que fizeram certinho o dever de casa (ou melhor, o dever “da casa” onde trabalham)...
Deve ser horrível fazer jornalismo em um país em que as pessoas se atrevem a ter juízo próprio ...
Por falar nisso, não se deve esquecer uma possível solidariedade aos leitores que escrevem cartas nessas publicações midiáticas – em sua esmagadora maioria, legítimos representantes de uma elite que, raivosa, a julgar pela forma como se manifesta, tem imensa dificuldade em conviver bem com a melhor repartição do pão que sobra em fartas mesas, com o maior movimento de gente nos aeroportos, com a maior presença de “estranhos” nas Universidades, enfim, com a felicidade melhor distribuída... Imagino como estejam tristes pelo fato de não ter sido ainda desta vez que se reinstaurou entre nós o nirvana dos privilegiados ...
Também há a possibilidade de se ser solidário a algumas entidades religiosas (instituições ou seitas, não importa) que, não se pode negar, cumpriram direitinho – embora sem êxito, no final das contas (que pena!) - o seu papel de aterrorizar os eleitores com assuntos que não deveriam ter composto o cardápio eleitoral. Um destaque especial pode ser conferido ao Papa, que fez todo o esforço possível para que o obscurantismo prevalecesse , mas que não encontrou, entre os seus fiéis, tanta devoção à causa quanto julgava, apesar das recomendadas lavagens cerebrais eclesiásticas.
Há ainda a solidariedade aos verdes – cuja “onda”, afinal de contas, acabou por não gerar mais que uns gatos pingados no Congresso - e aos de outras colorações que, por não terem uma posição firmada sobre coisa alguma, encontraram grande dificuldade para se manterem em cima de muros, em posição desconfortável que, quem sabe, ainda lhes poderá trazer, no futuro, outros problemas de desvio na coluna ideológica. Aqui excluo, em nome da verdade, o Sr Fernando Gabeira, que, embora verde, jamais se omitiu e deixou claríssima sua posição de aproximação retrógrada com a turma da direita
Pode ser que, tocados por essa onda de solidariedade, alguns desses derrotados venham a experimentar uma crise de consciência ou uma correção de rumos. Não sou muito otimista quanto a isso. A julgar pelo tom da “saudação” do candidato derrotado no discurso que se seguiu à proclamação dos resultados, penso que Dilma e as forças vitoriosas não devem desprezar as potencialidades venenosamente vingativas desse pessoal. E devem, desde já, prevenir-se com o antídoto infalível – porque já testado e comprovado - da continuidade dos projetos de redenção social como tônica do Governo.
Sobre o autor deste artigo
Rodolpho Motta Lima:
Advogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ, com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.
Fonte: Portal do Luiz Nassif
sábado, 30 de outubro de 2010
ILAÇÕES SOBRE O NOVO MINISTÉRIO
Por Carlos Chagas
Irresponsabilidade ou necessidade? Tanto faz, mas avolumam-se as especulações sobre o futuro ministério, desde que ficou previsível a vitória de Dilma Rousseff nas eleições de amanhã. A candidata não admite conversar a respeito, fica brava e talvez nem com o presidente Lula tenha tratado da composição de sua equipe.
Correndo o risco de não emplacar nenhuma das especulações que se seguem, vale registrar o que anda circulando pelos céus de Brasília, ficando as referências por nossa conta e risco.
CASA CIVIL. Talvez a mais importante peça do novo governo, afastada a abominável hipótese de Erenice Guerra, o nome mais falado é do atual ministro do Planejamento, PAULO BERNARDO. Seu entrosamento com a futura presidente da República vem de longe, desde os tempos em que ela ocupava o ministério das Minas e Energia.
FAZENDA. Não apenas no PT, mas em círculos do empresariado, cresce o cacife do atual presidente do BNDES, LUCIANO COUTINHO. Ideologicamente próximo de Dilma e respeitado nos círculos nacionalistas, seu papel no principal instrumento de incentivo ao desenvolvimento tem merecido elogios de todos os setores, até da oposição.
MINAS E ENERGIA. A importância de amplo entendimento entre o futuro governo e o PMDB conduz o maior partido nacional a dispor de forte representação no novo ministério, sendo que a ainda candidata foi pródiga em elogios ao seu sucessor na pasta considerada das mais importantes para a nova administração. O senador EDISON LOBÃO concentra as maiores atenções para retornar também em nome de seu partido ao antigo gabinete, onde a única modificação promovida por seu sucessor foi a compra de um tapete de luxo para substituir
PETROBRÁS. Tendo sido especulado para a Fazenda e para a Casa Civil, parece a possibilidade mais recente para a presidência da empresa o ex-ministro ANTÔNIO PALOCCI, podendo o atual presidente Sergio Gabrielli, ser aproveitado em algum outro ministério.
CIÊNCIA E TECNOLOGIA. O lugar estaria reservado para alguém duplamente qualificado: primeiro, para dar à pasta o relevo que ela merece, com vistas à inclusão do Brasil no rol das nações desenvolvidas. Depois, como retribuição a mais um sacrifício feito por um companheiro fundador do PT, que foi para as recentes eleições com a certeza da derrota. ALOYSIO MERCADANTE é nome cogitado nos círculos mais próximos do presidente Lula e, em conseqüência, de Dilma Rousseff.
COMUNICAÇÕES. Elemento chave no governo e um dos artífices da indicação e da consolidação da candidata, FRANKLIN MARTINS poderia ser deslocado da Comunicação Social, que exerce, para o ministério tido como dos mais sensíveis na definição dos rumos da futura administração.
DEFESA. Ignora-se o número de ministros que Dilma Rousseff conservará, dos atuais designados pelo presidente Lula. Não deverão ser muitos, dada a importância da apresentação de uma equipe renovada e pessoalmente ligada à nova presidente da República. Uma exceção, porém, seria a manutenção de NELSON JOBIM no cargo, pelo motivo principal de que deu certo num dos mais delicados setores do governo.
RELAÇÕES EXTERIORES. Outra hipótese de continuidade estaria na preservação por mais um ano do chanceler CELSO AMORIM no Itamaraty, menos porque baterá o recorde de permanência do Barão do Rio Branco, mais porque sua presença seria penhor de afirmação da nova política externa, uma sinalização para a comunidade internacional.
Vale repetir, essas ilações correm por conta e risco de quem as apresenta, sem qualquer chance de provir da candidata ou de seus principais auxiliares de campanha, porque tanto eles, quanto ela, fogem de cogitações sobre o futuro como o diabo foge da cruz. Será preciso conhecer, primeiro, as diretrizes que Dilma avançará uma vez proclamados os resultados da eleição e em seguida à entrevista coletiva ainda sem data marcada que fatalmente concederá. A premissa é de que não há pressa na composição da nova equipe, com os meses de novembro e dezembro destinados a entendimentos e conversas prolongadas. Claro que, em primeiro lugar, com o presidente Lula, que se continuar matreiro como tem sido, não indicará ninguém...
PARTITURAS RENOVADAS
No âmago do ninho dos tucanos começaram, há dias, trocas de idéias a respeito do futuro, no caso da provável derrota de José Serra. Será preciso coragem para recompor a terra arrasada pela vitória de Dilma Rousseff e traçar novos rumos. De início, abandonar a postura que a campanha eleitoral acirrou, de conflitos, confrontos e agressões injustificáveis até quando se disputam votos. Por certo que, no reverso da medalha, jamais a adesão, muito menos a complacência
Substantivos em vez de adjetivos, seria uma diretriz certamente comandada pelo senador Aécio Neves, tanto por sua liderança inconteste quanto como preparação para as eleições de 2014. Volta a proposta sempre tentadora para as oposições, mas tantas vezes tornada inexeqüível, da constituição de um shadow gabinet, ou seja, de um anti-ministério funcionando na sombra, com cada setor do novo governo examinado e, se necessário, criticado por figuras de competência pinçadas nas bancadas parlamentares do PSDB, do DEM e adjacências.
Nada de radicalismos, mas firmeza na apresentação de alternativas para o modelo praticado pelo PT e aliados. Inflexibilidade na apuração de possíveis denúncias de irregularidades, se acontecerem, mas compreensão diante de propostas consideradas essenciais para o desenvolvimento do país.
No correr de novembro deverão reunir-se os principais líderes e as bancadas recém eleitas da oposição, com ênfase para os governadores e sem desconsiderar antigas figuras de destaque no passado. Em suma, uma orquestra capaz de executar partituras renovadas.
EXCESSO OPOSTO
Protestaram alguns ministros do Supremo Tribunal Federal contra o que lhes pareceu a prepotência do Congresso, aprovando a lei da ficha limpa fora do prazo e criando constrangimentos para as coisas julgadas. Gilmar Mendes chegou a rotular de casuística a lei complementar 135, capaz de ser seguida, no futuro, por novas sanções a atos jurídicos perfeitos praticados, quem sabe, há mais de vinte anos. Tudo, para ele, por motivos de perseguição político-partidária, das maiorias contra as minorias. Para o ex-presidente da mais alta corte nacional de justiça, melhor seria fechá-la se suprimidas suas prerrogativas de interpretar a Constituição.
O problema é que raciocínios opostos também começaram a ser feitos em Brasília. Não estaria havendo, com perdão do trocadilho, uma tentativa de “supremacia por parte do Supremo”? Afinal, se o Congresso decidiu por uma determinada legislação, teria o Judiciário poderes para torná-la letra morta, no caso de não desrespeitar a Constituição? Aqui dividiram-se as opiniões, mas teria o tribunal poderes para conceder ou suprimir direitos eleitorais?
Sobrecarregado por centenas de recursos de candidatos impugnados e sem registro, não estaria o Supremo exorbitando ao arvorar-se em árbitro maior de decisões tomadas pelo eleitorado? A dúvida prosseguirá, de um lado e de outro.
OUTRO PAÍS?
Quando nascer o sol, segunda-feira, estaremos habitando outro país? Qualquer que tenha sido a decisão do eleitorado na escolha do futuro presidente da República, mudará alguma coisa?
O regime continuará o mesmo, o sistema de governo, também. Os três poderes da República permanecerão funcionando. As instituições, da mesma forma.
Quanto ao cidadão comum, deixará de pagar impostos, de seguir para o trabalho e de pretender realizar sonhos e objetivos práticos?
É preciso manter os pés no chão e deixar de imaginar, como pretendem alguns, que tudo mudou. Até porque não será o governo Dilma Rousseff, como apregoado durante dois anos, a continuidade do governo Lula?Missão | Política de Transparência
Irresponsabilidade ou necessidade? Tanto faz, mas avolumam-se as especulações sobre o futuro ministério, desde que ficou previsível a vitória de Dilma Rousseff nas eleições de amanhã. A candidata não admite conversar a respeito, fica brava e talvez nem com o presidente Lula tenha tratado da composição de sua equipe.
Correndo o risco de não emplacar nenhuma das especulações que se seguem, vale registrar o que anda circulando pelos céus de Brasília, ficando as referências por nossa conta e risco.
CASA CIVIL. Talvez a mais importante peça do novo governo, afastada a abominável hipótese de Erenice Guerra, o nome mais falado é do atual ministro do Planejamento, PAULO BERNARDO. Seu entrosamento com a futura presidente da República vem de longe, desde os tempos em que ela ocupava o ministério das Minas e Energia.
FAZENDA. Não apenas no PT, mas em círculos do empresariado, cresce o cacife do atual presidente do BNDES, LUCIANO COUTINHO. Ideologicamente próximo de Dilma e respeitado nos círculos nacionalistas, seu papel no principal instrumento de incentivo ao desenvolvimento tem merecido elogios de todos os setores, até da oposição.
MINAS E ENERGIA. A importância de amplo entendimento entre o futuro governo e o PMDB conduz o maior partido nacional a dispor de forte representação no novo ministério, sendo que a ainda candidata foi pródiga em elogios ao seu sucessor na pasta considerada das mais importantes para a nova administração. O senador EDISON LOBÃO concentra as maiores atenções para retornar também em nome de seu partido ao antigo gabinete, onde a única modificação promovida por seu sucessor foi a compra de um tapete de luxo para substituir
PETROBRÁS. Tendo sido especulado para a Fazenda e para a Casa Civil, parece a possibilidade mais recente para a presidência da empresa o ex-ministro ANTÔNIO PALOCCI, podendo o atual presidente Sergio Gabrielli, ser aproveitado em algum outro ministério.
CIÊNCIA E TECNOLOGIA. O lugar estaria reservado para alguém duplamente qualificado: primeiro, para dar à pasta o relevo que ela merece, com vistas à inclusão do Brasil no rol das nações desenvolvidas. Depois, como retribuição a mais um sacrifício feito por um companheiro fundador do PT, que foi para as recentes eleições com a certeza da derrota. ALOYSIO MERCADANTE é nome cogitado nos círculos mais próximos do presidente Lula e, em conseqüência, de Dilma Rousseff.
COMUNICAÇÕES. Elemento chave no governo e um dos artífices da indicação e da consolidação da candidata, FRANKLIN MARTINS poderia ser deslocado da Comunicação Social, que exerce, para o ministério tido como dos mais sensíveis na definição dos rumos da futura administração.
DEFESA. Ignora-se o número de ministros que Dilma Rousseff conservará, dos atuais designados pelo presidente Lula. Não deverão ser muitos, dada a importância da apresentação de uma equipe renovada e pessoalmente ligada à nova presidente da República. Uma exceção, porém, seria a manutenção de NELSON JOBIM no cargo, pelo motivo principal de que deu certo num dos mais delicados setores do governo.
RELAÇÕES EXTERIORES. Outra hipótese de continuidade estaria na preservação por mais um ano do chanceler CELSO AMORIM no Itamaraty, menos porque baterá o recorde de permanência do Barão do Rio Branco, mais porque sua presença seria penhor de afirmação da nova política externa, uma sinalização para a comunidade internacional.
Vale repetir, essas ilações correm por conta e risco de quem as apresenta, sem qualquer chance de provir da candidata ou de seus principais auxiliares de campanha, porque tanto eles, quanto ela, fogem de cogitações sobre o futuro como o diabo foge da cruz. Será preciso conhecer, primeiro, as diretrizes que Dilma avançará uma vez proclamados os resultados da eleição e em seguida à entrevista coletiva ainda sem data marcada que fatalmente concederá. A premissa é de que não há pressa na composição da nova equipe, com os meses de novembro e dezembro destinados a entendimentos e conversas prolongadas. Claro que, em primeiro lugar, com o presidente Lula, que se continuar matreiro como tem sido, não indicará ninguém...
PARTITURAS RENOVADAS
No âmago do ninho dos tucanos começaram, há dias, trocas de idéias a respeito do futuro, no caso da provável derrota de José Serra. Será preciso coragem para recompor a terra arrasada pela vitória de Dilma Rousseff e traçar novos rumos. De início, abandonar a postura que a campanha eleitoral acirrou, de conflitos, confrontos e agressões injustificáveis até quando se disputam votos. Por certo que, no reverso da medalha, jamais a adesão, muito menos a complacência
Substantivos em vez de adjetivos, seria uma diretriz certamente comandada pelo senador Aécio Neves, tanto por sua liderança inconteste quanto como preparação para as eleições de 2014. Volta a proposta sempre tentadora para as oposições, mas tantas vezes tornada inexeqüível, da constituição de um shadow gabinet, ou seja, de um anti-ministério funcionando na sombra, com cada setor do novo governo examinado e, se necessário, criticado por figuras de competência pinçadas nas bancadas parlamentares do PSDB, do DEM e adjacências.
Nada de radicalismos, mas firmeza na apresentação de alternativas para o modelo praticado pelo PT e aliados. Inflexibilidade na apuração de possíveis denúncias de irregularidades, se acontecerem, mas compreensão diante de propostas consideradas essenciais para o desenvolvimento do país.
No correr de novembro deverão reunir-se os principais líderes e as bancadas recém eleitas da oposição, com ênfase para os governadores e sem desconsiderar antigas figuras de destaque no passado. Em suma, uma orquestra capaz de executar partituras renovadas.
EXCESSO OPOSTO
Protestaram alguns ministros do Supremo Tribunal Federal contra o que lhes pareceu a prepotência do Congresso, aprovando a lei da ficha limpa fora do prazo e criando constrangimentos para as coisas julgadas. Gilmar Mendes chegou a rotular de casuística a lei complementar 135, capaz de ser seguida, no futuro, por novas sanções a atos jurídicos perfeitos praticados, quem sabe, há mais de vinte anos. Tudo, para ele, por motivos de perseguição político-partidária, das maiorias contra as minorias. Para o ex-presidente da mais alta corte nacional de justiça, melhor seria fechá-la se suprimidas suas prerrogativas de interpretar a Constituição.
O problema é que raciocínios opostos também começaram a ser feitos em Brasília. Não estaria havendo, com perdão do trocadilho, uma tentativa de “supremacia por parte do Supremo”? Afinal, se o Congresso decidiu por uma determinada legislação, teria o Judiciário poderes para torná-la letra morta, no caso de não desrespeitar a Constituição? Aqui dividiram-se as opiniões, mas teria o tribunal poderes para conceder ou suprimir direitos eleitorais?
Sobrecarregado por centenas de recursos de candidatos impugnados e sem registro, não estaria o Supremo exorbitando ao arvorar-se em árbitro maior de decisões tomadas pelo eleitorado? A dúvida prosseguirá, de um lado e de outro.
OUTRO PAÍS?
Quando nascer o sol, segunda-feira, estaremos habitando outro país? Qualquer que tenha sido a decisão do eleitorado na escolha do futuro presidente da República, mudará alguma coisa?
O regime continuará o mesmo, o sistema de governo, também. Os três poderes da República permanecerão funcionando. As instituições, da mesma forma.
Quanto ao cidadão comum, deixará de pagar impostos, de seguir para o trabalho e de pretender realizar sonhos e objetivos práticos?
É preciso manter os pés no chão e deixar de imaginar, como pretendem alguns, que tudo mudou. Até porque não será o governo Dilma Rousseff, como apregoado durante dois anos, a continuidade do governo Lula?Missão | Política de Transparência
DIZER, NEGAR E FAZER
Assim como o verbo se conjuga em três tempos: Presente, Passado e Futuro, o politico só pode ser considerado profissional, experiente, amadurecido, quando sabe lidar com as três etapas mais comum da vida partidária.
A primeira delas é afirmar tal objetivo, anunciar antecipadamente tal roteiro ou percurso, o segundo momento será negar tudo que afirmou antes e o terceiro tempo do jogo jogado, é fazer tudo que prometeu, tudo que negou inicialmente, deixando seus interlocutores perplexos, seus seguidores de crista caida e seus adversários cada vez mais desapontados.
Não precisamos citar nomes, mas exemplo existe até demais, basta que queiramos nos aprofundar no assunto pra saber que os milagres do disse não quero, dá sempre lugar para o que exatamente desejam fazer.
Melhor ainda, os santos milagreiros estão bem próximos de nós, nos municipios, nos estados e no país, independentes de cargos indicados ou escolhidos soberanamente pelo o voto popular.
Estão em todos os partidos, dentro e fora do poder, o importante é que implaquem sempre algo do seu próprio gosto.
Usam sempre uma verdade, típica de quem quer pegar galinha, não grita chou! Todos mentem, iludem, pra confundir ou realizar o que dizem nunca fazer.
Todavia, cada um conduz seu andor de acordo com o que achar coveniente pra sí ou pra alguém do seu interesse.
Uns usam a desfaçatez par alcançar os objetivos, estes são artistas... outros o fazem com a cara mais lambida do mundo, querendo também chegar no topo da colina, estes podemos chamar medíocres...para não rotulamos de canalhas, trambiqueiros etc e tal.
Escrito por aluiziolacerda às 17h31
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A primeira delas é afirmar tal objetivo, anunciar antecipadamente tal roteiro ou percurso, o segundo momento será negar tudo que afirmou antes e o terceiro tempo do jogo jogado, é fazer tudo que prometeu, tudo que negou inicialmente, deixando seus interlocutores perplexos, seus seguidores de crista caida e seus adversários cada vez mais desapontados.
Não precisamos citar nomes, mas exemplo existe até demais, basta que queiramos nos aprofundar no assunto pra saber que os milagres do disse não quero, dá sempre lugar para o que exatamente desejam fazer.
Melhor ainda, os santos milagreiros estão bem próximos de nós, nos municipios, nos estados e no país, independentes de cargos indicados ou escolhidos soberanamente pelo o voto popular.
Estão em todos os partidos, dentro e fora do poder, o importante é que implaquem sempre algo do seu próprio gosto.
Usam sempre uma verdade, típica de quem quer pegar galinha, não grita chou! Todos mentem, iludem, pra confundir ou realizar o que dizem nunca fazer.
Todavia, cada um conduz seu andor de acordo com o que achar coveniente pra sí ou pra alguém do seu interesse.
Uns usam a desfaçatez par alcançar os objetivos, estes são artistas... outros o fazem com a cara mais lambida do mundo, querendo também chegar no topo da colina, estes podemos chamar medíocres...para não rotulamos de canalhas, trambiqueiros etc e tal.
Escrito por aluiziolacerda às 17h31
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DILMA E SERRA NO ÚLTIMO DEBATE DE CAMPANHA
Serra e Dilma encerram campanha em
debate sem confronto na Rede Globo
TV Globo
DILMA E SERRA NO ÚLTIMO DEBATE DE CAMPANHA
Foi "soft" e "didático" , sem confronto, o último debate de campanha, promovido nesta sexta (29), entre os dois candidatos à Presidência. A plateia em formato de arena, as perguntas de eleitores indecisos de todo o país, clicadas aleatoriamente num telão e depois dirigida pessoalmente aos candidatos, ajudaram no clima "paz e amor" e promessas mil. Três funcionários públicos questionaram os candidatos, a primeira reclamou aumento: Serra "enrolou" como diz sua adversária, que também enrolou, com a habitual promessa de valorizar o funcionalismo. O tucano falou da necessidade de concursos - uma questão que toca na turma terceirizada do PT no governo - e traumatiza uma legião de brasileiros em busca de emprego estável.
Corrupção passou ao largo - Finalmente, um jovem advogado perguntou sobre corrupção, mas não esquentou o debate. Serra evita citar a ex-ministra Erenice Guerra (Casa Civil), mas lembra os "aloprados", ressaltando que "o bom exemplo vem de cima" e o combate à impunidade. Dilma cita prisões de empresários e governador pela PF, o trabalho da Controladoria-Geral da União e afirma que "é preciso punir". O meio ambiente relax do confronto que não houve não ajudou a candidata Dilma a caprichar na língua portuguesa: lembrou que é professora, mas falou "foram atingidos pessoas", "a gente que somos" e "ciclo vicioso" virou "círculo virtuoso.
"Ditadismo" e "cola": muitas propostas dos candidatos se embaralharam, numa espécie de "cola" - Dilma falando das "policlínicas" propostas por Serra. Na Educação, o tucano voltou a defender um "pacto nacional", de "dois professores em sala de aula". Dilma defendeu aumento de salário do professor. Na Saúde, Serra lembra a situação precárias das Santas Casas e filantrópicas, que dependem de repasses do governo, Dilma retomo a "Rede Cegonha", de atendimento desde a gravidez e falou das filas no SUS, esquecendo que, para Lula, o sistema é "quase perfeito". E prometeu estender a todo o país as Unidades de Pronto Atendimento do Rio (UPAs).
"Escolinha com aviõezinhos" - O cenário, com um mapa ao fundo, reforçou o esquema de "escolinha do professor Serra e da professora Dilma" - uma sucessão de promessas e números repetidos, com os "mestres" andando pela "sala". Serra citou a criação do Infocrime, cadastro nacional de crimes, Dilma falou de novo os aviões não tripulados de Israel "na guerra" (não disse contra que país) para combater o crime no Brasil. O tucano rebateu a "formalização" do trabalho conquistada no governo Lula, dizendo que 50% dos brasileiros continuam na informalidade. Dilma esqueceu de novo que é herdeira do governo Lula na questão sobre Agricultura, dizendo que "não tem educação nem habitação de qualidade no campo". Serra reforçou a importância da agricultura familiar, no tom didático de velho professor. Outra promessa da candidata do governo: desonerar a folha de pagamento numa reforma tributária, prometendo aumentar o limite de faturamento do Super Simples. Serra aliás, disse que "não é simples" uma reforma tributária.
O gongo da meia-noite - Na questão do Ambiente - pergunta de um indeciso do Pará - Dilma reafirma "compromisso de tolerância zero" com desmatamento que não significa "desmatamento zero". Serra prometeu oferecer "alternativa econonômica para a população combater'' (o desmatamento). Uma operadora de telemarketing indecisa reclama que tem "valão onde mora". Dilma acha "uma vergonha o Brasil do século XXI ter problema de saneamento". Serra defende uma força nacional de defesa civil para socorro em caso de calamidades, quando entrou a questão das enchentes. Dilma diz que "já começou a resolver" e "vai investir em dragagem". A "explanação" dos candidatos virou uma "apostila" de propostas para os indecisos decorarem antes de votar. O final da "aula" se aproxima: o "debate" deve terminar antes da meia-noite, como determina a legislação eleitoral e acontece nos contos de fada - é nessa hora que as carruagens viram abóbora. Faltou "cascudo" nessa escolinha noturna da Globo.
Fonte: Blog do claudiohumbertto
debate sem confronto na Rede Globo
TV Globo
DILMA E SERRA NO ÚLTIMO DEBATE DE CAMPANHA
Foi "soft" e "didático" , sem confronto, o último debate de campanha, promovido nesta sexta (29), entre os dois candidatos à Presidência. A plateia em formato de arena, as perguntas de eleitores indecisos de todo o país, clicadas aleatoriamente num telão e depois dirigida pessoalmente aos candidatos, ajudaram no clima "paz e amor" e promessas mil. Três funcionários públicos questionaram os candidatos, a primeira reclamou aumento: Serra "enrolou" como diz sua adversária, que também enrolou, com a habitual promessa de valorizar o funcionalismo. O tucano falou da necessidade de concursos - uma questão que toca na turma terceirizada do PT no governo - e traumatiza uma legião de brasileiros em busca de emprego estável.
Corrupção passou ao largo - Finalmente, um jovem advogado perguntou sobre corrupção, mas não esquentou o debate. Serra evita citar a ex-ministra Erenice Guerra (Casa Civil), mas lembra os "aloprados", ressaltando que "o bom exemplo vem de cima" e o combate à impunidade. Dilma cita prisões de empresários e governador pela PF, o trabalho da Controladoria-Geral da União e afirma que "é preciso punir". O meio ambiente relax do confronto que não houve não ajudou a candidata Dilma a caprichar na língua portuguesa: lembrou que é professora, mas falou "foram atingidos pessoas", "a gente que somos" e "ciclo vicioso" virou "círculo virtuoso.
"Ditadismo" e "cola": muitas propostas dos candidatos se embaralharam, numa espécie de "cola" - Dilma falando das "policlínicas" propostas por Serra. Na Educação, o tucano voltou a defender um "pacto nacional", de "dois professores em sala de aula". Dilma defendeu aumento de salário do professor. Na Saúde, Serra lembra a situação precárias das Santas Casas e filantrópicas, que dependem de repasses do governo, Dilma retomo a "Rede Cegonha", de atendimento desde a gravidez e falou das filas no SUS, esquecendo que, para Lula, o sistema é "quase perfeito". E prometeu estender a todo o país as Unidades de Pronto Atendimento do Rio (UPAs).
"Escolinha com aviõezinhos" - O cenário, com um mapa ao fundo, reforçou o esquema de "escolinha do professor Serra e da professora Dilma" - uma sucessão de promessas e números repetidos, com os "mestres" andando pela "sala". Serra citou a criação do Infocrime, cadastro nacional de crimes, Dilma falou de novo os aviões não tripulados de Israel "na guerra" (não disse contra que país) para combater o crime no Brasil. O tucano rebateu a "formalização" do trabalho conquistada no governo Lula, dizendo que 50% dos brasileiros continuam na informalidade. Dilma esqueceu de novo que é herdeira do governo Lula na questão sobre Agricultura, dizendo que "não tem educação nem habitação de qualidade no campo". Serra reforçou a importância da agricultura familiar, no tom didático de velho professor. Outra promessa da candidata do governo: desonerar a folha de pagamento numa reforma tributária, prometendo aumentar o limite de faturamento do Super Simples. Serra aliás, disse que "não é simples" uma reforma tributária.
O gongo da meia-noite - Na questão do Ambiente - pergunta de um indeciso do Pará - Dilma reafirma "compromisso de tolerância zero" com desmatamento que não significa "desmatamento zero". Serra prometeu oferecer "alternativa econonômica para a população combater'' (o desmatamento). Uma operadora de telemarketing indecisa reclama que tem "valão onde mora". Dilma acha "uma vergonha o Brasil do século XXI ter problema de saneamento". Serra defende uma força nacional de defesa civil para socorro em caso de calamidades, quando entrou a questão das enchentes. Dilma diz que "já começou a resolver" e "vai investir em dragagem". A "explanação" dos candidatos virou uma "apostila" de propostas para os indecisos decorarem antes de votar. O final da "aula" se aproxima: o "debate" deve terminar antes da meia-noite, como determina a legislação eleitoral e acontece nos contos de fada - é nessa hora que as carruagens viram abóbora. Faltou "cascudo" nessa escolinha noturna da Globo.
Fonte: Blog do claudiohumbertto
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
A COR DO VOTO
Enviado por Ricardo Noblat
Do blog de José Roberto de Toledo
José Serra (PSDB) tem mais chances entre brancos e amarelos. Dilma Rousseff (PT) vai melhor entre pretos e pardos. Se cor da pele equivale a origem étnica, o tucano ganha por 5 pontos nos caucasianos/orientais. Entre os negros, a petista tem 15 pontos de vantagem.
A divisão do eleitorado por cor obedece às mesmas categorias do IBGE. Como no Censo 2010, os entrevistados se auto-classificaram aos pesquisadores do Ibope. Os dois grupos correspondem a 46% (brancos/amarelos) e 53% (pretos/pardos) do eleitorado pesquisado.
A variável não havia sido analisada até agora nesta eleição. Foi incluída na pesquisa pelo Ibope a pedido de grupos militantes do movimento negro.
Uma das conclusões mais importantes dessa análise é que a preferência de pretos/pardos por Dilma e de brancos/amarelos por Serra sobrevive ao controle dos resultados pela renda e escolaridade dos eleitores.
Negros que ganham mais e/ou que cursaram mais séries na escola continuam votando até 30% mais na petista. É um comportamento eleitoral muito diferente dos caucasianos e orientais das mesmas faixas de renda e escolaridade, que votam até 44% mais no adversário.
Considerando-se apenas os eleitores que frequentaram o ensino médio ou superior, Dilma tem 38% entre brancos/amarelos e 51% entre pretos/pardos. Serra tem praticamente os porcentuais inversos: 52% e 42%, respectivamente.
Entre os eleitores com renda superior a 5 salários mínimos, o topo da pirâmide eleitoral, a divisão do voto por cor segue na mesma proporção. Dilma tem 36% entre os brancos (contra 52% de Serra) e 51% entre os negros (contra 40% do adversário).
Há, portanto, fatores que diferenciam o voto dos dois grupos que vão além das condições sócio-econômicas em que vivem. A explicação parece ser tampouco a identificação entre eleitores e candidatos da mesma cor. Tanto Dilma quanto Serra são brancos e filhos de imigrantes europeus.
A sondagem do Ibope fornece pistas, mas não todos os elementos para explicar a clivagem do voto em função da auto-definição do eleitorado.
O conjunto de pesquisas deixa claro, porém, que a cor não é o único fator, nem sequer o principal, para a escolha do presidenciável.
O voto é uma combinação da cor, religião, renda, escolaridade, ocupação e local de moradia do eleitor - não necessariamente nessa ordem. Essas variáveis têm pesos diferentes para cada um.
O religioso dá mais importância à opinião do candidato sobre o aborto, por exemplo. Mas se esse eleitor for beneficiário do Bolsa-Família a opção por um ou outro presidenciável será mais complexa: a balança penderá às vezes para o bolso, às vezes para a orientação religiosa.
Esses pesos e contra-pesos matizam a importância da cor do eleitor na decisão do voto.
Nos segmentos intermediários de renda e escolaridade, Serra ainda vai melhor do que Dilma entre brancos/amarelos, embora sua vantagem não seja tão grande quanto entre os mais ricos e escolarizados da mesma cor.
Já entre os mais pobres (renda até 2 salários mínimos), o tucano apenas empata com a petista no eleitorado branco (45% a 47%), e perde por 20 pontos no negro: 36% a 56%.
A divisão do eleitorado segundo a cor de sua pele encontra um paralelo na geografia do voto nas metrópoles brasileiras. Em São Paulo, os candidatos a presidente do PSDB em 2006 e 2010 obtiveram vantagens maciças nas zonas centrais, mais ricas e tradicionais da cidade.
Em bairros como os Jardins e Pinheiros, onde a grande maioria dos moradores é branca, Geraldo Alckmin (PSDB) obteve até 79% dos votos válidos em 2006. Serra ficou em 68%, mas porque parte desses eleitores optaram por Marina Silva (PV) - uma candidata que, dependendo dos olhos de quem a vê, poderia ser enquadrada em qualquer uma das categorias étnicas.
Substitua-se esses bairros por Copacabana, Leblon e Gávea e o quadro se repete no Rio de Janeiro. A única diferença é que o voto petista não fica limitado à periferia. Está também encastelado nas zonas eleitorais dos morros da Zona Sul, como Rocinha e Vidigal, onde Dilma teve maioria absoluta de votos no primeiro turno.
Os dados sugerem pauta para novas pesquisas e investigações. Por ora, indicam que os que ascenderam recentemente a condições sócio-econômicas melhores mas ainda moram nas mesmas áreas onde viviam seus pais votam majoritariamente em presidenciáveis do PT.
Será curioso observar o comportamento desses emergentes ao longo das próximas eleições. Será que eles se manterão fiéis aos partidos que reivindicam tê-los ajudado a melhorar de vida, ou assimilarão a preferência eleitoral dos novos vizinhos?
Do blog de José Roberto de Toledo
José Serra (PSDB) tem mais chances entre brancos e amarelos. Dilma Rousseff (PT) vai melhor entre pretos e pardos. Se cor da pele equivale a origem étnica, o tucano ganha por 5 pontos nos caucasianos/orientais. Entre os negros, a petista tem 15 pontos de vantagem.
A divisão do eleitorado por cor obedece às mesmas categorias do IBGE. Como no Censo 2010, os entrevistados se auto-classificaram aos pesquisadores do Ibope. Os dois grupos correspondem a 46% (brancos/amarelos) e 53% (pretos/pardos) do eleitorado pesquisado.
A variável não havia sido analisada até agora nesta eleição. Foi incluída na pesquisa pelo Ibope a pedido de grupos militantes do movimento negro.
Uma das conclusões mais importantes dessa análise é que a preferência de pretos/pardos por Dilma e de brancos/amarelos por Serra sobrevive ao controle dos resultados pela renda e escolaridade dos eleitores.
Negros que ganham mais e/ou que cursaram mais séries na escola continuam votando até 30% mais na petista. É um comportamento eleitoral muito diferente dos caucasianos e orientais das mesmas faixas de renda e escolaridade, que votam até 44% mais no adversário.
Considerando-se apenas os eleitores que frequentaram o ensino médio ou superior, Dilma tem 38% entre brancos/amarelos e 51% entre pretos/pardos. Serra tem praticamente os porcentuais inversos: 52% e 42%, respectivamente.
Entre os eleitores com renda superior a 5 salários mínimos, o topo da pirâmide eleitoral, a divisão do voto por cor segue na mesma proporção. Dilma tem 36% entre os brancos (contra 52% de Serra) e 51% entre os negros (contra 40% do adversário).
Há, portanto, fatores que diferenciam o voto dos dois grupos que vão além das condições sócio-econômicas em que vivem. A explicação parece ser tampouco a identificação entre eleitores e candidatos da mesma cor. Tanto Dilma quanto Serra são brancos e filhos de imigrantes europeus.
A sondagem do Ibope fornece pistas, mas não todos os elementos para explicar a clivagem do voto em função da auto-definição do eleitorado.
O conjunto de pesquisas deixa claro, porém, que a cor não é o único fator, nem sequer o principal, para a escolha do presidenciável.
O voto é uma combinação da cor, religião, renda, escolaridade, ocupação e local de moradia do eleitor - não necessariamente nessa ordem. Essas variáveis têm pesos diferentes para cada um.
O religioso dá mais importância à opinião do candidato sobre o aborto, por exemplo. Mas se esse eleitor for beneficiário do Bolsa-Família a opção por um ou outro presidenciável será mais complexa: a balança penderá às vezes para o bolso, às vezes para a orientação religiosa.
Esses pesos e contra-pesos matizam a importância da cor do eleitor na decisão do voto.
Nos segmentos intermediários de renda e escolaridade, Serra ainda vai melhor do que Dilma entre brancos/amarelos, embora sua vantagem não seja tão grande quanto entre os mais ricos e escolarizados da mesma cor.
Já entre os mais pobres (renda até 2 salários mínimos), o tucano apenas empata com a petista no eleitorado branco (45% a 47%), e perde por 20 pontos no negro: 36% a 56%.
A divisão do eleitorado segundo a cor de sua pele encontra um paralelo na geografia do voto nas metrópoles brasileiras. Em São Paulo, os candidatos a presidente do PSDB em 2006 e 2010 obtiveram vantagens maciças nas zonas centrais, mais ricas e tradicionais da cidade.
Em bairros como os Jardins e Pinheiros, onde a grande maioria dos moradores é branca, Geraldo Alckmin (PSDB) obteve até 79% dos votos válidos em 2006. Serra ficou em 68%, mas porque parte desses eleitores optaram por Marina Silva (PV) - uma candidata que, dependendo dos olhos de quem a vê, poderia ser enquadrada em qualquer uma das categorias étnicas.
Substitua-se esses bairros por Copacabana, Leblon e Gávea e o quadro se repete no Rio de Janeiro. A única diferença é que o voto petista não fica limitado à periferia. Está também encastelado nas zonas eleitorais dos morros da Zona Sul, como Rocinha e Vidigal, onde Dilma teve maioria absoluta de votos no primeiro turno.
Os dados sugerem pauta para novas pesquisas e investigações. Por ora, indicam que os que ascenderam recentemente a condições sócio-econômicas melhores mas ainda moram nas mesmas áreas onde viviam seus pais votam majoritariamente em presidenciáveis do PT.
Será curioso observar o comportamento desses emergentes ao longo das próximas eleições. Será que eles se manterão fiéis aos partidos que reivindicam tê-los ajudado a melhorar de vida, ou assimilarão a preferência eleitoral dos novos vizinhos?
terça-feira, 12 de outubro de 2010
ENVIADO POR RICARDO NOBLAT
Deu na Folha de S. Paulo
A fé nos boatos (Editorial)
Mais do que razões religiosas, escândalos fizeram eleitor mudar o voto no final do 1º turno, corrigindo análises precipitadas sobre o pleito
Embora tenham dominado as especulações acerca das causas da fuga de votos da candidata Dilma Rousseff no primeiro turno eleitoral, questões relacionadas à religião exerceram pouca influência no resultado.
Revelações sobre irregularidades cometidas pela ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, e notícias relativas à quebra dos sigilos fiscais de tucanos e parentes do ex-governador José Serra pesaram quase três vezes mais na decisão do eleitor -e seus efeitos colaterais atingiram o próprio candidato do PSDB.
Na reta final, de acordo com pesquisa Datafolha publicada ontem, cerca de 6% do eleitorado decidiu mudar o voto. A candidata do PT perdeu quatro pontos percentuais; Serra, dois.
Segundo o levantamento, 75% das perdas de Dilma foram provocadas pelos escândalos, o mesmo motivo apontado pela parcela que desistiu de votar no postulante do PSDB - talvez apreensiva quanto à correção fiscal dos citados e ao papel da militância tucana nos bastidores desses episódios.
Diante dos dados da pesquisa, a estratégia situacionista de apresentar Dilma Rousseff como vítima de calúnias e preconceitos religiosos - como se viu no debate de domingo à noite, na Rede Bandeirantes - pode resultar de uma análise precipitada.
Mesmo assim, a insistência em abordar esses assuntos, por mais espinhosos que de fato sejam para o petismo, não deixou de ter um aspecto de conveniência. Ao imputar aos adversários a divulgação de boatos e a promoção de uma espécie de cruzada ultraconservadora com o intuito de desmoralizá-la, Dilma deixou em segundo plano o que mais importava - as explicações sobre os desvios na Casa Civil e os critérios que nortearam a escolha de Erenice Guerra para ser sua principal assessora e, posteriormente, ministra.
Ao mesmo tempo, é legítimo que praticantes das diversas religiões desejem saber sobre as convicções pessoais dos candidatos e que sacerdotes procurem orientar os fiéis. O Estado é laico e assegura a liberdade de fé. Dentro desses parâmetros, a participação dos religiosos no debate eleitoral é parte da democracia.
Embora seja evidente o crescimento das igrejas evangélicas no país, parte delas demasiado inclinadas ao reino de César, nada sugere que uma agenda religiosa comece a substituir os temas que tradicionalmente disputam a atenção do eleitorado, ligados ao bem-estar econômico e social.
Os resultados apresentados pelo Datafolha reiteram, ainda, a função da imprensa na configuração do espaço público e do debate democrático. A internet constitui inestimável avanço técnico a serviço de todos os campos da atividade humana. Por mais notável, porém, que seja sua contribuição na área das comunicações, é o jornalismo profissional e independente que, seja na forma impressa, seja na eletrônica, vem iluminando a disputa eleitoral.
A fé nos boatos (Editorial)
Mais do que razões religiosas, escândalos fizeram eleitor mudar o voto no final do 1º turno, corrigindo análises precipitadas sobre o pleito
Embora tenham dominado as especulações acerca das causas da fuga de votos da candidata Dilma Rousseff no primeiro turno eleitoral, questões relacionadas à religião exerceram pouca influência no resultado.
Revelações sobre irregularidades cometidas pela ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, e notícias relativas à quebra dos sigilos fiscais de tucanos e parentes do ex-governador José Serra pesaram quase três vezes mais na decisão do eleitor -e seus efeitos colaterais atingiram o próprio candidato do PSDB.
Na reta final, de acordo com pesquisa Datafolha publicada ontem, cerca de 6% do eleitorado decidiu mudar o voto. A candidata do PT perdeu quatro pontos percentuais; Serra, dois.
Segundo o levantamento, 75% das perdas de Dilma foram provocadas pelos escândalos, o mesmo motivo apontado pela parcela que desistiu de votar no postulante do PSDB - talvez apreensiva quanto à correção fiscal dos citados e ao papel da militância tucana nos bastidores desses episódios.
Diante dos dados da pesquisa, a estratégia situacionista de apresentar Dilma Rousseff como vítima de calúnias e preconceitos religiosos - como se viu no debate de domingo à noite, na Rede Bandeirantes - pode resultar de uma análise precipitada.
Mesmo assim, a insistência em abordar esses assuntos, por mais espinhosos que de fato sejam para o petismo, não deixou de ter um aspecto de conveniência. Ao imputar aos adversários a divulgação de boatos e a promoção de uma espécie de cruzada ultraconservadora com o intuito de desmoralizá-la, Dilma deixou em segundo plano o que mais importava - as explicações sobre os desvios na Casa Civil e os critérios que nortearam a escolha de Erenice Guerra para ser sua principal assessora e, posteriormente, ministra.
Ao mesmo tempo, é legítimo que praticantes das diversas religiões desejem saber sobre as convicções pessoais dos candidatos e que sacerdotes procurem orientar os fiéis. O Estado é laico e assegura a liberdade de fé. Dentro desses parâmetros, a participação dos religiosos no debate eleitoral é parte da democracia.
Embora seja evidente o crescimento das igrejas evangélicas no país, parte delas demasiado inclinadas ao reino de César, nada sugere que uma agenda religiosa comece a substituir os temas que tradicionalmente disputam a atenção do eleitorado, ligados ao bem-estar econômico e social.
Os resultados apresentados pelo Datafolha reiteram, ainda, a função da imprensa na configuração do espaço público e do debate democrático. A internet constitui inestimável avanço técnico a serviço de todos os campos da atividade humana. Por mais notável, porém, que seja sua contribuição na área das comunicações, é o jornalismo profissional e independente que, seja na forma impressa, seja na eletrônica, vem iluminando a disputa eleitoral.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
TÁ NO BLOG DE JOSIAS DE SOUSA
Boato de lesbianismo levou à agressividade de Dilma
Moacyr Lopes Jr./Folha
O tom agressivo empregado por Dilma Rousseff no debate presidencial da noite passada tem origem num boato.
O comitê de campanha da pupila de Lula foi informado acerca de um falso processo judicial que circula na internet.
Na peça, um suposto advogado aciona Dilma em nome de uma hipotética ex-doméstica da candidata.
A empregada fictícia sustenta no processo de fancaria ter mantido com Dilma um relacionamento amoroso de 15 anos. Cobra indenização.
Há três dias, o deputado eleito Gabriel Chalita (PSB-SP) tratou do tema em conversa com um petista ligado ao comando da campanha de Dilma.
Chalita contou que um religioso o havia procurado para dizer que recebera cópia de processo em que Dilma era acusada de lesbianismo.
O interlocutor pediu a Chalita que aconselhasse o bispo a checar o número de registro na OAB do advogado que assina o processo. “Não existe. É falso”, disse.
Em diálogos privados que antecederam o debate nos estúdios da TV Bandeirantes, Dilma e seus operadores atribuíram a aleivosia à campanha de José Serra.
Entre quatro paredes, a candidata petista se disse “indignada”. Para ela, o boato do processo tornou incontornável a inclusão da "baixaria" no rol de temas do debate.
Vem daí a decisão de Dilma de inquirir Serra, já na primeira pergunta, acerca da boataria que viceja no “submundo” virtual.
Como as suspeitas contra Serra não estão escoradas em provas, Dilma evitou mencionar o falso processo. Soou genérica:
“Acredito que uma candidatura à Presidência tem por objetivo engrandecer o Brasil, discutir valores e projetos para o futuro”, disse ela para Serra.
“Sua campanha procura me atingir por meio de calúnias, mentiras e difamações. [...] Seu vice, Índio da Costa, a única coisa que ele faz é criar e organizar grupos, até para me atingir com questões religiosas...”
“[...]...Você considera que essa forma de fazer campanha, que usa o submundo, é correta?”
Serra centrou sua resposta na polêmica sobre o aborto e no ‘Erenicegate’. Disse que Dilma confunde “verdades e reportagens com ataques”.
Um integrante do comitê petista contou ao repórter que, antes do início do debate, chegou aos ouvidos de Dilma outra “informação”.
Segundo ele, um panfleto apócrifo contendo ataques à candidata teria sido distribuído em templos evangélicos do Rio, neste domingo (10).
No folheto, Dilma é associada, de novo, à defesa do aborto. O texto a acusa de ser a favor da “matança de criancinhas”.
Foi por essa razão, informa o operador da campanha petista, que a candidata levou aos holofotes o nome da mulher do antagonista.
“Sua esposa, Mônica Serra, disse o seguinte: ‘A Dilma é a favor da morte de criancinhas’.”
Mônica teria dirigido o comentário a um eleitor, durante caminhada pelas ruas de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (RJ). Coisa do mês passado.
Serra esquivou-se de responder. Presente à platéia da TV Bandeirantes, Mônica não se deu por aludida. Disse que não sabe do que Dilma está falando.
Ouvido pelo blog, um membro da campanha tucana tachou de “alucinação” a alegada vinculação de Serra ao falso processo que retrata Dilma como lésbica.
Como se vê, a disputa eleitoral de 2010 caminha a passos largos para um lodaçal que não dignifica a atividade política.
Moacyr Lopes Jr./Folha
O tom agressivo empregado por Dilma Rousseff no debate presidencial da noite passada tem origem num boato.
O comitê de campanha da pupila de Lula foi informado acerca de um falso processo judicial que circula na internet.
Na peça, um suposto advogado aciona Dilma em nome de uma hipotética ex-doméstica da candidata.
A empregada fictícia sustenta no processo de fancaria ter mantido com Dilma um relacionamento amoroso de 15 anos. Cobra indenização.
Há três dias, o deputado eleito Gabriel Chalita (PSB-SP) tratou do tema em conversa com um petista ligado ao comando da campanha de Dilma.
Chalita contou que um religioso o havia procurado para dizer que recebera cópia de processo em que Dilma era acusada de lesbianismo.
O interlocutor pediu a Chalita que aconselhasse o bispo a checar o número de registro na OAB do advogado que assina o processo. “Não existe. É falso”, disse.
Em diálogos privados que antecederam o debate nos estúdios da TV Bandeirantes, Dilma e seus operadores atribuíram a aleivosia à campanha de José Serra.
Entre quatro paredes, a candidata petista se disse “indignada”. Para ela, o boato do processo tornou incontornável a inclusão da "baixaria" no rol de temas do debate.
Vem daí a decisão de Dilma de inquirir Serra, já na primeira pergunta, acerca da boataria que viceja no “submundo” virtual.
Como as suspeitas contra Serra não estão escoradas em provas, Dilma evitou mencionar o falso processo. Soou genérica:
“Acredito que uma candidatura à Presidência tem por objetivo engrandecer o Brasil, discutir valores e projetos para o futuro”, disse ela para Serra.
“Sua campanha procura me atingir por meio de calúnias, mentiras e difamações. [...] Seu vice, Índio da Costa, a única coisa que ele faz é criar e organizar grupos, até para me atingir com questões religiosas...”
“[...]...Você considera que essa forma de fazer campanha, que usa o submundo, é correta?”
Serra centrou sua resposta na polêmica sobre o aborto e no ‘Erenicegate’. Disse que Dilma confunde “verdades e reportagens com ataques”.
Um integrante do comitê petista contou ao repórter que, antes do início do debate, chegou aos ouvidos de Dilma outra “informação”.
Segundo ele, um panfleto apócrifo contendo ataques à candidata teria sido distribuído em templos evangélicos do Rio, neste domingo (10).
No folheto, Dilma é associada, de novo, à defesa do aborto. O texto a acusa de ser a favor da “matança de criancinhas”.
Foi por essa razão, informa o operador da campanha petista, que a candidata levou aos holofotes o nome da mulher do antagonista.
“Sua esposa, Mônica Serra, disse o seguinte: ‘A Dilma é a favor da morte de criancinhas’.”
Mônica teria dirigido o comentário a um eleitor, durante caminhada pelas ruas de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (RJ). Coisa do mês passado.
Serra esquivou-se de responder. Presente à platéia da TV Bandeirantes, Mônica não se deu por aludida. Disse que não sabe do que Dilma está falando.
Ouvido pelo blog, um membro da campanha tucana tachou de “alucinação” a alegada vinculação de Serra ao falso processo que retrata Dilma como lésbica.
Como se vê, a disputa eleitoral de 2010 caminha a passos largos para um lodaçal que não dignifica a atividade política.
TÁ NO BLOG DO NOBLAT
Comentário
O lance arriscado de Dilma
A partir de hoje, os comerciais da campanha de Dilma Rousseff na TV passarão a bater mais duro em José Serra. Na linha do discurso agressivo adotado por Dilma no debate promovido pela Rede Bandeirantes de Televisão ontem à noite.
Dilma nunca foi tão Dilma quanto no debate. Quem trabalha com ela sabe disso. Com uma diferença: o reencontro de Dilma com ela mesma atendeu a claros objetivos eleitorais.
Era preciso afastar o clima sombrio que pairava sobre os militantes do PT e os aliados de Dilma desde que se desmanchara no ar a certeza da vitória certa no primeiro turno.
De resto, surgira mais um agravante: a primeira pesquisa de intenção de votos do Datafolha para o segundo turno confirmou o viés de queda de Dilma. Diminuiu a vantagem dela sobre Serra.
Era preciso, também, encontrar uma saída para o problema criado pela própria Dilma quando em duas ocasiões defendeu a descriminalização do aborto.
A saída foi fornecida pela mulher de Serra, Mônica, que outro dia acusou Dilma de querer "matar criacinhas".
Dilma culpou Mônica pela "mais sórdida" onda de ataques já sofrida por um político brasileiro - no caso, ela.
Evidente exagero, é claro. Dilma não apanhou até agora metade do que apanharam no passado, por exemplo, Getúlio Vargas, o próprio Lula.
Dilma repetiu contra Serra a manobra que foi fatal para Geraldo Alckmin em 2006: acusou-o de pretender seguir privatizando empresas.
Por fim, Dilma chamou Serra de homem de mil caras, apontou supostos defeitos de sua administração como governador de São Paulo e reforçou a ligação dele com o governo mal avaliado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Os estudiosos de eleições e os marqueteiros costumam dizer que perde quem bate muito. Esquecem que perde igualmente quem não se defende.
Dilma defendeu-se atacando.
Supreendido por uma adversária que não conhecia, da qual apenas ouvira falar, Serra reagiu na maioria das ocasiões com uma excessiva frieza.
Foi cuidadoso ao tratar da questão do aborto. Não defendeu sequer sua mulher. Mas soube explorar, e mais de uma vez, os recentes escândalos que subtraíram de Dilma preciosos votos.
A saber: a quebra do sigilo fiscal de nomes ligados ao PSDB e a queda de Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil, acusada de ter acobertado as atividades suspeitas dos seus dois filhos na intermediação de negócios com o governo.
No primeiro turno, Serra foi melhor do que sua propaganda política - ao contrário de Dilma que foi pior.
No debate promovido pela Rede Bandeirantes, os papéis se inverteram.
Somente as próximas pesquisas poderão confirmar se Dilma ganhou votos ou se parou de perdê-los ao se apresentar como é.
Foi um lance arriscado dela, esse. Mas não se ganha eleição sem correr riscos.
No mínimo, o PT amanheceu, hoje, mais feliz. E também mais disposto a tentar eleger a candidata que Lula lhe empurrou goela abaixo.
O lance arriscado de Dilma
A partir de hoje, os comerciais da campanha de Dilma Rousseff na TV passarão a bater mais duro em José Serra. Na linha do discurso agressivo adotado por Dilma no debate promovido pela Rede Bandeirantes de Televisão ontem à noite.
Dilma nunca foi tão Dilma quanto no debate. Quem trabalha com ela sabe disso. Com uma diferença: o reencontro de Dilma com ela mesma atendeu a claros objetivos eleitorais.
Era preciso afastar o clima sombrio que pairava sobre os militantes do PT e os aliados de Dilma desde que se desmanchara no ar a certeza da vitória certa no primeiro turno.
De resto, surgira mais um agravante: a primeira pesquisa de intenção de votos do Datafolha para o segundo turno confirmou o viés de queda de Dilma. Diminuiu a vantagem dela sobre Serra.
Era preciso, também, encontrar uma saída para o problema criado pela própria Dilma quando em duas ocasiões defendeu a descriminalização do aborto.
A saída foi fornecida pela mulher de Serra, Mônica, que outro dia acusou Dilma de querer "matar criacinhas".
Dilma culpou Mônica pela "mais sórdida" onda de ataques já sofrida por um político brasileiro - no caso, ela.
Evidente exagero, é claro. Dilma não apanhou até agora metade do que apanharam no passado, por exemplo, Getúlio Vargas, o próprio Lula.
Dilma repetiu contra Serra a manobra que foi fatal para Geraldo Alckmin em 2006: acusou-o de pretender seguir privatizando empresas.
Por fim, Dilma chamou Serra de homem de mil caras, apontou supostos defeitos de sua administração como governador de São Paulo e reforçou a ligação dele com o governo mal avaliado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Os estudiosos de eleições e os marqueteiros costumam dizer que perde quem bate muito. Esquecem que perde igualmente quem não se defende.
Dilma defendeu-se atacando.
Supreendido por uma adversária que não conhecia, da qual apenas ouvira falar, Serra reagiu na maioria das ocasiões com uma excessiva frieza.
Foi cuidadoso ao tratar da questão do aborto. Não defendeu sequer sua mulher. Mas soube explorar, e mais de uma vez, os recentes escândalos que subtraíram de Dilma preciosos votos.
A saber: a quebra do sigilo fiscal de nomes ligados ao PSDB e a queda de Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil, acusada de ter acobertado as atividades suspeitas dos seus dois filhos na intermediação de negócios com o governo.
No primeiro turno, Serra foi melhor do que sua propaganda política - ao contrário de Dilma que foi pior.
No debate promovido pela Rede Bandeirantes, os papéis se inverteram.
Somente as próximas pesquisas poderão confirmar se Dilma ganhou votos ou se parou de perdê-los ao se apresentar como é.
Foi um lance arriscado dela, esse. Mas não se ganha eleição sem correr riscos.
No mínimo, o PT amanheceu, hoje, mais feliz. E também mais disposto a tentar eleger a candidata que Lula lhe empurrou goela abaixo.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
POR CARLOS CHAGAS - COLUNISTA
O ELOGIO DA LOUCURA
Por Carlos Chagas
É conhecida a história do Barão de Itararé, preso em plena ditadura do Estado Novo quando desceu de seu escritório, na Avenida Rio Branco, para tomar um café. Ficou semanas na cadeia sem acusação formal, processo ou, sequer, chamado a dar depoimento. Amigos do inesquecível Aparício Torelli, seu nome de batismo, organizaram-se e levaram o caso a um ministro do Supremo Tribunal Federal, que convocou o Barão. Perguntou porque ele estava preso e veio a resposta irreverente que fez o jornalista continuar mais algumas semanas atrás das grades:
“Excelência, foi aquele maldito cafezinho!”
Sem entender, o ministro quis detalhes e o réu sem culpa explicou que estava trabalhando há horas na elaboração de mais um número de seu jornal, “A Manha”, quando resolveu ir ao botequim tomar um café. Pediu, pagou e quando ia levando a pequena xícara aos lábios, um investigador de polícia botou a mão no seu ombro e disse o clássico “teje preso”. Só pode ter sido o cafezinho, completou o Barão.
Pois é. José Serra perdeu a eleição, ainda que tenha conseguido uma nova chance, preparando-se para disputar o segundo turno com Dilma Rousseff. Por que perdeu?
A explicação do Alto Tucanato é digna daquela que deu o Barão, décadas atrás: Serra perdeu porque em sua campanha ignorou a obra de Fernando Henrique Cardoso, em especial as privatizações...
O grotesco nesse episódio é que o PSDB conseguiu convencer o candidato a voltar atrás e a iniciar uma ladainha de “Meas Culpas”, desde segunda-feira homenageando o sociólogo como o grande inspirador de sua campanha. Mudou de diretriz em meio ao percurso, iniciativa mais do que perigosa. Pode não ganhar nada com os louvores ao antecessor e até perder votos, se insistir. Porque o povão não está nem aí para o Plano Real, aliás, de autoria do então presidente Itamar Franco e dos ministros Rubem Ricúpero e Ciro Gomes.
Do que o eleitorado quer saber, e a observação vale também para Dilma Rousseff, é sobre planos, projetos e programas dos candidatos para o futuro. Que setores merecerão seus maiores cuidados, e como? Centralizar a campanha no Plano Real e nas privatizações dos anos noventa será tão eficaz para Serra quanto pegar uma toalha e começar a enxugar gelo...
CÂNDIDE, OU O OTIMISMO
Começamos com a lembrança de Erasmo de Rotterdã, autor do famoso “Elogio da Loucura”, que quase o levou para a fogueira mas serviu para a demolição dos arcaicos dogmas e conceitos sustentados pela Igreja durante a Idade Média.
Vale passarmos para uma entre centenas de magistrais obras de François Marie Arouet, o Voltaire. Ele rejeitava verdades absolutas, sofreu com perseguições, prisões, exílios e penduricalhos. Não raro tinha que fugir das maiores cortes euopéias para não ser preso. Decidiu, então, escrever uma obra que agradasse a todos, uma ode ao otimismo capaz de agradar à nobreza, ao clero e aos poderosos. Num fim de semana produziu “Cândide, ou o Otimismo” onde relata as agruras e os dissabores de um jovem ingênuo e seu professor, o dr. Pangloss, cujos óculos transformavam desgraças em maravilhosas benesses.
Se o “Elogio da Loucura”presta-se a uma advertência a José Serra, por estar deixando levar-se pelo que de mais reacionário existiu no governo Fernando Henrique, “Cândide” serve como uma luva para expor as entranhas do grupo que pretende engessar Dilma Rousseff, transmitindo-lhe uma visão infame, pronta para ser esmagada, daquilo que seria sua presença na presidência da República. Se é para ver o Brasil pelas lentes do professor Lula (perdão, do professor Pangloss), o destino da candidata será o mesmo do personagem de Voltaire: enganar-se permanentemente.
Por Carlos Chagas
É conhecida a história do Barão de Itararé, preso em plena ditadura do Estado Novo quando desceu de seu escritório, na Avenida Rio Branco, para tomar um café. Ficou semanas na cadeia sem acusação formal, processo ou, sequer, chamado a dar depoimento. Amigos do inesquecível Aparício Torelli, seu nome de batismo, organizaram-se e levaram o caso a um ministro do Supremo Tribunal Federal, que convocou o Barão. Perguntou porque ele estava preso e veio a resposta irreverente que fez o jornalista continuar mais algumas semanas atrás das grades:
“Excelência, foi aquele maldito cafezinho!”
Sem entender, o ministro quis detalhes e o réu sem culpa explicou que estava trabalhando há horas na elaboração de mais um número de seu jornal, “A Manha”, quando resolveu ir ao botequim tomar um café. Pediu, pagou e quando ia levando a pequena xícara aos lábios, um investigador de polícia botou a mão no seu ombro e disse o clássico “teje preso”. Só pode ter sido o cafezinho, completou o Barão.
Pois é. José Serra perdeu a eleição, ainda que tenha conseguido uma nova chance, preparando-se para disputar o segundo turno com Dilma Rousseff. Por que perdeu?
A explicação do Alto Tucanato é digna daquela que deu o Barão, décadas atrás: Serra perdeu porque em sua campanha ignorou a obra de Fernando Henrique Cardoso, em especial as privatizações...
O grotesco nesse episódio é que o PSDB conseguiu convencer o candidato a voltar atrás e a iniciar uma ladainha de “Meas Culpas”, desde segunda-feira homenageando o sociólogo como o grande inspirador de sua campanha. Mudou de diretriz em meio ao percurso, iniciativa mais do que perigosa. Pode não ganhar nada com os louvores ao antecessor e até perder votos, se insistir. Porque o povão não está nem aí para o Plano Real, aliás, de autoria do então presidente Itamar Franco e dos ministros Rubem Ricúpero e Ciro Gomes.
Do que o eleitorado quer saber, e a observação vale também para Dilma Rousseff, é sobre planos, projetos e programas dos candidatos para o futuro. Que setores merecerão seus maiores cuidados, e como? Centralizar a campanha no Plano Real e nas privatizações dos anos noventa será tão eficaz para Serra quanto pegar uma toalha e começar a enxugar gelo...
CÂNDIDE, OU O OTIMISMO
Começamos com a lembrança de Erasmo de Rotterdã, autor do famoso “Elogio da Loucura”, que quase o levou para a fogueira mas serviu para a demolição dos arcaicos dogmas e conceitos sustentados pela Igreja durante a Idade Média.
Vale passarmos para uma entre centenas de magistrais obras de François Marie Arouet, o Voltaire. Ele rejeitava verdades absolutas, sofreu com perseguições, prisões, exílios e penduricalhos. Não raro tinha que fugir das maiores cortes euopéias para não ser preso. Decidiu, então, escrever uma obra que agradasse a todos, uma ode ao otimismo capaz de agradar à nobreza, ao clero e aos poderosos. Num fim de semana produziu “Cândide, ou o Otimismo” onde relata as agruras e os dissabores de um jovem ingênuo e seu professor, o dr. Pangloss, cujos óculos transformavam desgraças em maravilhosas benesses.
Se o “Elogio da Loucura”presta-se a uma advertência a José Serra, por estar deixando levar-se pelo que de mais reacionário existiu no governo Fernando Henrique, “Cândide” serve como uma luva para expor as entranhas do grupo que pretende engessar Dilma Rousseff, transmitindo-lhe uma visão infame, pronta para ser esmagada, daquilo que seria sua presença na presidência da República. Se é para ver o Brasil pelas lentes do professor Lula (perdão, do professor Pangloss), o destino da candidata será o mesmo do personagem de Voltaire: enganar-se permanentemente.
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