sexta-feira, 12 de junho de 2009

POUCAS E BOAS DE VALÉRIO MESQUITA

Polética e políticos

* O bairro de Lagoa Seca, de Natal dos anos cinquenta, era carente de tudo. O vereador Sebastião Malaquias, se intitulava representante daquela gente. "Queremos água! Água para Lagoa Seca!", bradava Sebastião aos quatros cantos. O prefeito Creso Bezerra, silente e paciente, em entrevista, um dia falou: "Vamos perfurar um poço em Lagoa Seca. Quero encher a lagoa, encher a barriga do povo e calar a boca de Sebastião Malaquias". Nada mais foi perguntado.*

Na Câmara Municipal de Mossoró, a sessão pegava fogo. O vereador Expedito Bolão levava a pior, na aprovação de uma matéria de sua autoria. Os vereadores se recolheram aos gabinetes. Nesse intervalo Expedito, descobriu que "rolava dinheiro" nas negociações. Na volta ao plenário, o baixinho apelou feio: "Senhor presidente, eu vou me retirar desta Casa. Tô sabendo que tem arrumadinho por baixo do pano. Assim não dá! Meu pai já dizia que um jumento carregado de açúcar, até os c... dá refresco!". Bolão juntou seus papéis e retirou-se com seu exótico xarope.*

Roque vendia sequilhos e grudes nos vagões do trem, que fazia o percurso Natal/São Rafael. Certa vez, o prefeito angicano Pedro Moura, com o seu impecável paletó, lia seu jornal, sem ligar a mínima pro resto do mundo. Roque ofereceu: "Vai aí um grudinho senhor?". O prefeito acenou com um "não". Cinco vezes seguida, o grude foi oferecido, e o vendedor só ouvia não. Por fim, Pedro Moura falou chateado: "Já disse que não! Eu não como essas coisas, principalmente grudes sem procedência!". O velho Roque foi saindo e resmungando: "Pensa que eu não conheço... Lá em Angicos o povo chama ele de Pedro Pé de Grude; Papagaio Velho! Vive "grudado" nos pés de Aluízio Alves". Vingança de eleitor não atendido sempre foi rogar praga.*

O prefeito Jarbas Cavalcanti, descansava na praia de Tabatinga. Deparou-se com uma jovem vendendo coco verde para uns gringos. A moça desenvolvia bem a conversação com o grupo estrangeiro. Lá para as tantas, Jarbas comentou: "Tá vendo aí. Um belo exemplo!". Um sujeito que, à força, queria ser assessor, leia-se, puxa-saco do prefeito, deu pitaco: "Lá em São Gonçalo, quem quiser trabalhar no aeroporto, vai ter que falar "ingrês", né prefeito?". Nessas ocasiões a arte do silêncio é imprescindível. Até para os analfabetos.*

O inverno havia castigado a cidade de Mossoró. Joaquim Borges da Silveira, presidente da câmara municipal, comentava com alguns amigos: "Hoje para mim, está se desenhando um dia aziago. Nada está dando certo!". O vereador pouco letrado, Antônio de Abílio, corrigiu: "Que é isso doutor Joaquim: "Dias e águas?". Assim, Mossoró afunda." Tonho nunca havia escutado a palavra aziago. Joaquim Borges olhou de lado, e saiu de perto. O velho detestava desinteligência.

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