sexta-feira, 19 de junho de 2009

EL BODEGUEIRO

Dormi jornalista, acordei cozinheiro. Pior ainda, ao chegar hoje à tarde ao Senadinho, o juiz Sidney Lopes e o desembargador Meira Lima ainda me gozaram:
- Garçom, por favor, traga uma média requentada!
Afrânio Amorim aumentou o cordão: - Cabora, tem buchada de bucho de bode?
Joaquim Úrsula: - Conterrâneo, prepare uma curimatã ovada com zinebra gato!
Agnelo Alves, fazendo coro a Roberto Guedes: - Sou jornalista desde menino, mas sem diploma. Portanto, estou livre do forno e fogão!
As gozações são por conta da comparação feita de viva voz pelo Ministro Gilmar Mendes, Presidente do STF, relator do processo que extingue a obrigatoriedade de diploma de jornalismo para exercício da prostituída profissão: - “Jornalista é como cozinheiro, não precisa de diploma para a exercer a profissão”!
Pensamento jurídico, determinante, faz-se, cumpra-se, e pronto. Jogaram a categoria na lata do lixo, com ou sem diploma, não que o cheff de cozinha desmereça o nosso apreço e consideração, mas a maneira de como foi pronunciada, teatralmente, pôe em cheque a categoria que é obrigada, por dever de ofício, a cobrir protestos, greves de outras categorias profissionais por melhores salários e condições de trabalho, mas não tem espaço nos veículos de comunicação em que trabalha para as suas reivindicações.
O filme é antigo, para não dizer triste, como na versão musical do cantor Demétrius, início dos anos 60, mas a frieza de como foi proferida pelo alcaide mor da Corte maior, gelou até o picolé caseiro Caicó: - “Jornalista é como cozinheiro, não precisa de diploma para…!”
Deveriam, pelo menos, ter plagiado o saudoso João Saldanha que, em palestra aqui em Natal, anos oitenta, defendendo também a abolição do diploma, calou uma coleguinha: “o jornalista tem que ter vocação, saber ler e escrever, mas também ter um pouquinho de sacanagem, porque sacanagem não se faz só na cama!”
Resgatei um pouco o passado, a minha juventude, misto de garçom e biriteiro nos bares da vida – Bar da Praça, Tênis Clube, Ferreirinha, como coadjuvante de Três Orelhas, Chico de Quintina e os filhos malucos do doutor Primo Ivo. O bar de Maria Preta, um caso à parte: a serelepe mãe preta preparava uns tira gostos na medida, de encher a nossa boca, já tão cheia do mau hálito de cachaça, mas a higiene no recinto era caso de polícia e de saúde pública.
Sem choros, nem velas: Maria Preta, simplesmente, utilizava a borda do indefectível sanitário como suporte do escorredor de macarrão. Como pinguço não tira gosto com espaguete, a seleta clientela tirava de letra a falta de higiene. O que interessava à plebe rude, além do álcool e dos pebas torrados, era a estridente risada da mãe do Tião, como no dia em que o doutor Carlindo Dantas, um de seus grandes clientes, aconselhou à dona do bar que controlasse a sua sexualidade, para evitar mais filhos ( já eram quase 20). Maria Preta justificou: - “Doutô, a melhor brincadeira que restou para o pobre foi trepar, e de graça é melhor ainda!”
Pois é, digníssimos e feridos colegas, o jeito é plagiar o saudoso Paulino Brocha, depois de mais uma tentativa na Baixa da Beleza, em Jardim do Seridó: “nóis sofre, mas nóis goza!”


Fonte:
WWW.ocabore.com

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