quinta-feira, 18 de junho de 2009

Pajelanças politicas - Valério Mesquita



* O velho Odilon Bento, grande liderança rural dos anos cinqüenta, na região de Currais Novos, endeusava por demais o seu líder Dinarte Mariz. Para Odilon,"Se o compadre Dinarte fez, tá dito e tá feito". Nos palanques, inflando o peito repetia que: "no Rio Grande do Norte nada se perde, nada se cria, tudo se "compadria". Não é compadre?".O então governador assentia com largo sorriso sertanejo. Afinal, razão da história: entre Currais Novos e São Fernando, Odilon "segurava" cinco mil votos sempre. E haja pajelança.
* O grupo Maia surgia para ficar. O doutor Tarcísio emergia como articulador e chefe do sistema a partir dos anos setenta. Em Mossoró, o líder verde e bacurau Leodécio Fernandes Néo, foi convidado e aceitou jantar na fazenda São João. Fala mansa, Tarcísio aliciava: "Como vai doutor Leodécio? Precisamos conversar". "Vou aperreado doutor Tarcísio", sublinhou. O governante escancarando o diálogo emendou: "No lado do governo não existe "aperreado". Chega-se logo, aí, o quadro muda. Junte-se a nós, e verá. Aqui vai ser assim: Tatá, Lavô e Jajá! A "eles" (rosados), só resta o direito de estrebuchar". Era a doutrina profética do Apocalipse. Duas semanas depois Leodécio assumia a direção do IPE e dava as ordens na saúde da região oeste.
Iniciava-se aí o desmantelamento do aluizismo em Mossoró. Um bacurau deixava o ninho, tirando o pé da argila verde, e, aportava na praia dos três reis Maias.* O ex-prefeito do Assu, Arcelino Costa Leitão, em seu breve reinado, era tido pelos adversários como político de "breve reizado". Mas, de qualquer forma, marcou época e fez história principalmente no glossário do município. Enquanto Edgar Montenegro versejava em termos e citações clássicas, "Seu Costa" dizia o que lhe vinha a mente. Queria - e conseguiu - eleger o sucessor.Lançou, então, Maroquinha, sua esposa. E proclamava publicamente: "A campanha vai pegar fogo! Vai feder a chifre queimado!". Foi aí que Edgar pegou a oratória do adversário ao pé da letra. Na praça Getúlio Vargas, bradou: "Sim, assuenses! Vai feder mesmo a chifre queimado! Sim, é claro, pois entrou em cena a mulher de Putifar!!". Apuradas as urnas, Maroquinha foi eleita, malgrado o forte fumacê.
* Em Angicos, sob a tutela do tio Agnelo Alves, o jovem Geraldo Alves ingressou no quadro funcional do banco do Nordeste. Geraldo trabalhava à noite, no departamento de compensação, cheques, carimbos, etc. Com a saída do seu protetor, o servidor "desceu a ladeira", isto é, foi demitido.O ex-bancário apelou na justiça contra o banco. Dia da audiência, levou a tiracolo, um rapaz que residira vizinho à agência bancária. O juiz trabalhista do feito perguntou à testemunha: "O que o senhor sabe sobre o trabalho do reclamante no banco?". Gilvan, a testemunha, um tanto assustado, quis saber: "Oxente, ali é um banco? Eu pensava que era uma padaria. Esse homem passava a noite toda fazendo tok, tok, tok! Eu achava que era "cortando bolacha"". Virando-se para o demitido: "Não era uma padaria não?". O "tok, tok", partia do carimbamento dos papéis. Com uma testemunha dessa ninguém perde questão...
* O saudoso ex-vereador Cauby Barroca, 1,59m, 53 kg, marcou época na política de Natal. Foi permanente candidato de peso pluma a vereador, como representante do bairro das Rocas. Cauby era chegado a uma dose de uísque, mas, na falta dele, qualquer coisa servia, inclusive a velha "Genebra gato preto". Numa campanha acirrada, com o apoio fechado ao nome do médico Túlio Fernandes, Cauby dirigiu-se à residência do futuro deputado, em busca dos "santos olhos". "Entre vereador", disse doutor Túlio. "Sente um pouquinho". Cauby, que mais parecia um pastel de R$ 0,50, e, ainda mais "melado" da noite passada, replicou: "Sente um pouquinho, nada. Eu só me sento se for todo... E para resolver nossas pendências". Finalizou o exigente e raquítico vereador, precursor dos "movidos a álcool" na câmara municipal de Natal.


Fonte: Portal de noticias potiguar

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