quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

MAIS UMA DÉCADA PERDIDA

artigo

É muito comum observar especialistas em educação a fixar em duas décadas o prazo suficiente para se reverter os indicadores negativos da educação brasileira.

A se considerar o desempenho nacional do setor nos anos 2000, conforme avaliação da Unesco, só o fator tempo não será o bastante para que possamos romper o baixo padrão de qualidade do nosso sistema de ensino.

O Brasil tem um líder carismático incontestável, reconhecido como estadista internacionalmente por obedecer aos mandamentos da democracia.

No plano econômico, conseguiu obter status de potência de média importância, podendo chegar ao quinto PIB mundial. No que se refere à grande demanda contemporânea de práticas sustentáveis se situa na vanguarda do planeta verde. Pelo menos esse é o balanço oficial.

Temos adquirido habilidades tecnológicas fantásticas em diversos setores, a exemplo da exploração das imensas reservas de petróleo do pré-sal. Apesar dessas extraordinárias vantagens, nos falta competência histórica para oferecer educação de qualidade.

O déficit educacional brasileiro não é apenas um óbice para a realização do país do futuro, como muitos projetam. São atuais e altamente comprometedores os problemas de mão-de-obra qualificada que o País enfrenta em diversos setores, como o da mineração, da metalurgia, de informática, entre outros.

Por conta das inúmeras oportunidades perdidas de implementar um sistema educacional decente, continuamos a apresentar índices de atraso que superam até mesmo os países mais pobres da América Latina, que temos a honra de liderar no plano geopolítico.

O Relatório de Monitoramento Global da Educação para Todos 2010 da Unesco mostra essa realidade com muita clareza. Vamos aos números: o Brasil possui o maior índice de repetência no ensino fundamental em relação a todos os países da América Latina.

Quando é aferido o percentual de alunos que completam esse ciclo de estudos, perdemos para países muito mais pobres que o Brasil como a Bolívia, o Peru, a Venezuela e o Uruguai.

Para medir o cumprimento das seis metas estabelecidas para o setor em 2000, a Unesco criou o Índice de Desenvolvimento da Educação para Todos. A escala vai de zero a 1.

O Brasil recebeu no relatório de 2010 uma avaliação de 0,883. Em relação à America Latina está à frente somente de Nicarágua, Guatemala, República Domincana, El Salvador e Suriname. Perdemos até para Honduras do bananeiro Manuel Zelaya.

Na América Latina, quatro países já conseguiram obter o índice que confere a posição de ter atingido a meta de prover educação para todos. Outros cinco estão muito próximos, inclusive a problemática Venezuela. Já o Brasil se situa em situação intermediária, na companhia indesejável de outros 16 países.

No plano global, estamos na 88ª posição entre 128 países avaliados. Para ficar na linguagem presidencial, se fosse o Brasileirão, não seria rebaixado, mas estaria distante do título.

A Unesco reconhece que o Brasil tem obtido avanço no programa de alfabetização, na inclusão ao ensino fundamental e na paridade de acesso na questão de gênero. Mas o País é reprovado quando é medido o essencial, ou seja, a qualidade do ensino.

Outro detalhe importante é o fato de a Unesco elogiar o nosso sistema de financiamento, especialmente o Fundeb. Aqui merece uma constatação importante ao se ler o relatório da Unesco. A nossa taxa de investimentos no setor educacional em relação ao PIB é a maior da América do Sul.

Há aí uma disparidade muito grande do nosso caso, se comparado com o Chile, por exemplo, entre o percentual investido e os resultados apresentados, o que nos faz inferir que além dos problemas didáticos, estritamente atinentes ao professor e ao aluno, o sistema educacional brasileiro padece de deficiências estruturais de gestão.

O relatório da Unesco não menciona, mas é preciso destacar a maneira despudorada como administradores locais mancomunados com burocratas roubam dinheiro até de merenda escolar.

O que poderia ser feito em 20 anos vai sendo adiado sine die em função do erro essencial do modelo de educação administrado. Enquanto o Brasil não se definir pela universalização da Escola em Tempo Integral, o sistema educacional vai continuar a formar analfabetos funcionais de alto custo financeiro.

Estamos a desperdiçar tempo e dinheiro, além de pôr em dúvida a real capacidade de nos convertermos em um protagonista global confiável, já que não se pode levar a sério uma nação com indicadores educacionais piores do que a Bolívia.



Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (DEM-GO)

FONTE: BLOG DO NOBLAT

NEM MITO NEM SANTO

NEM MITO NEM SANTO

Por Carlos Chagas

Até que enfim um diagnóstico sereno, justo e necessário sobre o presidente Lula. Seu autor foi o deputado Ciro Gomes, em conversa com a jornalista Cristiana Lobo.

Ao anunciar que mantém sua candidatura à presidência da República, Ciro reafirmou-se “um aliado indiscutível de Lula”, que continua tratando como um líder político, jamais como um mito, um santo ou alguém inquestionável. Deu um exemplo ao dizer que discorda da avaliação do presidente quanto ao processo sucessório. Ao contrário dele, sustenta a existência de mais de um candidato saído do bloco governista como a melhor solução.

Ciro acrescentou não receber recados do Lula, “porque conversa diretamente com ele”. Combinaram encontrar-se em março. Pretende manter sua candidatura “até quando der”, ou seja, o dia 4 de outubro, quando da realização das eleições.

Seria bom se o PT raciocinasse como o ex-ministro e ex-governador. Menos na questão das duas candidaturas, mais na evidência de que o Lula não é um mito, nem um santo, muito menos inquestionável. Bom para o partido, bom para o país e, acima de tudo, bom para o próprio Lula.

É perigoso imaginar o presidente como acima do bem e do mal, guia genial do povos e todo-poderoso condutor dos destinos nacionais. As tempestades começam assim. Uns por interesse, outros por ingenuidade, faz tempo que os companheiros levaram seu chefe para o altar. No passado, essa prática não deu certo, fosse com Getúlio Vargas, fosse com o general Garrastazu Médici. Resta saber se o vírus já inoculou o paciente atual.

Extraido do blog de Miranda Sá

QUEM VIVEU OS ANOS DE CHUMBO? INDAGA O BLOG

A ditadura de 64, começou 27 anos antes. Quantos governadores aderiram ao Estado Novo, a ditadura Vargas, em 1937? A renúncia de Jânio apressou os militares

Virgílio Malta
“Jornalista, o senhor falou uma coisa que me interessa muito. O Estado Novo, e os governadores que traíram a democracia. Isso foi há 73 anos, vou completar 40, gostaria de saber”.

Comentário de Helio Fernandes
Naquela época existiam 21 estados e Distrito Federal, que tinha prefeito nomeado. Negrão de Lima visitou todos os estados, “falo em nome do presidente Vargas, que gostaria do seu apoio para poder implantar a grande renovação que este país espera”.

O primeiro a recusar, imediatamente, foi Lima Cavalcanti, governador de Pernambuco. Disse ao pombo-correio: “Nem admito conversar, o senhor, por favor, se retire”. No dia seguinte viajou para a Europa, só voltou em 1945, quando a ditadura foi derrubada, acabou esse Estado Novo. (Identificado pelo Barão de Itararé, assim: “Esse é o estado a que chegamos”).

O segundo, Flores da Cunha, amicíssimo de Vargas, governador do Rio Grande do Sul. Recusou, disse a Negrão, “mobilizarei os provisórios”. (Era a tropa militar do governador). Getulio mandou prendê-lo, Flores se exilou no Uruguai. Processado, à revelia, foi condenado a 2 anos de prisão.

Implantado o Estado Novo, Vargas mandou um emissário ao Uruguai, dizer a Flores que “podia voltar, está tudo esquecido”. Acreditou, voltou, foi preso imediatamente, cumpriu os 2 anos na Ilha Grande. Apesar de tudo, fez uma bela carreira.

O aventureiro Juracy Magalhães, governador da Bahia, recebeu Negrão, e disse: “Vou ao Rio conversar pessoalmente com o presidente Vargas”. Foi, disse a ele: “Presidente, deixarei o governo, mas não criarei o menor problema para o senhor”.

Não demorou muito, o “fingimento” de democrata acabou, foi nomeado por Vargas para vários cargos.

E ainda durou para ser Ministro, embaixador e novamente Ministro, na ditadura de 1964. Ele, o próprio Negrão e o Almirante Amaral Peixoto, são as “três maiores biografias da História do Brasil”. Descubram qualquer cargo, aqui ou no exterior, todos os três ocuparam.

Juracy além de tudo chegou a general, Amaral a almirante. Negrão era civil.

* * *

PS – Esses fatos históricos e rigorosamente verdadeiros, deixam claro e de forma irrefutável: ter servido à ditadura (e muitos serviram a duas) não elimina ninguém, os ditadores, os subalternos, cúmplices, submissos e aproveitadores enriquecidos.

PS2 – Os que viveram, permanecem debaixo dos holofotes, na ponte ou no horizonte do Poder.

PS3 – Os que morreram, nomes de cidades, de avenidas, de pontes, reverenciados e endeusados. Essa forma de “eternizar” os ditadores do passado, é que estimula os ditadores do amanhã. Um amanhã que tem tudo para estar bem próximo, por causa do tempo, da biografia e da convicção ditatorial de quase todos.

PS4 – Que “pretendem salvar o Brasil”. Sozinhos, convictos e com a certeza inalienável: são enviados de Deus, e cumprem MISSÃO QUE NÃO PODE SER DELEGADA A MAIS NINGUÉM.

FONTE: TRIBUNA DA IMPRENSA

NEM MITO NEM SANTO

Por Carlos Chagas

Até que enfim um diagnóstico sereno, justo e necessário sobre o presidente Lula. Seu autor foi o deputado Ciro Gomes, em conversa com a jornalista Cristiana Lobo.

Ao anunciar que mantém sua candidatura à presidência da República, Ciro reafirmou-se “um aliado indiscutível de Lula”, que continua tratando como um líder político, jamais como um mito, um santo ou alguém inquestionável. Deu um exemplo ao dizer que discorda da avaliação do presidente quanto ao processo sucessório. Ao contrário dele, sustenta a existência de mais de um candidato saído do bloco governista como a melhor solução.

Ciro acrescentou não receber recados do Lula, “porque conversa diretamente com ele”. Combinaram encontrar-se em março. Pretende manter sua candidatura “até quando der”, ou seja, o dia 4 de outubro, quando da realização das eleições.

Seria bom se o PT raciocinasse como o ex-ministro e ex-governador. Menos na questão das duas candidaturas, mais na evidência de que o Lula não é um mito, nem um santo, muito menos inquestionável. Bom para o partido, bom para o país e, acima de tudo, bom para o próprio Lula.

É perigoso imaginar o presidente como acima do bem e do mal, guia genial do povos e todo-poderoso condutor dos destinos nacionais. As tempestades começam assim. Uns por interesse, outros por ingenuidade, faz tempo que os companheiros levaram seu chefe para o altar. No passado, essa prática não deu certo, fosse com Getúlio Vargas, fosse com o general Garrastazu Médici. Resta saber se o vírus já inoculou o paciente atual.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

ESPECIALISTAS EM CASUÍSMOS

Lula está loucamente em campanha “informal” por Dilma, inaugurando qualquer rascunho de obra e falando bem de si próprio todo dia. E os líderes da oposição, estão fazendo o quê? A mesma coisa

Do blog do Alon:

É divertido assistir ao PSDB reclamar dia sim outro também contra a antecipação da campanha. A diversão fica por conta de um detalhe: no poder, o PT não cometeu casuísmos, não alterou uma vírgula das leis eleitorais para beneficiar-se. Nem precisou. Se o partido situacionista colhe os frutos de um arcabouço deformado e injusto, moldado para favorecer o continuísmo, deve gratidão especial ao PSDB, o verdadeiro pai da criança.

A começar da reeleição. Qual é a história dela entre nós? Depois do impeachment de Fernando Collor, a revisão constitucional acabou em fiasco. Um dos poucos temas aprovados foi reduzir o mandato presidencial de cinco para quatro anos. Quem era o favorito então para ganhar a corrida do ano seguinte? Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas vieram o Plano Real e a invencível candidatura de Fernando Henrique Cardoso. Instalados no Planalto, os tucanos trataram de continuar ali mais um quadriênio, com regras curiosas. O ocupante do Executivo pode pleitear um tempo extra na cadeira, sem precisar sair dela. Já quem o desafia é obrigado a desincompatibilizar-se.

O mesmo vale para vereadores, deputados e senadores, que podem lutar por mais um mandato sem renunciar. E têm o privilégio de concorrer com desafiantes que precisam obrigatoriamente estar desligados da máquina estatal. Não é uma beleza? Além disso, no poder os tucanos trataram de reduzir os dias reservados à campanha eleitoral no rádio e na TV.

Quando essas maravilhas foram incorporadas à legislação, o PSDB ocupava a Presidência da República e os governos dos principais estados, incluído o “Triângulo das Bermudas” da política brasileira: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Eis por que simplesmente não dá para levar a sério a choradeira.

O sistema eleitoral apresenta deformações? Sim.

Há esperança de que o próximo governo tome a iniciativa de corrigi-las, para legar ao país uma moldura mais democrática? Esperança remota.

Infelizmente, o aperfeiçoamento institucional não é uma preocupação dos nossos políticos. Talvez porque lhes falte tempo, ocupados que estão em espremer os miolos para encontrar o caminho da perpetuação.

“Casuísmo” é uma palavra nascida nos anos 70 do século passado, quando o regime militar alterou seguidamente as regras eleitorais para tentar evitar a chegada da oposição ao poder.

No fim deu errado, porque o PMDB acabou derrotando o governo, mesmo com todos os truques. Na política, nada resiste à força da maioria. Pode levar um tempo, mas ela acaba prevalecendo.

Qual é o problema atual da oposição brasileira? É exatamente construir uma nova maioria. Ou então, por inércia, as urnas acabarão referendando a maioria que existe, e que sustenta o governo Lula.

Como a oposição não parece ter a mínima ideia de por onde começar a tarefa, recorre ao formalismo. Sim, Lula está loucamente em campanha “informal” por Dilma Rousseff, inaugurando qualquer rascunho de obra e falando bem de si próprio todo dia. E os líderes da oposição, estão fazendo o quê? A mesma coisa.

Apenas, talvez, com menos competência.

Pesquisas

Em nenhum outro país as pesquisas eleitorais consomem o tanto de imprensa que lhes é dedicado no Brasil. Deve haver alguma explicação. Uma, conspiratória, é que enquanto se discutem as pesquisas não se discute o essencial: o que cada candidato quer fazer no governo.

O cenário eleitoral no Brasil é curioso. Para boa parte do eleitorado potencial da oposição (e da base social desta), o ideal a partir de 2011 seria um governo igualzinho ao de Lula, só que sem o PT. Nem é por resistência aos programas sociais, hoje consensuais por convicção ou conveniência. É mais por causa da dúvida sobre os reais compromissos estratégicos do partido com a democracia representativa e a economia de mercado. E não necessariamente nessa ordem.

Daí por que o nome de Henrique Meirelles pode agregar valor eleitoral a Dilma. Ele traria eventualmente também algum desgaste, caso a oposição decidisse colocar em debate o modelo econômico de escravidão financeira, farra cambial e baixo crescimento. Mas quem disse que a oposição está interessada em ir por aí? Ela parece mais empenhada é em vender-se como confiável à turma de sempre.

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

OPINIÃO

Bom dia caros leitores do Ponto de Vista digital, as vezes esquecemos um pouco de você, nem todos os dias atualizamos esse delicioso espaço, mas tenho por todos uma admiração profunda, escrevo mais frequentemente no aluiziolacecrda.zip.net, lá generalizo os assuntos, foco mais o cotidiano politico local e estadual, diferente do que exponho aqui, trago postagens interessantes, temas mais seletos e de maior complexidade social, transcrevo noticias de renomados comuncadores, gente da primeira linha do jornalismo brasileiro. O Ponto de Vista Digital é um blog para os internautas de maior capacidade de assimilação, para os que possuem um senso crítico mais apurado, sem com isso taxar de ignorantes os nossos leitores do outro blog, somente o perfil de um é de outro possuem peculiaridades bastantes diferenciaas... Espero que nenhum se senta ofendido, pois não desejamos classificar ninguém como superior, muito menos inferiorizar o valor de análise reflexiva de cada leitor. Muito obrigado... Vamos continuar sempre plugado.

EM DAVOS, LULA DIZ QUE VAI "JOGAR NA CARA DOS RICOS A CRISE E A TRAGÉDIA DO HAITI

Em Davos, Lula diz que vai "jogar na cara" dos ricos a crise e a tragédia do Haiti


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça-feira (27) durante o Fórum Social Mundial que irá ao Fórum Econômico de Davos (Suíça) e vai "jogar na cara dos países mais ricos" a crise financeira e o "abandono" do Haiti. O presidente também anunciou que irá visitará o Haiti em 25 de fevereiro.

Lula anuncia visita ao Haiti
Lula assina liberação de R$ 375,95 milhões em ajuda para o Haiti

"Vou a Davos como em 2003, com orgulho do que tenho que dizer e mostrar (...) e com a missão de dizer que se o mundo desenvolvido tivesse feito a lição de casa na economia, não teríamos tido crise", afirmou Lula em discurso realizado perante aproximadamente 10 mil participantes do Fórum Social em Porto Alegre.

Nesta quarta-feira, Lula viaja para Davos, onde receberá do Fórum Econômico a primeira edição do prêmio de "Estadista Global".

Apesar do prêmio, Lula alertou que vai a Davos com exigências contra os representantes de países ricos e empresários que vão se reunir.

"Davos não discutiu a crise que estava por vir" e que o Fórum Social já tinha antecipado desde sua primeira edição, em 2001, afirmou Lula.

Também garantiu que vai acusar o mundo desenvolvido pelos fracassos da Rodada de Doha da OMC e da Cúpula sobre Mudança Climática de Copenhague e rebateu críticas que alguns países europeus fizeram ao álcool de cana produzido pelo Brasil.

"Não aceitaremos que ninguém ponha seus dedos sujos de petróleo na matriz energética brasileira, uma das mais limpas do mundo", afirmou.

Além disso, antecipou que irá dizer com orgulho "que o Brasil não deve mais nada ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e que, ao contrário, acaba de emprestar US$ 14 bilhões" ao organismo.

Perante uma plateia que lhe interrompia seguidamente com ovações, acrescentou que também dirá em Davos que "um torneiro mecânico foi quem mais criou universidades e escolas técnicas profissionais" e demonstrou que "é possível mudar a história de cada país".

Lula também discursou sobre as responsabilidades da tragédia do Haiti, país que foi arrasado por um terremoto no último dia 12.

"O que aconteceu no Haiti, mais que desatenção, foi falta de respeito ao direito sagrado da cidadania", afirmou, referindo-se à miséria vivida pelo país há anos, também atribuída pelo presidente aos países mais ricos.

Acusou os chamados "países doadores" do Haiti de haver retido o dinheiro que tinham comprometido e disse que acredita que a devastação causada pelo terremoto "provoque vergonha nos governos que poderiam ter feito algo" para ajudar.

Anunciou que visitará o Haiti no próximo dia 25 de fevereiro e pediu ao Fórum Social que dedique este ano à "solidariedade para a reconstrução" do país.

Em outro momento, ressaltou o "extraordinário momento" que, segundo sua opinião, vivem a "América do Sul e toda a América Latina", graças a uma série de governos progressistas que "estão dando passos importantes para a consolidação da democracia".

Sobre o Fórum Social, lembrou que, quando foi lançado, há dez anos, o evento "era só um experimento da sociedade civil com a ideia que outro mundo é possível", e agora "segue intacto, mas mais maduro" e com "muito mais espaço para crescer", graças à crise financeira que previu há uma década.

Em tom de despedida, disse que não voltará mais ao Fórum Social como presidente, pois entregará cargo no dia 1º de janeiro do ano que vem, mas garantiu que não se afastará das lutas sociais que marcaram sua vida.

Também pediu ao movimento contra a globalização que siga na busca da "utopia do impossível" com "vontade, coragem" e respeito à diversidade e à solidariedade que desde o início caracterizaram o Fórum Social Mundial.

Doação

Lula assinou nesta terça-feira uma medida provisória que libera R$ 375,95 milhões em ajuda ao Haiti.

O montante será distribuído em recursos extraordinários entre os Ministérios da Defesa (R$ 205,05 milhões), da Saúde (R$ 135 milhões), das Relações Exteriores (R$ 35,3 milhões) e da área de Inteligência da Presidência da República (R$ 600 mil).

Na verba destinada ao Itamaraty está incluída a doação de US$ 15 milhões prometida pelo governo brasileiro ao Haiti no dia seguinte ao terremoto, que deixou em ruínas a capital haitiana, Porto Príncipe.

Os recursos serão usados para reforçar as ações da missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) no país, a Minustah, liderada militarmente pelo Brasil, comprar combustíveis e lubrificantes para o transporte das tropas, além de suprimentos e materiais de saúde, entre outros.