POR WALTER FALCETA
O que eles realmente pensam sobre seus relacionamentos?
João, José Cláudio, Mateus, Marcelo e Michael (nomes falsos) têm uma coisa em comum (ou muitas, dependendo do ponto de vista): todos são casados.
Para descobrir as dúvidas, fantasias e neuroses que rondam a mente de homens de aliança, convidamos esses cinco exemplares do grupo para um bate-papo.
João é um moreno boa-pinta, 35 anos, gerente de vendas, casado há oito anos com uma oriental. José Cláudio, gaúcho tímido, gerente comercial de uma empresa de bebidas, tem 28 anos e carrega uma aliança desde 2006. Mateus, 55 anos, bancário elegante e bem-humorado, está há 33 anos com a mesma mulher, tem dois filhos e dois netos. Marcelo, animado arquiteto de 40 anos, é casado há 12.
Michael, 45 anos, promotor cultural, vive há 11 anos com sua mulher. A conversa aconteceu no discreto bistrô Le Petit Trou, em Pinheiros, na sexta-feira 13 de junho. São Paulo estimula a libido masculina? João » A cidade é cheia de atrativos e exige cuidados dos homens casados.
José Cláudio » É uma cidade excitante, com alternativas que podem fazer um homem sair da linha. É preciso ter autocontrole para resistir às tentações. Mateus » São Paulo é focada no trabalho, o que aproxima pessoas de raças, culturas e origens diferentes.
Esse contexto oferece ao homem a possibilidade de viver novas experiências. Marcelo » Aqui as coisas ocorrem nos bares de faculdade, nas empresas e até no metrô. Certa vez, no trem, tive um flerte com uma linda mulher a caminho do trabalho.
Você não a seguiu? Marcelo » Não, ficou no platônico. Noutra ocasião, no trem lotado, outra mulher se roçou em mim. Foram minutos bem agradáveis. Michael » É verdade. O metrô é uma referência interessante desse tipo de paquera.
Confesso que já escrevi poemas para musas de ocasião no metrô. E conquistou alguma delas? Michael » Não, não... Entreguei o bilhetinho ali mesmo e acabou assim o ritual da conquista. João » Minhas aventuras são, digamos, mais domésticas. Tenho uma proposta familiar de prazer. Meu objetivo é satisfazer sexualmente minha parceira. José Cláudio » Concordo.
O importante é criar contextos para despertar o desejo da parceira. Penso sempre nas preliminares e no pós-gozo.
Nada de virar de lado e dormir. O egoísta dorminhoco tende a perder sua parceira. Mateus » Mesmo numa cidade com tantas opções, creio que o sexo é uma coisa para viver em casa. Quando o jogo sensual é valorizado, existe um canal de interação que ajuda a manter a solidez do casamento.
Marcelo » Tudo isso é verdade, mas eu acredito nas variações. Michael » E aí, o que você propõe? Marcelo » Sempre usei, por exemplo, frutas e cremes, muito melhores que os complementos comercializados em sex shops. Leite condensado é ótimo.
Fonte: Revista Capa
quarta-feira, 15 de abril de 2009
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