quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
OPINIÃO
Bom dia caros leitores do Ponto de Vista digital, as vezes esquecemos um pouco de você, nem todos os dias atualizamos esse delicioso espaço, mas tenho por todos uma admiração profunda, escrevo mais frequentemente no aluiziolacecrda.zip.net, lá generalizo os assuntos, foco mais o cotidiano politico local e estadual, diferente do que exponho aqui, trago postagens interessantes, temas mais seletos e de maior complexidade social, transcrevo noticias de renomados comuncadores, gente da primeira linha do jornalismo brasileiro. O Ponto de Vista Digital é um blog para os internautas de maior capacidade de assimilação, para os que possuem um senso crítico mais apurado, sem com isso taxar de ignorantes os nossos leitores do outro blog, somente o perfil de um é de outro possuem peculiaridades bastantes diferenciaas... Espero que nenhum se senta ofendido, pois não desejamos classificar ninguém como superior, muito menos inferiorizar o valor de análise reflexiva de cada leitor. Muito obrigado... Vamos continuar sempre plugado.
EM DAVOS, LULA DIZ QUE VAI "JOGAR NA CARA DOS RICOS A CRISE E A TRAGÉDIA DO HAITI
Em Davos, Lula diz que vai "jogar na cara" dos ricos a crise e a tragédia do Haiti
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça-feira (27) durante o Fórum Social Mundial que irá ao Fórum Econômico de Davos (Suíça) e vai "jogar na cara dos países mais ricos" a crise financeira e o "abandono" do Haiti. O presidente também anunciou que irá visitará o Haiti em 25 de fevereiro.
Lula anuncia visita ao Haiti
Lula assina liberação de R$ 375,95 milhões em ajuda para o Haiti
"Vou a Davos como em 2003, com orgulho do que tenho que dizer e mostrar (...) e com a missão de dizer que se o mundo desenvolvido tivesse feito a lição de casa na economia, não teríamos tido crise", afirmou Lula em discurso realizado perante aproximadamente 10 mil participantes do Fórum Social em Porto Alegre.
Nesta quarta-feira, Lula viaja para Davos, onde receberá do Fórum Econômico a primeira edição do prêmio de "Estadista Global".
Apesar do prêmio, Lula alertou que vai a Davos com exigências contra os representantes de países ricos e empresários que vão se reunir.
"Davos não discutiu a crise que estava por vir" e que o Fórum Social já tinha antecipado desde sua primeira edição, em 2001, afirmou Lula.
Também garantiu que vai acusar o mundo desenvolvido pelos fracassos da Rodada de Doha da OMC e da Cúpula sobre Mudança Climática de Copenhague e rebateu críticas que alguns países europeus fizeram ao álcool de cana produzido pelo Brasil.
"Não aceitaremos que ninguém ponha seus dedos sujos de petróleo na matriz energética brasileira, uma das mais limpas do mundo", afirmou.
Além disso, antecipou que irá dizer com orgulho "que o Brasil não deve mais nada ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e que, ao contrário, acaba de emprestar US$ 14 bilhões" ao organismo.
Perante uma plateia que lhe interrompia seguidamente com ovações, acrescentou que também dirá em Davos que "um torneiro mecânico foi quem mais criou universidades e escolas técnicas profissionais" e demonstrou que "é possível mudar a história de cada país".
Lula também discursou sobre as responsabilidades da tragédia do Haiti, país que foi arrasado por um terremoto no último dia 12.
"O que aconteceu no Haiti, mais que desatenção, foi falta de respeito ao direito sagrado da cidadania", afirmou, referindo-se à miséria vivida pelo país há anos, também atribuída pelo presidente aos países mais ricos.
Acusou os chamados "países doadores" do Haiti de haver retido o dinheiro que tinham comprometido e disse que acredita que a devastação causada pelo terremoto "provoque vergonha nos governos que poderiam ter feito algo" para ajudar.
Anunciou que visitará o Haiti no próximo dia 25 de fevereiro e pediu ao Fórum Social que dedique este ano à "solidariedade para a reconstrução" do país.
Em outro momento, ressaltou o "extraordinário momento" que, segundo sua opinião, vivem a "América do Sul e toda a América Latina", graças a uma série de governos progressistas que "estão dando passos importantes para a consolidação da democracia".
Sobre o Fórum Social, lembrou que, quando foi lançado, há dez anos, o evento "era só um experimento da sociedade civil com a ideia que outro mundo é possível", e agora "segue intacto, mas mais maduro" e com "muito mais espaço para crescer", graças à crise financeira que previu há uma década.
Em tom de despedida, disse que não voltará mais ao Fórum Social como presidente, pois entregará cargo no dia 1º de janeiro do ano que vem, mas garantiu que não se afastará das lutas sociais que marcaram sua vida.
Também pediu ao movimento contra a globalização que siga na busca da "utopia do impossível" com "vontade, coragem" e respeito à diversidade e à solidariedade que desde o início caracterizaram o Fórum Social Mundial.
Doação
Lula assinou nesta terça-feira uma medida provisória que libera R$ 375,95 milhões em ajuda ao Haiti.
O montante será distribuído em recursos extraordinários entre os Ministérios da Defesa (R$ 205,05 milhões), da Saúde (R$ 135 milhões), das Relações Exteriores (R$ 35,3 milhões) e da área de Inteligência da Presidência da República (R$ 600 mil).
Na verba destinada ao Itamaraty está incluída a doação de US$ 15 milhões prometida pelo governo brasileiro ao Haiti no dia seguinte ao terremoto, que deixou em ruínas a capital haitiana, Porto Príncipe.
Os recursos serão usados para reforçar as ações da missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) no país, a Minustah, liderada militarmente pelo Brasil, comprar combustíveis e lubrificantes para o transporte das tropas, além de suprimentos e materiais de saúde, entre outros.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça-feira (27) durante o Fórum Social Mundial que irá ao Fórum Econômico de Davos (Suíça) e vai "jogar na cara dos países mais ricos" a crise financeira e o "abandono" do Haiti. O presidente também anunciou que irá visitará o Haiti em 25 de fevereiro.
Lula anuncia visita ao Haiti
Lula assina liberação de R$ 375,95 milhões em ajuda para o Haiti
"Vou a Davos como em 2003, com orgulho do que tenho que dizer e mostrar (...) e com a missão de dizer que se o mundo desenvolvido tivesse feito a lição de casa na economia, não teríamos tido crise", afirmou Lula em discurso realizado perante aproximadamente 10 mil participantes do Fórum Social em Porto Alegre.
Nesta quarta-feira, Lula viaja para Davos, onde receberá do Fórum Econômico a primeira edição do prêmio de "Estadista Global".
Apesar do prêmio, Lula alertou que vai a Davos com exigências contra os representantes de países ricos e empresários que vão se reunir.
"Davos não discutiu a crise que estava por vir" e que o Fórum Social já tinha antecipado desde sua primeira edição, em 2001, afirmou Lula.
Também garantiu que vai acusar o mundo desenvolvido pelos fracassos da Rodada de Doha da OMC e da Cúpula sobre Mudança Climática de Copenhague e rebateu críticas que alguns países europeus fizeram ao álcool de cana produzido pelo Brasil.
"Não aceitaremos que ninguém ponha seus dedos sujos de petróleo na matriz energética brasileira, uma das mais limpas do mundo", afirmou.
Além disso, antecipou que irá dizer com orgulho "que o Brasil não deve mais nada ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e que, ao contrário, acaba de emprestar US$ 14 bilhões" ao organismo.
Perante uma plateia que lhe interrompia seguidamente com ovações, acrescentou que também dirá em Davos que "um torneiro mecânico foi quem mais criou universidades e escolas técnicas profissionais" e demonstrou que "é possível mudar a história de cada país".
Lula também discursou sobre as responsabilidades da tragédia do Haiti, país que foi arrasado por um terremoto no último dia 12.
"O que aconteceu no Haiti, mais que desatenção, foi falta de respeito ao direito sagrado da cidadania", afirmou, referindo-se à miséria vivida pelo país há anos, também atribuída pelo presidente aos países mais ricos.
Acusou os chamados "países doadores" do Haiti de haver retido o dinheiro que tinham comprometido e disse que acredita que a devastação causada pelo terremoto "provoque vergonha nos governos que poderiam ter feito algo" para ajudar.
Anunciou que visitará o Haiti no próximo dia 25 de fevereiro e pediu ao Fórum Social que dedique este ano à "solidariedade para a reconstrução" do país.
Em outro momento, ressaltou o "extraordinário momento" que, segundo sua opinião, vivem a "América do Sul e toda a América Latina", graças a uma série de governos progressistas que "estão dando passos importantes para a consolidação da democracia".
Sobre o Fórum Social, lembrou que, quando foi lançado, há dez anos, o evento "era só um experimento da sociedade civil com a ideia que outro mundo é possível", e agora "segue intacto, mas mais maduro" e com "muito mais espaço para crescer", graças à crise financeira que previu há uma década.
Em tom de despedida, disse que não voltará mais ao Fórum Social como presidente, pois entregará cargo no dia 1º de janeiro do ano que vem, mas garantiu que não se afastará das lutas sociais que marcaram sua vida.
Também pediu ao movimento contra a globalização que siga na busca da "utopia do impossível" com "vontade, coragem" e respeito à diversidade e à solidariedade que desde o início caracterizaram o Fórum Social Mundial.
Doação
Lula assinou nesta terça-feira uma medida provisória que libera R$ 375,95 milhões em ajuda ao Haiti.
O montante será distribuído em recursos extraordinários entre os Ministérios da Defesa (R$ 205,05 milhões), da Saúde (R$ 135 milhões), das Relações Exteriores (R$ 35,3 milhões) e da área de Inteligência da Presidência da República (R$ 600 mil).
Na verba destinada ao Itamaraty está incluída a doação de US$ 15 milhões prometida pelo governo brasileiro ao Haiti no dia seguinte ao terremoto, que deixou em ruínas a capital haitiana, Porto Príncipe.
Os recursos serão usados para reforçar as ações da missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) no país, a Minustah, liderada militarmente pelo Brasil, comprar combustíveis e lubrificantes para o transporte das tropas, além de suprimentos e materiais de saúde, entre outros.
ENVIADA POR MÍRIAM LEITÃO
Crédito
Cuidado na farra do crédito; juros são altos demais
O crédito atingiu a inacreditável marca de 45% do PIB. E a grande pergunta feita é: isso é bom ou ruim?
Os economistas dizem que é bom, afinal a economia brasileira é a única das grandes economias que vivia nessa distorção de que não ter um sistema de crédito desenvolvido. Não apenas grandes economias, até em economias menores do que a do Brasil é normal ter alto nível de endividamento das familias. Quando se compara o nível de crédito/PIB do Brasil com o Chile, por exemplo, o Brasil perde feio. Nos últimos anos o crédito dobrou como participação do PIB e mesmo assim é um percentual menor do que em outros países.
O bom senso no entanto nos diz que é preciso ir com cuidado na farra do crédito. Primeiro porque no Brasil o dinheiro é caro demais. Os juros do crédito para pessoa física por exemplo caiu de 43% para 42,7%. No ano caiu bastante, quinze pontos percentuais, mesmo assim continua um crédito em níveis que no mundo inteiro pareceria exótico, para não dizer exorbitante.
O mercado de crédito criará muitas oportunidades para empresas, instituições financeiras e pessoas nos próximos meses e anos, mas evidentemente que um país que não tem tradição de fartura de oferta de crédito, que tem juros altos demais, em que as pessoas estão comprometendo cada vez maiores parcelas da sua renda com financiamento, em que os prazos se alongam de forma temerária é preciso ter cuidado. Muita gente me pergunta se a gente corre o risco do sub-prime. Eu digo que ainda não, mas é bom ficar de olho. Para um país com os juros cobrados pelo sistema bancário o percentual crédito/PIB sustentável é bem mais baixo do que países que têm juros normais.
PS - Míriam Leitão é colunista da Globo
Cuidado na farra do crédito; juros são altos demais
O crédito atingiu a inacreditável marca de 45% do PIB. E a grande pergunta feita é: isso é bom ou ruim?
Os economistas dizem que é bom, afinal a economia brasileira é a única das grandes economias que vivia nessa distorção de que não ter um sistema de crédito desenvolvido. Não apenas grandes economias, até em economias menores do que a do Brasil é normal ter alto nível de endividamento das familias. Quando se compara o nível de crédito/PIB do Brasil com o Chile, por exemplo, o Brasil perde feio. Nos últimos anos o crédito dobrou como participação do PIB e mesmo assim é um percentual menor do que em outros países.
O bom senso no entanto nos diz que é preciso ir com cuidado na farra do crédito. Primeiro porque no Brasil o dinheiro é caro demais. Os juros do crédito para pessoa física por exemplo caiu de 43% para 42,7%. No ano caiu bastante, quinze pontos percentuais, mesmo assim continua um crédito em níveis que no mundo inteiro pareceria exótico, para não dizer exorbitante.
O mercado de crédito criará muitas oportunidades para empresas, instituições financeiras e pessoas nos próximos meses e anos, mas evidentemente que um país que não tem tradição de fartura de oferta de crédito, que tem juros altos demais, em que as pessoas estão comprometendo cada vez maiores parcelas da sua renda com financiamento, em que os prazos se alongam de forma temerária é preciso ter cuidado. Muita gente me pergunta se a gente corre o risco do sub-prime. Eu digo que ainda não, mas é bom ficar de olho. Para um país com os juros cobrados pelo sistema bancário o percentual crédito/PIB sustentável é bem mais baixo do que países que têm juros normais.
PS - Míriam Leitão é colunista da Globo
LULA VÊ SONHO DESFEITO E CRITICA DAVOS
Ele admite ''diferenças'' entre o que pensou e o que fez, além de dizer que o Fórum Econômico perdeu glamour
Na última participação no Fórum Social Mundial em seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu disfarçar mudanças nítidas no discurso do início do mandato e as divergências que se acentuaram com setores da esquerda nos últimos anos. Em janeiro de 2003, nos primeiros dias no governo, afirmou no fórum que o ex-presidente Fernando Collor tinha perdido o mandato em 1992 por "roubalheira", prometeu que os pobres não morreriam mais nas filas de hospital e avaliou que faria "o governo mais honesto que já houve na história deste país". Na fala de ontem à noite, se mostrou mais cauteloso. "Sabemos que há diferenças fundamentais entre o que um governante sonhou a vida inteira e o que conseguiu realizar."
Para afagar o público, disse que, depois de dez anos de sua criação, o evento de Porto Alegre continua "intacto". Ao mesmo tempo fez críticas ao Fórum Econômico de Davos, onde estará amanhã. "Tenho consciência de que Davos não tem mais o glamour que eles achavam que tinha em 2003", afirmou.
Cerca de 7 mil pessoas estiveram no Ginásio do Gigantinho para ouvir Lula. Muitos participantes, contudo, não esperaram o presidente terminar o discurso e deixaram o ginásio. Representantes do MST, uma das entidades promotoras do evento, nem sequer compareceram ao Gigantinho para ouvi-lo. Os sem-terra e representantes de partidos como PSTU optaram por boicotar a "festa" do presidente. Em conversas reservadas, muitos "radicais" observaram que o Lula que subiu no palco do ginásio é agora aliado do senador Fernando Collor (PTB-AL) no Congresso.
SEM BRILHO
Lula participou da primeira edição do Fórum em 2001, quando ainda não estava no poder. Como presidente, esteve nas edições de 2003 e 2005 em Porto Alegre e na do ano passado, em Belém. Com mais de 80% de aprovação nas pesquisas, o presidente reencontrou um Fórum Social Mundial sem o brilho de antes. Ainda assim, não perdeu a oportunidade de fazer campanha para os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Tarso Genro (Justiça) que disputam a Presidência e o governo do Rio Grande do Sul, respectivamente.
Um dos organizadores do Fórum, Oded Grajew, que já assessorou o presidente, avalia que o "grande pecado" do governo Lula foi o fato de não levar à frente a reforma política. Grajew não poupa nem mesmo os grupos que compõem o evento que se intitula como alternativa ao "capitalismo liberal". "As organizações sociais não foram suficientemente fortes para promover a reforma política. Como Lula tinha prometido fazer a reforma, talvez elas tenham ficado acomodadas na promessa", diz Grajew. "Não foram sábias para perceber as origens das coisas." Grajew ressalta que as atenções da chamada esquerda foram diluídas em discussões menos relevantes.
NÚMEROS
Já o sociólogo Emir Sader observou que o Lula que voltou a Porto Alegre ontem dispõe de números importantes para apresentar, citando como exemplo o aumento do índice de empregados com carteira assinada e a recuperação econômica do País depois da crise financeira internacional. "O povo não pagou o preço da crise", diz. Para o sociólogo, o governo melhorou com a saída do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em 2006. "O eixo do governo passou a ser a ministra Dilma."
Em um dos poucos momentos de descontração, aliás, Lula chamou a ministra de "Dilminha", lembrando da presença dela na Conferência do Clima, em Copenhague, em dezembro. A plateia presente reagiu positivamente, gritando o nome da pré-candidata do PT à Presidência. Um grupo chegou a adaptar um jingle de campanha de Lula: "Olê,olé, olá, Dilma, Dilma."
Fonte: O Estadão
Na última participação no Fórum Social Mundial em seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu disfarçar mudanças nítidas no discurso do início do mandato e as divergências que se acentuaram com setores da esquerda nos últimos anos. Em janeiro de 2003, nos primeiros dias no governo, afirmou no fórum que o ex-presidente Fernando Collor tinha perdido o mandato em 1992 por "roubalheira", prometeu que os pobres não morreriam mais nas filas de hospital e avaliou que faria "o governo mais honesto que já houve na história deste país". Na fala de ontem à noite, se mostrou mais cauteloso. "Sabemos que há diferenças fundamentais entre o que um governante sonhou a vida inteira e o que conseguiu realizar."
Para afagar o público, disse que, depois de dez anos de sua criação, o evento de Porto Alegre continua "intacto". Ao mesmo tempo fez críticas ao Fórum Econômico de Davos, onde estará amanhã. "Tenho consciência de que Davos não tem mais o glamour que eles achavam que tinha em 2003", afirmou.
Cerca de 7 mil pessoas estiveram no Ginásio do Gigantinho para ouvir Lula. Muitos participantes, contudo, não esperaram o presidente terminar o discurso e deixaram o ginásio. Representantes do MST, uma das entidades promotoras do evento, nem sequer compareceram ao Gigantinho para ouvi-lo. Os sem-terra e representantes de partidos como PSTU optaram por boicotar a "festa" do presidente. Em conversas reservadas, muitos "radicais" observaram que o Lula que subiu no palco do ginásio é agora aliado do senador Fernando Collor (PTB-AL) no Congresso.
SEM BRILHO
Lula participou da primeira edição do Fórum em 2001, quando ainda não estava no poder. Como presidente, esteve nas edições de 2003 e 2005 em Porto Alegre e na do ano passado, em Belém. Com mais de 80% de aprovação nas pesquisas, o presidente reencontrou um Fórum Social Mundial sem o brilho de antes. Ainda assim, não perdeu a oportunidade de fazer campanha para os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Tarso Genro (Justiça) que disputam a Presidência e o governo do Rio Grande do Sul, respectivamente.
Um dos organizadores do Fórum, Oded Grajew, que já assessorou o presidente, avalia que o "grande pecado" do governo Lula foi o fato de não levar à frente a reforma política. Grajew não poupa nem mesmo os grupos que compõem o evento que se intitula como alternativa ao "capitalismo liberal". "As organizações sociais não foram suficientemente fortes para promover a reforma política. Como Lula tinha prometido fazer a reforma, talvez elas tenham ficado acomodadas na promessa", diz Grajew. "Não foram sábias para perceber as origens das coisas." Grajew ressalta que as atenções da chamada esquerda foram diluídas em discussões menos relevantes.
NÚMEROS
Já o sociólogo Emir Sader observou que o Lula que voltou a Porto Alegre ontem dispõe de números importantes para apresentar, citando como exemplo o aumento do índice de empregados com carteira assinada e a recuperação econômica do País depois da crise financeira internacional. "O povo não pagou o preço da crise", diz. Para o sociólogo, o governo melhorou com a saída do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em 2006. "O eixo do governo passou a ser a ministra Dilma."
Em um dos poucos momentos de descontração, aliás, Lula chamou a ministra de "Dilminha", lembrando da presença dela na Conferência do Clima, em Copenhague, em dezembro. A plateia presente reagiu positivamente, gritando o nome da pré-candidata do PT à Presidência. Um grupo chegou a adaptar um jingle de campanha de Lula: "Olê,olé, olá, Dilma, Dilma."
Fonte: O Estadão
TRIBUNA DA IMPRENSA - HÉLIO FERNANDES
O PSDB pode estar resolvendo problemas, reinventando a “república velha”.
Em vez de um mineiro depois de um paulista, um mineiro e um paulista, juntos e a esperança de ficarem para sempre.
A pedido de Serra, o governador Aécio foi conversar com ele. Motivo: o paulista fez um apelo ao mineiro: “Concorde em fazer chapa comigo. Ganharemos, tomarei posso em 2011 com 69 anos, sairei com 73”.
Aécio ficou esperando, Serra completou: “Não quero ficar o fim da vida disputando outro mandato, será a tua vez. Você está com 50 anos, quando acabar meu mandato, você estará com 55 anos, será eleito e reeleito, sairá com 63 anos”.
Aécio não disse nem que sim nem que não, mas Serra contou que sua reação era positiva e favorável ao acordo. Estaremos voltando à “república velha”, não com um depois do outro, e sim ao mesmo tempo?
A Primeira República, que já nasceu ultrapassada e dominada pelos militares, ganhou merecidamente a denominação de “república velha”. Os “Propagandistas da República”, que começaram a campanha ao lançar o jornal diário “A República”, em 1860, ficaram fora de tudo, desde o 15 de novembro de 1889. Foram portanto 29 anos perdidos. Naquela época, naquela época.
Se contarmos a partir de Pedro Álvares Cabral até 1930 ou desse golpe de 1930 até hoje, avançamos muito pouco. Como queremos falar apenas do início da sucessão de 2010, basta dizer o seguinte: os 3 primeiros presidentes da República foram paulistas, o último em 1930, também paulista.
(É lógico que os dois “marechais das Alagoas”, entram na História apenas para confundi-la, tumultuá-la, destroçá-la, não para construí-la. Deodoro nunca entendeu porque chegou a presidente. Floriano jamais pôde aceitar a idéia de não ter ficado para sempre. Derrubou o companheiro de golpe, voltaram a ser os coronéis inimigos irreconciliáveis da Guerra do Paraguai).
Depois de 1930, portanto completando agora 80 anos, o Brasil se dividiu em duas ditaduras, (36 anos) e a posse de vices que não se elegeram. Essa é a República sem sangue que implantamos e não promulgamos.
Quando falo em República sem sangue, lembro que quase todas no mundo ocidental, ficaram marcadas por guerras civis intermináveis e inacreditáveis. A República da França, que vinha quase que imortalizada por aquelas três palavras maravilhosas e insubstituíveis, levou 10 anos de assassinatos históricos.
De tal maneira, que Napoleão, em 1789 ainda com 18 anos e na Escola militar de Saint Cyr, pôde completar 28 anos e tomar conta da República. Na Espanha o povo elegeu um presidente que tomou posse mas não governou, com o país tiranizado por quase 50 anos de Franco, que mesmo morrendo, levou a monarquia novamente ao Poder. É uma monarquia do tipo, “reina mas não governa”, mas não deixa de ser monarquia.
No Brasil tudo era pacífico, porque os presidentes escolhiam seus sucessores. Todos concordavam, não havia protesto desde que fossem paulistas ou mineiros. Só houve uma ligeira alteração em 1909, quando o mineiro Afonso Pena morreu, assumiu o fluminense Nilo Peçanha, que levou ao poder outro marechal, para evitar que Rui Barbosa se elegesse.
A série ininterrupta foi interrompida pela morte desse mineiro, e em 1916 de um paulista, que não permitiram que as sucessões continuassem.
Depois de cada ditadura vinha um período “de transição”, que era chamado de r-e-d-e-m-o-c-r-a-t-i-z-a-ç-ã-o, ou seja, a volta de uma d-e-m-o-c-r-a-c-i-a, que só existiu mesmo na teoria ou na imaginação.
Agora, a disputa se dá depois que os presidentes se elegem e reeelegem, e infelizmente (para eles) não conseguem o terceiro mandato. Estamos vivendo esse período.
A confusão é total, embora não confessem nem admitam. O presidente que está no Poder, pretende continuar, por si ou por herdeiros truculentos. A oposição que não se opõe, circula entre um paulista também truculento e um mineiro meio trêfego peralta.
Se desunem permanentemente, só aparentam uma união que não confessam mas tramam em encontros secretos ou sigilosos, se forem para se sobrepor e não para se contrapor. Não têm criatividade mas apresentam ambição suficientemente desvairada para permitir um acordo que não cumprirão. Isso, se forem eleitos, mistificando o cidadão-contribuinte-eleitor.
* * *
PS – Esse é o quadro que tenta se sustentar. Ou se armar, para superar a vocação i-n-i-n-t-e-r-r-u-p-t-a do outro. Só que não há nada definido. Nem estabelecido quem é que assumirá o Poder. Num prazo que será definido depois de cumprida a primeira parte dessa novela. Que República.
Em vez de um mineiro depois de um paulista, um mineiro e um paulista, juntos e a esperança de ficarem para sempre.
A pedido de Serra, o governador Aécio foi conversar com ele. Motivo: o paulista fez um apelo ao mineiro: “Concorde em fazer chapa comigo. Ganharemos, tomarei posso em 2011 com 69 anos, sairei com 73”.
Aécio ficou esperando, Serra completou: “Não quero ficar o fim da vida disputando outro mandato, será a tua vez. Você está com 50 anos, quando acabar meu mandato, você estará com 55 anos, será eleito e reeleito, sairá com 63 anos”.
Aécio não disse nem que sim nem que não, mas Serra contou que sua reação era positiva e favorável ao acordo. Estaremos voltando à “república velha”, não com um depois do outro, e sim ao mesmo tempo?
A Primeira República, que já nasceu ultrapassada e dominada pelos militares, ganhou merecidamente a denominação de “república velha”. Os “Propagandistas da República”, que começaram a campanha ao lançar o jornal diário “A República”, em 1860, ficaram fora de tudo, desde o 15 de novembro de 1889. Foram portanto 29 anos perdidos. Naquela época, naquela época.
Se contarmos a partir de Pedro Álvares Cabral até 1930 ou desse golpe de 1930 até hoje, avançamos muito pouco. Como queremos falar apenas do início da sucessão de 2010, basta dizer o seguinte: os 3 primeiros presidentes da República foram paulistas, o último em 1930, também paulista.
(É lógico que os dois “marechais das Alagoas”, entram na História apenas para confundi-la, tumultuá-la, destroçá-la, não para construí-la. Deodoro nunca entendeu porque chegou a presidente. Floriano jamais pôde aceitar a idéia de não ter ficado para sempre. Derrubou o companheiro de golpe, voltaram a ser os coronéis inimigos irreconciliáveis da Guerra do Paraguai).
Depois de 1930, portanto completando agora 80 anos, o Brasil se dividiu em duas ditaduras, (36 anos) e a posse de vices que não se elegeram. Essa é a República sem sangue que implantamos e não promulgamos.
Quando falo em República sem sangue, lembro que quase todas no mundo ocidental, ficaram marcadas por guerras civis intermináveis e inacreditáveis. A República da França, que vinha quase que imortalizada por aquelas três palavras maravilhosas e insubstituíveis, levou 10 anos de assassinatos históricos.
De tal maneira, que Napoleão, em 1789 ainda com 18 anos e na Escola militar de Saint Cyr, pôde completar 28 anos e tomar conta da República. Na Espanha o povo elegeu um presidente que tomou posse mas não governou, com o país tiranizado por quase 50 anos de Franco, que mesmo morrendo, levou a monarquia novamente ao Poder. É uma monarquia do tipo, “reina mas não governa”, mas não deixa de ser monarquia.
No Brasil tudo era pacífico, porque os presidentes escolhiam seus sucessores. Todos concordavam, não havia protesto desde que fossem paulistas ou mineiros. Só houve uma ligeira alteração em 1909, quando o mineiro Afonso Pena morreu, assumiu o fluminense Nilo Peçanha, que levou ao poder outro marechal, para evitar que Rui Barbosa se elegesse.
A série ininterrupta foi interrompida pela morte desse mineiro, e em 1916 de um paulista, que não permitiram que as sucessões continuassem.
Depois de cada ditadura vinha um período “de transição”, que era chamado de r-e-d-e-m-o-c-r-a-t-i-z-a-ç-ã-o, ou seja, a volta de uma d-e-m-o-c-r-a-c-i-a, que só existiu mesmo na teoria ou na imaginação.
Agora, a disputa se dá depois que os presidentes se elegem e reeelegem, e infelizmente (para eles) não conseguem o terceiro mandato. Estamos vivendo esse período.
A confusão é total, embora não confessem nem admitam. O presidente que está no Poder, pretende continuar, por si ou por herdeiros truculentos. A oposição que não se opõe, circula entre um paulista também truculento e um mineiro meio trêfego peralta.
Se desunem permanentemente, só aparentam uma união que não confessam mas tramam em encontros secretos ou sigilosos, se forem para se sobrepor e não para se contrapor. Não têm criatividade mas apresentam ambição suficientemente desvairada para permitir um acordo que não cumprirão. Isso, se forem eleitos, mistificando o cidadão-contribuinte-eleitor.
* * *
PS – Esse é o quadro que tenta se sustentar. Ou se armar, para superar a vocação i-n-i-n-t-e-r-r-u-p-t-a do outro. Só que não há nada definido. Nem estabelecido quem é que assumirá o Poder. Num prazo que será definido depois de cumprida a primeira parte dessa novela. Que República.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
OS DOIS CAMINHOS DA AMÉRICA LATINA: O MODERNO E O LOUCO
Enviado por Míriam Leitão
O presidente eleito do Chile, Sebastian Piñera, disse que não existe mais esquerda e direita na América Latina. E dividiu os países entre os que estão na direção certa e os que estão cometendo erros sequenciais. Minha única diferença em relação a esse pensamento é que eu não colocaria, como ele fez, o presidente Álvaro Uribe no caminho dos que estão acertando. Uribe cometeu um erro básico que o faz parecer mais com Hugo Chavez do que com Michelle Bachellet: quer um terceiro mandato, não acredita em alternância no poder e pensa que é insubstituível.
Para achar que Hugo Chavez é de esquerda é preciso uma ingenuidade brutal. Tudo o que ele faz é apenas por autoritarismo e não um projeto de governo. Ele expropria empresas, persegue empresários, fecha empresas jornalisticas não por algum projeto de mudar o controle dos meios de produção, mas sim para aumentar o caráter discricionário do governo e elevar seu poder pessoal. Evo Morales é apenas uma estação repetidora. Esse tem ainda menos rumo. Tem tido uma ação errática que tem a ver com as ordens do chefe Chavez e o calendário eleitoral. O mesmo oportunismo se vê em Raphael Correia. Os Kirchner seguem um projeto de poder do casal em que há uma irregularidade institucional: quem realmente governa é o ex-presidente que tem um estilo confrontacionista de governar, Em todos esses países, o que se criou foi um ambiente que põe em risco as instituições democráticas. Há um detalhe que prova que esse tipo de comportamento desviante não compensa: Argentina e Venezuela enfrentam grave crise econômica. Na Argentina ainda se tenta superar o clima de confronto com credores e a inflação de dois dígitos. A Venezuela tem recessão, inflação e racionamento de energia.
Um outro grupo de países segue os rituais da democracia representativa e busca solidez dos fundamentos econômicos. Neles, felizmente está o Brasil, o Chile, o Uruguai. Não por acaso Michelle Bachelet é a governante mais bem avaliada, e Cristina Kirchner é com a mais baixa popularidade.
Bachellet e Lula não acharam que por terem alta popularidade deveriam tentar mais um mandato. Uribe sim, Chavez fez pior: quer se eternizar. Lula iniciou uma campanha eleitoral antes da hora e joga todo o peso da máquina do governo para eleger Dilma Roussef. Bachellet respeitou as regras eleitorais e demonstrou quem era seu candidato, apesar de não ter posto o governo a favor do candidato. Toda a popularidade dela não foi transferida; no Brasil será necessário esperar para ver. A transferência de votos é uma das questões mais imprevisíveis da política.O risco é o presidente Lula entender o fracasso da Concertacion no Chile como sinal de que deve fazer ainda mais campanha, usar ainda mais a máquina do governo em favor da sua candidata. Ele pode achar que foi erro de Bachellet nao fazer isso.
Sebastian Piñera assumiu elogiando o governo de centro-esquerda que governou o Chile. Ele vem da direita, uma direita que se propõe a jogar o jogo democrático. Seu governo terá que mexer numa vaca sagrada: a Codelco. A empresa de cobre, maior empresa do país, continuará sendo estatal. Mas hoje ela é centro de uma anomalia fiscal: 10% das suas receitas vão direto, sem passar pelo orçamento, para as Forças Armadas. Isso foi criado pelo governo militar e os governos civis de esquerda não tiveram coragem de mudar. Enfrentar isso e acabar com esses recursos para fiscais não é de esquerda nem de direita: é modernizador.
Em resumo: existe o caminho da modernização e da confirmação democrática na América Latina e existe o caminho do autoritarismo caudilhesco e obsoleto. Existe o caminho do futuro, e o retrocesso. Essa é a verdadeira divisão da América Latina. O Brasil de Lula de vez em quando se aproxima da fronteira, flerta com a ambiguidade, mas felizmente acaba ficando do melhor lado. O Chile já sabe seu caminho. A Venezuela vai se aprofundar em seu retrocesso.
FONTE: EXTRAIDO DO LINK DO JORNALISTA MIRANDA SÁ
O presidente eleito do Chile, Sebastian Piñera, disse que não existe mais esquerda e direita na América Latina. E dividiu os países entre os que estão na direção certa e os que estão cometendo erros sequenciais. Minha única diferença em relação a esse pensamento é que eu não colocaria, como ele fez, o presidente Álvaro Uribe no caminho dos que estão acertando. Uribe cometeu um erro básico que o faz parecer mais com Hugo Chavez do que com Michelle Bachellet: quer um terceiro mandato, não acredita em alternância no poder e pensa que é insubstituível.
Para achar que Hugo Chavez é de esquerda é preciso uma ingenuidade brutal. Tudo o que ele faz é apenas por autoritarismo e não um projeto de governo. Ele expropria empresas, persegue empresários, fecha empresas jornalisticas não por algum projeto de mudar o controle dos meios de produção, mas sim para aumentar o caráter discricionário do governo e elevar seu poder pessoal. Evo Morales é apenas uma estação repetidora. Esse tem ainda menos rumo. Tem tido uma ação errática que tem a ver com as ordens do chefe Chavez e o calendário eleitoral. O mesmo oportunismo se vê em Raphael Correia. Os Kirchner seguem um projeto de poder do casal em que há uma irregularidade institucional: quem realmente governa é o ex-presidente que tem um estilo confrontacionista de governar, Em todos esses países, o que se criou foi um ambiente que põe em risco as instituições democráticas. Há um detalhe que prova que esse tipo de comportamento desviante não compensa: Argentina e Venezuela enfrentam grave crise econômica. Na Argentina ainda se tenta superar o clima de confronto com credores e a inflação de dois dígitos. A Venezuela tem recessão, inflação e racionamento de energia.
Um outro grupo de países segue os rituais da democracia representativa e busca solidez dos fundamentos econômicos. Neles, felizmente está o Brasil, o Chile, o Uruguai. Não por acaso Michelle Bachelet é a governante mais bem avaliada, e Cristina Kirchner é com a mais baixa popularidade.
Bachellet e Lula não acharam que por terem alta popularidade deveriam tentar mais um mandato. Uribe sim, Chavez fez pior: quer se eternizar. Lula iniciou uma campanha eleitoral antes da hora e joga todo o peso da máquina do governo para eleger Dilma Roussef. Bachellet respeitou as regras eleitorais e demonstrou quem era seu candidato, apesar de não ter posto o governo a favor do candidato. Toda a popularidade dela não foi transferida; no Brasil será necessário esperar para ver. A transferência de votos é uma das questões mais imprevisíveis da política.O risco é o presidente Lula entender o fracasso da Concertacion no Chile como sinal de que deve fazer ainda mais campanha, usar ainda mais a máquina do governo em favor da sua candidata. Ele pode achar que foi erro de Bachellet nao fazer isso.
Sebastian Piñera assumiu elogiando o governo de centro-esquerda que governou o Chile. Ele vem da direita, uma direita que se propõe a jogar o jogo democrático. Seu governo terá que mexer numa vaca sagrada: a Codelco. A empresa de cobre, maior empresa do país, continuará sendo estatal. Mas hoje ela é centro de uma anomalia fiscal: 10% das suas receitas vão direto, sem passar pelo orçamento, para as Forças Armadas. Isso foi criado pelo governo militar e os governos civis de esquerda não tiveram coragem de mudar. Enfrentar isso e acabar com esses recursos para fiscais não é de esquerda nem de direita: é modernizador.
Em resumo: existe o caminho da modernização e da confirmação democrática na América Latina e existe o caminho do autoritarismo caudilhesco e obsoleto. Existe o caminho do futuro, e o retrocesso. Essa é a verdadeira divisão da América Latina. O Brasil de Lula de vez em quando se aproxima da fronteira, flerta com a ambiguidade, mas felizmente acaba ficando do melhor lado. O Chile já sabe seu caminho. A Venezuela vai se aprofundar em seu retrocesso.
FONTE: EXTRAIDO DO LINK DO JORNALISTA MIRANDA SÁ
SERRA NÃO QUER SER O ANTI LULA
Pedro do Coutto
Em entrevista à repórter Cristiane Samarco, manchete principal da edição de 15 de Janeiro de O Estado de São Paulo, o governador José Serra finalmente anunciou de viva voz sua candidatura à presidência e traçou o posicionamento que pretende adotar ao longo da campanha: não atacará o presidente da República e vai de declarar não o chefe da oposição, mas simplesmente um candidato pós Lula. Talvez tenha se inspirado no exemplo de Barak Obama, que se afirmou, em 2008, um candidato pós questão racial para que o tema não fosse parte da agenda política americana. Conseguiu. Serra, aqui, pelo que disse, vai se empenhar para impedir polarizar a disputa não trazendo Lula para o centro do confronto. O objetivo, como se vê, é mantê-lo tanto quanto possível, à distância do processo sucessório. José Serra quer debater com Dilma Roussef e, aparentemente com mais ninguém. Portanto nem com Ciro Gomes, se este concorrer, nem com Marina Silva. Logicamente a colocação é para que possa obter uma parcela de votos de ambos no segundo turno. Apoiado pelas pesquisas, com o patamar de 37%, o governador de São Paulo já se considera com o passaporte carimbado para o desfecho final. Esta é uma vantagem a seu favor. Mas é preciso considerar a transferência de votos de Lula para sua candidata. Não hostilizando e até reconhecendo o êxito de programas do atual governo, Serra joga para que o debate principal não se transforma numa definição plebiscitária entre os governos Lula e Fernando Henrique. Pois o embate nestes termos só favorece o PT, sem dúvida. Serra não deseja –é lógico- que a questão se desloque para o plano do contra e a favor.
Para isso, entretanto, terá que reconhecer os êxitos da atual administração que atinge um recorde de popularidade. Terá que destacar principalmente o programa Bolsa Família, assegurando a continuidade do projeto e a manutenção dos atuais beneficiados. Afinal de contas, são quase 12 milhões as famílias atendidas, representando um universo de 45 milhões de pessoas, praticamente um quarto da população brasileira. E não basta afirmar: é indispensável convencer. Não será tarefa fácil desenvolver na prática toda uma estratégia de sensibilidade e sintonia fina. Sobretudo porque Lula poderá não aceitar a campanha nestes termos e dedicar-se integralmente à vitória de Dilma, pois para quem deseja retornar ao Planalto em 2014, na opção que se coloca, é melhor que a chefe da Casa Civil encontre-se na presidência. Todas essas são conjecturas e na política a teoria na prática é outra coisa. Serra pode traçar uma diretriz, hoje, e nada do que pensou surtir efeito amanhã. Vai depender do desenrolar dos turnos. É necessário considerar que o pleito é em dois turnos. Na provável final, o esforço de Serra para manter Lula à relativa distância dificilmente alcançara o objetivo. Esquentada a campanha, com o debate chegando a uma temperatura mais alta, dificilmente Lula aceitará o distanciamento que José Serra espera que ocorra. Afinal de contas, seja qual for a linguagem e a postura do adversário, será sempre seu governo que vai estar em jogo. Uma vitória de Dilma será consagradora para ele. Uma vitória de Serra não abalará seu êxito junto à opinião pública. Mas sem dúvida é melhor vencer do que perder. José Serra talvez não consiga fixar sua candidatura num planejamento frio.
Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa
Em entrevista à repórter Cristiane Samarco, manchete principal da edição de 15 de Janeiro de O Estado de São Paulo, o governador José Serra finalmente anunciou de viva voz sua candidatura à presidência e traçou o posicionamento que pretende adotar ao longo da campanha: não atacará o presidente da República e vai de declarar não o chefe da oposição, mas simplesmente um candidato pós Lula. Talvez tenha se inspirado no exemplo de Barak Obama, que se afirmou, em 2008, um candidato pós questão racial para que o tema não fosse parte da agenda política americana. Conseguiu. Serra, aqui, pelo que disse, vai se empenhar para impedir polarizar a disputa não trazendo Lula para o centro do confronto. O objetivo, como se vê, é mantê-lo tanto quanto possível, à distância do processo sucessório. José Serra quer debater com Dilma Roussef e, aparentemente com mais ninguém. Portanto nem com Ciro Gomes, se este concorrer, nem com Marina Silva. Logicamente a colocação é para que possa obter uma parcela de votos de ambos no segundo turno. Apoiado pelas pesquisas, com o patamar de 37%, o governador de São Paulo já se considera com o passaporte carimbado para o desfecho final. Esta é uma vantagem a seu favor. Mas é preciso considerar a transferência de votos de Lula para sua candidata. Não hostilizando e até reconhecendo o êxito de programas do atual governo, Serra joga para que o debate principal não se transforma numa definição plebiscitária entre os governos Lula e Fernando Henrique. Pois o embate nestes termos só favorece o PT, sem dúvida. Serra não deseja –é lógico- que a questão se desloque para o plano do contra e a favor.
Para isso, entretanto, terá que reconhecer os êxitos da atual administração que atinge um recorde de popularidade. Terá que destacar principalmente o programa Bolsa Família, assegurando a continuidade do projeto e a manutenção dos atuais beneficiados. Afinal de contas, são quase 12 milhões as famílias atendidas, representando um universo de 45 milhões de pessoas, praticamente um quarto da população brasileira. E não basta afirmar: é indispensável convencer. Não será tarefa fácil desenvolver na prática toda uma estratégia de sensibilidade e sintonia fina. Sobretudo porque Lula poderá não aceitar a campanha nestes termos e dedicar-se integralmente à vitória de Dilma, pois para quem deseja retornar ao Planalto em 2014, na opção que se coloca, é melhor que a chefe da Casa Civil encontre-se na presidência. Todas essas são conjecturas e na política a teoria na prática é outra coisa. Serra pode traçar uma diretriz, hoje, e nada do que pensou surtir efeito amanhã. Vai depender do desenrolar dos turnos. É necessário considerar que o pleito é em dois turnos. Na provável final, o esforço de Serra para manter Lula à relativa distância dificilmente alcançara o objetivo. Esquentada a campanha, com o debate chegando a uma temperatura mais alta, dificilmente Lula aceitará o distanciamento que José Serra espera que ocorra. Afinal de contas, seja qual for a linguagem e a postura do adversário, será sempre seu governo que vai estar em jogo. Uma vitória de Dilma será consagradora para ele. Uma vitória de Serra não abalará seu êxito junto à opinião pública. Mas sem dúvida é melhor vencer do que perder. José Serra talvez não consiga fixar sua candidatura num planejamento frio.
Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa
sábado, 16 de janeiro de 2010
POR QUE O HAITI É TÃO POBRE? A HISTORIA RESPONDE
Enviado por Míriam Leitão
Em 1804 parecia que a história tinha afinal sorrido para a rica colonia francesa do Caribe. Uma revolução dos escravos levou-os a conquistar o poder e instalar uma república negra nas Américas, a segunda república independente das Américas, depois dos Estados Unidos.
Até então ela havia sido explorada radicalmente pela França. Era tão produtiva que era chamada "a jóia das Antilhas". No sistema escravocrata, numa terra altamente produtiva, a França extraiu tudo do que podia da colônia. Lá se produzia café, cacau, tabaco, algodão, indigo entre outros produtos que eram refinados na França e reexportado para o resto da Europa. O cálculo é que a França retirava de lá 50% do seu PIB da época.
A independência parecia ser um brilhante recomeço. Não foi. O mundo inteiro decretou boicote à nova república. As potências coloniais achavam subversivo aquele modelo. Os Estados Unidos que já eram uma ex-colonia independente eram um país escravocrata. O Haiti assustava a todos. Sob boicote do mundo, o país entrou em dificuldades extremas. Não podia exportar nem importar. A França passou a cobrar do Haiti uma suposta divida para indenizar os ex-donos de terras, ex-donos de escravos. A contenda com a França só acabou quando em 1838 o governo haitiano aceitou pagar 150 milhões de francos. Durante 80 anos essa divida, que foi paga incontáveis vezes através de juros intermináveis, drenou a economia haitiana. A dívida só foi considerada paga em 1922.
Mas aí o país já estava sob jugo de outro opressor: os Estados Unidos ocuparam militarmente o país em 1915 e lá ficaram até 1938. Mesmo após o fim da ocupação física, os Estados Unidos apoiaram as escolhas trágicas dos haitianos como o poder à dinastia dos Duvalier, o Papa Doc e Baby Doc que desde os anos 60, por décadas, dominaram a população pelo terror através da mais violenta das polícias políticas de que se tem notícia nas Américas, os Tonton Macoute.
Para completar a explicação da pobreza, os indicadores educacionais são os piores. Todos esses governantes ou líderes, sejam eles de opressores estrangeiros ou opressores locais, jamais fizeram qualquer esforço para educar a população e retirá-la da ignorância.
A democracia quando chegou lá, chegou tarde e vulnerável.
Para completar o quadro produzido por essa história, há ainda os fatores climáticos. A destruição impiedosa do meio ambiente, desde a época colonial, no país que tinha uma intensa biodiversidade, foi empobrecendo o solo, produzindo erosões, aumentando os riscos de desastres ambientais. Hoje restam apenas 2% da rica cobertura vegetal original. Furacões e terremotos fizeram o resto da tragédia haitiana.
Haverá futuro para o Haiti se os haitianos e o mundo aprenderem com essa história. É hora de os países de boa vontade se unirem em torno do Haiti para do meio do caos atual começar a construir uma nova história.
Em 1804 parecia que a história tinha afinal sorrido para a rica colonia francesa do Caribe. Uma revolução dos escravos levou-os a conquistar o poder e instalar uma república negra nas Américas, a segunda república independente das Américas, depois dos Estados Unidos.
Até então ela havia sido explorada radicalmente pela França. Era tão produtiva que era chamada "a jóia das Antilhas". No sistema escravocrata, numa terra altamente produtiva, a França extraiu tudo do que podia da colônia. Lá se produzia café, cacau, tabaco, algodão, indigo entre outros produtos que eram refinados na França e reexportado para o resto da Europa. O cálculo é que a França retirava de lá 50% do seu PIB da época.
A independência parecia ser um brilhante recomeço. Não foi. O mundo inteiro decretou boicote à nova república. As potências coloniais achavam subversivo aquele modelo. Os Estados Unidos que já eram uma ex-colonia independente eram um país escravocrata. O Haiti assustava a todos. Sob boicote do mundo, o país entrou em dificuldades extremas. Não podia exportar nem importar. A França passou a cobrar do Haiti uma suposta divida para indenizar os ex-donos de terras, ex-donos de escravos. A contenda com a França só acabou quando em 1838 o governo haitiano aceitou pagar 150 milhões de francos. Durante 80 anos essa divida, que foi paga incontáveis vezes através de juros intermináveis, drenou a economia haitiana. A dívida só foi considerada paga em 1922.
Mas aí o país já estava sob jugo de outro opressor: os Estados Unidos ocuparam militarmente o país em 1915 e lá ficaram até 1938. Mesmo após o fim da ocupação física, os Estados Unidos apoiaram as escolhas trágicas dos haitianos como o poder à dinastia dos Duvalier, o Papa Doc e Baby Doc que desde os anos 60, por décadas, dominaram a população pelo terror através da mais violenta das polícias políticas de que se tem notícia nas Américas, os Tonton Macoute.
Para completar a explicação da pobreza, os indicadores educacionais são os piores. Todos esses governantes ou líderes, sejam eles de opressores estrangeiros ou opressores locais, jamais fizeram qualquer esforço para educar a população e retirá-la da ignorância.
A democracia quando chegou lá, chegou tarde e vulnerável.
Para completar o quadro produzido por essa história, há ainda os fatores climáticos. A destruição impiedosa do meio ambiente, desde a época colonial, no país que tinha uma intensa biodiversidade, foi empobrecendo o solo, produzindo erosões, aumentando os riscos de desastres ambientais. Hoje restam apenas 2% da rica cobertura vegetal original. Furacões e terremotos fizeram o resto da tragédia haitiana.
Haverá futuro para o Haiti se os haitianos e o mundo aprenderem com essa história. É hora de os países de boa vontade se unirem em torno do Haiti para do meio do caos atual começar a construir uma nova história.
O PT MUDOU O BRASIL? OU FOI O CONTRÁRIO?
Deu na Veja
"Lula e o PT conseguiram, mediante a desconstrução sistemática das realizações de outros governos, convencer a maioria de que o Brasil teria começado em 2003. Nunca antes"
De Maílson da Nóbrega:
Nunca antes na história deste país um partido se vangloriou tanto de feitos que não realizou. É o caso do PT. No seu último programa no rádio e na TV, o partido reivindicou o papel de marco zero. Até a estabilização da economia teria sido obra sua. Os petistas se jactam de ter mudado o país. Para um de seus senadores, 2009 foi "a segunda descoberta do Brasil".
No mundo, três transformações radicais sobressaem: (1) a Revolução Gloriosa (1688), que extinguiu o absolutismo inglês e levaria a Inglaterra à Revolução Industrial; (2) a Revolução Americana (1776), da qual surgiria a maior potência no século XIX; e (3) a Revolução Francesa (1789), a profunda mudança que substituiria os privilégios da nobreza, do clero e dos senhores feudais pelos direitos inalienáveis dos cidadãos.
Nada desse porte aconteceu no Brasil, nem agora nem antes. A independência foi declarada por dom Pedro, representante da metrópole. A República nasceu de um golpe de estado dado por Deodoro da Fonseca. A Revolução de 1930, a única que talvez possa ter esse título, promoveu mudanças, mas não daquela magnitude. Aqui não se viram rupturas nem violências. O regime militar findou sob negociação.
O PT pretendia mudar o Brasil, mas para pior. O título de seu programa para as eleições de 2002 era "a ruptura necessária". Prometia "uma ruptura com o atual modelo econômico, fundado na abertura e na desregulação radicais da economia nacional e na consequente subordinação de sua dinâmica aos interesses e humores do capital financeiro globalizado". Soa ridículo hoje, não?
As propostas continham inúmeros disparates: controles na entrada de capitais estrangeiros, mudanças na captação de recursos externos pelos bancos e a denúncia do acordo com o FMI, entre outros. Uma reforma tributária taxaria as grandes fortunas. O pagamento dos juros da dívida pública seria reduzido de forma voluntarista.
A Carta ao Povo Brasileiro (22 de junho de 2002) foi o começo do fim dessas ideias. Nela, Lula ainda defendia "um projeto nacional alternativo", mas falava em "respeito aos contratos e obrigações do país". O superávit primário seria preservado "para impedir que a dívida interna aumente e destrua a confiança na capacidade do governo de honrar os seus compromissos".
As visões econômicas do PT morreram de vez com Lula na Presidência. Um banqueiro foi presidir o Banco Central. No primeiro mês, elevaram-se a taxa de juros e a meta de superávit primário. Tudo o que o PT tachava de neoliberal. Na política, a coalizão de governo incluiu partidos políticos e figuras conhecidas que o PT abominava.
A política econômica foi mantida. Com a preservação da plataforma construída por seus antecessores, Lula conseguiu alçar o Brasil a novas alturas. O amadurecimento das mudanças anteriores ampliou o potencial de crescimento da economia, que foi adicionalmente impulsionada pelos ventos favoráveis da economia mundial entre 2003 e 2008. Tornou-se possível manter e ampliar os programas sociais herdados.
Muito se deve à intuição política do presidente e ao trabalho de seu primeiro ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Lula percebeu que a preservação de sua popularidade dependia do controle da inflação e por isso reforçou a autonomia do Banco Central. Ele cresceu aos olhos do mundo em razão de sua simpatia, de seu carisma e por ser um líder de esquerda moderado, defensor da democracia e da economia de mercado.
Lula e o PT conseguiram, mediante a desconstrução sistemática das realizações de outros governos, convencer a maioria de que o Brasil teria começado em 2003. Nunca antes. É um grande tento, que requereu doses elevadas de desfaçatez. Recentemente, na falta de energia no Sul e Sudeste, a preocupação não foi explicar, mas mostrar que o apagão de Lula era melhor que o de FHC.
A manutenção da política econômica foi uma decisão corajosa. Respondeu a um novo ambiente, caracterizado pela intolerância da sociedade à inflação, pela imprensa livre, pela nascente valorização da democracia e pela disciplina do mercado. Lula curvou-se às imposições dessa nova realidade. Ainda bem. O Brasil mudou o PT, que agora é, em todos os sentidos, um partido como os outros.
"Lula e o PT conseguiram, mediante a desconstrução sistemática das realizações de outros governos, convencer a maioria de que o Brasil teria começado em 2003. Nunca antes"
De Maílson da Nóbrega:
Nunca antes na história deste país um partido se vangloriou tanto de feitos que não realizou. É o caso do PT. No seu último programa no rádio e na TV, o partido reivindicou o papel de marco zero. Até a estabilização da economia teria sido obra sua. Os petistas se jactam de ter mudado o país. Para um de seus senadores, 2009 foi "a segunda descoberta do Brasil".
No mundo, três transformações radicais sobressaem: (1) a Revolução Gloriosa (1688), que extinguiu o absolutismo inglês e levaria a Inglaterra à Revolução Industrial; (2) a Revolução Americana (1776), da qual surgiria a maior potência no século XIX; e (3) a Revolução Francesa (1789), a profunda mudança que substituiria os privilégios da nobreza, do clero e dos senhores feudais pelos direitos inalienáveis dos cidadãos.
Nada desse porte aconteceu no Brasil, nem agora nem antes. A independência foi declarada por dom Pedro, representante da metrópole. A República nasceu de um golpe de estado dado por Deodoro da Fonseca. A Revolução de 1930, a única que talvez possa ter esse título, promoveu mudanças, mas não daquela magnitude. Aqui não se viram rupturas nem violências. O regime militar findou sob negociação.
O PT pretendia mudar o Brasil, mas para pior. O título de seu programa para as eleições de 2002 era "a ruptura necessária". Prometia "uma ruptura com o atual modelo econômico, fundado na abertura e na desregulação radicais da economia nacional e na consequente subordinação de sua dinâmica aos interesses e humores do capital financeiro globalizado". Soa ridículo hoje, não?
As propostas continham inúmeros disparates: controles na entrada de capitais estrangeiros, mudanças na captação de recursos externos pelos bancos e a denúncia do acordo com o FMI, entre outros. Uma reforma tributária taxaria as grandes fortunas. O pagamento dos juros da dívida pública seria reduzido de forma voluntarista.
A Carta ao Povo Brasileiro (22 de junho de 2002) foi o começo do fim dessas ideias. Nela, Lula ainda defendia "um projeto nacional alternativo", mas falava em "respeito aos contratos e obrigações do país". O superávit primário seria preservado "para impedir que a dívida interna aumente e destrua a confiança na capacidade do governo de honrar os seus compromissos".
As visões econômicas do PT morreram de vez com Lula na Presidência. Um banqueiro foi presidir o Banco Central. No primeiro mês, elevaram-se a taxa de juros e a meta de superávit primário. Tudo o que o PT tachava de neoliberal. Na política, a coalizão de governo incluiu partidos políticos e figuras conhecidas que o PT abominava.
A política econômica foi mantida. Com a preservação da plataforma construída por seus antecessores, Lula conseguiu alçar o Brasil a novas alturas. O amadurecimento das mudanças anteriores ampliou o potencial de crescimento da economia, que foi adicionalmente impulsionada pelos ventos favoráveis da economia mundial entre 2003 e 2008. Tornou-se possível manter e ampliar os programas sociais herdados.
Muito se deve à intuição política do presidente e ao trabalho de seu primeiro ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Lula percebeu que a preservação de sua popularidade dependia do controle da inflação e por isso reforçou a autonomia do Banco Central. Ele cresceu aos olhos do mundo em razão de sua simpatia, de seu carisma e por ser um líder de esquerda moderado, defensor da democracia e da economia de mercado.
Lula e o PT conseguiram, mediante a desconstrução sistemática das realizações de outros governos, convencer a maioria de que o Brasil teria começado em 2003. Nunca antes. É um grande tento, que requereu doses elevadas de desfaçatez. Recentemente, na falta de energia no Sul e Sudeste, a preocupação não foi explicar, mas mostrar que o apagão de Lula era melhor que o de FHC.
A manutenção da política econômica foi uma decisão corajosa. Respondeu a um novo ambiente, caracterizado pela intolerância da sociedade à inflação, pela imprensa livre, pela nascente valorização da democracia e pela disciplina do mercado. Lula curvou-se às imposições dessa nova realidade. Ainda bem. O Brasil mudou o PT, que agora é, em todos os sentidos, um partido como os outros.
sábado, 9 de janeiro de 2010
DURMA COM UM BARULHO DESSE!
CORRENTES, PIANOS E VULTOS
Nessas duas semanas que o presidente Lula e sua família passam de férias, fora de Brasília, registra-se o rumor de estar o palácio da Alvorada ocupado por singular equipe de seguranças, onde se incluiriam religiosos e místicos de variada procedência. O grupo investigaria velhas histórias agora recrudescidas, de que alta madrugada ouvem-se correntes sendo arrastadas no teto, além de o piano do primeiro andar tocar sozinho e vultos estranhos transitarem pelos salões de luxo.
Faz tempo que a residência oficial dos presidentes da República é tida como mal-assombrada. Isso explicaria as poucas noites que Juscelino Kubitschek dormiu lá, depois da inauguração da nova capital, bem como o tresloucado gesto de Jânio Quadros de renunciar por ação de forças ocultas. João Goulart preferia ficar na Granja do Torto, mas de Castello Branco, fala-se que jamais deixava seus aposentos particulares enquanto o sol não nascia. Costa e Silva queria descer de pijama para ver quem estava na biblioteca, mas dona Yolanda não deixava. Garrastazu Médici preocupava-se com o piano entoando a Marcha Fúnebre e Ernesto Geisel, tonitruante, chegava a desafiar os fantasmas que nunca via. De Figueiredo em diante cessaram os boatos, mas José Sarney mandava benzer o Alvorada inteiro, todos os meses. Fernando Collor, por cautela, preferiu ficar na Casa da Dinda, Itamar amanhecia com o topete ainda mais arrepiado e Fernando Henrique tentou convencer a todos ser ele que assustava as almas penadas, dado o tamanho de seu ego.
Pois é. Por via das dúvidas, quando o presidente Lula chegar, vai querer saber do resultado da incursão de seus caça-fantasma, quando menos para preservar Dilma Rousseff de sustos desnecessários...
Missão | Política de Transparência
Cláudio Humberto
Nessas duas semanas que o presidente Lula e sua família passam de férias, fora de Brasília, registra-se o rumor de estar o palácio da Alvorada ocupado por singular equipe de seguranças, onde se incluiriam religiosos e místicos de variada procedência. O grupo investigaria velhas histórias agora recrudescidas, de que alta madrugada ouvem-se correntes sendo arrastadas no teto, além de o piano do primeiro andar tocar sozinho e vultos estranhos transitarem pelos salões de luxo.
Faz tempo que a residência oficial dos presidentes da República é tida como mal-assombrada. Isso explicaria as poucas noites que Juscelino Kubitschek dormiu lá, depois da inauguração da nova capital, bem como o tresloucado gesto de Jânio Quadros de renunciar por ação de forças ocultas. João Goulart preferia ficar na Granja do Torto, mas de Castello Branco, fala-se que jamais deixava seus aposentos particulares enquanto o sol não nascia. Costa e Silva queria descer de pijama para ver quem estava na biblioteca, mas dona Yolanda não deixava. Garrastazu Médici preocupava-se com o piano entoando a Marcha Fúnebre e Ernesto Geisel, tonitruante, chegava a desafiar os fantasmas que nunca via. De Figueiredo em diante cessaram os boatos, mas José Sarney mandava benzer o Alvorada inteiro, todos os meses. Fernando Collor, por cautela, preferiu ficar na Casa da Dinda, Itamar amanhecia com o topete ainda mais arrepiado e Fernando Henrique tentou convencer a todos ser ele que assustava as almas penadas, dado o tamanho de seu ego.
Pois é. Por via das dúvidas, quando o presidente Lula chegar, vai querer saber do resultado da incursão de seus caça-fantasma, quando menos para preservar Dilma Rousseff de sustos desnecessários...
Missão | Política de Transparência
Cláudio Humberto
O TESTAMENTO DO JEGUE
Miguezim de Princesa
I
De tanta decepção,
Surgiu no meu pensamento
A idéia de que virei,
Do dia pra noite, um jumento
E, na virada do ano,
Botei em prática este plano
De escrever meu testamento.
II
Nas costas de um jumento,
Jesus Cristo foi levado
Por São José e Maria
Quando era procurado:
Num momento muito tenso,
Rei Herodes fez o censo
E o queria capturado.
III
Porque fugiu com Jesus,
O jegue é bicho sagrado,
Mas o progresso chegou,
Infame e descontrolado:
Trouxe a moto pro sertão
E o jumento, nosso irmão,
Vive hoje abandonado.
IV
Foi expulso do roçado
E cumpre uma sina pesada:
Sem abrigo e sem ração,
A vagar pela estrada,
Herdeiro da escravidão,
Sentindo a ingratidão
Dos que não lhe pagam nada.
V
Diz a lenda que o jumento
Carrega nas costas uma cruz,
Deixada por um pipi
Do menininho Jesus,
E é um sinal do novo,
Da caminhada do povo
Em busca de uma nova luz.
VI
Pois, em nome do jumento,
Deixo ao povo esse sinal:
Quem trabalha a vida toda,
Na labuta desigual,
Tenha comida na mesa
E viva com a certeza
De nunca mais passar mal.
VII
Que toda a força do jegue
Se transfira pro mais fraco,
Que vive de espinha quebrada
Se afundando no buraco
E se enche de gratidão
Quando ganha uma refeição
E uma telha pro barraco.
VIII
Deixo o rabo do jumento
Para toda hipocrisia,
As mentiras deslavadas
Que ouço no dia a dia,
Quando a vida só piora
E a promessa de melhora
Vem de esmola numa bacia.
IX
Deixo o coice com as duas patas
Para toda exploração
De quem paga cesta básica
E tem lucro de R$ 1 bilhão,
Camuflando o capital
No paraíso fiscal
Do verdadeiro ladrão.
X
E por fim eu vou deixar,
Enterrada na areia,
A parte mais delicada,
Que o povo chama de peia,
Para açoitar por detrás
O político ladravaz
Que põe dinheiro na meia.
Fonte: claudiohumberto - Coluna do Carlos Chagas
Missão | Política de Transparência
Otimizado para resolução de 1024x768 © Copyright 2008, Cláudio Humberto
I
De tanta decepção,
Surgiu no meu pensamento
A idéia de que virei,
Do dia pra noite, um jumento
E, na virada do ano,
Botei em prática este plano
De escrever meu testamento.
II
Nas costas de um jumento,
Jesus Cristo foi levado
Por São José e Maria
Quando era procurado:
Num momento muito tenso,
Rei Herodes fez o censo
E o queria capturado.
III
Porque fugiu com Jesus,
O jegue é bicho sagrado,
Mas o progresso chegou,
Infame e descontrolado:
Trouxe a moto pro sertão
E o jumento, nosso irmão,
Vive hoje abandonado.
IV
Foi expulso do roçado
E cumpre uma sina pesada:
Sem abrigo e sem ração,
A vagar pela estrada,
Herdeiro da escravidão,
Sentindo a ingratidão
Dos que não lhe pagam nada.
V
Diz a lenda que o jumento
Carrega nas costas uma cruz,
Deixada por um pipi
Do menininho Jesus,
E é um sinal do novo,
Da caminhada do povo
Em busca de uma nova luz.
VI
Pois, em nome do jumento,
Deixo ao povo esse sinal:
Quem trabalha a vida toda,
Na labuta desigual,
Tenha comida na mesa
E viva com a certeza
De nunca mais passar mal.
VII
Que toda a força do jegue
Se transfira pro mais fraco,
Que vive de espinha quebrada
Se afundando no buraco
E se enche de gratidão
Quando ganha uma refeição
E uma telha pro barraco.
VIII
Deixo o rabo do jumento
Para toda hipocrisia,
As mentiras deslavadas
Que ouço no dia a dia,
Quando a vida só piora
E a promessa de melhora
Vem de esmola numa bacia.
IX
Deixo o coice com as duas patas
Para toda exploração
De quem paga cesta básica
E tem lucro de R$ 1 bilhão,
Camuflando o capital
No paraíso fiscal
Do verdadeiro ladrão.
X
E por fim eu vou deixar,
Enterrada na areia,
A parte mais delicada,
Que o povo chama de peia,
Para açoitar por detrás
O político ladravaz
Que põe dinheiro na meia.
Fonte: claudiohumberto - Coluna do Carlos Chagas
Missão | Política de Transparência
Otimizado para resolução de 1024x768 © Copyright 2008, Cláudio Humberto
DEU NA ÉPOCA
Um mensalão de R$ 150 mil?
Em depoimento, o delator do esquema de corrupção no Distrito Federal diz que Arruda relatou o pagamento de propinas ao chefe do Ministério Público
De Andrei Meireles, Murilo Ramos e Marcelo Rocha:
Integrantes do Ministério Público do Distrito Federal estão sob suspeita desde que a Operação Caixa de Pandora, deflagrada pela Polícia Federal em novembro, revelou um grande esquema de corrupção no governo de José Roberto Arruda.
As suspeitas são fundamentadas em um depoimento do delegado Durval Barbosa – delator e principal informante da PF – em que ele descreve o suposto pagamento de propinas ao procurador-geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra, e à promotora de Justiça Deborah Guerner.
O depoimento, ao qual ÉPOCA teve acesso com exclusividade na semana passada, é considerado uma das principais peças da investigação aberta pelo Ministério Público Federal contra os promotores de Brasília.
Durval foi ouvido em São Paulo por duas procuradoras da República no dia 11 de dezembro. No depoimento, ele relatou, com riqueza de detalhes, como o Ministério Público aprovou, em três anos de governo Arruda, cinco prorrogações, sem licitação, dos contratos de coleta de lixo no Distrito Federal, um negócio de cerca de R$ 760 milhões por ano.
Às procuradoras da República, Durval descreveu uma reunião em que o governador Arruda teria afirmado que, por conta do negócio do lixo, pagava propina de R$ 150 mil por mês ao procurador Bandarra.
Presente à reunião, o advogado Aristides Junqueira – ex-procurador-geral da República, que atuou na defesa de Durval – teria reagido à afirmação de Arruda: “Governador, o senhor me desculpe, mas tenho muita resistência em acreditar que um procurador-geral de Justiça e presidente do Conselho de Ministérios Públicos se envolveria em coisas tão pequenas e mancharia sua biografia por isso”.
Segundo Durval, Arruda encerrou o assunto com a seguinte resposta a Aristides: “Pois não duvide, quem paga sou eu. Quando atrasa, ele cobra de mim pessoalmente”.
ÉPOCA ouviu Aristides Junqueira sobre o depoimento de Durval. “Não posso confirmar e nem desmentir fatos e confissões que teriam ocorrido quando advogava nessa causa. Sou obrigado a manter sigilo por dever de ofício. Se eu for convocado a depor, darei essa mesma resposta à Polícia Federal e ao Ministério Público”, afirmou.
No depoimento, Durval disse que Arruda não fazia segredo do pagamento de propinas a integrantes do MP. Numa reunião com seus secretários, Arruda teria se queixado de dificuldades para aprovação de contratos pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal.
“Será que é falta de agrado? Vamos fazer um agradozinho igual ao que a gente tem feito à Câmara Legislativa e ao Ministério Público”, teria dito Arruda.
De acordo com Durval, o esquema do lixo foi acertado antes mesmo de Arruda assumir o governo, em janeiro de 2007.
Segundo ele, houve uma reunião, em dezembro de 2006, na casa da promotora Deborah Guerner, com a participação de Arruda, do vice-governador Paulo Octávio e do procurador Leonardo Bandarra. Ali, teriam sido acertados a prorrogação dos contratos sobre o lixo e o apoio de Arruda à recondução de Bandarra à chefia do MP do DF.
Depois de Arruda ter assumido o governo, um site de Brasília publicou uma denúncia sobre o esquema do lixo. Por meio de Cláudia Marques – uma assessora de Arruda –, Deborah pediu a Durval, responsável nos últimos dez anos pelos contratos do governo do DF com empresas de informática, para sumir com a denúncia.
No depoimento, Durval diz que, com a ajuda de especialistas em segurança de informática, conseguiu apagar a publicação. Por conta do episódio, Durval diz ter obtido o reconhecimento dos promotores e foi escolhido por Arruda para fazer os pagamentos das propinas aos integrantes do MP.
Segundo Durval, quem lhe dava o dinheiro da propina era Domingos Lamoglia, ex-chefe de gabinete de Arruda e atual conselheiro do Tribunal de Contas do DF. Durval diz ter entregue R$ 1,6 milhão à promotora Deborah para que ela fizesse repasses a Leonardo Bandarra.
O dinheiro teria sido entregue em quatro ocasiões na casa de Deborah, sempre acondicionado em caixas de papelão embrulhadas com papel de presente. Durval disse ter feito pessoalmente, junto com Cláudia Marques, as duas primeiras entregas – de R$ 500 mil cada uma. Cláudia Marques confirmou as informações de Durval em depoimento.
Durval disse que os outros R$ 600 mil foram entregues na casa de Deborah por seu motorista, Jorge Luis. Em uma das vezes em que esteve na casa de Deborah, em 16 de maio de 2008, Durval disse que a promotora exigiu que a conversa ocorresse dentro de uma sauna.
Na sauna, Deborah teria lhe mostrado um mandado de busca e apreensão na casa de Durval, pedido por Leonardo Bandarra. O mandado só foi cumprido pela PF 20 dias depois dessa conversa.
Esse encontro foi registrado assim no depoimento de Durval: “Que, na sauna, Deborah Guerner não falava, mas escrevia as informações em um caderno, porque dizia que não queria ser gravada pelo declarante; que, nesta hora, disse que Leonardo Bandarra, referido como ‘Fernando’, teria mandado pedir R$ 1 milhão ao declarante”.
Durval afirma que não atendeu a essa tentativa de extorsão. Depois da operação da PF em sua casa, ele diz que se negou a continuar a fazer pagamentos aos integrantes por intermédio de Deborah. Ele teria passado, então, a entregar o dinheiro a Marcelo Carvalho, o principal executivo do grupo empresarial do vice-governador Paulo Octávio.
Essa intermediação teria durado pouco. No depoimento, Durval contou que foi chamado por Marcelo Carvalho para uma reunião e foi informado de que Bandarra não queria Carvalho no negócio e que os pagamentos deveriam continuar sendo feitos a Deborah Guerner. No mesmo dia, Arruda teria mandado Durval atender ao pedido de Bandarra.
Leia mais em Um mensalão de R$ 150 mil?
Em depoimento, o delator do esquema de corrupção no Distrito Federal diz que Arruda relatou o pagamento de propinas ao chefe do Ministério Público
De Andrei Meireles, Murilo Ramos e Marcelo Rocha:
Integrantes do Ministério Público do Distrito Federal estão sob suspeita desde que a Operação Caixa de Pandora, deflagrada pela Polícia Federal em novembro, revelou um grande esquema de corrupção no governo de José Roberto Arruda.
As suspeitas são fundamentadas em um depoimento do delegado Durval Barbosa – delator e principal informante da PF – em que ele descreve o suposto pagamento de propinas ao procurador-geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra, e à promotora de Justiça Deborah Guerner.
O depoimento, ao qual ÉPOCA teve acesso com exclusividade na semana passada, é considerado uma das principais peças da investigação aberta pelo Ministério Público Federal contra os promotores de Brasília.
Durval foi ouvido em São Paulo por duas procuradoras da República no dia 11 de dezembro. No depoimento, ele relatou, com riqueza de detalhes, como o Ministério Público aprovou, em três anos de governo Arruda, cinco prorrogações, sem licitação, dos contratos de coleta de lixo no Distrito Federal, um negócio de cerca de R$ 760 milhões por ano.
Às procuradoras da República, Durval descreveu uma reunião em que o governador Arruda teria afirmado que, por conta do negócio do lixo, pagava propina de R$ 150 mil por mês ao procurador Bandarra.
Presente à reunião, o advogado Aristides Junqueira – ex-procurador-geral da República, que atuou na defesa de Durval – teria reagido à afirmação de Arruda: “Governador, o senhor me desculpe, mas tenho muita resistência em acreditar que um procurador-geral de Justiça e presidente do Conselho de Ministérios Públicos se envolveria em coisas tão pequenas e mancharia sua biografia por isso”.
Segundo Durval, Arruda encerrou o assunto com a seguinte resposta a Aristides: “Pois não duvide, quem paga sou eu. Quando atrasa, ele cobra de mim pessoalmente”.
ÉPOCA ouviu Aristides Junqueira sobre o depoimento de Durval. “Não posso confirmar e nem desmentir fatos e confissões que teriam ocorrido quando advogava nessa causa. Sou obrigado a manter sigilo por dever de ofício. Se eu for convocado a depor, darei essa mesma resposta à Polícia Federal e ao Ministério Público”, afirmou.
No depoimento, Durval disse que Arruda não fazia segredo do pagamento de propinas a integrantes do MP. Numa reunião com seus secretários, Arruda teria se queixado de dificuldades para aprovação de contratos pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal.
“Será que é falta de agrado? Vamos fazer um agradozinho igual ao que a gente tem feito à Câmara Legislativa e ao Ministério Público”, teria dito Arruda.
De acordo com Durval, o esquema do lixo foi acertado antes mesmo de Arruda assumir o governo, em janeiro de 2007.
Segundo ele, houve uma reunião, em dezembro de 2006, na casa da promotora Deborah Guerner, com a participação de Arruda, do vice-governador Paulo Octávio e do procurador Leonardo Bandarra. Ali, teriam sido acertados a prorrogação dos contratos sobre o lixo e o apoio de Arruda à recondução de Bandarra à chefia do MP do DF.
Depois de Arruda ter assumido o governo, um site de Brasília publicou uma denúncia sobre o esquema do lixo. Por meio de Cláudia Marques – uma assessora de Arruda –, Deborah pediu a Durval, responsável nos últimos dez anos pelos contratos do governo do DF com empresas de informática, para sumir com a denúncia.
No depoimento, Durval diz que, com a ajuda de especialistas em segurança de informática, conseguiu apagar a publicação. Por conta do episódio, Durval diz ter obtido o reconhecimento dos promotores e foi escolhido por Arruda para fazer os pagamentos das propinas aos integrantes do MP.
Segundo Durval, quem lhe dava o dinheiro da propina era Domingos Lamoglia, ex-chefe de gabinete de Arruda e atual conselheiro do Tribunal de Contas do DF. Durval diz ter entregue R$ 1,6 milhão à promotora Deborah para que ela fizesse repasses a Leonardo Bandarra.
O dinheiro teria sido entregue em quatro ocasiões na casa de Deborah, sempre acondicionado em caixas de papelão embrulhadas com papel de presente. Durval disse ter feito pessoalmente, junto com Cláudia Marques, as duas primeiras entregas – de R$ 500 mil cada uma. Cláudia Marques confirmou as informações de Durval em depoimento.
Durval disse que os outros R$ 600 mil foram entregues na casa de Deborah por seu motorista, Jorge Luis. Em uma das vezes em que esteve na casa de Deborah, em 16 de maio de 2008, Durval disse que a promotora exigiu que a conversa ocorresse dentro de uma sauna.
Na sauna, Deborah teria lhe mostrado um mandado de busca e apreensão na casa de Durval, pedido por Leonardo Bandarra. O mandado só foi cumprido pela PF 20 dias depois dessa conversa.
Esse encontro foi registrado assim no depoimento de Durval: “Que, na sauna, Deborah Guerner não falava, mas escrevia as informações em um caderno, porque dizia que não queria ser gravada pelo declarante; que, nesta hora, disse que Leonardo Bandarra, referido como ‘Fernando’, teria mandado pedir R$ 1 milhão ao declarante”.
Durval afirma que não atendeu a essa tentativa de extorsão. Depois da operação da PF em sua casa, ele diz que se negou a continuar a fazer pagamentos aos integrantes por intermédio de Deborah. Ele teria passado, então, a entregar o dinheiro a Marcelo Carvalho, o principal executivo do grupo empresarial do vice-governador Paulo Octávio.
Essa intermediação teria durado pouco. No depoimento, Durval contou que foi chamado por Marcelo Carvalho para uma reunião e foi informado de que Bandarra não queria Carvalho no negócio e que os pagamentos deveriam continuar sendo feitos a Deborah Guerner. No mesmo dia, Arruda teria mandado Durval atender ao pedido de Bandarra.
Leia mais em Um mensalão de R$ 150 mil?
Lei de Imprensa
ENTIDADES LIGADAS À COMUNICAÇÃO MANIFESTAM PERPLEXIDADE DIANTE DAS AMEAÇAS À LIBERDADE DE IMPRENSA
Nesta sexta-feira (8), entidades ligadas à comunicação no Brasil divulgaram uma nota conjunta repudiando as determinações do Programa Nacional de Direitos Humanos, lançado em dezembro no ano passado através de um decreto de Lula.
Entre outras coisas, o projeto pretende criar uma comissão para monitorar o conteúdo editorial das empresas de comunicação e punir os veículos que o governo considerar que violam os direitos humanos.
Assinada por Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), Associação Nacional dos Editores de Revistas (ANER) e Associação Nacional de Jornais (ANJ), a nota diz que as três entidades manifestam sua "perplexidade diante das ameaças à liberdade de expressão contidas no Decreto".
"A defesa e valorização dos direitos humanos são parte essencial da democracia, nos termos da Constituição e de toda a legislação brasileira, e contam com nosso total compromisso e respaldo. Mas não é democrática e sim flagrantemente inconstitucional a ideia de instâncias e mecanismos de controle da informação. A liberdade de expressão é um direito de todos os cidadãos e não deve ser tutelada por comissões governamentais", diz o texto.
Segundo o Estadão Online, as associações representativas dos meios de comunicação brasileiros afirmam esperar "que as restrições à liberdade de expressão contidas no decreto sejam extintas, em benefício da democracia e de toda a sociedade".
.....................
Entre as novas leis propostas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (grifo nosso), no Programa Nacional de Direitos Humanos, há uma que prevê a criação de um marco regulatório para a comunicação no Brasil. Lançado em dezembro no ano passado através de um decreto de Lula, o projeto pretende condicionar a concessão e renovação de outorgas dos serviços de radiodifusão.
Além disso, há previsão de penalidades como multas, suspensão da programação e cassação para empresas de comunicação que o governo considerar que violam os direitos humanos, e a criação de uma comissão para monitorar o conteúdo editorial das empresas de comunicação, informou o G1. São 73 páginas com 27 novas leis. A relacionada à comunicação está na diretriz 22.
"Propor a criação de marco legal regulamentando o art. 221 da Constituição, estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos serviços de radiodifusão (rádio e televisão) concedidos, permitidos ou autorizados, como condição para sua outorga e renovação, prevendo penalidades administrativas como advertência, multa, suspensão da programação e cassação, de acordo com a gravidade das violações praticadas", diz o texto.
.....................
Daniel Slaviero, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão (Abert), criticou o programa. "Qualquer iniciativa que visa criar uma comissão que controle, que acompanhe ou que interfira no conteúdo editorial das empresas de rádio e televisão é, do nosso ponto de vista, uma forma de censura e uma forma de interferência na liberdade de expressão e na liberdade de imprensa", disse.
Coordenado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o plano recebeu contribuições de 17 ministérios. As mudanças na legislação ainda terão que ser submetidas ao Congresso Nacional.
Clique aqui para ler o Programa Nacional de Direitos Humanos na íntegra.
...........
TEXTO:
Portal Imprensa
Nesta sexta-feira (8), entidades ligadas à comunicação no Brasil divulgaram uma nota conjunta repudiando as determinações do Programa Nacional de Direitos Humanos, lançado em dezembro no ano passado através de um decreto de Lula.
Entre outras coisas, o projeto pretende criar uma comissão para monitorar o conteúdo editorial das empresas de comunicação e punir os veículos que o governo considerar que violam os direitos humanos.
Assinada por Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), Associação Nacional dos Editores de Revistas (ANER) e Associação Nacional de Jornais (ANJ), a nota diz que as três entidades manifestam sua "perplexidade diante das ameaças à liberdade de expressão contidas no Decreto".
"A defesa e valorização dos direitos humanos são parte essencial da democracia, nos termos da Constituição e de toda a legislação brasileira, e contam com nosso total compromisso e respaldo. Mas não é democrática e sim flagrantemente inconstitucional a ideia de instâncias e mecanismos de controle da informação. A liberdade de expressão é um direito de todos os cidadãos e não deve ser tutelada por comissões governamentais", diz o texto.
Segundo o Estadão Online, as associações representativas dos meios de comunicação brasileiros afirmam esperar "que as restrições à liberdade de expressão contidas no decreto sejam extintas, em benefício da democracia e de toda a sociedade".
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Entre as novas leis propostas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (grifo nosso), no Programa Nacional de Direitos Humanos, há uma que prevê a criação de um marco regulatório para a comunicação no Brasil. Lançado em dezembro no ano passado através de um decreto de Lula, o projeto pretende condicionar a concessão e renovação de outorgas dos serviços de radiodifusão.
Além disso, há previsão de penalidades como multas, suspensão da programação e cassação para empresas de comunicação que o governo considerar que violam os direitos humanos, e a criação de uma comissão para monitorar o conteúdo editorial das empresas de comunicação, informou o G1. São 73 páginas com 27 novas leis. A relacionada à comunicação está na diretriz 22.
"Propor a criação de marco legal regulamentando o art. 221 da Constituição, estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos serviços de radiodifusão (rádio e televisão) concedidos, permitidos ou autorizados, como condição para sua outorga e renovação, prevendo penalidades administrativas como advertência, multa, suspensão da programação e cassação, de acordo com a gravidade das violações praticadas", diz o texto.
.....................
Daniel Slaviero, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão (Abert), criticou o programa. "Qualquer iniciativa que visa criar uma comissão que controle, que acompanhe ou que interfira no conteúdo editorial das empresas de rádio e televisão é, do nosso ponto de vista, uma forma de censura e uma forma de interferência na liberdade de expressão e na liberdade de imprensa", disse.
Coordenado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o plano recebeu contribuições de 17 ministérios. As mudanças na legislação ainda terão que ser submetidas ao Congresso Nacional.
Clique aqui para ler o Programa Nacional de Direitos Humanos na íntegra.
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TEXTO:
Portal Imprensa
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Feliz 2.010 - glórias pra todos
Aos leitores do Ponto de Vista Digital, mil desculpas por não atualizar frequentemente, nada de desapreço, desatenção ou discriminação, somente uso mais assiduamente o Zip Net, por se tratar de uma galera afeita aos assuntos politicos, partidariamente mais sintonizados. O Ponto de Vista Digital é um espaço sobressalente para uma oportunidade rara de destilar idéias e compartilhar pensamentos. Agradecemos a vossa compreensão, mais dias menos dias, lembro-me deste dever e obrigação com todos vocês. Muito obrigado, desejamos pra todos glórias, exito nas atividades cotidianas e muitas felicidades no âmbito familiar... Logo mais, voltaemos pra nos comunicar.
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