quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

ENVIADA POR MÍRIAM LEITÃO

Crédito

Cuidado na farra do crédito; juros são altos demais

O crédito atingiu a inacreditável marca de 45% do PIB. E a grande pergunta feita é: isso é bom ou ruim?

Os economistas dizem que é bom, afinal a economia brasileira é a única das grandes economias que vivia nessa distorção de que não ter um sistema de crédito desenvolvido. Não apenas grandes economias, até em economias menores do que a do Brasil é normal ter alto nível de endividamento das familias. Quando se compara o nível de crédito/PIB do Brasil com o Chile, por exemplo, o Brasil perde feio. Nos últimos anos o crédito dobrou como participação do PIB e mesmo assim é um percentual menor do que em outros países.

O bom senso no entanto nos diz que é preciso ir com cuidado na farra do crédito. Primeiro porque no Brasil o dinheiro é caro demais. Os juros do crédito para pessoa física por exemplo caiu de 43% para 42,7%. No ano caiu bastante, quinze pontos percentuais, mesmo assim continua um crédito em níveis que no mundo inteiro pareceria exótico, para não dizer exorbitante.

O mercado de crédito criará muitas oportunidades para empresas, instituições financeiras e pessoas nos próximos meses e anos, mas evidentemente que um país que não tem tradição de fartura de oferta de crédito, que tem juros altos demais, em que as pessoas estão comprometendo cada vez maiores parcelas da sua renda com financiamento, em que os prazos se alongam de forma temerária é preciso ter cuidado. Muita gente me pergunta se a gente corre o risco do sub-prime. Eu digo que ainda não, mas é bom ficar de olho. Para um país com os juros cobrados pelo sistema bancário o percentual crédito/PIB sustentável é bem mais baixo do que países que têm juros normais.

PS - Míriam Leitão é colunista da Globo

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