Esta é a pré-campanha mais chocha e enfadonha desde a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas. E não se pode jogar a culpa no ombro da candidata Dilma Rousseff ou do candidato José Serra, muito menos da candidata Marina Silva, do Partido Verde. O Ciro Gomes já pulou fora do ringue. Acontece que a pré-campanha, além de engessada pela legislação eleitoral, que o presidente Lula ignora e recorre das multas aplicadas pelo Superior Tribunal Eleitoral (STF) foge do temas impopulares que ou expõem os atrasos da obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa Minha Vida que já inaugurou edifícios e vilas de residências populares, mas está no meio do caminho.
Continuamos marcando passo no atoleiro da desculpas. A verdade enxuta é que os candidatos, desde a trinca dos que sonham com a vaga de Lula – inclusive o próprio, de olho meloso em 2014 – o que castraria a eventual reeleição da presidenta Dilma Rousseff – aos que brigam pelo adorável sacrifício de dois mandatos para os governadores, os que sonham do Oiapoque ao Chui numa Prefeitura que pode enriquecer os ladinos ou catapultá-los para galgar novos degraus na escada deleitosa do poder.
Pois, a menos que se trate de uma epidemia política de asnice, quem cansa a cabeça sabe que a crise política chama-se Brasília. Não posso evitar a insistência. A construção de Brasília, a capital enfeitada pelas curvas sensuais do gênio de Oscar Niemayer, é uma epopéia vítima da ambição política, da omissão da ganância desonesta do pior Congresso de todos os tempo, da miopia da imprensa e de um complexo de azares e acidentes. O primeiro, que marca a cadência da calamidade, foi a açodada ambição de Juscelino Kubitschek, que inaugurou Brasília antes de estar pronta, um canteiro de obras a exigir mais um ano para ser entregue oficialmente ao governo e seus moradores, sem pagar o preço da corrupção com as vantagens, mordomias, passagens aéreas pagas pelo dinheiro público para os marajás dos senadores e deputados passarem o fim de semana nas suas bases eleitorais. Não há no mundo outro exemplo de irresponsabilidade e desprezo pela opinião pública.
Mas, o parlamentar sabe que o escândalo da degradação de Brasília terá que ser enfrentado, antes que leve o regime a mais uma intervenção das Forças Armadas. Hoje, tão impossível como inevitável se o Congresso não assumir a responsabilidade de reduzir a farra da capital ao mínimo possível. A capital que a pressa dos que a construíram não permitiu que se antecipasse com uma emenda constitucional que Brasília é o distrito federal, a ser administrado por um gerente de alto nível, de livre nomeação e demissão do presidente da República. Nem Assembléia Legislativa, governador, Câmara Municipal, vereadores ou prefeitos. Nada de mais um tsunami com outra reeleição de Roriz, o responsável pela favelização da capital com a população prevista para de 300 mil a 400 mil habitante e hoje é o monstrengo com mais de três milhões, o terceiro estado que só perde para São Paulo e Minas.
Brasília nunca mais será a capital do sonho de Oscar Niemayer e nem de Juscelino Kubitschek, cassado pela ditadura militar dos quase 21 anos dos cinco presidentes-generais.
O próximo presidente ou presidenta terá quatro anos do primeiro mandato para enfrentar o desafio da reforma política. Que o presidente Lula em oito anos nunca tomou qualquer iniciativa para cumprir o prometido na campanha.
Texto de Vilas Boas Correia
... Sessenta anos de reportagem politica num País onde as crises começam mas nunca terminam...
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quarta-feira, 5 de maio de 2010
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