Por Carlos Chagas
Ou Dilma Rousseff dá um murro na mesa, já, ou assumirá o governo pela metade, ou menos, no primeiro dia de janeiro. Tornaram-se atrevidos os urubus que até agora voavam sobre a Granja do Torto: dos vôos rasantes passaram a descer nos jardins, a quebrar vidraças com seus bicos afiados e a ocupar os cantos obscuros das salas de reunião.
Perderam a compostura os partidos da base oficial e até as legendas que ficaram de fora da candidatura vitoriosa. Da imposição de manterem os ministérios de que dispõem no governo Lula, passaram a exigir novas pastas, formalizando a criação de blocos parlamentares destinados a chantagear a presidente eleita.
A pretexto de disputar a presidência da Câmara, PMDB, PR, PSC e até o PP, que não apoiou Dilma, e o PTB, que apoiou Serra, movimentam-se para lotear ministérios e impor ministros. Do outro lado, PT, PDT e PC do B não querem outra coisa, enquanto o PSB imagina-se em condições de agir sozinho, mas com as mesmas intenções.
Quando das eleições em outubro, não houve um só eleitor que tivesse votado para presidente da República levando os partidos em consideração. Tratados como apêndices desimportantes, meros penduricalhos incômodos, os líderes políticos em nada influíram no resultado. Agora, ameaçam com a sombra de impasses legislativos e rejeições de projetos de interesse do palácio do Planalto caso não se vejam contemplados na repartição do pão a que não tem direito.
A hora é de a nova presidente botar as quadrilhas para correr, pela força de seus mais de 50 milhões de votos, compondo o ministério que mais se adaptar a seus planos e projetos, mesmo aproveitando figuras partidárias de capacidade reconhecida. Fora daí, será um péssimo começo.
FONTE: CLAUDIOHUMBERTO
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
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