Giannetti: risco é dar um passo maior do que a perna
Para o economista e escritor Eduardo Giannetti da Fonseca, neste ano de retomada do crescimento, o risco é o Brasil tentar dar um passo maior do que a perna, porque quer aumentar o nível de investimento, o consumo das famílias e o gasto do governo.
- Não dá para fazer tudo isso ao mesmo tempo. Se tentarmos, dois desequilíbrios podem aparecer: a pressão da inflação e o déficit em conta corrente – diz ele, apontado pela imprensa como o economista que vai estruturar o plano de governo da pré-candidata do PV, Marina Silva.
Segundo Giannetti, no segundo trimestre, o Banco Central deve começar o ciclo de aperto, aumentando a taxa básica de juros, que hoje está em 8,75% ao ano. A dose não será cavalar. Ele prevê algumas rodadas de alta até se chegar aos 11,25% projetados pelo mercado para o fim de 2010.
- Como dizia um ex-presidente do Federal Reserve, o Banco Central faz esse movimento de tirar o barril de chope quando a festa começa a ficar animada. Ou seja, quando a economia começa a crescer, o BC pisa no freio. Mas desta vez, o movimento será menos brusco. A partir de abril, maio, os aumentos serão graduais – opina o economista, para quem a elevação do compulsório pela autoridade monetária foi uma tentativa de postergar o início do “aperto”.
Apesar das recentes altas apontadas por indicadores de inflação, Giannetti defende que ela está comportada, convergindo para a meta do governo, de 4,5%.
- O IPCA (inflação oficial) tem plenas condições de ficar próximo da meta. Mas se houver aumento do gasto público, o Banco Central poderá fazer um movimento mais abrupto de contenção – diz o economista, professor do Insper/SP.
Fazer planos com os recursos do pré-sal, para ele, é temerário, porque não se sabe a respeito das condições em que será produzido, o preço do barril, entre outras variáveis.
- É como começar a gastar o dinheiro que você acha que vai ganhar na loteria. O Brasil, aliás, está se comprometendo a fazer grandes aportes para os próximos anos, como trem-bala, Olimpíadas, Copa. Se somarmos o volume de recursos, mantendo o consumo e o tamanho do Estado, a conta não fecha – afirma.
Como a base é fraca, ou seja, em 2009 o Brasil cresceu pouco (a taxa ainda não foi divulgada), o PIB deste ano deve registrar alta de 5,5% a 6%, de acordo com Giannetti.
- Mas não dá para dizer que essa será a taxa de crescimento sustentável para os próximos anos.
Fonte: Coluna de Míriam Leitão - Globo
quarta-feira, 3 de março de 2010
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