quinta-feira, 1 de outubro de 2009

UMA SOMBRA DE SAUDADE


Quando olho pra estrada

Fico triste a pensar

Acabou-se a poeira

Agitada no pisar

Das alpargatas que vinham

Caminhando sem parar


Onde esta o meu nordeste

Que cantou o rei do baião

O velho carro de boi

Nas estradas do sertão

O carreiro de carreira

Que boa recordação



E a boiada passando

Onde será que ela estar

O vaqueiro se escondeu?

Ou se esqueceu de buscar?

E os bois passam chorando

Onde carros vão passar.


As quadrilhas não são mais

Como contam meus valores

As meninas matutinhas

Deixaram de ser primores

Hoje são estilizadas.

Enfeitadas com louvores.


Me responda como foi?

O que fez tudo parar?

Foi a tal modernidade

Que só veio acabar

Levando minha esperança

No matulão meu penar.


O que foi que aconteceu

Com o forro do sertão?

Não é mais o arrastapé

Cantado por Gonzagão

Onde a sanfona gritava

O hino do meu torrão.


O homem deixou de ser

Guiado pela enxada

De limpar o seu quintal

Acordar de madrugada

Virou apenas robô

No meio dessa jornada.


Um dia são heróis

Preservando a natureza

Outro dia, homem bomba

Destruindo tal grandeza

Que foi criada por Deus

Com capricho e com beleza.


Onde esta as criancinhas

Que brincavam sem parar?

Suas cantigas de roda

Como vou admirar?

Se as musicas de hoje em dia

Não são mais as melodia

Que embalou meu ninar.


Fica então o meu pensar

verdade que um dia

Vaqueiro foi profissão?

Ou será que seu cavalo

Não voltara pro embalo

Das quebradas do sertão


Autora: Aldinete Sales- aluna do curso de HISTÓRIA DA UERN/ASSU-RN


Fonte: O Varzeano

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