quinta-feira, 27 de agosto de 2009


artigo


O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, é certamente o maior contraponto ao chavismo em toda Cordilheira dos Andes. Seu principal papel é conter os arroubos de pretensão geopolítica da Venezuela. Apesar de bons parceiros comerciais – são mais de US$ 7 bilhões de transações bilaterais por ano – os dois países divergem no fundamental. Enquanto a Colômbia há dez anos empreende campanha militar decisiva contra as Farc para por fim à guerra civil, o regime de Caracas alimenta a narcoguerrilha, inclusive com suporte militar.
Quando a Força Aérea da Colômbia bombardeou as bases das Farc no Equador, Chávez foi o primeiro a espernear, fechou a embaixada em Bogotá, ameaçou romper relações comerciais etc. Recentemente, foi a mesma cantilena sobre a operação militar dos Estados Unidos em território colombiano. Uribe e Chávez não se bicam, certo? Mais ou menos. Na semana passada, o presidente da Colômbia deu as costas para a grandeza de estadista para abraçar os princípios bolivarianos.
Álvaro Uribe, em procedimento semelhante ao rolo compressor do Executivo brasileiro, fez o Senado da Colômbia aprovar um referendo, sempre ele, para abrir caminho ao terceiro mandato. A mesma manobra Uribe executou em 2006 para conseguir se reeleger. O Brasil quase cometeu o mesmo desatino. O estratagema não funcionou porque o presidente Lula percebeu a imensa impopularidade da medida. Ao preferir não correr o risco, assumiu o papel de garantidor da Constituição e da democracia. Ficou ótimo na foto.
Já o presidente da Colômbia preferiu abrir mais uma vaga no elenco dos três patetas bolivarianos. Ao se fazer parecido com Chávez, Correa e Morales, o colombiano só confirma o descrédito político da América do Sul. Não há como levar a sério países que mantêm o comportamento próprio de republiqueta ao manipular a Constituição para satisfazer caprichos eleitorais de presidentes com pretensões monárquicas de exercício do poder.
Democracia pressupõe segurança jurídica, instituto que fica bastante prejudicado quando se segue a doutrina bolivariana de usurpar dos estatutos jurídicos para dar azo ao populismo. A Colômbia de Uribe melhorou muito. Tinha um indicador de pobreza de 53,7% em 2002 e fechou o ano passado com uma taxa de 46%. As vitórias contra a narcoguerrilha e os cartéis da cocaína ajudaram a fazer a popularidade do presidente. Nada que justifique o golpe de terceiro mandato, ainda mais com as denúncias de mala preta correndo para adquirir a vontade de parlamentares.
Nesta semana, a representação diplomática da Colômbia na Organização dos Estados Americanos (OEA) prometeu ingressar no Conselho Permanente da instituição com representação contra o governo de Chávez, a quem acusa de intervenção política no País. Tudo porque o Chapolin Colorado encomendou à sua ministra da comunicação um plano de marketing para levar a doutrina bolivariana ao conhecimento do povo da Colômbia. Não é preciso o esforço externo da Venezuela. Uribe se encarregou ele próprio de importar o ideal de Chávez ao manipular o Congresso em busca de um terceiro mandato.
É o que podemos chamar de bolivariano neoliberal.

Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (DEM-GO)


Fonte:blog do Noblat

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