Miguezim de Princesa
I
Senadores da República,Venho relatar meu tormento:Trabalhei a vida inteira,Tive um fusca e um jumento,Mas não consigo juntarDinheiro para comprarUma casa ou apartamento.
II
Depois de muito lutar,Vim parar na capital, Onde tudo é muito caro Na especulação fatal. Por mais que tenha apelado, Difícil é ser contemplado Com imóvel funcional.
III
Trabalho até altas horas Da vista se irritar,Da perna ficar dormente, Do cabelo arrepiar, Da coisa mudar de tom, Mas hora-extra que é bom Ninguém vem pra me pagar.
IV
Quando vou à Paraíba Num baú a chacoalhar, Não aparece um cristão Disposto a me ajudar Com uma passagem de avião Pra melhorar meu padrão E o cansaço aliviar.
V
Princesa é como no México: Esse celular normal, Que a gente compra nas lojas, Quando pega, pega mal. Assim quando lá eu for, Vou pedir ao senador Um celular funcional.
VI
Quero ingressar no Senado, Ser funcionário exemplar, Tomar conta de garagem,Limpar o chão, capinar, Dirigir escadaria, Mas depois, no fim do dia, Degustar um caviar.
VII
Eu quero ser diretorPara dar nó de gravata, Ficar enrolando bufa Ou filmando passeata, Ganhar mais que senador, Passear no corredor Só espalhando bravata.
VIII
Eu quero ser diretor Montado na brilhantina, Cheio de ajuda de custo Para botar gasolina No posto do meu irmão Que fica na contramão Da ética que me arruína.
IX
Diretor eu quero ser Para um assunto retado: Passar o dia flanando Atrás de rabo assanhado De piriguetes sabidas Que se fingem de perdidas No corredor do Senado
.X
Eu quero ser diretor, Bem nos conformes da lei. Só que existe um problema: A lotação eu não sei. Eu topo qualquer lugar, Até mesmo pra escovar O bigode do Sarney.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
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